{"id":18358,"date":"2015-01-12T13:34:50","date_gmt":"2015-01-12T13:34:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127640"},"modified":"2015-01-12T13:34:50","modified_gmt":"2015-01-12T13:34:50","slug":"como-sempre-os-estados-unidos-apostam-nas-ditaduras-do-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/como-sempre-os-estados-unidos-apostam-nas-ditaduras-do-oriente-medio\/","title":{"rendered":"Como sempre, os Estados Unidos apostam nas ditaduras do Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127643\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tahrir-629x4131.jpg\"><img class=\"wp-image-127643\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tahrir-629x4131.jpg\" alt=\"tahrir 629x4131 Como sempre, os Estados Unidos apostam nas ditaduras do Oriente M\u00e9dio\" width=\"580\" height=\"381\" title=\"Como sempre, os Estados Unidos apostam nas ditaduras do Oriente M\u00e9dio\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na pra\u00e7a Tahrir, no Cairo. Foto: Mohammed Omer\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 12\/1\/2015 \u2013 Por um momento, h\u00e1 quatro anos, parecia que os ditadores do Oriente M\u00e9dio logo seriam uma coisa do passado. Na \u00e9poca, parecia que os Estados Unidos teriam que dar provas de seu declarado apoio \u00e0 democracia, enquanto milh\u00f5es de tunisianos, eg\u00edpcios, barenitas, iemenitas e demais se rebelavam contra a repress\u00e3o de seus governantes. Muitos desses autocratas contavam com o apoio de Washington, oferecendo em troca a \u201cestabilidade\u201d em seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Entretanto, nem mesmo a queda de v\u00e1rios governos conseguiu desbaratar a pol\u00edtica de apoio aos ditadores amigos que os Estados Unidos aplicam h\u00e1 d\u00e9cadas. Washington redobrou o fornecimento constante de armas e fundos para os pa\u00edses dispostos a apoiar os interesses estrat\u00e9gicos norte-americanos, independente da forma com tratam seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Por exemplo, quatro anos depois da queda do ditador eg\u00edpcio Hosni Mubarak (1981-2011), o Egito tem, novamente, um presidente de carreira militar e uma toler\u00e2ncia ainda menor com a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que seu antecessor. As numerosas deten\u00e7\u00f5es e as condena\u00e7\u00f5es precipitadas de ativistas pol\u00edticos, dos quais mais de mil foram condenados \u00e0 morte, voltaram a despertar o temor que os eg\u00edpcios acreditavam ter desaparecido para sempre ap\u00f3s a queda de Mubarak e a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Quando as for\u00e7as armadas, comandadas pelo atual presidente, Abdel Fatah al Sisi, depuseram o presidente democraticamente eleito, Mohamed Morsi, em julho de 2013, o governo de Barack Obama duvidou quanto a suspender a ajuda militar ao Egito, algo que as leis norte-americanas exigem no caso de um golpe de Estado. Mas, apesar de algumas suspens\u00f5es parciais e tempor\u00e1rias, Washington n\u00e3o cessou o envio de seus equipamentos militares.<\/p>\n<p>Agora que Sisi lidera um governo nominalmente civil, instalado mediante um simulacro de elei\u00e7\u00f5es com o voto de uma pequena maioria, os Estados Unidos levantaram todas as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 ajuda, que inclui helic\u00f3pteros militares Apache empregados para intimidar e atacar os manifestantes. \u201cOs Apache vir\u00e3o, e vir\u00e3o muito, muito em breve\u201d, prometeu o secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, em junho de 2014, um m\u00eas depois da elei\u00e7\u00e3o de Sisi.<\/p>\n<p>No pequeno reino do Bahrein continuam as manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram em fevereiro de 2011 por uma reforma constitucional, apesar de o governo tentar silenciar a oposi\u00e7\u00e3o com todos os meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, desde armas at\u00e9 pris\u00e3o perp\u00e9tua. Em todo este processo, Washington tratou esse pa\u00eds como se fosse um aliado respeit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2011, por exemplo, apenas dias depois que as for\u00e7as de seguran\u00e7a barenitas responderam com balas aos manifestantes em Manama, em um ataque que deixou quatro mortos e numerosos feridos, Obama elogiou o \u201ccompromisso reformista\u201d do rei Hamad bin Isa Al Jalifa. A Casa Branca tamb\u00e9m n\u00e3o objetou quando foi informada de que 1.200 soldados da Ar\u00e1bia Saudita entrariam no Bahrein para sufocar os protestos de mar\u00e7o de 2011. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o param de chegar not\u00edcias preocupantes.<\/p>\n<p>Um informe do Departamento de Estado de 2013 reconheceu que o Bahrein revoga a cidadania dos ativistas destacados, realiza pris\u00f5es com acusa\u00e7\u00f5es vagas, tortura os presos e pratica a \u201cpriva\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria da vida\u201d, um eufemismo que significa matar pessoas. E quais foram as consequ\u00eancias?<\/p>\n<p>Em 2012, a press\u00e3o internacional obrigou os Estados Unidos a proibirem a venda de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo norte-americano para as for\u00e7as de seguran\u00e7a do Bahrein. Em agosto de 2014, Washington suspendeu parte de sua ajuda militar quando o regime expulsou um diplomata norte-americano por manter reuni\u00f5es com membros de um partido opositor. Mas isso foi tudo.<\/p>\n<p>A suspens\u00e3o do envio de tanques, avi\u00f5es e g\u00e1s lacrimog\u00eaneo \u00e9 pouco mais do que um pux\u00e3o de orelha quando a quinta frota da marinha dos Estados Unidos mant\u00e9m sua sede na costa da capital barenita. E a participa\u00e7\u00e3o do Bahrein nos ataques a\u00e9reos contra o grupo extremista Estado Isl\u00e2mico s\u00f3 fez fortalecer o v\u00ednculo entre o regime e a Casa Branca.<\/p>\n<p>De fato, a crise no Iraque e na S\u00edria refor\u00e7ou a estrat\u00e9gia militarista predominante que Washington aplica no Oriente M\u00e9dio h\u00e1 muito tempo. Todo governo disposto a aderir a esta nova frente na \u201cguerra contra o terrorismo\u201d ser\u00e1 beneficiado com a generosidade norte-americana e com passe livre para reprimir.<\/p>\n<p>A reclama\u00e7\u00e3o popular no Oriente M\u00e9dio deve estar lado a lado com uma reclama\u00e7\u00e3o popular nos Estados Unidos que fa\u00e7a tremer as bases da pol\u00edtica externa de Washington. Agora que come\u00e7ou novo ano, \u00e9 nossa vez de superar o medo e insistir em que outro caminho \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p><em>* <strong>Amanda Ufheil-Somers<\/strong> \u00e9 editora-adjunta da <\/em>Middle Easty Report<em>, uma publica\u00e7\u00e3o do Projeto de Pesquisa e Informa\u00e7\u00e3o sobre o Oriente M\u00e9dio, merip.org. Este artigo foi publicado originalmente em Otherwords.org. As opini\u00f5es nele expressas s\u00e3o responsabilidade da autora e n\u00e3o representam necessariamente as da IPS, nem a esta podem ser atribu\u00eddas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 12\/1\/2015 &ndash; Por um momento, h&aacute; quatro anos, parecia que os ditadores do Oriente M&eacute;dio logo seriam uma coisa do passado. 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