{"id":18362,"date":"2015-01-12T14:12:51","date_gmt":"2015-01-12T14:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127650"},"modified":"2015-01-12T14:12:51","modified_gmt":"2015-01-12T14:12:51","slug":"india-emprega-agricultura-ecologica-para-ganhar-do-tsunami","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/india-emprega-agricultura-ecologica-para-ganhar-do-tsunami\/","title":{"rendered":"\u00cdndia emprega agricultura ecol\u00f3gica para ganhar do tsunami"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/agriculturacampo-629x389.jpg\"><img class=\"aligncenter wp-image-127652\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/agriculturacampo-629x389.jpg\" alt=\"agriculturacampo 629x389 \u00cdndia emprega agricultura ecol\u00f3gica para ganhar do tsunami\" width=\"529\" height=\"327\" title=\"\u00cdndia emprega agricultura ecol\u00f3gica para ganhar do tsunami\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nagapatnam, \u00cdndia, 12\/1\/2015 \u2013 De p\u00e9 entre seus exuberantes arrozais verdes em Nagapatnam, um distrito costeiro no Estado indiano de Tamil Nadu, o produtor Ramajayam recorda como uma onda mudou toda sua vida. O tsunami asi\u00e1tico de 2004 arrasou seus cultivos e os de milhares de outros agricultores, na medida em que os enormes volumes de \u00e1gua salgada inundavam as terras f\u00e9rteis da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O desastre matou 6.065 pessoas em Nagapatnam, mais de 85% do total de mortos no Estado. Os agricultores que sobreviveram tiveram que recuperar seus campos, que em alguns lugares ficaram alagados mesmo estando a tr\u00eas quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do mar. As ondas arrasaram seus 24 mil hectares de cultivos.<\/p>\n<p>A \u00e1gua salgada n\u00e3o retrocedeu e arruinou a colheita de arroz que estaria pronta para ser colhida 15 dias depois da cat\u00e1strofe. Pequenos reservat\u00f3rios que os camponeses cavaram com ajuda do governo se tornaram salinos, e a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua teve um \u201cefeito corrosivo\u201d, segundo os agricultores, que matou a mat\u00e9ria org\u00e2nica fundamental para futuras colheitas.<\/p>\n<p>As terras de pequenos produtores como Ramajayam, n\u00e3o maiores do que cinco hectares, se tornaram salinas. Nem mesmo as \u00e1rvores que resistiram ao embate do tsunami sobrevieram \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o de sal, recordou Kumar, outro agricultor. \u201cEst\u00e1vamos acostumados aos desastres naturais, mas a nada como o tsunami\u201d, afirmou Ramajayam.<\/p>\n<p>O Estado e as organiza\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia ofereceram meios de vida alternativos aos que foram prejudicados, mas os cerca de dez mil pequenos produtores afetados, que trabalham essas terras h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o estavam dispostos a mudar de ocupa\u00e7\u00e3o. Muitos ignoraram os informes t\u00e9cnicos alertando que a recupera\u00e7\u00e3o do solo poderia demorar dez anos, e plantaram sementes apenas um ano depois do tsunami. Mas nenhuma brotou.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que entraram em a\u00e7\u00e3o v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ongs) e come\u00e7ou um per\u00edodo de renova\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de solos org\u00e2nicos que se converteu em um modelo para diversos lugares afetados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Uma das primeiras dessas organiza\u00e7\u00f5es a intervir foi o Movimento de Produtores Org\u00e2nicos de Tamil Nadu (TOFarM), que adotou o povoado de South Poigainallur como local para seu trabalho-piloto.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi medir a magnitude do dano. Quando foi confirmado que a terra era incultiv\u00e1vel, a ong elaborou solu\u00e7\u00f5es adaptadas para cada propriedade que incluiu sele\u00e7\u00e3o de sementes e equipamentos baseados nas condi\u00e7\u00f5es do solo e da topografia. Foram eliminados os dep\u00f3sitos de lama marinha, levantadas estruturas de conten\u00e7\u00e3o e os campos arados.<\/p>\n<p>Foram abertas profundas faixas nas \u00e1reas, nas quais foram colocadas as \u00e1rvores arrancadas pelo tsunami. Na medida em que estas se decompunham areavam o terreno. Tamb\u00e9m foram plantadas sementes de dhaincha, uma leguminosa conhecida pelo nome cient\u00edfico <em>Sesbania bispinosa<\/em>.<\/p>\n<p>A dhaincha \u201c\u00e9 conhecida como doutora da terra, porque \u00e9 um cultivo de adubo verde que cresce bem em solos salinos\u201d, explicou M Revathi, o fundador da TOfarM. Quando as plantas dhaincha, ricas em nutrientes, floresceram ap\u00f3s 45 dias, a terra foi novamente arada para solt\u00e1-la e abrir seus poros. A compostagem e o adubo agr\u00edcola foram acrescentados em etapas antes de semeadora. Hoje em dia, o processo \u00e9 uma mostra da capacidade que t\u00eam as solu\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Os agricultores pobres de Tamil Nadu dependem da ajuda p\u00fablica para subsistirem. Todo m\u00eas o Sistema de Distribui\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Estado entrega tr\u00eas toneladas de arroz a mais de 20 milh\u00f5es de pessoas. Por sua vez, o Estado compra as colheitas por um pre\u00e7o fixo que \u00e9 muito inferior ao do mercado, embora garanta aos produtores uma renda est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Desta forma, os aproximadamente 13 mil pequenos agricultores do Estado ganham apenas o suficiente para cobrir suas necessidades mensais. E em lugares como Nagapatnam, onde as fontes de \u00e1gua doce ficam 25 metros abaixo do n\u00edvel do solo, os que dependem da agricultura de seca t\u00eam uma grande desvantagem.<\/p>\n<p>Quando o tsunami se apoderou da terra, muitos temiam que nunca se recuperariam. \u201cA quantidade de micr\u00f3bios na cabe\u00e7a de um alfinete, que deveria ser quatro mil em terra boa, caiu para menos de 500 nesta regi\u00e3o\u201d, disse Dhanapal, um agricultor de Kilvelur, em Nagapatnam e diretor da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores do Delta Cauvery. Mas a ajuda n\u00e3o estava longe.<\/p>\n<p>O produtor S. Mahalingam tem uma planta\u00e7\u00e3o de arroz de pouco mais de tr\u00eas hectares perto de um canal em North Poigainallur, cujos cultivos foram arrasados pelo tsunami. V\u00e1rias ongs, com apoio privado e de organismos humanit\u00e1rios, bombearam a \u00e1gua marinha dos campos de Mahalingam e distribu\u00edram sementes gratuitamente enquanto o governo estatal perdoou sua d\u00edvida pendente por um empr\u00e9stimo agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do esterco produzido pela granja, Mahalingam utiliza as folhas de diversas \u00e1rvores aut\u00f3ctones com adubo verde. As chuvas posteriores tamb\u00e9m ajudaram a eliminar parte da salinidade. O produtor semeou variedades tradicionais de arroz resistentes ao sal, chamadas kuruvikar e kattukothalai. Em dois anos sua propriedade se recuperou, o que lhe permitiu continuar com o cultivo de arroz e verduras.<\/p>\n<p>A ong Kudumbam, com sede em Trichy, inovou com outros m\u00e9todos, como o gesso, para reabilitar as terras inundadas. O agricultor P. I. Manikkavasagam, por exemplo, recebeu ajuda da organiza\u00e7\u00e3o para recuperar seus dois hectares de terras. Recorrendo a uma pr\u00e1tica milenar, cavou trincheiras e as encheu de folhas de palmeiras que crescem em abund\u00e2ncia ao longo da costa. A Kudumbam fornece biofertilizantes, como fosfobact\u00e9ria, azospirilum e acetobacter, cruciais para dar vida \u00e0 terra alagada.<\/p>\n<p>\u201cA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 que a agricultura org\u00e2nica necessita anos para gerar bons resultados e renda. Mas, durante os trabalhos de reabilita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o tsunami, demonstramos que em menos de um ano os m\u00e9todos org\u00e2nicos podem dar melhores resultados do que os qu\u00edmicos\u201d, ressaltou Revathi, da TOFarM. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nagapatnam, &Iacute;ndia, 12\/1\/2015 &ndash; De p&eacute; entre seus exuberantes arrozais verdes em Nagapatnam, um distrito costeiro no Estado indiano de Tamil Nadu, o produtor Ramajayam recorda como uma onda mudou toda sua vida. 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