{"id":18369,"date":"2015-01-13T16:04:54","date_gmt":"2015-01-13T16:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127691"},"modified":"2015-01-13T16:04:54","modified_gmt":"2015-01-13T16:04:54","slug":"refugiados-afegaos-ja-nao-sao-tao-bem-vindos-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/refugiados-afegaos-ja-nao-sao-tao-bem-vindos-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Refugiados afeg\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem-vindos no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127693\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/camion-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-127693\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/camion-629x420.jpg\" alt=\"camion 629x420 Refugiados afeg\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem vindos no Paquist\u00e3o\" width=\"580\" height=\"387\" title=\"Refugiados afeg\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem vindos no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A maioria dos cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados afeg\u00e3os no Paquist\u00e3o cruzou a fronteira em 1979, durante a invas\u00e3o sovi\u00e9tica de seu pa\u00eds. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 13\/1\/2015 \u2013 No Paquist\u00e3o vivem entre dois milh\u00f5es e tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados afeg\u00e3os. Alguns chegaram h\u00e1 poucos meses e se alojam em abrigos improvisados, mas outros est\u00e3o instalados h\u00e1 d\u00e9cadas. A maioria fugiu da guerra e outros simplesmente da falta de trabalho. Agora enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, a de ficarem presos na rede que pretende expulsar os residentes \u201cilegais\u201d deste pa\u00eds do sul da \u00c1sia, de 188 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), 1,6 milh\u00e3o de afeg\u00e3os residem legalmente no Paquist\u00e3o e s\u00e3o titulares de prova do registro (POR) que essa ag\u00eancia concede. Acredita-se que muitos vivem ilegalmente no pa\u00eds, sobretudo na faixa norte e tribal que faz limite com o Afeganist\u00e3o. A maioria chegou durante a invas\u00e3o sovi\u00e9tica ao seu pa\u00eds, em 1979. A guerra levou os afeg\u00e3os a cruzarem a fronteira montanhosa que se estende por cerca de 2.700 quil\u00f4metros entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>As \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata) e Jyber Pajtunjwa (JP), que ent\u00e3o se conhecia como prov\u00edncia da Fronteira do Noroeste, ofereciam uma boa integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade local, j\u00e1 que a l\u00edngua comum, o pashto, reduzia a brecha entre os afeg\u00e3os de etnia pashtun e a popula\u00e7\u00e3o paquistanesa, majoritariamente panyabi.<\/p>\n<p>Mas, o que come\u00e7ou como calorosas boas-vindas esfriou com o passar das d\u00e9cadas, e agora muitos atribuem aos afeg\u00e3os grande parte da criminalidade, do desemprego e dos atos extremistas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 16 de dezembro, um atentado terrorista contra uma escola em Peshawar, capital de JP, matou 148 pessoas, das quais 132 eram crian\u00e7as, e lan\u00e7ou mais lenha no aceso debate sobre a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados afeg\u00e3os, acusados de engrossar as fileiras dos talib\u00e3s paquistaneses e outros grupos armados que operam impunemente nas zonas tribais.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias depois do massacre, 19 de dezembro, o ministro-chefe de JP, Pervez Khattak, convocou uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia do gabinete para exigir a retirada imediata de todos os refugiados afeg\u00e3os, afirmando que o ataque contra a escola fora planejado no Afeganist\u00e3o. Essa exig\u00eancia \u00e9 cada vez mais forte no norte do Paquist\u00e3o, onde o terrorismo fez mais de 50 mil mortes desde 2001, quando a ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana do Afeganist\u00e3o causou uma segunda onda de imigra\u00e7\u00e3o para este pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um debate nacional levou \u00e0 decis\u00e3o de que os residentes afeg\u00e3os legais poder\u00e3o permanecer no Paquist\u00e3o at\u00e9 o final de 2015, quando ser\u00e3o repatriados de forma segura. Em uma entrevista \u00e0 IPS, no dia 22 de dezembro, o ministro federal de Estados e Regi\u00f5es Fronteiri\u00e7as, Abdul Qadir Baloch, afirmou categoricamente que os refugiados legais permanecer\u00e3o at\u00e9 o final deste ano, segundo o acordo do governo com o Acnur.<\/p>\n<div id=\"attachment_127694\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afegaos.jpg\"><img class=\"wp-image-127694\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afegaos.jpg\" alt=\"afegaos Refugiados afeg\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem vindos no Paquist\u00e3o\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Refugiados afeg\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem vindos no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os afeg\u00e3os s\u00e3o propriet\u00e1rios de dez mil das 20 mil lojas de Peshawar, e tamb\u00e9m de diversos neg\u00f3cios informais. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNunca que se falou que os refugiados afeg\u00e3os registrados estivessem envolvidos em incidentes relacionados com o terrorismo no pa\u00eds e n\u00e3o ser\u00e3o repatriados contra sua vontade\u201d, declarou Baloch. Por\u00e9m, cansadas de esperar, as autoridades locais tomaram as leis em suas pr\u00f3prias m\u00e3os e come\u00e7aram uma importante ofensiva contra os refugiados afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 80% dos crimes em JP s\u00e3o cometidos pelos afeg\u00e3os\u201d, afirmou o ministro de Informa\u00e7\u00e3o de JP, Mushtaq Ghani. \u201cEst\u00e3o envolvidos em assassinatos e sequestros para extors\u00e3o, mas desaparecem depois de cometerem esses crimes e n\u00e3o podemos rastre\u00e1-los\u201d, detalhou \u00e0 IPS. \u201cPor isso, exigimos que os que tenham POR sejam internados em acampamentos e os que n\u00e3o o t\u00eam que sejam enviados para casa\u201d, acrescentou o funcion\u00e1rio, cuja prov\u00edncia abriga aproximadamente um milh\u00e3o de afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>O agente policial Khalid Khan informou que todos os dias s\u00e3o detidas cerca de cem pessoas. \u201cS\u00e3o buscadas em todas as casas\u201d, disse \u00e0 IPS, acrescentando que inclusive se investiga as \u201clocalidades ricas\u201d em busca de poss\u00edveis residentes ilegais.<\/p>\n<p>Mas aos afeg\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o atribu\u00eddos apenas o terrorismo e a criminalidade. Tamb\u00e9m se assegura que as empresas ilegais estabelecidas pelos refugiados acabaram com os neg\u00f3cios locais. Segundo Ghulam Nabi, vice-presidente da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastrias de JP, os afeg\u00e3os s\u00e3o propriet\u00e1rios de dez mil das 20 mil lojas em Peshawar. Mas, como n\u00e3o s\u00e3o residentes registrados, n\u00e3o est\u00e3o sujeitos aos mesmos impostos pagos pelos paquistaneses.<\/p>\n<p>Nabi e sua organiza\u00e7\u00e3o \u201cexortaram\u201d o governo a enviar os afeg\u00e3os de volta para que os residentes locais possam continuar trabalhando. Tamb\u00e9m afirmaram que a demanda por moradia pelos refugiados elevou os alugu\u00e9is a pre\u00e7os inacess\u00edveis. Al\u00e9m dos afeg\u00e3os, JP tamb\u00e9m abriga milhares de paquistaneses que fugiram de outras prov\u00edncias. Os mais recentes chegaram ap\u00f3s a ofensiva militar contra as for\u00e7as insurgentes no distrito de Wazirist\u00e3o do Norte.<\/p>\n<p>Abdullah Khan, professor da Universidade de Peshawar, informou \u00e0 IPS que dois milh\u00f5es de paquistaneses refugiados vivem atualmente em JP, muitos deles em \u201ccidades-barracas\u201d improvisadas no distrito de Bannu. E pontuou que o gradual retorno do Afeganist\u00e3o \u00e0 democracia preparou o caminho para a repatria\u00e7\u00e3o dos refugiados. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea motivo para o Paquist\u00e3o continuar acolhendo uma popula\u00e7\u00e3o estrangeira t\u00e3o grande.<\/p>\n<p>Essa opini\u00e3o \u00e9 compartilhada por Imran Khan, l\u00edder do Movimento pela Justi\u00e7a Paquistanesa, o partido no poder em JP. \u201cO governo emite por dia 500 vistos paquistaneses para os afeg\u00e3os na fronteira de Torkham\u201d, uma passagem importante que liga a prov\u00edncia afeg\u00e3 de Nangarhar com as Fata, \u201cmas estima-se que entre 15 mil e 20 mil pessoas cruzem a fronteira diariamente\u201d, afirmou no m\u00eas passado. \u201cO movimento ilegal ocorre porque n\u00e3o temos um sistema de acompanhamento dessas pessoas e de suas atividades aqui\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na tentativa de ratificar as defici\u00eancias do sistema, a pol\u00edcia de JP come\u00e7ou a bloquear os telefones celulares dos afeg\u00e3os e a regular os movimentos dos refugiados que violam as condi\u00e7\u00f5es de seus vistos. Os residentes afeg\u00e3os afirmam que as acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o infundadas, e os que vivem no Paquist\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas consideram esse pa\u00eds seu lar. Outros temem o retorno ao Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Gul Jamal, um anci\u00e3o afeg\u00e3o, disse \u00e0 IPS que embora sua fam\u00edlia queira voltar, a situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds \u201c\u00e9 muito prec\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 centros educativos nem de sa\u00fade, nem eletricidade\u201d, acrescentndo que as oportunidades de trabalho tamb\u00e9m s\u00e3o escassas no Afeganist\u00e3o. Ele espera que o governo do Paquist\u00e3o se \u201capiede\u201d de seus compatriotas. \u201cA repatria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada nos expor\u00e1 a muitos problemas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas o ministro Baloch assegurou que \u201co governo proteger\u00e1 os afeg\u00e3os legais contra a repatria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 13\/1\/2015 &ndash; No Paquist&atilde;o vivem entre dois milh&otilde;es e tr&ecirc;s milh&otilde;es de refugiados afeg&atilde;os. Alguns chegaram h&aacute; poucos meses e se alojam em abrigos improvisados, mas outros est&atilde;o instalados h&aacute; d&eacute;cadas. A maioria fugiu da guerra e outros simplesmente da falta de trabalho. 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