{"id":18371,"date":"2015-01-13T16:00:32","date_gmt":"2015-01-13T16:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127701"},"modified":"2015-01-13T16:00:32","modified_gmt":"2015-01-13T16:00:32","slug":"a-vida-libanesa-entre-pobreza-guerra-e-videogames","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/a-vida-libanesa-entre-pobreza-guerra-e-videogames\/","title":{"rendered":"A vida libanesa entre pobreza, guerra e videogames"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127703\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/ahmad-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-127703\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/ahmad-629x419.jpg\" alt=\"ahmad 629x419 A vida libanesa entre pobreza, guerra e videogames\" width=\"580\" height=\"386\" title=\"A vida libanesa entre pobreza, guerra e videogames\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O estudante de engenharia Ahmad (direita) conversa com um amigo. \u00c9 um jovem afortunado no bairro de Bab al Tabbaneh porque pode ir \u00e0 escola gra\u00e7as a uma bolsa. Foto: Oriol Andr\u00e9s Gallart\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tr\u00edpoli, L\u00edbano, 13\/1\/2015 \u2013 \u201cAs pessoas se acostumam com a guerra. No \u00faltimo combate, as crian\u00e7as saiam para brincar. Imagine um garoto de sete anos se esquivando das balas apenas para jogar videogame?\u201d, perguntou Mohammad Darwish, dono de um cibercaf\u00e9 em Bab al Tabbaneh, um bairro de Tr\u00edpoli. A jovem clientela de Darwish est\u00e1 resignada \u00e0 persist\u00eancia de conflitos armados, afirmou, sentado atr\u00e1s do balc\u00e3o de seu cibercaf\u00e9, localizado em uma das principais ruas de Tabbaneh.<\/p>\n<p>Apesar de sua pouca idade, a clientela est\u00e1 segura de que os enfrentamentos, algo rotineiro nessa \u00e1rea durante os \u00faltimos seis anos, recrudescer\u00e3o cedo ou tarde. Mesmo quando reina a calma, os pr\u00e9dios com marcas de bala em Tabbaneh recordam os combates passados.<\/p>\n<p>O \u00faltimo foco de viol\u00eancia foi registrado em outubro. Os choques entre o ex\u00e9rcito e combatentes sunitas paralisaram Tr\u00edpoli durante tr\u00eas dias e destru\u00edram parte da hist\u00f3rica cidade velha. O saldo foi de oito civis, 11 soldados e 22 guerrilheiros mortos. Agora os militares est\u00e3o no controle em Tabbaneh, com soldados e tanques em cada esquina. Curiosamente, as lojas e casas exibem bandeiras e cartazes do grupo extremista Estado Isl\u00e2mico (EI).<\/p>\n<p>\u201cEu apoio o EI e o Jabhat al Nusra (JN)\u201d, o ramo associado \u00e0 rede extremista Al Qaeda, disse, com um sorriso, Hassan, de 19 anos e desempregado. O grupo isl\u00e2mico dar\u00e1 \u00e0s pessoas o direito de \u201cter um posto de trabalho, viver em paz segundo os preceitos isl\u00e2micos e se movimentar livremente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que Tabbaneh seja o bairro mais dif\u00edcil para criar um filho ou uma filha em toda Tr\u00edpoli. Trata-se de uma das \u00e1reas mais pobres e marginalizadas da segunda maior cidade do L\u00edbano, que fica a apenas 80 quil\u00f4metros ao norte de Beirute. A neglig\u00eancia de v\u00e1rios governos centrais deixou a cidade de maioria sunita na pobreza, no desemprego e na exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>Cerca de 76% dos habitantes de Tabbaneh vivem abaixo da linha da pobreza, segundo o estudo <em>A Pobreza Urbana em Tr\u00edpoli<\/em>, publicado em 2012 pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social para a \u00c1sia Ocidental, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Estas circunst\u00e2ncias, agravadas pela explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do sectarismo dentro de uma sociedade muito conservadora, exacerbaram a viol\u00eancia, principalmente entre Tabbaneh e o bairro de Jabal Mohsen.<\/p>\n<p>Os dois bairros s\u00e3o separados apenas por uma estrada, mas, enquanto os habitantes de Bab Al Tabbaneh s\u00e3o em sua maioria sunitas, como os principais grupos rebeldes da S\u00edria, a maioria dos moradores de Jabal Mohsen s\u00e3o alau\u00edtas, ramo isl\u00e2mico ao qual pertence o presidente s\u00edrio, Bashar al Assad.<\/p>\n<p>Esse sectarismo gerou uma rivalidade que remonta \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o s\u00edria do L\u00edbano, entre 1976 e 2005. A viol\u00eancia voltou em 2008 e se intensificou ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra civil s\u00edria, em 2011. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, mais de 20 s\u00e9ries de combates aconteceram em Tripoli, principalmente entre combatentes de Tabbaneh e Mohsen.<\/p>\n<div id=\"attachment_127704\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/poster.jpg\"><img class=\"wp-image-127704\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/poster.jpg\" alt=\"poster A vida libanesa entre pobreza, guerra e videogames\" width=\"580\" height=\"386\" title=\"A vida libanesa entre pobreza, guerra e videogames\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um cartaz em Bab al Tabbaneh recorda uma crian\u00e7a abatida durante os enfrentamentos na vizinhan\u00e7a. Foto: Oriol Andr\u00e9s Gallart\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cLutamos para defender nosso povo, para conseguir a paz\u201d, afirmou Khaled, de 19 anos, empregado em uma padaria, que tamb\u00e9m pertence a um grupo armado local. Mas Ahmad, da mesma idade, \u00e9 mais c\u00e9tico. \u201cAs pessoas lutam porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro nem trabalho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ahmad estuda engenharia gra\u00e7as a uma bolsa concedida pela Ruwwad Al Tanmeya, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental da regi\u00e3o que promove o ativismo juvenil, a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e a educa\u00e7\u00e3o. Como seu pai foi militar, o Estado pagou a maior parte de suas despesas escolares quando era mais jovem e teve a possibilidade de estudar em escolas particulares fora de Tabbaneh.<\/p>\n<p>Hoda al Rifai, integrante da Ruwwad, concorda com Ahmad. \u201cMuitas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam renda. Cada vez que come\u00e7a um conflito, os combatentes recebem um pagamento. E estes combatentes tamb\u00e9m d\u00e3o dinheiro \u00e0s crian\u00e7as para que cumpram tarefas espec\u00edficas. Dessa forma podem ganhar at\u00e9 US$ 3 por dia, e isso \u00e9 melhor do que ir \u00e0 escola. Seus pais tamb\u00e9m pensam dessa forma\u201d, explicou. Os estere\u00f3tipos tamb\u00e9m complicam a vida dos jovens de Tabbaneh, como ocorre quando buscam trabalho fora do bairro, e afetam sua personalidade, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos, os jovens n\u00e3o tinham confian\u00e7a em si mesmos. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o produzem uma imagem desses bairros como locais onde se pode encontrar jovens brilhantes, dispostos a estudar. S\u00f3 destacam os enfrentamentos e todo tipo de coisas negativas\u201d, apontou Rifai.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 membros do JN ou do EI aqui\u201d, assegurou Darwish. Para muitos, as bandeiras do EI exibidas em Tabbaneh s\u00e3o uma forma de mostrar seu descontentamento pelo suposto abandono ao qual o governo submete a comunidade sunita, e especificamente o bairro em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEste n\u00e3o \u00e9 um conflito religioso, mas pol\u00edtico. Quando os pol\u00edticos querem enviar uma mensagem aos demais, pagam pelos enfrentamentos aqui\u201d, acrescentou a tia de Darwish, de 49 anos, vestida completamente de preto. \u201cNesta cidade pode-se dar US$ 20 a um menino para que comece uma guerra\u201d, destacou Darwish.<\/p>\n<p>Entretanto, v\u00e1rios estudos conclu\u00edram que apenas uma pequena porcentagem dos cerca de 80 mil habitantes de Tabbaneh participam dos combates, e Sarah al Charif, a diretora da Ruwwad no L\u00edbano, destacou as melhoras observadas nos jovens que participam dos projetos da ONG. \u201cTomam consci\u00eancia de seus interesses, valores e da dor compartilhada. Adquirem uma mente mais aberta, especialmente as jovens\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Sarah, al\u00e9m do investimento p\u00fablico e das oportunidades de emprego, toda solu\u00e7\u00e3o deve incluir a sensibiliza\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o. \u201cEm primeiro lugar, os cidad\u00e3os devem compreender o motivo dos enfrentamentos\u201d, ressaltou Rifai. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Tr&iacute;poli, L&iacute;bano, 13\/1\/2015 &ndash; &ldquo;As pessoas se acostumam com a guerra. No &uacute;ltimo combate, as crian&ccedil;as saiam para brincar. Imagine um garoto de sete anos se esquivando das balas apenas para jogar videogame?&rdquo;, perguntou Mohammad Darwish, dono de um cibercaf&eacute; em Bab al Tabbaneh, um bairro de Tr&iacute;poli. 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