{"id":18383,"date":"2015-01-15T13:01:16","date_gmt":"2015-01-15T13:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127825"},"modified":"2015-01-15T13:01:16","modified_gmt":"2015-01-15T13:01:16","slug":"mulheres-afegas-costuram-um-futuro-melhor-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/mulheres-afegas-costuram-um-futuro-melhor-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Mulheres afeg\u00e3s costuram um futuro melhor no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127827\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afgana1-629x421.jpg\"><img class=\"wp-image-127827\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afgana1-629x421.jpg\" alt=\"afgana1 629x421 Mulheres afeg\u00e3s costuram um futuro melhor no Paquist\u00e3o\" width=\"580\" height=\"388\" title=\"Mulheres afeg\u00e3s costuram um futuro melhor no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3s afeg\u00e3s no Paquist\u00e3o t\u00eam poucas op\u00e7\u00f5es de trabalho, mas uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental as ensina a costurar e a bordar para que possam ganhar a vida. Foto: Najibullah Musafer\/Killid<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 15\/01\/2015 \u2013 Aos 46 anos, Nasima Nashad teve que refazer sua vida, n\u00e3o por escolha, mas por necessidade. Tinha apenas 25 anos quando sua fam\u00edlia fugiu de Cabul e se refugiou no Afeganist\u00e3o, quando a organiza\u00e7\u00e3o radical isl\u00e2mica Talib\u00e3 assumiu o controle de seu pa\u00eds, consciente de que seria um regime brutal.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai ficou para cuidar do pequeno neg\u00f3cio e mandava dinheiro todos os meses\u201d, contou Nashad \u00e0 IPS. \u201cCom isso alimentava a fam\u00edlia de sete membros e pag\u00e1vamos o aluguel de nossa casa em Peshawar\u201d, acrescentou, se referindo a esta capital da prov\u00edncia paquistanesa de Jyber Pajtunjwa.<\/p>\n<p>Mas, em 1999, \u201csem motivo algum\u201d, o Talib\u00e3 matou seu pai, segundo contou. Desde ent\u00e3o, a sobreviv\u00eancia da fam\u00edlia se tornou uma luta di\u00e1ria. Seus tr\u00eas irm\u00e3os, de 12, 14 e 15 anos conseguiram trabalho em hot\u00e9is locais, embora recebessem uma mis\u00e9ria. Nashad, por sua vez, s\u00f3 conseguia empregos espor\u00e1dicos, que permitiam apenas a sobreviv\u00eancia. Ela precisava de um trabalho de tempo integral, e melhor ainda se pudesse trabalhar em casa e garantir uma renda regular.<\/p>\n<p>Agora, o que parecia um sonho imposs\u00edvel est\u00e1 perto de se tornar realidade, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de um centro vocacional criado pela Organiza\u00e7\u00e3o de Mulheres Afeg\u00e3s, com sede nesta cidade. \u201cAprendi a costurar e a bordar e logo abrirei minha pr\u00f3pria oficina de costura em casa. Algumas das mulheres que j\u00e1 participaram da capacita\u00e7\u00e3o est\u00e3o me ajudando\u201d, afirmou Nashad.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das milhares de mulheres, todas de fam\u00edlias prejudicadas pela guerra, que aprenderam a bordar e costurar nos \u00faltimos cinco anos. Cada uma tem sua hist\u00f3ria. Gul Pari, de 14 anos, por exemplo, chegou a Peshawar procedente do Afeganist\u00e3o h\u00e1 sete anos. Como diarista, seu pai mal conseguia manter a fam\u00edlia e n\u00e3o teve outra alternativa a n\u00e3o ser a de deixar suas filhas jovens sa\u00edrem para trabalhar.<\/p>\n<p>Atualmente, Gul e sua irm\u00e3 mais nova, Jamila, s\u00e3o propriet\u00e1rias de uma pequena oficina de costura em sua casa, onde fazem conserto de roupas. Continuam vivendo em uma pequena moradia de barro, mas pelo menos ganham o suficiente para alimentar bem toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Safoora Stanikzai, \u00e0 frente da Organiza\u00e7\u00e3o de Mulheres Afeg\u00e3s, afirmou que foram capacitadas cerca de quatro mil pessoas desde a funda\u00e7\u00e3o do centro, em 2010. \u201cA maioria das atendidas era de vi\u00favas ou \u00f3rf\u00e3s que perderam os homens da fam\u00edlia no Afeganist\u00e3o e atravessavam s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas aqui\u201d em Peshawar, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem espa\u00e7o suficiente nem recursos, mas faz o que pode com o que tem. Ao final da capacita\u00e7\u00e3o, as mulheres recebem uma m\u00e1quina de costura para come\u00e7arem um neg\u00f3cio em suas casas.<\/p>\n<div id=\"attachment_127828\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afgana2.jpg\"><img class=\"wp-image-127828\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/afgana2.jpg\" alt=\"afgana2 Mulheres afeg\u00e3s costuram um futuro melhor no Paquist\u00e3o\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Mulheres afeg\u00e3s costuram um futuro melhor no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Algumas mulheres afeg\u00e3s ganham cerca de US$ 150 por m\u00eas gra\u00e7as a oficinas de costura no norte do Paquist\u00e3o. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Stanikzai tamb\u00e9m convida mulheres que encontra mendigando nas ruas ou nos mercados e lhes oferece a possibilidade de recome\u00e7ar. Uma rara oportunidade nesta atribulada regi\u00e3o, onde os civis costumam ficar no meio de enfrentamentos entre insurgentes e o ex\u00e9rcito e onde um grande n\u00famero de refugiados disputa o espa\u00e7o com a popula\u00e7\u00e3o local que j\u00e1 carece de moradia, emprego e alimentos suficientes.<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), h\u00e1 1,6 milh\u00e3o de residentes afeg\u00e3os \u201clegais\u201d no Paquist\u00e3o, al\u00e9m dos dois a tr\u00eas milh\u00f5es sem documentos que, se estima, cruzaram a porosa fronteira de 2.700 quil\u00f4metros de comprimento desde a invas\u00e3o sovi\u00e9tica do Afeganist\u00e3o, em 1979.<\/p>\n<p>As pessoas que fugiam do Afeganist\u00e3o, e que passaram pelos v\u00e1rios pontos de entrada sem vigil\u00e2ncia que h\u00e1 nas montanhas que formam o limite rochoso entre os dois pa\u00edses, foram bem recebidas por seus irm\u00e3os das \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata) e da prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa.<\/p>\n<p>Mas, ap\u00f3s a invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, liderada pelos Estados Unidos para expulsar o Talib\u00e3 de Cabul e que fez com que muitos combatentes se refugiassem nas montanhas, gerando um aumento dos grupos armados operando impunemente nos territ\u00f3rios tribais, a m\u00e3o irm\u00e3 deixou de estar estendida. Muitos afeg\u00e3os agora s\u00e3o marginalizados e considerados respons\u00e1veis pelos crescentes conflitos e delinqu\u00eancia na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Ahmed Rasool, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais na Universidade de Cabul, os refugiados afeg\u00e3os pobres n\u00e3o t\u00eam alternativa a n\u00e3o ser ficar no Paquist\u00e3o, porque t\u00eam poucas, ou nenhuma, oportunidades econ\u00f4micas em seu pa\u00eds. \u201cAs maiores v\u00edtimas do conflito, que dura tr\u00eas d\u00e9cadas, s\u00e3o as mulheres, pois perderam seus pais, maridos e outros homens da fam\u00edlia e t\u00eam dificuldades para ganhar a vida\u201d, destacou, em entrevista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>As vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3s rec\u00e9m-chegadas se unem \u00e0 onda de afeg\u00e3os que fugiram do Afeganist\u00e3o em 2001. Outras vivem aqui h\u00e1 anos e j\u00e1 consideram o Paquist\u00e3o como seu pa\u00eds. A assist\u00eancia humanit\u00e1ria que costumava ser abundante, agora diminuiu. As organiza\u00e7\u00f5es internacionais e as ag\u00eancias de ajuda seguiram as for\u00e7as estrangeiras em sua partida e abandonaram os refugiados afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>Incapaz de cobrir as necessidades de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o pobre no norte, o governo do Paquist\u00e3o ofereceu pouca ajuda aos vizinhos, aos quais agora disseram que excederam o prazo de sua estadia. Nesse contexto, iniciativas como o centro vocacional de Stanikzai representa um o\u00e1sis em um deserto hostil.<\/p>\n<p>Shamira Ara, de 49 anos e que h\u00e1 cinco se capacitou no centro, chegou a este pa\u00eds em 1992, mas perdeu seu pai h\u00e1 seis anos por tuberculose. Agora ganha cerca de US$ 150 por m\u00eas gra\u00e7as ao que aprendeu no centro. \u00c9 um sal\u00e1rio decente num pa\u00eds onde a renda anual m\u00e9dia \u00e9 de US$ 1.250. N\u00e3o encontrou marido, segundo disse, mas pelo menos pode alimentar seus quatro filhos e sonhar em ampliar seus neg\u00f3cios. Inclusive conseguiu ajudar outras cinco afeg\u00e3s a criarem sua oficina e espera poder continuar ajudando outras compatriotas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 15\/01\/2015 &ndash; Aos 46 anos, Nasima Nashad teve que refazer sua vida, n&atilde;o por escolha, mas por necessidade. Tinha apenas 25 anos quando sua fam&iacute;lia fugiu de Cabul e se refugiou no Afeganist&atilde;o, quando a organiza&ccedil;&atilde;o radical isl&acirc;mica Talib&atilde; assumiu o controle de seu pa&iacute;s, consciente de que seria um regime brutal. 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