{"id":18385,"date":"2015-01-15T13:55:43","date_gmt":"2015-01-15T13:55:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127836"},"modified":"2015-01-15T13:55:43","modified_gmt":"2015-01-15T13:55:43","slug":"degradacao-danifica-65-da-terra-fertil-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/degradacao-danifica-65-da-terra-fertil-da-africa\/","title":{"rendered":"Degrada\u00e7\u00e3o danifica 65% da terra f\u00e9rtil da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127838\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/desert-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-127838\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/desert-629x419.jpg\" alt=\"desert 629x419 Degrada\u00e7\u00e3o danifica 65% da terra f\u00e9rtil da \u00c1frica\" width=\"580\" height=\"386\" title=\"Degrada\u00e7\u00e3o danifica 65% da terra f\u00e9rtil da \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Solos saud\u00e1veis s\u00e3o fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos e oferecem uma gama de servi\u00e7os ambientais. Foto: FAO\/Olivier Asselin<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Distrito de Ntungamo, Uganda, 15\/1\/2015 \u2013 Cerca de 65% das terras cultiv\u00e1veis da \u00c1frica est\u00e3o muito prejudicadas para produzirem alimentos de maneira vi\u00e1vel, segundo o Painel de Montpellier, um grupo de africanos e europeus especialistas em agricultura, ecologia e com\u00e9rcio. O informe <em>N\u00e3o \u00e9 Um Assunto Banal: A Conserva\u00e7\u00e3o, Recupera\u00e7\u00e3o e Melhoria dos Solos da \u00c1frica<\/em>, afirma que o continente sofre a tr\u00edplice amea\u00e7a da degrada\u00e7\u00e3o da terra, do baixo rendimento e do crescimento demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, o Painel recomenda que os governos africanos e os doadores invistam na gest\u00e3o dos solos e criem incentivos, especialmente quanto \u00e0 posse das terras agr\u00edcolas. Tamb\u00e9m recomenda aumento do apoio financeiro ao investimento na gest\u00e3o sustent\u00e1vel da terra.<\/p>\n<p>O documento foi divulgado em dezembro, coincidindo com a declara\u00e7\u00e3o de 2015 como Ano Internacional dos Solos, algo importante para \u201cpreparar o caminho para um desenvolvimento sustent\u00e1vel real para todos e por todos\u201d, afirmou o diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), o brasileiro Jos\u00e9 Graziano da Silva.<\/p>\n<p>A press\u00e3o humana degradou um ter\u00e7o dos solos necess\u00e1rios em todo o mundo para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, segundo a FAO. Sem estrat\u00e9gias novas para gerir melhor a sa\u00fade dos solos, a quantidade de terra cultiv\u00e1vel e produtiva dispon\u00edvel por pessoa em 2050 corresponder\u00e1 \u00e0 quarta parte da que havia em 1960. A forma\u00e7\u00e3o de um cent\u00edmetro do solo pode demorar mais de mil anos, alerta a FAO.<\/p>\n<p>O professor de agricultura da Universidade de Makerere, em Uganda, Moses Tenywa, disse \u00e0 IPS que os governos africanos devem fazer mais para promover a conserva\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua, algo caro para os agricultores em termos de recursos, m\u00e3o de obra, finan\u00e7as e insumos. \u201cOs pequenos agricultores costumam carecer dos recursos necess\u00e1rios para tornar efetiva a conserva\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua, mas \u00e9 muito importante. Assim, devem estar motivados ou incentivados e isso pode ocorrer mediante v\u00ednculos com os mercados que geram renda ou cr\u00e9dito\u201d, apontou.<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00e1tica da agricultura climaticamente inteligente em bacias promove a sa\u00fade do solo. Isto inclui a agricultura de conserva\u00e7\u00e3o, agrossilvicultura, diversifica\u00e7\u00e3o, revestimento e uso de fertilizantes combinado com a coleta de \u00e1gua da chuva\u201d, explicou Tenywa. Por exemplo, antes de os produtores receberem capacita\u00e7\u00e3o sobre m\u00e9todos de gest\u00e3o do solo, aplicavam fertilizantes, afirmou. Mas agora muitos t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o para diagnosticar sua terra utilizando um kit de an\u00e1lise ou levando amostras a laborat\u00f3rios com esse fim, acrescentou.<\/p>\n<p>Calcula-se que a degrada\u00e7\u00e3o da terra afete 180 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica subsaariana, que perdem US$ 68 bilh\u00f5es pelos cultivos que n\u00e3o puderam colher devido aos solos danificados, segundo o informe do Painel de Montpellier.<\/p>\n<p>\u201cProblemas como a fr\u00e1gil posse da terra e o limitado acesso aos recursos financeiros impulsionam esses agricultores a renunciarem \u00e0s melhores pr\u00e1ticas de gest\u00e3o do solo \u2013 aquelas gerariam progressos de longo prazo na sa\u00fade da terra \u2013, por usos dos recursos mais acess\u00edveis ou menos intensivos em m\u00e3o de obra e que exacerbam inevitavelmente a quest\u00e3o\u201d, pontuou o presidente do Painel, Gordon Conway.<\/p>\n<p>A sa\u00fade do solo \u00e9 fundamental para melhorar a produtividade da agricultura africana, uma importante fonte de emprego e um grande contribuinte do produto interno bruto, afirmou Wole Fatunbi, especialista em desenvolvimento do F\u00f3rum para a Pesquisa Agr\u00edcola na \u00c1frica (Fara).<\/p>\n<p>\u201cDeve-se explorar o uso de ferramentas simples e apropriadas que se adaptem ao sistema e ao bolso dos pequenos agricultores, e tamb\u00e9m existe a necessidade de interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como a regulamenta\u00e7\u00e3o r\u00edgida do uso do solo com fins agr\u00edcolas para reduzir a degrada\u00e7\u00e3o\u201d, argumentou o especialista.<\/p>\n<p>\u201cSe as tecnologias n\u00e3o geram imediatamente mais renda ou alimentos, os agricultores n\u00e3o as querem porque ningu\u00e9m vai comer terra boa. Falta envolver as medidas de fertilidade do solo em um pacote f\u00e1cil de usar. A compostagem pode ser embalada na forma de gr\u00e2nulos com fertilizantes minerais fortificados para sua f\u00e1cil aplica\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Fatunbi.<\/p>\n<p>O especialista menciona a t\u00e9cnica de degraus, usada para gerir a eros\u00e3o do solo nas zonas altas de Ruanda e Uganda, como um bom exemplo porque o sistema teve leis que o apoiaram. Al\u00e9m disso, o uso de adubos org\u00e2nicos na regi\u00e3o da savana mediante um sistema que integra a pecu\u00e1ria e os cultivos se converteu em um modelo de prote\u00e7\u00e3o e sa\u00fade da terra, ressaltou.<\/p>\n<p>No entanto, um novo informe de pesquisadores dos Estados Unidos cita o aquecimento global como outro fator que atua sobre o solo com consequ\u00eancias devastadoras. Segundo o documento <em>A Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e a Seguran\u00e7a na \u00c1frica<\/em>, o continente sofrer\u00e1 aumento da temperatura m\u00e9dia acima da m\u00e9dia mundial. As chuvas anuais diminuir\u00e3o na maior parte da regi\u00e3o, com a poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica oriental.<\/p>\n<p>A queda de \u201cmenos chuva ter\u00e1 s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es para a agricultura subsaariana, 75% dela \u00e9 de seca\u201d, diz o informe. A produ\u00e7\u00e3o de diferentes cultivos cair\u00e1 em 2050: \u201cmilho 22%, sorgo 17%, mijo 17%, amendoim 18% e mandioca 8%\u201d, prev\u00ea o documento. \u201cAssim, na falta de importantes interven\u00e7\u00f5es em melhorias de capacidade e medidas de adapta\u00e7\u00e3o, um aquecimento m\u00ednimo de 1,5 grau amea\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica de modo significativo\u201d, adverte o informe.<\/p>\n<p>A revista <em>National Geographic <\/em>descreveu um cen\u00e1rio desolador sobre a situa\u00e7\u00e3o mundial dos solos. \u201cAt\u00e9 1991, se perdeu uma superf\u00edcie maior do que Estados Unidos e Canad\u00e1 juntos devido \u00e0 eros\u00e3o do solo, e n\u00e3o mostra sinais de parar\u201d, escreveu o agroecologista Jerry Glover no artigo <em>Nossa Boa Terra<\/em>. Na verdade, \u201cas florestas e a vegeta\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctones s\u00e3o cortadas e convertidas em terras agr\u00edcolas a um ritmo maior do que em qualquer outro per\u00edodo da hist\u00f3ria\u201d, acrescentou. \u201cSeguimos colhendo mais nutrientes do que substitu\u00edmos no solo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cA estabilidade pol\u00edtica, a qualidade ambiental, a fome e a pobreza t\u00eam a mesma raiz. No longo prazo, a solu\u00e7\u00e3o para cada um est\u00e1 na recupera\u00e7\u00e3o do recurso mais b\u00e1sico de todos, a terra\u201d, afirmou o cientista do solo Rattan Lal. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Distrito de Ntungamo, Uganda, 15\/1\/2015 &ndash; Cerca de 65% das terras cultiv&aacute;veis da &Aacute;frica est&atilde;o muito prejudicadas para produzirem alimentos de maneira vi&aacute;vel, segundo o Painel de Montpellier, um grupo de africanos e europeus especialistas em agricultura, ecologia e com&eacute;rcio. 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