{"id":18391,"date":"2015-01-16T12:59:14","date_gmt":"2015-01-16T12:59:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127888"},"modified":"2015-01-16T12:59:14","modified_gmt":"2015-01-16T12:59:14","slug":"banheiros-secos-se-multiplicam-pelo-campo-cubano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/banheiros-secos-se-multiplicam-pelo-campo-cubano\/","title":{"rendered":"Banheiros secos se multiplicam pelo campo cubano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127890\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-letrina-629x435.jpg\"><img class=\"wp-image-127890\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-letrina-629x435.jpg\" alt=\"chica letrina 629x435 Banheiros secos se multiplicam pelo campo cubano\" width=\"580\" height=\"401\" title=\"Banheiros secos se multiplicam pelo campo cubano\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O pastor Demas Rodr\u00edguez mostra uma latrina seca adubadora instalada na localidade de Babiney, na prov\u00edncia de Granma, no leste de Cuba. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Babiney, Cuba, 16\/1\/2015 \u2013 A maioria das pessoas em Cuba sem acesso a vaso sanit\u00e1rio usa a tradicional latrina, mas agora surge uma modalidade ecol\u00f3gica, que \u00e9 novidade para o pa\u00eds neste tipo de servi\u00e7o sanit\u00e1rio em comunidades rurais e pouco povoadas. J\u00e1 existem no leste cubano 85 destes banheiros secos, como s\u00e3o chamados localmente, gra\u00e7as \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e ao apoio do ecum\u00eanico Centro Crist\u00e3o de Servi\u00e7o e Capacita\u00e7\u00e3o Bartolom\u00e9 G. Lavastida (CCSC-Lavastida)<\/p>\n<p>\u201cMais de 70% destes banheiros est\u00e3o em San Agust\u00edn, povoado da prov\u00edncia de Santiago de Cuba. O restante se distribui entre Boniato e o munic\u00edpio de Santiago de Cuba, na mesma prov\u00edncia, e em Caney, Babiney e Bayamo, na prov\u00edncia de Granma\u201d, disse C\u00e9sar Parra, coordenador de Projetos Sociais do Centro, que realiza projetos nesta regi\u00e3o e tem sua sede na cidade de Santiago de Cuba, a 847 quil\u00f4metros de Havana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecidas como latrinas adubadoras secas, s\u00e3o um tipo de instala\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria que permite a coleta separada de urina e fezes para uso destas como adubo. Evitam a prolifera\u00e7\u00e3o de vetores e a contamina\u00e7\u00e3o das fontes pr\u00f3ximas de \u00e1gua, ao contr\u00e1rio da latrina cl\u00e1ssica, que \u00e9 abundante na \u00e1rea rural cubana.<\/p>\n<p>\u201cReplicamos no leste o trabalho pioneiro da Funda\u00e7\u00e3o Antonio N\u00fa\u00f1ez Jim\u00e9nez da Natureza e do Homem\u201d (Fanj), contou Parra, veterin\u00e1rio de profiss\u00e3o, durante um interc\u00e2mbio sobre permacultura entre produtores da regi\u00e3o, realizado em Babiney, na prov\u00edncia de Granma.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, a Fanj incluiu os banheiros secos no sistema de permacultura implantado no pa\u00eds. Esse m\u00e9todo combina assentamentos amig\u00e1veis com a natureza e fazendas sustent\u00e1veis. A Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m propiciou a constru\u00e7\u00e3o de outros 30 nas prov\u00edncias de Sancti Sp\u00edritus, Camag\u00fcey, Matanzas, Cienfuegos e na periferia de Havana.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, as pessoas estavam c\u00e9ticas, mas viram as grandes vantagens destas latrinas, como a n\u00e3o contamina\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os pr\u00f3ximos \u00e0s suas casas. A qualidade da \u00e1gua melhorou, segundo estudos realizados nos lugares onde est\u00e3o instaladas\u201d, disse Parra. A aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta que \u201co CCSC-Lavastida n\u00e3o tem capacidade de constru\u00e7\u00e3o e recursos, nem pessoal para atender todos os pedidos de banheiro seco\u201d mediante projetos que aportam os materiais e a m\u00e3o de obra especializada.<\/p>\n<p>Atualmente, a organiza\u00e7\u00e3o prioriza as fam\u00edlias camponesas sem servi\u00e7o de esgoto que vivem perto de rios e po\u00e7os. E nas cidades beneficia as que mant\u00eam hortas e pequenas \u00e1reas agr\u00edcolas. Em 2012, dos 11,2 milh\u00f5es de habitantes de Cuba, 94,3% tinha acesso a tratamento de esgotos. Destes, 35,8% eram beneficiados com rede de esgoto e 58,5% usavam fossas s\u00e9pticas e latrinas. Estas contaminam as fontes pr\u00f3ximas de \u00e1gua com fezes e urina, o que piora se est\u00e3o mal constru\u00eddas ou carecem de limpeza adequada.<\/p>\n<p>Segundo os \u00faltimos dados do Instituto Nacional de Recursos Hidr\u00e1ulicos, 79,9% da popula\u00e7\u00e3o rural, de 2,5 milh\u00f5es de pessoas, conta com fossas e latrinas, enquanto 16,8% carecem de qualquer instala\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel mundial, 2,5 bilh\u00f5es de pessoas carecem da vasos sanit\u00e1rios adequados e um bilh\u00e3o s\u00e3o for\u00e7adas \u00e0 insalubre pr\u00e1tica de defecar ao ar livre ou na \u00e1gua, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Em um territ\u00f3rio salpicado de eleva\u00e7\u00f5es como Sierra Maestra, a maior cordilheira de Cuba, uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o do leste reside nas montanhas e em outras \u00e1reas rurais. E a seca a\u00e7oita as prov\u00edncias de Las Tunas, Granma, Holgu\u00edn, Santiago de Cuba e Guant\u00e2namo, que formam a regi\u00e3o com o menor \u00edndice de desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>\u201cOs banheiros secos n\u00e3o gastam \u00e1gua\u201d, explicou Demas Rodr\u00edguez, pastor da Igreja Batista de Babiney. \u201cS\u00e3o uma experi\u00eancia nova para n\u00f3s, por isso a igreja tem a responsabilidade de ensinar a comunidade a us\u00e1-los e explicar seus benef\u00edcios\u201d, explicou o l\u00edder religioso, que est\u00e1 h\u00e1 uma d\u00e9cada no lugar.<\/p>\n<p>Os usu\u00e1rios das latrinas adubadoras devem jogar serragem, cinza ou cal na c\u00e2mara para as fezes ao final de cada deposi\u00e7\u00e3o, enquanto a urina \u00e9 coletada em outro compartimento, para depois ser retirada ureia, que \u00e9 utilizada para fertilizar. \u201cA separa\u00e7\u00e3o dos l\u00edquidos e s\u00f3lidos n\u00e3o cria odores fortes\u201d, afirmou Rodr\u00edguez, enquanto mostrava \u00e0 IPS a primeira latrina adubadora de Babiney, na moradia da fam\u00edlia Figueredo-Cruz.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 sendo terminado outro banheiro seco e mais quatro fam\u00edlias daqui est\u00e3o reunindo os materiais necess\u00e1rios\u201d, disse Leonardo R. Espinoza, pedreiro deste povoado que constr\u00f3i latrinas secas adubadoras e usinas de biog\u00e1s para os benefici\u00e1rios dos projetos do CCSC-Lavastida. \u201cEm quest\u00e3o de material, fazer o banheiro seco sai caro porque exige pelo menos um metro c\u00fabico de areia, 160 blocos ou 800 tijolos, seis sacos de cimento e 14 metros de a\u00e7o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com os pre\u00e7os mais baixos dos materiais da constru\u00e7\u00e3o em Cuba, s\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos US$ 80 para a obra, quantia que aumenta se for colocada lou\u00e7a para melhorar a higiene.<\/p>\n<p>Com blocos de concreto armado, Espinoza constr\u00f3i para a coleta das deposi\u00e7\u00f5es uma caixa de 60 cent\u00edmetros de altura e sem drenar o terreno. \u201cO tamanho total \u00e9 calculado a partir da quantidade de usu\u00e1rios\u201d, acrescentou. Sobre a c\u00e2mara \u00e9 colocada uma pe\u00e7a cil\u00edndrica, com uma divis\u00e3o interna para separar urina das fezes.<\/p>\n<p>Cuba n\u00e3o produz estas latrinas. O CCSC-Lavastida as importou do M\u00e9xico at\u00e9 que conseguiu um molde artesanal para fundir com concreto pe\u00e7as mais baratas e resistentes. Se a economia do usu\u00e1rio permite, pode-se usar lajotas de cer\u00e2mica.<\/p>\n<p>\u201cEm algumas casas com eleva\u00e7\u00e3o da base sobre o solo, o banheiro seco pode ficar dentro de casa para melhor acesso das pessoas idosas ou deficientes, disse Espinoza. \u201cMas, em geral, s\u00e3o constru\u00eddos fora da casa e exigem at\u00e9 quatro degraus para entrar em servi\u00e7o\u201d, acrescentou. Outros projetos completam o banheiro com uma ducha.<\/p>\n<p>A agricultora Marislennys Hern\u00e1ndez, de 32 anos, desconhecia os banheiros secos at\u00e9 que entrou para o movimento da permacultura. Ela tem em uso-fruto, junto com seu marido, Leonel S\u00e1nchez, a fazenda ecol\u00f3gica La Cristina, de 32 hectares, na localidade rural de El Castillito, em Santiago de Cuba.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s foi um bom beneficio porque n\u00e3o contamina, economiza muita \u00e1gua e nos garante um fertilizante natural\u201d, opinou Hern\u00e1ndez \u00e0 IPS. \u201cH\u00e1 tr\u00eas anos, pudemos constru\u00ed-lo (o banheiro ecol\u00f3gico) dentro de casa e completamente azulejado, paredes e ch\u00e3o. A ideia deve ter mais promo\u00e7\u00e3o entre os camponeses\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Babiney, Cuba, 16\/1\/2015 &ndash; A maioria das pessoas em Cuba sem acesso a vaso sanit&aacute;rio usa a tradicional latrina, mas agora surge uma modalidade ecol&oacute;gica, que &eacute; novidade para o pa&iacute;s neste tipo de servi&ccedil;o sanit&aacute;rio em comunidades rurais e pouco povoadas. 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