{"id":18442,"date":"2015-01-28T12:22:09","date_gmt":"2015-01-28T12:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128441"},"modified":"2015-01-28T12:22:09","modified_gmt":"2015-01-28T12:22:09","slug":"mulheres-da-tribo-lambada-lutam-contra-o-trafico-infantil-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/mulheres-da-tribo-lambada-lutam-contra-o-trafico-infantil-na-india\/","title":{"rendered":"Mulheres da tribo lambada lutam contra o tr\u00e1fico infantil na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128443\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mulheresIndia.jpg\"><img class=\"wp-image-128443\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mulheresIndia.jpg\" alt=\"mulheresIndia Mulheres da tribo lambada lutam contra o tr\u00e1fico infantil na \u00cdndia\" width=\"570\" height=\"428\" title=\"Mulheres da tribo lambada lutam contra o tr\u00e1fico infantil na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres lambada, que nunca foram \u00e0 escola, se esfor\u00e7am para que suas filhas estudem. Quando uma menina se ausenta da escola por muito tempo, soa o alarme diante da possibilidade de trabalho ou tr\u00e1fico infantil. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chandampet, \u00cdndia, 28\/1\/2015 \u2013 Aos 11 anos, Banawat Gangotri j\u00e1 tem quatro de experi\u00eancia como trabalhadora agr\u00edcola. A menina, integrante da comunidade n\u00f4made dos lambada, do povoado de Bugga Thanda, no sul da \u00cdndia, colhia algod\u00e3o e pimentas, das nove horas da manh\u00e3 at\u00e9 as cinco da tarde, em troca de aproximadamente um d\u00f3lar por dia. A cada dia seu pai pegava o dinheiro e gastava com bebidas alco\u00f3licas.<\/p>\n<p>Mas, em meados deste m\u00eas, esse ciclo foi quebrado. Horas antes de seu pai lev\u00e1-la a Guntur, distrito produtor de pimentas, a 168 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, Gangotri foi resgatada e levada a uma escola internato na vizinha localidade de Devarakonda, onde agora cursa a quarta s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, o Centro de Recursos Gramya para a Mulher, dirige a escola. Tamb\u00e9m mobiliza o povo lambada contra o tr\u00e1fico de crian\u00e7as, o abuso infantil e o infantic\u00eddio, pr\u00e1ticas frequentes na comunidade do Estado de Telangana. A escola tem 65 crian\u00e7as como Gangotri, resgatadas do trabalho infantil ou dos traficantes. \u201cGosto da escola. Quando crescer quero ser professora\u201d, disse a menina \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O povoado de Gangotri \u00e9 um dos apenas 40 em toda \u00cdndia a contar com um Comit\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o Infantil, cujos 12 integrantes trabalham para prevenir o tr\u00e1fico e o trabalho infantil escravo ou for\u00e7ado. O Comit\u00ea, capacitado pelo Gramya nos direitos das crian\u00e7as e das mulheres, vigia atentamente as meninas em idade escolar do lugar. Se uma delas deixa de ir \u00e0 aula por duas semanas, soa o alarme: em geral, uma longa aus\u00eancia significa que a menina foi destinada ao trabalho ou ao casamento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a vigil\u00e2ncia n\u00e3o consegue salvar todas. No mesmo dia do resgate de Gangotri, Banawat Nirosha, uma menina de 12 anos, desapareceu da aldeia de Mausanngadda. Seus pais, camponeses sem terra, a levaram com eles para trabalhar como colhedores de pimenta em Guntur. \u00c9 prov\u00e1vel que os pais voltem quando terminar a colheita em mar\u00e7o, mas existe a possibilidade de acertarem o casamento por conveni\u00eancia de sua filha em Guntur, segundo disseram \u00e0 IPS v\u00e1rios alde\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses casos s\u00e3o comuns, mas o Comit\u00ea garante que as coisas melhoraram muito na aldeia, onde o infantic\u00eddio feminino e o tr\u00e1fico de meninas eram generalizados h\u00e1 apenas 20 anos. Em mar\u00e7o de 1999, ap\u00f3s o resgate de 57 meninas lambada de uma rede de tr\u00e1fico em Hyderabad, capital de Telangana, investiga\u00e7\u00f5es policiais revelaram que, entre 1991 e 2000, cerca de 400 beb\u00eas da regi\u00e3o foram vendidos e comprados em ado\u00e7\u00e3o, mas os ativistas temem que muitos tenham terminado como m\u00e3o de obra escrava ou no com\u00e9rcio sexual da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Calcula-se que neste pa\u00eds tr\u00eas milh\u00f5es de meninas \u201cdesaparecem\u201d a cada ano devido aos abortos seletivos e ao infantic\u00eddio, e as meninas lambada correm um duplo risco. A fundadora do Gramya, em 1997, e ativista social de Hyderabad, Rukmini Rao, recorda alguns dos horrores que viu em seu trabalho, como ter impedido que uma fam\u00edlia, que j\u00e1 lutava para manter quatro filhas, matasse duas g\u00eameas rec\u00e9m-nascidas em um povoado de Telangana.<\/p>\n<p>Um estudo que Rao realizou concluiu que na localidade havia 835 meninas para cada mil meninos. Atualmente, gra\u00e7as \u00e0 sensibiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 vigil\u00e2ncia da comunidade, essa propor\u00e7\u00e3o subiu para 983 para mil, bem acima da m\u00e9dia nacional de 941 para mil. Entretanto, resta muito por fazer. Neste pa\u00eds, onde 50% da popula\u00e7\u00e3o tribal vive na pobreza, com menos de um d\u00f3lar por dia, evitar que as fam\u00edlias lambada matem ou vendam suas filhas \u00e9 uma batalha morro acima.<\/p>\n<p>Suma Latha, uma coordenadora do Gramya, com 14 anos de experi\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de mulheres lambada como ativistas pelos direitos da inf\u00e2ncia, contou \u00e0 IPS que as gr\u00e1vidas costumam viajar para Hyderabad, onde vendem seus beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos por alguns poucos milhares de r\u00fapias, e de volta ao povoado dizem que a crian\u00e7a morreu ao nascer. \u201cA venda \u00e9 sempre contra a vontade da m\u00e3e, acertada pelo pai ou pela sogra\u201d, explicou. Quando Gangotri foi resgatada, seu pai havia oferecido \u201cdar\u201d a menina por 15 mil r\u00fapias, ou cerca de US$ 250.<\/p>\n<p>De pele clara e olhos castanhos, as crian\u00e7as lambada s\u00e3o muito solicitadas por casais sem filhos, em sua maioria procedentes das cidades, que est\u00e3o dispostos a pagar generosamente por um beb\u00ea. Alguns acabam em casas de fam\u00edlia, mas outros quase certamente caem em m\u00e3os de criminosos com fins sexuais.<\/p>\n<p>\u201cOs intermedi\u00e1rios que compram os beb\u00eas se movem por dinheiro, n\u00e3o pela moral\u201d, afirmou Lynette Dumble, uma m\u00e9dica australiana que estuda o infantic\u00eddio feminino na \u00cdndia h\u00e1 mais de 20 anos. \u201cAssim, se os criminosos oferecem mais, as meninas acabam sendo vendidas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os dados coletados por numerosas organiza\u00e7\u00f5es revelam que Hyderabad, a cidade mais pr\u00f3xima dos povoados lambada, \u00e9 um centro crescente de tr\u00e1fico sexual. Em 2013, a pol\u00edcia deteve 778 criminosos que se dedicavam a traficar pessoas e resgatou 558 v\u00edtimas, inclu\u00eddas menores de idade, disse B. Prasada Rao, diretor da pol\u00edcia do Estado de Andhra Pradesh, na fronteira com Telangana.<\/p>\n<p>Embora isso represente apenas uma pequena parte do tr\u00e1fico sexual infantil, estimado em cerca de US$ 43 bilh\u00f5es em todo o pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o preocupa muito os ativistas da regi\u00e3o. As mulheres lambada acreditam que a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o, e exortam as fam\u00edlias a aproveitarem o sistema escolar p\u00fablico e os subs\u00eddios estatais para aumentar o n\u00famero de meninas matriculadas nas zonas rurais.<\/p>\n<p>Entretanto, igualmente importante, segundo os investigadores, \u00e9 dar alternativas \u00e0s comunidades marginalizadas. Dados oficiais indicam que 90% da popula\u00e7\u00e3o tribal da \u00cdndia n\u00e3o tem terras. No distrito de Nalgonda, onde a fam\u00edlia de Gangotri mal subsiste, 87% da popula\u00e7\u00e3o tribal n\u00e3o \u00e9 dona da terra. Se a terra n\u00e3o produz o suficiente para a subsist\u00eancia, as fam\u00edlias, inevitavelmente, buscar\u00e3o sustento em outra parte.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o h\u00e1 nada para comer e n\u00e3o temos terra para plantar alimentos, quais op\u00e7\u00f5es temos a n\u00e3o ser enviar nossos filhos para ganharem o p\u00e3o?\u201d, questionou Khetawat Jamku, uma mulher lambada de 50 anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Chandampet, &Iacute;ndia, 28\/1\/2015 &ndash; Aos 11 anos, Banawat Gangotri j&aacute; tem quatro de experi&ecirc;ncia como trabalhadora agr&iacute;cola. 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