{"id":18444,"date":"2015-01-28T12:45:54","date_gmt":"2015-01-28T12:45:54","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128450"},"modified":"2015-01-28T12:45:54","modified_gmt":"2015-01-28T12:45:54","slug":"empresas-indigenas-contribuem-para-uma-mudanca-positiva-na-australia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/empresas-indigenas-contribuem-para-uma-mudanca-positiva-na-australia\/","title":{"rendered":"Empresas ind\u00edgenas contribuem para uma mudan\u00e7a positiva na Austr\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128452\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/quebrada-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-128452\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/quebrada-629x472.jpg\" alt=\"quebrada 629x472 Empresas ind\u00edgenas contribuem para uma mudan\u00e7a positiva na Austr\u00e1lia\" width=\"570\" height=\"428\" title=\"Empresas ind\u00edgenas contribuem para uma mudan\u00e7a positiva na Austr\u00e1lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Roy Roger Gibson, um idoso kuku yalanji, teve que esperar 20 anos para realizar seu sonho de fazer parte de uma empresa de ecoturismo sustent\u00e1vel de propriedade ind\u00edgena. Foto: Neena Bhandari\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mossman, Austr\u00e1lia, 28\/1\/2015 \u2013 Roy Roger Gibson, um idoso kuku yalanji, observava os milhares de turistas e ve\u00edculos que pisoteavam sua terra virgem enquanto trabalhava nos canaviais do norte do Estado australiano de Queensland. Seu povo sofria, sua cultura se deteriorava e a fauna aut\u00f3ctone estava desaparecendo. Demorou 20 anos para mudar essa situa\u00e7\u00e3o, mas hoje o Centro da Quebrada Mossman \u00e9 uma\u00a0 pr\u00f3spera empresa de ecoturismo ind\u00edgena no Parque Nacional de Daintree, um s\u00edtio declarado patrim\u00f4nio mundial em Queensland.<\/p>\n<p>O turismo \u00e9 uma fonte de preserva\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena, j\u00e1 que proporciona emprego, oportunidades de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do ambiente, especialmente em lugares remotos, como a quebrada Mossman, lar ancestral do povo kuku yalanji, no extremo sul do Parque Nacional Daintree. Roy e a comunidade abor\u00edgine da quebrada Mossman trabalharam em colabora\u00e7\u00e3o com a Corpora\u00e7\u00e3o de Terras Ind\u00edgenas (CDI) para constru\u00e7\u00e3o do centro, onde 90% dos trabalhadores s\u00e3o ind\u00edgenas, 61 deles empregados e 21 aprendizes.<\/p>\n<p>Roberta Stanley, de 18 anos, come\u00e7ou como aprendiz. \u201cA cada manh\u00e3, quando saio com o uniforme para trabalhar, n\u00e3o paro de sorrir. Me ajudou a reencontrar a hist\u00f3ria, as lendas, os idiomas, a m\u00fasica e nossas artes. Tenho uma sensa\u00e7\u00e3o de imenso orgulho e a confian\u00e7a para perseguir meu sonho de ser artista e bailarina\u201d, afirmou. Isso era algo que os jovens n\u00e3o podiam fazer antes que o Centro come\u00e7asse a oferecer cursos de turismo, hotelaria, com\u00e9rcio e administra\u00e7\u00e3o. Os pais de Roberta e sua irm\u00e3 trabalham no mesmo local.<\/p>\n<p>Em 2011, havia cerca de 207.600 ind\u00edgenas na for\u00e7a de trabalho da Austr\u00e1lia. Daqueles maiores de 15 anos, 42% tinham trabalho, em compara\u00e7\u00e3o com os 61% daqueles que n\u00e3o s\u00e3o ind\u00edgenas. Com escassas oportunidades de emprego, perseguir seus sonhos n\u00e3o \u00e9 algo que todos os ind\u00edgenas australianos podem fazer.<\/p>\n<p>Pamela Salt, de 41 anos, trabalhava como faxineira e em seu tempo livre pintava. Desde que come\u00e7ou a trabalhar no Centro da Quebrada Mossman, tem um senso de pertin\u00eancia com o lugar. \u201cF\u00edsica, mental e emocionalmente, o Centro deu ao nosso povo a confian\u00e7a de que podemos faz\u00ea-lo. Uma das minhas filhas tamb\u00e9m trabalha aqui\u201d, contou esta pintora autoditada que hoje exp\u00f5e sua obra na galeria do Centro, onde visitantes nacionais e estrangeiros podem compr\u00e1-las.<\/p>\n<div id=\"attachment_128453\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/empleada.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-128453\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/empleada.jpg\" alt=\"empleada Empresas ind\u00edgenas contribuem para uma mudan\u00e7a positiva na Austr\u00e1lia\" width=\"300\" height=\"400\" title=\"Empresas ind\u00edgenas contribuem para uma mudan\u00e7a positiva na Austr\u00e1lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Roberta Stanley, de 18 anos, e quatro integrantes de sua fam\u00edlia trabalham no Centro da Quebrada Mossman. Foto: Neena Bhandari\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Desde julho de 2014, mais de 250 mil turistas, dos quais cerca de 40% estrangeiros, visitaram o Centro. \u201cO turismo ind\u00edgena est\u00e1 ganhando impulso. Acrescenta um aprofundamento cultural \u00e0s experi\u00eancias que os visitantes t\u00eam em seus sentidos. O povo kuku yalanji, como outras comunidades abor\u00edgines, cuidam do ambiente h\u00e1 milhares de anos. \u00c9 seu supermercado e sua farm\u00e1cia\u201d, afirmou o gerente-geral do Centro da Quebrada Mossman, Greg Erwin.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos dez a 15 anos, a propriedade da empresa ser\u00e1 100% abor\u00edgine. Essa realidade est\u00e1 muito distante do que viveu a chamada Gera\u00e7\u00e3o Roubada, composta por dezenas de milhares de crian\u00e7as que foram separadas \u00e0 for\u00e7a de suas fam\u00edlias, entre 1900 e 1970. As pol\u00edticas de assimila\u00e7\u00e3o do governo australiano da \u00e9poca pretendiam erradicar o \u201csangue abor\u00edgine\u201d e, supostamente, dar \u00e0s crian\u00e7as uma vida melhor.<\/p>\n<p>Roy, de 58 anos e pertencente a essa Gera\u00e7\u00e3o Roubada, n\u00e3o quer que seu povo volte a experimentar esse trauma psicol\u00f3gico. \u201cEsse centro \u00e9 um modelo a seguir para a gera\u00e7\u00e3o mais jovem, que sonha com uma vida melhor\u201d, acrescentou. Ele e outros guias ind\u00edgenas levam os visitantes a fazerem \u201ccaminhadas de fantasia\u201d, nas quais ressaltam os matizes da floresta tropical mais antiga do mundo, com hist\u00f3rias sobre sua cria\u00e7\u00e3o, as fontes de alimentos, a flora e a fauna, as cavernas e Manjal Dimbi, uma montanha com significado espiritual para os povos aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>\u201cAgora somos capazes de proteger nosso ecossistema e, ao mesmo tempo, oferecer aos visitantes uma vis\u00e3o da vida, da cultura e das cren\u00e7as das pessoas kuku yalanji e sua conex\u00e3o com o entorno natural. Nossa \u00eanfase est\u00e1 na sustentabilidade\u201d, destacou Roy \u00e0 IPS. Empresas ind\u00edgenas sustent\u00e1veis como o Centro da Quebrada Mossman n\u00e3o s\u00f3 ajudam a proteger e preservar o ecossistema com tiram da pobreza setores vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o, que sofrem abuso de \u00e1lcool, viol\u00eancia de g\u00eanero, doen\u00e7as cr\u00f4nicas, desemprego e altas taxas de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Os adultos abor\u00edgines t\u00eam 15 vezes mais probabilidades de ir para a pris\u00e3o do que os demais australianos. Cerca de metade dos jovens nos centros de deten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00e3o ind\u00edgenas. As mulheres ind\u00edgenas s\u00e3o hospitalizadas por viol\u00eancia familiar 31 vezes mais do que o resto das australianas, segundo o informe anual oficial de 2014 sobre Justi\u00e7a Social e Ind\u00edgenas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mossman, Austr&aacute;lia, 28\/1\/2015 &ndash; Roy Roger Gibson, um idoso kuku yalanji, observava os milhares de turistas e ve&iacute;culos que pisoteavam sua terra virgem enquanto trabalhava nos canaviais do norte do Estado australiano de Queensland. Seu povo sofria, sua cultura se deteriorava e a fauna aut&oacute;ctone estava desaparecendo. 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