{"id":1845,"date":"2006-06-06T00:00:00","date_gmt":"2006-06-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1845"},"modified":"2006-06-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-06-06T00:00:00","slug":"iraque-eua-praticam-tiro-ao-alvo-com-civis-em-ramadi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/06\/mundo\/iraque-eua-praticam-tiro-ao-alvo-com-civis-em-ramadi\/","title":{"rendered":"Iraque: EUA praticam tiro ao alvo com civis em Ramadi"},"content":{"rendered":"<p>Am\u00e3, 06\/06\/2006 &ndash; \u00c9 quase imposs\u00edvel entrar na cidade iraquiana de Ramadi. A IPS recebeu informa\u00e7\u00e3o segundo a qual franco-atiradores norte-americanos assassinam civis, ap\u00f3s prender os moradores nas casas e se colocarem nos telhados. <!--more--> &quot;Junto \u00e0 rua principal se pode ver edif\u00edcios destru\u00eddos com tendas militares para os franco-atiradores. Tenha cuidado se ouvir algum conflito&#8230; Saia do caminho, estacione seu carro ali mesmo e v\u00e1 se esconder em qualquer casa, porque atiram em tudo que se move, mesmo se os enfrentamentos s\u00e3o em outro lugar&quot;, afirmou uma testemunha.     <\/p>\n<p>A IPS entrevistou em Am\u00e3, capital da Jord\u00e2nia, uma pessoa que pediu para ser identificada apenas como &quot;um amigo iraquiano&quot;, que contou como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o em Ramadi, 100 quil\u00f4metros a oeste de Bagd\u00e1, da qual foi testemunha direta. &quot;Para entrar na cidade \u00e9 preciso cruzar a ponte sobre o rio Eufrates. A usina el\u00e9trica de Ramadi est\u00e1 ocupada pelo ex\u00e9rcito dos Estados Unidos. O posto de controle fica ali, e muito pr\u00f3ximo tamb\u00e9m tem uma f\u00e1brica de vidro com franco-atiradores norte-americanos&quot;, contou o informante. &quot;Ali inspecionam os autom\u00f3veis. S\u00e3o necess\u00e1rias mais quatro horas para chegar ao outro lado&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Muito pouca informa\u00e7\u00e3o se teve desde essa cidade nos \u00faltimos meses, e sua divulga\u00e7\u00e3o sempre cabe a jornalistas pr\u00f3ximos ao ex\u00e9rcito dos Estados Unidos que patrulha essa regi\u00e3o. Por\u00e9m as testemunhas ouvidas pela IPS em Am\u00e3 descreveram uma situa\u00e7\u00e3o muito diferente da perspectiva militar dos correspondentes de guerra. Seus relatos indicam que algu\u00e9m, qualquer pessoa pode morrer a qualquer momento, sem aviso nem sinal.<\/p>\n<p>O xeque Majeed al-Ga?oud, morador na aldeia Wajah al-Iraque, nos arredores de Ramadi, visita a cidade com freq\u00fc\u00eancia. Ele tamb\u00e9m descreveu a presen\u00e7a de franco-atiradores disparando indiscriminadamente. &quot;Os franco-atiradores norte-americanos n\u00e3o fazem nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre civis e combatentes. Atiram imediatamente em tudo o que se move. Isto \u00e9 uma coisa muito suja&#8230; Est\u00e3o matando muitos civis que n\u00e3o s\u00e3o rebeldes&quot;. O &quot;amigo iraquiano&quot; afirmou que muitos morrem na cidades simplesmente porque agora n\u00e3o sabem por onde n\u00e3o podem circular&quot;.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve andar ou dirigir pela rua principal de Ramadi al\u00e9m do primeiro sem\u00e1foro, onde se deve entrar \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita. &quot;O caminho est\u00e1 bloqueado, n\u00e3o por blocos de concreto, mas por franco-atiradores. Qualquer um que prosseguir morrer\u00e1. N\u00e3o existe nenhuma indica\u00e7\u00e3o de que \u00e9 proibido circular, mas os que vivem ali sabem que \u00e9. Enquanto isso, muitas pessoas que vivem em Bagd\u00e1 ignoram essa situa\u00e7\u00e3o, caminham uns poucos metros e s\u00e3o mortos&quot;. O xeque Majeed, que esteve em Ramadi poucos dias antes de conversar com a IPS em Am\u00e3, descreveu uma cidade onde os combatentes dominam a situa\u00e7\u00e3o, apesar das medidas de seguran\u00e7a das for\u00e7as norte-americanas.<\/p>\n<p>&quot;Os rebeldes controlam o terreno e t\u00eam muita confian\u00e7a. Nem mesmo escondem o rosto. Os norte-americanos fogem deles. N\u00e3o podem ganhar uma guerra de infantaria contra eles, por isso come\u00e7aram a bombarde\u00e1-los maci\u00e7amente com avi\u00f5es&quot;. Enquanto esteve em Ramadi, o xeque viu muitas casas destru\u00eddas e diz que os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o funcionam. &quot;Pode-se ver que bombardearam as usinas de energia, a unidade de tratamento de \u00e1gua e os encanamentos. Uma casa est\u00e1 destru\u00edda. A outra tamb\u00e9m. Ver\u00e1 pobreza por todo lado. As coisas mais simples que qualquer ser humano deve ter, ali n\u00e3o existem&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O &quot;amigo iraquiano&quot; contou uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. &quot;Visitei quatro casas at\u00e9 agora, mas n\u00e3o vi Ramadi, que \u00e9 uma cidade grande. Tamb\u00e9m h\u00e1 casas destru\u00eddas nas propriedades rurais, visitei algumas&quot;. Ramadi encontra-se hoje isolada do resto do Iraque. \u00c0s vezes a eletricidade funciona, e algumas casas t\u00eam gerador. Mas o servi\u00e7o telef\u00f4nico local est\u00e1 completamente destru\u00eddo. &quot;A central telef\u00f4nica foi atacada pelo ex\u00e9rcito dos Estados Unidos e agora at\u00e9 o edif\u00edcio ficou totalmente destru\u00eddo. O mesmo aconteceu com a esta\u00e7\u00e3o de trem, 100% destru\u00edda, dia ap\u00f3s dia pelos bombardeios dos avi\u00f5es F16&quot;.<\/p>\n<p>A vida em Ramadi nem sempre foi t\u00e3o dif\u00edcil. Quando Bagd\u00e1 caiu, e posteriormente foi sacudida pela desordem e roubos, essa cidade ainda n\u00e3o havia entrado em guerra. &quot;Era uma cidade bastante tranq\u00fcila. Apesar das diferentes tribos e da tens\u00e3o existente entre elas, havia ordem. Se respeitava e se acatava a lei&quot;, disse o xeque Majeed. O &quot;amigo iraquiano&quot; considerou que, nos primeiros momentos da invas\u00e3o norte-americana de 2003, Ramadi permaneceu em calma sem sofrer os embates da ocupa\u00e7\u00e3o e da insurg\u00eancia. Para ele, os Estados Unidos &quot;haviam acertado com as tribos de n\u00e3o entrar na cidade. Mas os partidos pol\u00edticos puseram tudo a perder&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Como queriam controlar Ramadi, proporcionaram informa\u00e7\u00e3o falsa aos norte-americanos. Houve uma pequena manifesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de seguidores de Saddam Hussein. Tratava-se de um ato pac\u00edfico contra a ocupa\u00e7\u00e3o&quot;, afirmou. Depois dessa manifesta\u00e7\u00e3o, da qual participaram apenas 30 pessoas, o trato foi quebrado e os militares norte-americanos entraram na cidade. Muitos iraquianos morreram e, de acordo com as pr\u00e1ticas tribais de vingan\u00e7a, come\u00e7ou um ciclo de viol\u00eancia. Um morador de Ramadi, Qasem Dulaimi, disse \u00e1 IPS que sua casa foi ocupada em maio por soldados norte-americanos e iraquianos. &quot;Destru\u00edram a entrada principal e entraram na casa. Sai do quarto e disse em ingl\u00eas que \u00e9ramos uma fam\u00edlia pac\u00edfica&#8230; que estava tudo bem. Mas nos fecharam em um pequeno aposento da parte de baixo. De tempos em tempos ouv\u00edamos disparos feitos do telhado. Utilizaram nossa casa e nosso teto para matar&quot;, contou. Finalmente, sua fam\u00edlia foi libertada e os soldados foram embora de sua casa. <\/p>\n<p>O &quot;amigo iraquiano&quot; foi testemunha do assassinato de uma crian\u00e7a. &quot;Estava a caminho da escola, e isso \u00e0s oito da manh\u00e3, cruzando a rua e carregando seus livros. De repente caiu. Pensei que fosse um problema na perna, mas ficou ca\u00eddo um longo tempo. Soube, ou senti, que um franco-atirador havia disparado contra ele. Haithem, um dos irm\u00e3os do garoto ferido, tentou chegar at\u00e9 ele e deu dois passos. Os franco-atiradores tamb\u00e9m dispararam contra ele e, mesmo eles errando os tiros, n\u00e3o voltou a tentar salvar o irm\u00e3o, que ficou no ch\u00e3o quatro horas sagrando. Haviam acertado sua cabe\u00e7a&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am\u00e3, 06\/06\/2006 &ndash; \u00c9 quase imposs\u00edvel entrar na cidade iraquiana de Ramadi. 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