{"id":18452,"date":"2015-01-29T12:09:39","date_gmt":"2015-01-29T12:09:39","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128524"},"modified":"2015-01-29T12:09:39","modified_gmt":"2015-01-29T12:09:39","slug":"caso-de-43-estudantes-evidencia-tambem-racismo-mexicano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/caso-de-43-estudantes-evidencia-tambem-racismo-mexicano\/","title":{"rendered":"Caso de 43 estudantes evidencia (tamb\u00e9m) racismo mexicano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128526\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-mexico-1-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-128526\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-mexico-1-629x472.jpg\" alt=\"chica mexico 1 629x472 Caso de 43 estudantes evidencia (tamb\u00e9m) racismo mexicano\" width=\"550\" height=\"413\" title=\"Caso de 43 estudantes evidencia (tamb\u00e9m) racismo mexicano\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A n\u00e1huatl Metonia Carrillo segura um cartaz com a foto de seu filho Lu\u00eds \u00c1ngel Abarca, um dos 43 estudantes desaparecidos no dia 26 de setembro em Iguala, enquanto descansa na escadaria do Audit\u00f3rio Nacional durante um protesto de familiares na capital mexicana, ao completar quatro meses de seu sequestro. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 29\/1\/2015 \u2013 A primeira l\u00edngua do ind\u00edgena Celso Garc\u00eda, de 51 anos, \u00e9 o mixteco. Em sua inf\u00e2ncia, este pai de um dos 43 estudantes desaparecidos h\u00e1 quatro meses, teve que aprender espanhol para se desenvolver entre mesti\u00e7os, a maioria dominante no M\u00e9xico. Com quatro filhos, ele tem uma pequena propriedade onde planta milho, feij\u00e3o, flor de Jamaica e ab\u00f3bora, na localidade de Tecuantepec, munic\u00edpio de Tecoanapa, 380 quil\u00f4metros ao sul da Cidade do M\u00e9xico, no Estado de Guerrero.<\/p>\n<p>Mas seus cultivos est\u00e3o abandonados desde a noite de 26 de setembro, quando seu filho Abel, de 21 anos e aluno da primeira s\u00e9rie do curso de magist\u00e9rio rural, desapareceu junto com outros 42 companheiros da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, em uma a\u00e7\u00e3o de policiais municipais e sic\u00e1rios do grupo criminoso Guerreiros Unidos, conforme a investiga\u00e7\u00e3o das autoridades nacionais e o testemunho de participantes que confessaram o fato.<\/p>\n<p>\u201cQueremos que os rapazes apare\u00e7am. Assim deixaremos de perder tempo, estamos sem trabalhar\u201d, disse Garc\u00eda \u00e0 IPS, envolto em uma longa camisa xadrez, cal\u00e7as dan\u00e7ando ao vento e sand\u00e1lias que mal protegem seus p\u00e9s calejados de andar por caminhos abertos no mato.<\/p>\n<p>Na noite de 26 de setembro, policiais locais de Iguala, munic\u00edpio que fica 191 quil\u00f4metros ao sul da capital, atacaram os estudantes de Ayotzinapa quando estavam em um \u00f4nibus, fato que causou seis mortes e 25 feridos. Al\u00e9m disso, os policiais detiveram 43 normalistas \u2013 como s\u00e3o chamados aqui quem estuda para ser professor rural nas escolas especializadas \u2013 e os entregaram a membros da Guerreiros Unidos, uma das m\u00e1fias do tr\u00e1fico de drogas mais violentas da \u00e1rea, segundo a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica (PGR).<\/p>\n<p>De acordo com essa investiga\u00e7\u00e3o, os 43 jovens foram queimados no lix\u00e3o de Colula, localidade perto de Iguala, com produtos altamente inflam\u00e1veis, e, uma vez eliminados os restos, jogaram as supostas cinzas e outros vest\u00edgios em um rio pr\u00f3ximo, uma vers\u00e3o reiterada quando, no dia 26, completou quatro meses do alegado massacre.<\/p>\n<p>O procurador-geral, Jes\u00fas Murillo, afirmou \u2013 com o apoio de v\u00eddeos com a reconstru\u00e7\u00e3o dos fatos realizada com detidos pelo caso \u2013 que \u201ca verdade hist\u00f3rica\u201d \u00e9 que os 43 estudantes foram assassinados de forma coletiva na mesma noite de seu sequestro, incinerados e jogados ao rio. E acrescentou que a investiga\u00e7\u00e3o continua aberta. Mas pais e familiares das v\u00edtimas continuam repudiando a conclus\u00e3o de que todos seus parentes est\u00e3o mortos, tal como disseram \u00e0 IPS.<\/p>\n<div id=\"attachment_128527\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-mexico-2.jpg\"><img class=\"wp-image-128527\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chica-mexico-2.jpg\" alt=\"chica mexico 2 Caso de 43 estudantes evidencia (tamb\u00e9m) racismo mexicano\" width=\"550\" height=\"413\" title=\"Caso de 43 estudantes evidencia (tamb\u00e9m) racismo mexicano\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Manifestantes e familiares dos 43 estudantes de Ayotzinapa, no Paseo de la Reforma, na capital mexicana, no dia 26 deste m\u00eas, ao completar quatro meses de seu massacre, segundo a investiga\u00e7\u00e3o oficial, uma conclus\u00e3o recha\u00e7ada pelos parentes. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 foi poss\u00edvel identificar com base no DNA os restos encontrados de um dos estudantes, segundo informou em 7 de dezembro a PGR. Os especialistas do Instituto para Medicina Legal da Universidade M\u00e9dica de Innsbruck, na \u00c1ustria, encarregados do procedimento, notificaram que \u00e9 imposs\u00edvel obter DNA dos demais despojos devido ao seu estado de igni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Camponeses, pobres e ind\u00edgenas. Estas s\u00e3o as caracter\u00edsticas dos estudantes desaparecidos e de seus parentes que os buscam incansavelmente. A inten\u00e7\u00e3o dos futuros professores era romper e ajudar suas comunidades a combater a pobreza, a fome, a marginaliza\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o, d\u00edvidas seculares do Estado com as comunidades rurais ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Pelo menos metade dos 43 estudantes tem ascend\u00eancia ind\u00edgena relacionada aos povos me\u2019phaa, n\u00e1huatl e mixteco. E, como dizem os familiares das v\u00edtimas e especialistas, quando um ind\u00edgena morre como eles, se extinguem uma esperan\u00e7a, uma l\u00edngua e uma cultura. Para milhares de jovens como eles, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o educacional \u00e9 o acesso \u00e0s escolas para professores rurais para que, ap\u00f3s se formarem, ensinem nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Metodia Carrillo, de 54 anos, compartilha ra\u00edzes com a maioria dos pais dos desaparecidos. Sua l\u00edngua nativa \u00e9 o n\u00e1huatl e ela reside na comunidade de San Antonio, munic\u00edpio de Cuautepec, em Guerrero. \u00c9 a m\u00e3e de Luis \u00c1ngel Abarca, outro estudante da primeira s\u00e9rie, de 18 anos. At\u00e9 26 de setembro, sua vida era sua casa e a planta\u00e7\u00e3o de milho, a base alimentar mexicana.<\/p>\n<p>\u201cQueria ser professor para ajudar a fam\u00edlia. N\u00e3o s\u00e3o criminosos nem traficantes para terem sofrido isso. Por isso sentimos muita coragem e dor\u201d, explicou Carrillo, com seus nove filhos, dos quais \u00c1ngel \u00e9, ou era, o mais jovem.<\/p>\n<p>Neste pa\u00eds vivem 120 milh\u00f5es de pessoas, das quais cerca de 11 milh\u00f5es s\u00e3o ind\u00edgenas, divididos em pelo menos 54 povos origin\u00e1rios. Mas esse dado do Instituto Nacional de Estat\u00edstica e Geografia registra como moradores origin\u00e1rios somente pessoas com mais de cinco anos que falem uma l\u00edngua ancestral.<\/p>\n<p>Os Estados de Guerrero, Oaxaca e Chiapas, no sul, concentram a maioria da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e figuram entre os mais pobres do M\u00e9xico. Em Guerrero habitam os amuzgo, mixteco, n\u00e1huatl e me\u2019phaa, e segundo dados oficiais a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 de aproximadamente 600 mil pessoas.<\/p>\n<p>\u201cSempre houve discrimina\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o, por exemplo. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a. Esses direitos s\u00e3o violados\u201d, disse \u00e0 IPS outro pai de um dos desaparecidos, Melit\u00f3n Ortega, cujo filho Mauricio tem 17 anos, segundo insiste em que se fale no presente. Para Ortega, com seis filhos e cultivador de milho e caf\u00e9, o racismo se reflete no desemprego existente na regi\u00e3o ou na falta de moradia e de servi\u00e7os adequados.<\/p>\n<p>O governamental Programa Nacional para a Igualdade e a N\u00e3o Discrimina\u00e7\u00e3o 2014-2018 (Pronaind) indica que 76% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena vive na pobreza, um bloco \u201chistoricamente discriminado\u201d. Ind\u00edgenas, afrodescendentes e a popula\u00e7\u00e3o rural s\u00e3o mais pobres, menos educados, com menores rendas, menos prote\u00e7\u00e3o social e acesso restrito \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 pol\u00edtica, assegura o Programa.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 ind\u00edcios de discrimina\u00e7\u00e3o. Os ind\u00edgenas s\u00e3o vistos como cidad\u00e3os de terceira. Na quest\u00e3o educacional e de acesso \u00e0 justi\u00e7a, a igualdade n\u00e3o existe\u201d, afirmou \u00e0 IPS o ativista Maurilio Santiago, presidente do Centro de Direitos Humanos e Assessoria a Povos Ind\u00edgenas, que opera em Oaxaca. Os flagelos persistem, apesar de o or\u00e7amento destinado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria estar aumentando desde 2002. Para este ano, o valor supera os US$ 4,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para os pais dos estudantes causa engasgo falar de racismo, embora reconhe\u00e7am terem sofrido esse problema. \u201cSenti, claro, como n\u00e3o?\u201d, disse secamente Celso Garc\u00eda, enquanto mantinha erguido o cartaz no qual se lia: \u201cAbel, temos a esperan\u00e7a de que estejas vivo. E n\u00e3o descansaremos at\u00e9 encontr\u00e1-lo, volte logo. Temos saudades\u201d. \u00a0\u201cSe nos entregarem nossos filhos, nos acalmaremos. Vamos lutar at\u00e9 encontr\u00e1-los, exigimos sua presen\u00e7a\u201d, afirmou Carrilo depois do pronunciamento do procurador.<\/p>\n<p>Ortega prop\u00f5e que as comunidades manejem os recursos. \u201cH\u00e1 um discurso, mas n\u00e3o se v\u00ea nada de concreto. H\u00e1 or\u00e7amento, mas o problema \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico de influ\u00eancias. Isso faz com que as obras n\u00e3o sejam executadas\u201d, afirmou. Mas o Pronaind prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o na car\u00eancia ind\u00edgena de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade de 24% em 2012 para 5% em 2018. Tamb\u00e9m espera uma contra\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o nos grupos prejudicados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 29\/1\/2015 &ndash; A primeira l&iacute;ngua do ind&iacute;gena Celso Garc&iacute;a, de 51 anos, &eacute; o mixteco. 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