{"id":18458,"date":"2015-01-30T11:24:45","date_gmt":"2015-01-30T11:24:45","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128588"},"modified":"2015-01-30T11:24:45","modified_gmt":"2015-01-30T11:24:45","slug":"guerra-na-ucrania-agrava-situacao-sanitaria-de-setores-marginalizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/guerra-na-ucrania-agrava-situacao-sanitaria-de-setores-marginalizados\/","title":{"rendered":"Guerra na Ucr\u00e2nia agrava situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de setores marginalizados"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128590\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/adicto-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-128590\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/adicto-629x419.jpg\" alt=\"adicto 629x419 Guerra na Ucr\u00e2nia agrava situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de setores marginalizados\" width=\"580\" height=\"386\" title=\"Guerra na Ucr\u00e2nia agrava situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de setores marginalizados\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um assistente social no apartamento de um viciado em drogas, em Donetsk. Foto: Natalia Kravchuk\/International HIV\/aids Alliance Ucrania\u00a9<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kiev, Ucr\u00e2nia, 30\/1\/2015 \u2013 O conflito armado que mant\u00e9m o leste da Ucr\u00e2nia \u00e0 beira de uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria, segundo organiza\u00e7\u00f5es internacionais, inclusive limita ainda mais o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica pelas pessoas viciadas em drogas, a popula\u00e7\u00e3o cigana e os que vivem com HIV\/aids.<\/p>\n<p>O conflito, que come\u00e7ou em abril de 2014 entre os separatistas pr\u00f3-russos e as for\u00e7as ucranianas, afetou mais de cinco milh\u00f5es dos 45 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e organismos de direitos humanos alertaram que cerca de 1,4 milh\u00e3o de pessoas s\u00e3o \u201caltamente vulner\u00e1veis\u201d devido ao deslocamento, \u00e0 falta de renda e pela deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os essenciais, como no caso da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os combates e as medidas impostas pelos dois lados interromperam ou cortaram totalmente o fornecimento de suprimentos m\u00e9dicos. Alguns hospitais foram destru\u00eddos e outros sofrem constantes cortes de energia e \u00e1gua, al\u00e9m da escassez do pessoal m\u00e9dico que foge do conflito.<\/p>\n<p>A falta absoluta de vacinas amea\u00e7a desatar focos de doen\u00e7as como poliomielite e sarampo. A escassez de medicamentos vitais e a impossibilidade de fazer um acompanhamento dos pacientes faz temer pela sorte das pessoas que vivem com o v\u00edrus HIV ou sofrem de aids ou tuberculose.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) indicam que o conflito j\u00e1 deslocou mais de 700 mil pessoas dentro do pa\u00eds, e a esse n\u00famero se acrescentariam at\u00e9 outras 100 mil por semana. Eles vivem em condi\u00e7\u00f5es desesperadas, o que agrava o risco sanit\u00e1rio e a possibilidade de propaga\u00e7\u00e3o de enfermidades infecciosas, como a tuberculose. E alguns setores da popula\u00e7\u00e3o enfrentam obst\u00e1culos adicionais para terem acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia tem uma das piores epidemias de HIV\/aids no mundo, principalmente pelo uso de drogas injet\u00e1veis. Mas, ao contr\u00e1rio de muitos Estados da Europa oriental, o pa\u00eds aplica h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada uma elogiada pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de danos que manteve sob controle a doen\u00e7a. Os usu\u00e1rios de drogas podem recorrer \u00e0 terapia de substitui\u00e7\u00e3o de opi\u00e1ceos (TSO) em todo o pa\u00eds, o que \u00e9 importante no leste da Ucr\u00e2nia porque a maioria dos viciados em drogas injet\u00e1veis \u00e9 oriunda das regi\u00f5es de Luhansk e Donetsk, no leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es que trabalham com os consumidores de drogas dizem que o conflito poderia complicar e at\u00e9 suspender o acesso ao tratamento nessas regi\u00f5es em quest\u00e3o de semanas, na medida em que se esgotam as reservas de metadona e buprenorfina utilizadas no tratamento. A Alian\u00e7a Internacional de HIV\/aids da Ucr\u00e2nia, que dirige muitos centros TSO e outros programas de redu\u00e7\u00e3o de danos, alertou que os medicamentos antirretrovirais e para as terapias substitutivas estar\u00e3o esgotados j\u00e1 no m\u00eas de fevereiro.<\/p>\n<p>Mais de 300 pacientes em TSO em Donetsk e Luhansk deixaram de receber o tratamento desde o come\u00e7o do conflito, e outros 550 pacientes correm esse risco se n\u00e3o for renovado imediatamente o fornecimento de metadona. Funcion\u00e1rios da ONU e m\u00e9dicos em Donetsk confirmaram \u00e0 IPS que as cl\u00ednicas s\u00f3 t\u00eam metadona para mais algumas semanas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 graves problemas com o fornecimento de medicamentos. Os \u00faltimos envios foram em setembro, e alguns pacientes tiveram que abandonar o tratamento. Muitos o seguiam h\u00e1 dez anos e nesse per\u00edodo forjaram uma nova vida e deixaram para tr\u00e1s seu passado, \u00e0s vezes criminoso. Foi absolutamente tr\u00e1gico para eles quando deixaram o tratamento\u201d, afirmou um m\u00e9dico que pediu para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>A fonte acrescentou que 60% dos pacientes que recebem TSO s\u00e3o soropositivos e que muitos recorrem a drogas il\u00edcitas e compartilham seringas, e como agora o tratamento est\u00e1 suspenso existe o temor de propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, que ,junto com a hepatite C, est\u00e1 generalizada entre os viciados, bem como a tuberculose.<\/p>\n<p>Andriy Klinemko, um paciente em TSO, teve que fugir com sua mulher, de Donetsk para Dnipropetrovsk, no centro da Ucr\u00e2nia, quando um bombardeio destruiu sua casa no \u00faltimo ver\u00e3o boreal. \u201cOs pacientes do leste em TSO s\u00e3o obrigados a se mudar, mas nem todos podem e inclusive os que o fazem podem n\u00e3o conseguir continuar o tratamento porque n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para os programas. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim e no momento n\u00e3o vejo como melhorar\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>A comunidade cigana no pa\u00eds tamb\u00e9m tem problemas de acesso \u00e0 assist\u00eancia sanit\u00e1ria. Historicamente, seus aproximadamente 400 mil integrantes, como acontece em outros pa\u00edses, sofrem uma discrimina\u00e7\u00e3o generalizada, que inclui o emprego e a educa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, muitos ciganos n\u00e3o t\u00eam documentos de identidade oficial o que \u00e9 um obst\u00e1culo para conseguir aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, enquanto sua pobreza generalizada tamb\u00e9m impede que tenham acesso aos servi\u00e7os pagos, bem como seu isolamento, j\u00e1 que muitas de suas comunidades est\u00e3o longe dos centros de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cMesmo antes do conflito os ciganos na Ucr\u00e2nia tinham acesso limitado aos servi\u00e7os de sa\u00fade preventiva e curativa. Como resultado, as crian\u00e7as t\u00eam uma cobertura muito baixa de vacina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as taxas de tuberculose e outras doen\u00e7as s\u00e3o mais altas\u201d nessa popula\u00e7\u00e3o, pontuou a m\u00e9dica Dorit Nitzan, chefe da OMS na Ucr\u00e2nia. A discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m agrava o problema, segundo Zola Kondur, do grupo de direitos dos ciganos Chiricli. \u201cQuanto \u00e0 sa\u00fade, os ciganos est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis do pa\u00eds. S\u00e3o tratados mal por causa de sua origem \u00e9tnica\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas algumas organiza\u00e7\u00f5es denunciam que, desde que os grupos separatistas tomaram o controle da regi\u00e3o, os ciganos sofreram uma repress\u00e3o violenta, sistem\u00e1tica e, \u00e0s vezes, fatal.<\/p>\n<p>Um informe publicado este m\u00eas pelo Grupo de Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos Kharkiv, ap\u00f3s uma miss\u00e3o internacional para analisar a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, diz que os ciganos das regi\u00f5es sob controle dos separatistas \u201cforam submetidos a agress\u00e3o aberta por parte dos combatentes, que realizaram uma aut\u00eantica limpeza \u00e9tnica\u201d contra a comunidade. Muitos fugiram e se converteram em refugiados internos.<\/p>\n<p>\u201cComo em todas as crises, sem aten\u00e7\u00e3o especial os grupos marginalizados e vulner\u00e1veis correm maior risco. Na Ucr\u00e2nia, muitos ciganos carecem de documenta\u00e7\u00e3o civil e, portanto, n\u00e3o podem se registrar com refugiados internos e n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos na presta\u00e7\u00e3o de nenhum servi\u00e7o de sa\u00fade\u201d, ressaltou Nitzan. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kiev, Ucr&acirc;nia, 30\/1\/2015 &ndash; O conflito armado que mant&eacute;m o leste da Ucr&acirc;nia &agrave; beira de uma cat&aacute;strofe humanit&aacute;ria, segundo organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, inclusive limita ainda mais o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de p&uacute;blica pelas pessoas viciadas em drogas, a popula&ccedil;&atilde;o cigana e os que vivem com HIV\/aids. 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