{"id":18463,"date":"2015-02-02T11:40:39","date_gmt":"2015-02-02T11:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128680"},"modified":"2015-02-02T11:40:39","modified_gmt":"2015-02-02T11:40:39","slug":"terramerica-alma-de-buenos-aires-cada-vez-mais-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/terramerica-alma-de-buenos-aires-cada-vez-mais-cinza\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128682\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-128682\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes1.jpg\" alt=\"Ter711EspacosVerdes1 Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Detalhe de um parque gradeado na Plaza Francia, no bairro de Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 2 de fevereiro de 2015 (Terram\u00e9rica).- Se as cidades t\u00eam alma, a da capital da Argentina est\u00e1 cada dia mais cinza. A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, parques com cimento e grades, e os bares das pra\u00e7as foram desbotando suas tonalidades.<\/p>\n<p>Buenos Aires era verde, e na primavera colorida, por suas \u00e1rvores em flor. Assim a recordam fotos do s\u00e9culo passado, em parques emblem\u00e1ticos como El Rosedal e nas estrofes perdidas de tangos como o imortalizado por Carlos Gardel, do \u201ccaminho que o tempo apagou\u201d e \u201cque estava bordado de trevos e juncos em flor\u201d.<\/p>\n<p>O tempo apagou o caminho e os espa\u00e7os verdes que atravessava. Daquela \u00e9poca, entre 1880 e 1930, quando os parques foram criados inspirados em Paris, restam apenas as sombras dessa chamada \u201ccidade luz\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAntes, a alma de Buenos Aires era a identidade de cada bairro, como os vizinhos colocavam as cadeiras na cal\u00e7ada, a confian\u00e7a que havia na rua, a continua\u00e7\u00e3o da casa no muro, na rua, nas pra\u00e7as e em toda a cidade&#8230; Tudo se diluiu em uma esp\u00e9cie de cidade igual a si mesma, pretensiosa e excludente\u201d, ilustrou em novembro na revista <em>\u00d1<\/em> a ensa\u00edsta Gabriela Massuh.<\/p>\n<p>A ONU-Habitat tomou como par\u00e2metro uma recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) para estabelecer em seu informe <em>O Estado das Cidades da Am\u00e9rica Latina e do Caribe 2012<\/em> que as cidades t\u00eam que dispor \u201cde no m\u00ednimo entre nove e 11 metros quadrados de \u00e1rea verde por habitante\u201d. Massuh, autora de <em>O Roubo de Buenos Aires<\/em>, disse \u00e0 IPS que, agora, \u201cconcretamente, a cidade precisaria de pelo menos 70 novas pra\u00e7as para cobrir a quantidade de metros quadrados recomendada pela OMS\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_128683\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes2.jpg\"><img class=\"wp-image-128683\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes2.jpg\" alt=\"Ter711EspacosVerdes2 Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" width=\"250\" height=\"387\" title=\"Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tabela dos espa\u00e7os verdes por habitante em algumas cidades da Am\u00e9rica Latina, da Iniciativa de Cidades Emergentes e Sustent\u00e1veis (em espanhol). Foto: Ices\/BID<\/p><\/div>\n<p>Segundo o informe, a variedade de crit\u00e9rios para definir \u00e1reas verdes e sua irregular distribui\u00e7\u00e3o urbana \u201ccomplica o c\u00e1lculo da m\u00e9dia real\u201d. O munic\u00edpio aut\u00f4nomo da capital lan\u00e7ou, em 2014, o Plano Buenos Aires Verde, destinado a \u201cmitigar os efeitos do dano causado pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, reduzir a temperatura da cidade, diminuir o consumo energ\u00e9tico e limitar a emiss\u00e3o de gases-estufa\u201d.<\/p>\n<p>O estudo informa que a superf\u00edcie verde da cidade era de 1.120 hectares, ou 3,9 metros quadrados por habitante, em um munic\u00edpio com cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes. C\u00e1lculos da Iniciativa de Cidades Emergentes e Sustent\u00e1veis (Ices), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tamb\u00e9m assume a recomenda\u00e7\u00e3o da OMS, colocam Buenos Aires entre as piores cidades da regi\u00e3o nesse aspecto.<\/p>\n<p>Um dos coordenadores da Ices, Horacio Terraza, pontuou que o levantamento evidencia que, exceto Curitiba, no Brasil, com valores semelhantes \u00e0s cidades do norte europeu, as cidades latino-americanas estudadas, poucas delas capitais, deixam bastante a desejar em mat\u00e9ria de espa\u00e7os verdes.<\/p>\n<p>Depois de Curitiba (51,3 metros quadrados por habitante), outras cidades que atendem aos padr\u00f5es \u201csaud\u00e1veis\u201d s\u00e3o as brasileiras Porto Alegre (13,62 metros quadrados), S\u00e3o Paulo (11,58) e Belo Horizonte (9,4), a uruguaia Montevid\u00e9u (12,68) e a argentina Ros\u00e1rio (10,4).<\/p>\n<p>Em Buenos Aires, a deteriora\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os verdes come\u00e7ou durante a \u00faltima ditadura militar (1976-1983), quando as pra\u00e7as foram cimentadas ou feitas em concreto armado, como s\u00edmbolo do desenvolvimentismo. Segundo Massuh, continuou na democracia, durante o neoliberalismo dos anos 1990, e se aprofundou desde 2007, quando o governo da cidade passou para o neoconservador Mauricio Macri e \u00e0 sua alian\u00e7a Proposta Republicana.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo de militarizar o espa\u00e7o p\u00fablico se parece muito ao usado pelos militares para reformar espa\u00e7os verdes sob o pretexto da seguran\u00e7a\u201d, pontuou Macri. \u201cEm lugar de propor melhor ilumina\u00e7\u00e3o ou maior interven\u00e7\u00e3o dos moradores no cuidado da pra\u00e7a, a grama se transformava em cimento, constru\u00eda-se ciclovias em lugares verdes (como no bairro Palermo, convertido em um forno no ver\u00e3o pela substitui\u00e7\u00e3o da terra pelo cimento) e come\u00e7aram a colocar grades para impedir a utiliza\u00e7\u00e3o noturna das pra\u00e7as pelos sem teto\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Massuh, trata-se de um saneamento definido como \u201cexclus\u00e3o do verde, da sombra no ver\u00e3o, e da pobreza\u201d, que o Plano Buenos Aires Verde, anunciado para os pr\u00f3ximos 20 anos, n\u00e3o mitigaria.<\/p>\n<p>Entre outras medidas, busca-se \u201cuma transforma\u00e7\u00e3o definitiva de Buenos Aires em uma cidade verde\u201d, o plano municipal promete garantir \u00e1reas verdes \u201cde 350 metros para cada morador\u201d, construir 12 parques e 78 pra\u00e7as, reinstaurar 30 e plantar um milh\u00e3o de \u00e1rvores em dez anos, isto \u00e9, uma para cada tr\u00eas habitantes.<\/p>\n<p>Segundo Massuh, o contradizem in\u00fameros fatos, como um projeto municipal que, embora n\u00e3o tenha prosperado pelos protestos que causou, propunha construir um dep\u00f3sito de caminh\u00f5es e de lixo na Reserva Ecol\u00f3gica Costeira Sul, \u00e0s margens do Rio da Prata, em sete de seus 350 hectares, considerada um grande pulm\u00e3o urbano.<\/p>\n<p>Outro projeto, no momento paralisado pela justi\u00e7a, seria a concess\u00e3o gratuita de 15 dos 20 hectares do Parque Roca, \u201cum dos poucos espa\u00e7os de potencial criativo na cidade\u201d, para construir uma central de transfer\u00eancia de cargas. O mesmo ocorre com a autoriza\u00e7\u00e3o para instalar bares nas pra\u00e7as, o que,para a prefeitura, \u00e9 \u201cvaloriz\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEssa valoriza\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as e uma maquiagem, al\u00e9m de aumentar o concreto e as grades nas mesmas&#8230; N\u00e3o cuidam nem dos lagos urbanos\u201d, advertiu ao Terram\u00e9rica o bi\u00f3logo Mat\u00edas Pandolfi, do Conselho Nacional de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>\u201cA especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 nossa megaminera\u00e7\u00e3o ou nossa soja transg\u00eanica\u201d, afirmou Massuh, citando o advogado ambientalista Enrique Viale, que conceitua dessa forma \u201co extrativismo urbano\u201d, como a expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e do territ\u00f3rio, a apropria\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, os danos generalizados ao ambiente e a degrada\u00e7\u00e3o da vida institucional, entre outras \u201cnefastas quest\u00f5es\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_128684\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes3.jpg\"><img class=\"wp-image-128684\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Ter711EspacosVerdes3.jpg\" alt=\"Ter711EspacosVerdes3 Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" width=\"350\" height=\"241\" title=\"Terram\u00e9rica   Alma de Buenos Aires cada vez mais cinza\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cidades da Am\u00e9rica Latina segundo seus espa\u00e7os verdes por habitante e metro quadrado (em espanhol). Foto: Ices\/BID<\/p><\/div>\n<p>Para Pandolfi, essa explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais urbanos atenta contra muito mais do que uma paisagem e \u201c\u00e9 um perigo para a sa\u00fade dos cidad\u00e3os\u201d. Ele explicou que, \u201cpor meio do processo de fotoss\u00edntese, as \u00e1rvores absorvem o di\u00f3xido de carbono e oxigenam o ar e tamb\u00e9m contribuem para a regula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e t\u00e9rmica das cidades\u201d.<\/p>\n<p>A apropria\u00e7\u00e3o do verde tamb\u00e9m se manifesta, segundo Pandolfi, no gradeamento dos parques. Atualmente, 86 est\u00e3o cercados, um ter\u00e7o do total da cidade, estimou. \u201cPara gerar consci\u00eancia ecol\u00f3gica, os espa\u00e7os verdes devem ser o mais naturais poss\u00edveis, colocar grades no espa\u00e7o p\u00fablico, que \u00e9 o espa\u00e7o democr\u00e1tico por excel\u00eancia, \u00e9 tirar-lhe essa sua maior virtude\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Pandolfi enfatizou que os parques s\u00e3o \u201carticuladores da vida social e criadores de uma consci\u00eancia ambiental da cidadania\u201d. Por isso, o entorno tem que ser o mais natural poss\u00edvel. Que consci\u00eancia ecol\u00f3gica se pode transmitir de um Starbucks ou um McCaf\u00e9 instalado dentro de um parque com grades?\u201d, perguntou. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/populacao-urbana-chegou-39-bilhoes-e-continua-crescendo\/\" >Popula\u00e7\u00e3o urbana chegou a 3,9 bilh\u00f5es e continua crescendo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-um-tango-ser-dancado-por-mais-de-duas-pessoas\/\" >Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2013\/06\/turcos-resisten-al-neoliberalismo-de-la-topadora\/\" >Turcos resistem ao neoliberalismo da escavadeira, em espanhol<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 2 de fevereiro de 2015 (Terram&eacute;rica).- Se as cidades t&ecirc;m alma, a da capital da Argentina est&aacute; cada dia mais cinza. 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