{"id":18478,"date":"2015-02-03T13:31:23","date_gmt":"2015-02-03T13:31:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128791"},"modified":"2015-02-03T13:31:23","modified_gmt":"2015-02-03T13:31:23","slug":"boas-acoes-nao-aliviam-a-fome-crescente-no-zimbabue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/boas-acoes-nao-aliviam-a-fome-crescente-no-zimbabue\/","title":{"rendered":"Boas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o aliviam a fome crescente no Zimb\u00e1bue"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128793\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/zimbabwe-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-128793\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/zimbabwe-629x419.jpg\" alt=\"zimbabwe 629x419 Boas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o aliviam a fome crescente no Zimb\u00e1bue\" width=\"550\" height=\"366\" title=\"Boas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o aliviam a fome crescente no Zimb\u00e1bue\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os mercados s\u00e3o fundamentais para os pequenos agricultores do Zimb\u00e1bue. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 3\/2\/2015 \u2013 Com a agricultura como um dos motores de seu crescimento econ\u00f4mico, o Zimb\u00e1bue precisa investir nos pequenos agricultores que alimentam o pa\u00eds, afirmam especialistas. A agricultura representa quase 20% do produto interno bruto (PIB) desse pa\u00eds, pelas divisas das exporta\u00e7\u00f5es de tabaco. Mais de 80 mil agricultores se registraram para cultiv\u00e1-lo na nova colheita.<\/p>\n<p>Apesar da expans\u00e3o do cultivo de tabaco, a escassez de alimentos continua afetando o pa\u00eds, especialmente desde 2000, quando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o atingiu sua meta ap\u00f3s a controvertida reforma agr\u00edcola que implicou a passagem de terras de propriet\u00e1rios brancos para agricultores negros. A redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda \u00e0s secas, mas a falta de apoio aos produtores contribuiu para o d\u00e9ficit alimentar e a necessidade de importa\u00e7\u00e3o de milho todos os anos.<\/p>\n<p>O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou, em 2014, que \u201ca fome chegou ao seu m\u00e1ximo em cinco anos, com um quarto da popula\u00e7\u00e3o rural, cerca de 2,2 milh\u00f5es de pessoas, estimadas, sofrendo escassez de alimentos\u201d. Mas o vice-ministro da Agricultura, Paddington Zhanda, questionou os dados. \u201cOs n\u00fameros (das pessoas necessitadas) s\u00e3o exagerados. N\u00e3o h\u00e1 crise. Se houvesse, ter\u00edamos pedido ajuda como fizemos antes. Teremos uma das melhores colheitas em anos\u201d, declarou.<\/p>\n<p>O PMA projetou ajudar 1,8 milh\u00e3o de pessoas, dos 2,2 milh\u00f5es com fome, mas a escassez de fundos s\u00f3 permitiu chegar a 1,2 milh\u00e3o. Em 2014, o governo interveio comprando milho nos pa\u00edses vizinhos. O Zimb\u00e1bue esteve entre os principais importadores desse gr\u00e3o, comprando da \u00c1frica do Sul 482 toneladas entre julho e setembro, sendo superado somente pela Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>O economista especialista em agricultura Peter Gambara explicou que \u201ccusta US$ 800 produzir um hectare de milho, assim, dois milh\u00f5es de hectares custariam US$ 1,6 bilh\u00e3o\u201d. E pontuou que \u201co governo s\u00f3 subsidia parte dos insumos necess\u00e1rios, mediante o Programa Presidencial de Insumo. O restante fica por conta de empresas privadas, dos pr\u00f3prios agricultores, bem como por remessas de filhos e familiares no exterior\u201d. Os insumos s\u00e3o os fertilizantes e as sementes de milho.<\/p>\n<p>Para o presidente do Sindicato de Agricultores Comerciais do Zimb\u00e1bue, Wonder Chabikwa, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que muitos dos afiliados n\u00e3o podem comprar no mercado o necess\u00e1rio por problemas de liquidez. Os insumos totalmente gratuitos terminaram em 2013.<\/p>\n<p>Vincular a agricultura \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 um dos primeiros Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), com a meta de reduzir pela metade o n\u00famero de pessoas que sofrem fome entre 1990 e 2015. De fato, todos os objetivos est\u00e3o relacionados direta ou indiretamente com a agricultura. Esta atividade contribui para o \u00eaxito do primeiro ODM por meio do crescimento econ\u00f4mico e de uma alimenta\u00e7\u00e3o melhor.<\/p>\n<p>\u201cO governo deve investir em irriga\u00e7\u00e3o e infraestrutura, como estradas e armaz\u00e9ns\u201d, afirmou Gambara. \u201cCom a provis\u00e3o de insumos, o governo fez mais do que devia pelos pequenos agricultores. O Programa Presidencial de Insumos permitiu ao pa\u00eds conseguir excedente de 1,4 milh\u00e3o de toneladas de milho no ano passado\u201d, destacou. Isto, segundo o ministro da Agricultura, Joseph Made, devido \u00e0s boas chuvas.<\/p>\n<p>A venda da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o maior desafio para os agricultores, apontou Gambara, que recomendou regular os mercados p\u00fablicos como Mbare Musika, em Harare, por interm\u00e9dio da Autoridade de Comercializa\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (AMA). O economista afirmou que o governo deve manter os insumos gratuitos para as pessoas mais velhas, os \u00f3rf\u00e3os e outros setores vulner\u00e1veis, e tamb\u00e9m deve considerar empr\u00e9stimo para os demais pequenos produtores, que poder\u00e3o devolver o dinheiro ap\u00f3s a venda de sua colheita.<\/p>\n<p>\u201cIsso ajudar\u00e1 o pa\u00eds a reconstruir a Reserva Estrat\u00e9gica de Gr\u00e3os, administrada pela Junta de Comercializa\u00e7\u00e3o de Gr\u00e3os\u201d, disse Gambara. \u201cMas o governo n\u00e3o p\u00f4de pagar aos agricultores a tempo de entregarem a produ\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma \u00e1rea que deve ser melhorada. N\u00e3o tem sentido fazer os agricultores produzirem milho se n\u00e3o poder\u00e3o vend\u00ea-lo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Declara\u00e7\u00e3o de Maputo sobre Agricultura e Seguran\u00e7a Alimentar na \u00c1frica, de 2003, os governantes africanos se comprometeram a melhorar o desenvolvimento agr\u00edcola e rural com investimentos. Esse documento cont\u00e9m v\u00e1rias decis\u00f5es importantes, entre as quais se destaca o \u201ccompromisso de destinar pelo menos 10% do or\u00e7amento nacional \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de desenvolvimento rural e \u00e0 agricultura nos pr\u00f3ximos cinco anos\u201d.<\/p>\n<p>Mas apenas uns poucos dos 54 Estados membros da Uni\u00e3o Africana (UA) cumpriram esse compromisso nos \u00faltimos dez anos. Entre eles Burkina Faso, Gana, Guin\u00e9, Mali, N\u00edger, Eti\u00f3pia, Malawi e Senegal. Segundo Gambara, como signat\u00e1rio desse instrumento, o Zimb\u00e1bue devia ter feito mais para canalizar recursos para a agricultura desde 2000, quando empreendeu a segunda etapa da reforma agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos (novos) agricultores negros n\u00e3o tinha os recursos nem o conhecimento para cultivar como faziam os brancos e, nesse cen\u00e1rio, o governo precisou investir em pesquisa e extens\u00e3o para capacitar os novos produtores, al\u00e9m de oferecer programas para os empoderar, por exemplo, mediante mecaniza\u00e7\u00e3o e fornecimento de insumos\u201d, afirmou o economista.<\/p>\n<p>Everson Ndlovu, pesquisador do Instituto de Estudos de Desenvolvimento na Universidade Nacional do Zimb\u00e1bue de Ci\u00eancia e Tecnologia, disse \u00e0 IPS que o governo deveria investir em represas, pesquisa em tecnologias para coletar \u00e1gua, desenvolvimento de gado, educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o, auditorias de terras e restaura\u00e7\u00e3o de infraestrutura.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m disse que houve sinais de que institui\u00e7\u00f5es europeias e outras internacionais estavam dispostas a ajudar o Zimb\u00e1bue, mas o fr\u00e1gil ambiente pol\u00edtico e econ\u00f4mico os fez manter dist\u00e2ncia. \u201cO contexto deve mudar para facilitar transa\u00e7\u00f5es adequadas. Precisamos criar um ambiente prop\u00edcio para que o neg\u00f3cio desempenhe seu papel\u201d, afirmou Ndlovu. \u201cO governo deve entregar t\u00edtulos de propriedade para que os agricultores possam destravar recursos e fundos dos bancos locais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O analista econ\u00f4mico John Robertson contou \u00e0 IPS que, \u201cdesde a reforma agr\u00e1ria, temos que importar a maioria dos alimentos. O governo precisa destinar fundos para desenvolver infraestrutura a fim de ajudar a agricultura e outros setores\u201d. Antes da reforma, o Zimb\u00e1bue tinha quase um milh\u00e3o de agricultores locais, n\u00famero ao qual se somaram cerca de outros 150 mil com a entrega de parcelas A1 e A2 da Reforma Agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>As A1 foram divididas em 150 mil propriedades de seis hectares para pequenos agricultores, e com as A2 se buscou criar fazendas comerciais com a entrega de maiores extens\u00f5es de terra a cerca de 23 mil produtores negros. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rios empr\u00e9stimos para pagar empregados que fa\u00e7am todo o trabalho, mas a fazenda n\u00e3o tem renda, ent\u00e3o a maioria dos pequenos agricultores trabalha dentro dos limites de suas fam\u00edlias. Isso faz com que mantenham sua pequena escala e continuem sendo relativamente pobres\u201d, ressaltou Robertson. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 3\/2\/2015 &ndash; Com a agricultura como um dos motores de seu crescimento econ&ocirc;mico, o Zimb&aacute;bue precisa investir nos pequenos agricultores que alimentam o pa&iacute;s, afirmam especialistas. A agricultura representa quase 20% do produto interno bruto (PIB) desse pa&iacute;s, pelas divisas das exporta&ccedil;&otilde;es de tabaco. 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