{"id":18482,"date":"2015-02-04T12:15:21","date_gmt":"2015-02-04T12:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128873"},"modified":"2015-02-04T12:15:21","modified_gmt":"2015-02-04T12:15:21","slug":"prazo-de-dez-anos-para-acabar-com-a-fome-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/prazo-de-dez-anos-para-acabar-com-a-fome-na-africa\/","title":{"rendered":"Prazo de dez anos para acabar com a fome na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128875\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/hamb-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-128875\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/hamb-629x419.jpg\" alt=\"hamb 629x419 Prazo de dez anos para acabar com a fome na \u00c1frica\" width=\"580\" height=\"386\" title=\"Prazo de dez anos para acabar com a fome na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um obst\u00e1culo no caminho para acabar com a fome na \u00c1frica, pois afeta as terras de cultivo e destr\u00f3i as colheitas dos agricultores em todo o continente. Foto: Tinso Mungwe<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 4\/2\/2015 \u2013 Embora as economias da \u00c1frica estejam entre as de maior crescimento do mundo, centenas de milh\u00f5es de africanos vivem abaixo da linha de pobreza, de US$ 1,25 ao dia, um fator fundamental na fome generalizada que afeta o continente. Um dos principais temas discutidos na 24\u00aa C\u00fapula da Uni\u00e3o Africana, que terminou na capital da Eti\u00f3pia no dia 31 de janeiro, foi a seguran\u00e7a alimentar no contexto de desenvolvimento para a Agenda 2063, uma s\u00e9rie de metas que o continente dever\u00e1 alcan\u00e7ar at\u00e9 essa data.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a alimentar \u00e9 um elemento importante da Agenda 2063 e, como a fome \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es mais angustiantes do continente, o programa prioriza as transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas necess\u00e1rias para sua erradica\u00e7\u00e3o, como proporcionar \u00e0s pessoas as habilidades necess\u00e1rias e criar empregos para melhorar sua renda e seu meio de vida.<\/p>\n<p>Na frente agr\u00edcola se d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o alimentar e facilita\u00e7\u00e3o do interc\u00e2mbio comercial dentro da \u00c1frica, a fim de limitar a importa\u00e7\u00e3o de alimentos. O objetivo \u00e9 acabar com a fome em n\u00edvel continental na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Acabar com a fome tamb\u00e9m ocupou lugar de destaque nas atividades da Uni\u00e3o Africana em 2014, j\u00e1 que o declarou Ano Africano da Agricultura e da Seguran\u00e7a Alimentar, e os chefes de Estado e de governo africanos tamb\u00e9m aprovaram a Declara\u00e7\u00e3o de Malabo sobre o \u201ccrescimento agr\u00edcola acelerado e a transforma\u00e7\u00e3o da prosperidade compartilhada e meios de vida melhorados\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo colocou em marcha a Alian\u00e7a Renovada para uma Estrat\u00e9gia Unificada para Acabar com a Fome at\u00e9 2025, no contexto do Programa Integral de Desenvolvimento Agr\u00edcola da \u00c1frica (CAADP). A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma iniciativa conjunta da Uni\u00e3o Africana, Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o de a Agricultura (FAO), do Instituto Lula, da Nova Alian\u00e7a para o Desenvolvimento da \u00c1frica, da Comunidade Econ\u00f4mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental, do Banco Mundial, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas confirmam que a fome na \u00c1frica \u00e9 real. A FAO calcula que uma em cada tr\u00eas pessoas na \u00c1frica subsaariana est\u00e1 desnutrida, mas a responsabilidade n\u00e3o cabe apenas \u00e0 pobreza. Outro obst\u00e1culo no caminho para acabar com a fome \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica mundial, que afeta as terras de cultivo e destr\u00f3i as colheitas dos agricultores em todo o continente.<\/p>\n<p>Para colocar o tema da terra na agenda do desenvolvimento, a FAO designou 2015 Ano Internacional dos Solos, no contexto da Alian\u00e7a Mundial pelo Solo e em colabora\u00e7\u00e3o com a secretaria da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Luta Contra a Desertifica\u00e7\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o e aumentar a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia que o solo tem para a seguran\u00e7a alimentar e as fun\u00e7\u00f5es dos ecossistemas essenciais, inclu\u00eddas a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e sua mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica influi enormemente nos meios de subsist\u00eancia dos pequenos agricultores, especialmente vulner\u00e1veis. As secas, inunda\u00e7\u00f5es e outros desastres ambientais fazem com que as pessoas expostas tenham mais dificuldades para manter seus meios de vida ou inclusive pensar em aumentar sua produtividade agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Segundo Sipho Mthathi, diretora-executiva da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam \u00c1frica do Sul, o sistema alimentar mundial \u00e9 essencialmente injusto. \u201cIsso significa que, por um lado, os pa\u00edses t\u00eam a capacidade de produzir suficiente comida para se alimentar e alimentar o mundo, por outro, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 controlada e limitada pelas empresas transnacionais. Falta muito apoio, sobretudo para os pequenos produtores no continente\u201d, disse \u00e0 IPS, ressaltando que \u201cisso significa que o potencial da \u00c1frica est\u00e1 prejudicado\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os Estados membros da Uni\u00e3o Africana parecem lidar com a necessidade de expressar o crescimento econ\u00f4mico do continente em pol\u00edticas que beneficiem a popula\u00e7\u00e3o em geral. A Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Africana e seus pa\u00edses foram criticados pela lentid\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es e demais acordos assinados.<\/p>\n<p>Erastus Mwencha, vice-presidente da Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, afirmou \u00e0 IPS que no passado foram aplicadas muitas iniciativas para garantir o acesso aos alimentos, tais como ter contextos prontos para garantir a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o quando os pa\u00edses sofrem seca. Gra\u00e7as aos acordos alcan\u00e7ados em 2014, h\u00e1 claras melhoras no setor da agricultura, apontou.<\/p>\n<p>Segundo Mwencha, \u201ca agricultura est\u00e1 recebendo prioridade nos or\u00e7amentos e planos de a\u00e7\u00e3o dos Estados membros. Vimos uma inje\u00e7\u00e3o de investimentos na agricultura, tanto dos governos, como do setor privado. Tamb\u00e9m vimos que v\u00e1rios pa\u00edses alcan\u00e7aram n\u00edveis mais altos de nutri\u00e7\u00e3o, indicando que melhorou o investimento na seguran\u00e7a alimentar, agora que a agricultura adquiriu maior prioridade\u201d.<\/p>\n<p>Tacko Ndiaye, respons\u00e1vel de G\u00eanero, Igualdade e Desenvolvimento Rural da FAO na \u00c1frica, acredita que a erradica\u00e7\u00e3o da fome poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada em uma d\u00e9cada. \u201c\u00c9 algo realista sem existirem investimento, capacidades, mecanismo institucional, alian\u00e7as. S\u00e3o objetivos muito realistas, mas todas essas dimens\u00f5es devem estar presentes\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 4\/2\/2015 &ndash; Embora as economias da &Aacute;frica estejam entre as de maior crescimento do mundo, centenas de milh&otilde;es de africanos vivem abaixo da linha de pobreza, de US$ 1,25 ao dia, um fator fundamental na fome generalizada que afeta o continente. 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