{"id":18492,"date":"2015-02-05T12:31:25","date_gmt":"2015-02-05T12:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=128933"},"modified":"2015-02-05T12:31:25","modified_gmt":"2015-02-05T12:31:25","slug":"morrer-no-parto-e-uma-tendencia-no-zimbabue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/morrer-no-parto-e-uma-tendencia-no-zimbabue\/","title":{"rendered":"Morrer no parto \u00e9 uma tend\u00eancia no Zimb\u00e1bue"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_128935\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/maternidad-629x419-1.jpg\"><img class=\"wp-image-128935\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/maternidad-629x419-1.jpg\" alt=\"maternidad 629x419 1 Morrer no parto \u00e9 uma tend\u00eancia no Zimb\u00e1bue\" width=\"550\" height=\"366\" title=\"Morrer no parto \u00e9 uma tend\u00eancia no Zimb\u00e1bue\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Zimb\u00e1bue luta para frear as mortes causadas pela maternidade. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 5\/2\/2015 \u2013 O transporte em maca de suas tr\u00eas esposas gr\u00e1vidas para darem \u00e0 luz em uma cl\u00ednica local se converteu em rotina ao longo dos anos para Albert Mangwendere, de 47 anos e morador em Mutoko, localidade 143 quil\u00f4metros a leste de Harare, capital do Zimb\u00e1bue. Mas essa rotina nem sempre foi uma fonte de alegria. \u201cNos \u00faltimos 20 anos transportei minhas esposas gr\u00e1vidas em maca porque n\u00e3o tenho uma carreta grande. No total perdemos 12 beb\u00eas durante as viagens at\u00e9 a cl\u00ednica\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Seu caso representa a crescente crise de maternidade que sofre esse pa\u00eds da \u00c1frica austral de 13,5 milh\u00f5es de habitantes. Calcula-se que tr\u00eas mil mulheres morrem a cada ano neste pa\u00eds durante o parto e que pelo menos 1,23% do produto interno bruto (PIB) se perde anualmente devido a complica\u00e7\u00f5es na sa\u00fade materna, segundo o estudo <em>A Mortalidade Materna no Zimb\u00e1bue<\/em>, publicado pela representa\u00e7\u00e3o local da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 2013.<\/p>\n<p>O estudo acrescenta que as mortes maternas aumentaram 28% entre 1990 e 2010, principalmente devido a infec\u00e7\u00f5es bacterianas, rompimento do \u00fatero, insufici\u00eancia renal e card\u00edaca, bem como hiper\u00eamese grav\u00eddica, uma condi\u00e7\u00e3o caracterizada por n\u00e1useas, v\u00f4mitos e perda de peso durante a gravidez.<\/p>\n<p>Este ano o governo destinou US$ 301 milh\u00f5es ao setor da sa\u00fade, segundo o jornal <em>Newsday<\/em>. \u201cIsso significa que o governo tem a inten\u00e7\u00e3o de gastar, em m\u00e9dia, pouco mais de US$ 22 por pessoa este ano. Compare isto com os US$ 650 da \u00c1frica do Sul, os US$ 390 de Botsuana e os US$ 200 de Angola\u201d, acrescentou o jornal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do insuficiente sistema de transporte p\u00fablico, tamb\u00e9m existe o problema das tarifas cobradas das gr\u00e1vidas nos centros de sa\u00fade, afirmam organiza\u00e7\u00f5es ativistas. \u201cEm 2012, o governo elaborou e adotou uma pol\u00edtica para eliminar as tarifas dos servi\u00e7os por maternidade\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora da Rede de A\u00e7\u00e3o Di\u00e1logo da Juventude, Catherine Mukwapati.<\/p>\n<p>Mas, apesar dessa pol\u00edtica, alguns centros continuam cobrando tarifas por servi\u00e7os indiretos, o que afugenta muitas gr\u00e1vidas dos hospitais e das cl\u00ednicas e as deixa nas m\u00e3os das parteiras de menor qualifica\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cAs cl\u00ednicas n\u00e3o t\u00eam outra sa\u00edda que n\u00e3o seja cobrar US$ 25\u201d pelos servi\u00e7os de \u201cmaternidade, j\u00e1 que n\u00e3o recebem dinheiro do governo, afirmou o diretor dos servi\u00e7os sanit\u00e1rios de Harare, Stanley Mungofa. O custo real da presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de maternidade nas cl\u00ednicas chega a US$ 152, acrescentou. Nos hospitais p\u00fablicos, como o de Parirenyatwa, em Harare, o custo de um parto normal \u00e9 de US$ 150, enquanto a cesariana sai por US$ 450.<\/p>\n<div id=\"attachment_128936\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/bebe1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-128936\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/bebe1.jpg\" alt=\"bebe1 Morrer no parto \u00e9 uma tend\u00eancia no Zimb\u00e1bue\" width=\"330\" height=\"494\" title=\"Morrer no parto \u00e9 uma tend\u00eancia no Zimb\u00e1bue\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Chipo Shumba, de 28 anos, com sua filha \u00fanica. A jovem perdeu mais seis filhos ao dar \u00e0 luz. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Em uma tentativa de reduzir os altos custos de maternidade de hospitais e cl\u00ednicas p\u00fablicas, um grupo de doadores prometeu US$ 435 milh\u00f5es para o sistema de sa\u00fade no per\u00edodo 2011-2015. O denominado Fundo de Transi\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade foi dirigido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e administrado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). Este fundo ajuda a reter o pessoal qualificado ao aumentar os sal\u00e1rios mais baixos. Os m\u00e9dicos mal remunerados constituem uma grande parte da \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d do pa\u00eds, que atualmente conta com apenas 1,6 m\u00e9dico para cada dez mil pessoas.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito rural, onde vivem Mangwendere e suas esposas, n\u00e3o s\u00e3o cobradas tarifas, mas h\u00e1 outros obst\u00e1culos que se tornam insuper\u00e1veis para conseguir atendimento. As cl\u00ednicas e os hospitais costumam estar longe dos que precisam de assist\u00eancia, uma das principais causas das mortes por maternidade.<\/p>\n<p>Por fim, a corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica tamb\u00e9m afeta os sistemas de aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Transpar\u00eancia Internacional, com sede em Berlim, denunciou que um hospital do Zimb\u00e1bue cobrava das futuras m\u00e3es US$ 5 cada vez que gritavam para dar \u00e0 luz. Em seu informe de 2013 sobre a corrup\u00e7\u00e3o mundial, esta organiza\u00e7\u00e3o indica que 62% dos zimbabuenses informaram ter pago suborno no ano anterior.<\/p>\n<p>O setor da sa\u00fade do Zimb\u00e1bue foi um dos melhores da \u00c1frica subsaariana na d\u00e9cada de 1980, mas quase desmoronou quando a crise econ\u00f4mica provocou a hiperinfla\u00e7\u00e3o de mais de 230.000.000% em 2008. Nos anos seguintes, o subinvestimento cr\u00f4nico agravou a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mortalidade materna cresce apesar de o quinto dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM) estipular que at\u00e9 o final deste ano os pa\u00edses devem reduzir suas taxas de mortalidade materna em 75%, com rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990. Um informe de 2012 sobre a situa\u00e7\u00e3o do cumprimento dos ODM no Zimb\u00e1bue evidenciou que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que o pa\u00eds alcance sua meta de reduzir a taxa de mortes maternas para 174 para cada cem mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>Na pesquisa realizada em 2013 para abordar os motivos das mortes maternas, o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade e Cuidado Infantil disse que as principais causas s\u00e3o sangramento excessivo depois do parto e abortos inseguros, embora n\u00e3o fornecesse a informa\u00e7\u00e3o correspondente.<\/p>\n<p>\u201cAs estat\u00edsticas sobre as mortes maternas costumam excluir a triste realidade de mortes semelhantes em \u00e1reas remotas inacess\u00edveis, onde as gr\u00e1vidas e as crian\u00e7as morrem diariamente sem que esses casos tenham algum registro\u201d, denunciou Helen Watungwa, parteira em uma cl\u00ednica de Gweru, capital da prov\u00edncia de Midlands, a 222 quil\u00f4metros de Harare. \u201cEm todo caso, com os limitados recursos que temos como enfermeiras, fazemos todo o poss\u00edvel para salvar as vidas de m\u00e3es e beb\u00eas\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 realmente um milagre podermos sobreviver a uma s\u00e9rie de gravidezes enquanto lutamos para dar \u00e0 luz, com frequ\u00eancia a caminho da cl\u00ednica, sangrando abundantemente e sem nenhum especialista que nos assista, apenas com nosso marido que nos leva em uma maca\u201d, afirmou Mavis Handa, de 28 anos, uma das esposas de Mangwendere. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 5\/2\/2015 &ndash; O transporte em maca de suas tr&ecirc;s esposas gr&aacute;vidas para darem &agrave; luz em uma cl&iacute;nica local se converteu em rotina ao longo dos anos para Albert Mangwendere, de 47 anos e morador em Mutoko, localidade 143 quil&ocirc;metros a leste de Harare, capital do Zimb&aacute;bue. 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