{"id":18504,"date":"2015-02-09T11:46:49","date_gmt":"2015-02-09T11:46:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129113"},"modified":"2015-02-09T11:46:49","modified_gmt":"2015-02-09T11:46:49","slug":"bangladesh-luta-contra-a-desigualdade-desde-a-pre-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/bangladesh-luta-contra-a-desigualdade-desde-a-pre-escola\/","title":{"rendered":"Bangladesh luta contra a desigualdade desde a pr\u00e9-escola"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129115\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-129115\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/bangladesh1-629x472.jpg\" alt=\"bangladesh1 629x472 Bangladesh luta contra a desigualdade desde a pr\u00e9 escola\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Bangladesh luta contra a desigualdade desde a pr\u00e9 escola\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Na remota aldeia de Mohonpur, onde vivem 140 fam\u00edlias, meninos e meninas se beneficiam de uma pr\u00e9-escola gratuita de uma organiza\u00e7\u00e3o que promove o ensino para os menores das zonas rurais de Bangladesh. Foto: Mahmuddun Rashed Manik\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jamalpur, Bangladesh, 9\/2\/2015 \u2013 Shanta tem apenas quatro anos, mas j\u00e1 se encanta com a escola. Todas as manh\u00e3s, sua m\u00e3e a leva ao centro pr\u00e9-escolar perto de sua casa na aldeia de Mohonpur, a 140 quil\u00f4metros da capital de Bangladesh, e a deixa aos cuidados de uma jovem professora que organiza as atividades.<\/p>\n<p>Mosammet Laily Begum, m\u00e3e de Shanta, se dedica \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas em sua casa. Ela e o marido, que dirige um riquix\u00e1 (triciclo para transporte de passageiros) e ganha o equivalente a US$ 100 por m\u00eas, vivem em uma cho\u00e7a com teto de palha. A fam\u00edlia cultiva verduras para melhorar sua renda e consegue apenas alimentar e vestir seus tr\u00eas filhos. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um luxo que, em outro momento e lugar, teriam que ter renunciado para cobrir suas as necessidades vitais.<\/p>\n<p>Mas a pr\u00e9-escola que fica perto de sua casa \u00e9 gratuita. Os irm\u00e3os mais velhos de Shanta (nome fict\u00edcio) tamb\u00e9m ocuparam as mesmas salas. Ali aprenderam a ler e escrever em ingl\u00eas e bengali. Foram muito bem na escola prim\u00e1ria. Sua m\u00e3e atribui o amor pelo estudo \u00e0 base que obtiveram nesta aldeia do munic\u00edpio de Jamalpur.<\/p>\n<p>\u00c9 uma fam\u00edlia de sorte; ao contr\u00e1rio da maioria da popula\u00e7\u00e3o rural de Bangladesh que n\u00e3o tem possibilidades de ir a uma pr\u00e9-escola, eles vivem perto de uma das milhares de escolas da organiza\u00e7\u00e3o Brac, que se dedica \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as entre tr\u00eas e cinco anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 3,3 milh\u00f5es de meninas, meninos e adolescentes que n\u00e3o frequentem a escola em Bangladesh. At\u00e9 2012, o governo n\u00e3o oferecia alternativas a fam\u00edlias como a de Shanta, sem recursos para custear o ensino pr\u00e9-escolar. Isso significa que cerca de 45 milh\u00f5es de bengalis que subsistem com menos de US$ 1,25 por dia s\u00f3 conseguem preparar seus filhos para o ensino b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Isso gera um c\u00edrculo vicioso: as crian\u00e7as mais pobres que n\u00e3o puderam se preparar para o prim\u00e1rio ficam atrasadas em rela\u00e7\u00e3o aos seus companheiros mais privilegiados. Esta desigualdade se perpetua no ensino secund\u00e1rio e terci\u00e1rio. Muitos dos jovens mais desfavorecidos constituem o grosso das pessoas desempregadas em Bangladesh, que representam 4,5% dos 168 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Para nivelar um pouco a situa\u00e7\u00e3o, a Brac tem 12.450 pr\u00e9-escolas no pa\u00eds, onde s\u00e3o educados cerca de 360 mil meninos e meninas a cada ano. Seu Programa de Educa\u00e7\u00e3o Pr\u00e9-Escolar \u00e9 a maior iniciativa gratuita para esse setor da popula\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds. No total s\u00e3o cerca de 5,2 milh\u00f5es de meninas e meninos em idade pr\u00e9-escolar que se beneficiaram do programa desde seu in\u00edcio, em 1997.<\/p>\n<p>Parada em meio ao pequeno barrac\u00e3o de zinco que funciona como sala de aula, Rowshanara Begum, de 27 anos, est\u00e1 em sua sala. Tem um grupo de 30 alunos, 18 meninas e 12 meninos, e sabe que seu trabalho marca uma diferen\u00e7a. Uma das prioridades da Brac \u00e9 conseguir 50% de matr\u00edculas de meninas. Durante duas horas e meia por dia, seis dias na semana, a professora cuida com carinho de ensinar o alfabeto ajudando com desenhos, rimas e brincadeiras. A estrutura flex\u00edvel e informal faz com que as fam\u00edlias continuem levando seus filhos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 grande press\u00e3o dos pais para que seja aberta outra pr\u00e9-escola gratuita na aldeia de Mohnpur\u201d, contou Begum \u00e0 IPS. As escolas gratuitas n\u00e3o s\u00e3o uma iniciativa menor em um pa\u00eds onde um estudante m\u00e9dio demora 8,6 anos para terminar o ciclo prim\u00e1rio de cinco anos. O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) atribui a situa\u00e7\u00e3o aos baixos padr\u00f5es do ensino p\u00fablico e ao fato de 24% das professoras das escolas estatais ou registradas pelo governo n\u00e3o terem capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um trabalhador da Brac que n\u00e3o quis se identificar afirmou que a organiza\u00e7\u00e3o obteve um \u00eaxito \u201cnot\u00e1vel\u201d na transi\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9-escolares para a escola prim\u00e1ria, cerca de 99,14%. E, no entanto, n\u00e3o \u00e9 mais do que metade da batalha ganha.<\/p>\n<div id=\"attachment_129116\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/criancasbangladesh2.jpg\"><img class=\"wp-image-129116\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/criancasbangladesh2.jpg\" alt=\"criancasbangladesh2 Bangladesh luta contra a desigualdade desde a pr\u00e9 escola\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Bangladesh luta contra a desigualdade desde a pr\u00e9 escola\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As fam\u00edlias pobres mal podem pagar o custo da educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar privada. Despendem do ensino oferecido por organiza\u00e7\u00f5es como a Brac para prepar\u00e1-los para a vida. Foto: Mahmuddun Rashed Manik\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bangladesh conseguiu grandes progressos em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Atualmente, tem um dos maiores sistemas de ensino prim\u00e1rio do mundo, com cerca de 20 milh\u00f5es de alunos entre seis e dez anos, e aproximadamente 365 mil educadores em 82 mil escolas. Desde 1990, aumentou a matr\u00edcula de 72% para 97% e sua taxa de conclus\u00e3o do curso passou de 40% para 79%. O n\u00famero de escolas prim\u00e1rias que recebem livros de textos gratuitos aumentou de 32%, em 2010, para mais de 90%, em 2014.<\/p>\n<p>Segundo a diretora-executiva da Campanha para a Educa\u00e7\u00e3o Popular, Rasheda K. Choudhury, uma rede integrada por mil organiza\u00e7\u00f5es que trabalham em educa\u00e7\u00e3o, Bangladesh tamb\u00e9m reduziu a taxa de deser\u00e7\u00e3o escolar de 33%, h\u00e1 alguns anos, para 20%, no ano passado. \u201cA melhor capacita\u00e7\u00e3o profissional, menor propor\u00e7\u00e3o entre estudantes e professores (atualmente 49 para um, menos do que 77 para 1, em 2005), e a entrega de um pagamento para os alunos s\u00e3o algumas das raz\u00f5es dos progressos\u201d, pontuou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Mas ainda restam assuntos a resolver. Numerosos especialistas concordam que, para melhorar a situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso aumentar os recursos para a educa\u00e7\u00e3o, dos atuais 2,5% do produto interno bruto para 4%. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio melhorar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para 71% das pessoas que vivem nas zonas rurais, bem como nas comunidades ind\u00edgenas. Segundo o diretor do Banco Mundial no pa\u00eds, Johannes Zutt, o governo atende aos que ficaram fora da reforma educacional, \u201cincluindo os que residem em bairros pobres, menores trabalhadores, ind\u00edgenas e outros com defici\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Mas, enquanto programas como o da Brac n\u00e3o forem implantados em grande escala em todo o territ\u00f3rio, Bangladesh manter\u00e1 um rendimento desigual em mat\u00e9ria educacional, e a meta de conseguir a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal, o segundo dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), continuar\u00e1 sendo inalcan\u00e7\u00e1vel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jamalpur, Bangladesh, 9\/2\/2015 &ndash; Shanta tem apenas quatro anos, mas j&aacute; se encanta com a escola. 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