{"id":18506,"date":"2015-02-11T12:02:33","date_gmt":"2015-02-11T12:02:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129261"},"modified":"2015-02-11T12:02:33","modified_gmt":"2015-02-11T12:02:33","slug":"centro-americanos-lgbti-se-defendem-de-estigmas-e-abusos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/centro-americanos-lgbti-se-defendem-de-estigmas-e-abusos\/","title":{"rendered":"Centro-americanos LGBTI se defendem de estigmas e abusos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129263\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-el-salvador-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-129263\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-el-salvador-629x420.jpg\" alt=\"chica el salvador 629x420 Centro americanos LGBTI se defendem de estigmas e abusos\" width=\"540\" height=\"361\" title=\"Centro americanos LGBTI se defendem de estigmas e abusos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Daniela Alfaro, estudante de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, na entrada da Faculdade de Medicina da Universidade de El Salvador. Essa jovem trans denunciou, sem sucesso, as agress\u00f5es e o ass\u00e9dio de que \u00e9 v\u00edtima nesse centro educacional da capital do pa\u00eds. Foto: Edgardo Ayala\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o Salvador, El Salvador, 11\/2\/2015 \u2013 Apesar das agress\u00f5es e dos abusos sofridos na universidade por ser mulher trans, a salvadorenha Daniela Alfaro n\u00e3o vacila em sua meta de se formar em educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade. \u201cFalta muita toler\u00e2ncia na universidade em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s. Pensei que seria diferente na faculdade, mas n\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS esta estudante do terceiro ano do curso na Faculdade de Medicina da Universidade de El Salvador, na capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Rejeitada pelo resto de sua fam\u00edlia, Alfaro s\u00f3 tem o apoio emocional e financeiro de sua m\u00e3e. \u201cA \u00fanica que n\u00e3o me virou o rosto\u201d, contou. Como ela, muitas pessoas da comunidade de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eanero e intersex (LGBTI) sofrem a cada dia, na Am\u00e9rica Central, vexames por terem uma condi\u00e7\u00e3o sexual ou uma identidade de g\u00eanero diferente, afirmaram ativistas de El Salvador, Guatemala e Nicar\u00e1gua, entrevistados pela IPS.<\/p>\n<p>Os ass\u00e9dios, as discrimina\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es recebidas na universidade por Alfaro partem de seus pr\u00f3prios companheiros de estudo, professores, trabalhadores e autoridades universit\u00e1rias. Ela fez v\u00e1rias den\u00fancias desde 2010 junto \u00e0s autoridades por agress\u00f5es sofridas no banheiro masculino da faculdade, o qual deve utilizar. \u201cMas n\u00e3o levam a s\u00e9rio minhas den\u00fancias porque sou trans\u201d, lamentou a jovem de 27 anos.<\/p>\n<p>Alfaro experimentou o fen\u00f4meno da invisibilidade das pessoas LGBTI, que ocorre quando n\u00e3o h\u00e1 resposta das institui\u00e7\u00f5es ou dos funcion\u00e1rios porque desprezam den\u00fancias simplesmente por causa do preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o s\u00e3o heterossexuais, afirmou Carlos Vald\u00e9s, da Organiza\u00e7\u00e3o Lambda, da Guatemala.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existimos para o Estado em quest\u00f5es de sa\u00fade, estudo, trabalho ou \u00e2mbito social, e n\u00e3o h\u00e1 protocolos de aten\u00e7\u00e3o do servidor p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s\u201d, afirmou Vald\u00e9s \u00e0 IPS por telefone desde Cidade da Guatemala. A Lambda e outras tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es do istmo impulsionam o programa regional Am\u00e9rica Central Diferente, que busca fazer valer o cumprimento dos direitos humanos para pessoas com orienta\u00e7\u00f5es sexuais ou express\u00f5es de g\u00eanero diversas.<\/p>\n<p>\u201cDefinitivamente, queremos melhorar a qualidade de vida da comunidade LGBTI, que n\u00e3o seja discriminada por setores e institui\u00e7\u00f5es do governo, pontuou Eduardo V\u00e1squez, da salvadorenha Associa\u00e7\u00e3o Entreamigos, que participa da iniciativa.<\/p>\n<p>O programa come\u00e7ou em maio de 2014 e se prolongar\u00e1 at\u00e9 junho de 2016 nos quatro pa\u00edses participantes: Guatemala, Honduras, Nicar\u00e1gua e El Salvador. Com financiamento da Uni\u00e3o Europeia, o programa pretende chegar a 40 organiza\u00e7\u00f5es, mais de 200 defensores dos direitos humanos, 3.550 pessoas LGBTI, 160 comunicadores, 600 funcion\u00e1rios p\u00fablicos, oito mil adolescentes e 10% da popula\u00e7\u00e3o dos quatro pa\u00edses.<\/p>\n<p>Entre suas a\u00e7\u00f5es, o programa d\u00e1 apoio legal para ter acesso \u00e0 justi\u00e7a em casos de abuso e viol\u00eancia, capacita\u00e7\u00e3o para ativistas dos direitos da diversidade sexual, junto com campanhas nacionais e regionais contra a homofobia. Esses ativistas coordenam as opera\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es governamentais, que fornecem servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0 comunidade LGBTI, e vigiam para que n\u00e3o ocorram abusos ou discrimina\u00e7\u00f5es, por exemplo em centros sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o e no trabalho, ou nos procedimentos policiais.<\/p>\n<p>\u201cCom tristeza vemos que o pessoal da pol\u00edcia ainda pratica maus procedimentos em revistas, ou na forma desrespeitosa com se referem a um gay ou trans\u201d, disse \u00e0 IPS por telefone Norman Guti\u00e9rrez, do Centro para a Educa\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o da Aids, da Nicar\u00e1gua, outra organiza\u00e7\u00e3o participante da iniciativa.<\/p>\n<p>O programa tamb\u00e9m criar\u00e1 um observat\u00f3rio regional de direitos humanos LGBTI, que permitir\u00e1 monitorar os casos de abusos, agress\u00f5es e viol\u00eancia contra o coletivo, e far\u00e1 um estudo para diagnosticar o n\u00edvel de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos pela condi\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Esses dois instrumentos ser\u00e3o essenciais para detectar o quanto \u00e9 s\u00e9rio, por exemplo, o fen\u00f4meno dos assassinatos, sobretudo de pessoas trans, j\u00e1 que as estat\u00edsticas oficiais n\u00e3o reconhecem os crimes de \u00f3dio e os rotulam como homic\u00eddios, afirmaram os ativistas. \u201cNa Guatemala o direito \u00e0 vida est\u00e1 entre os mais violentados, muito focado nas pessoas trans\u201d, destacou Vald\u00e9s.<\/p>\n<p>Diante da falta de estat\u00edsticas oficiais, as organiza\u00e7\u00f5es v\u00e3o recopilando informa\u00e7\u00e3o sem a adequada sistematiza\u00e7\u00e3o. Com base nela, as organiza\u00e7\u00f5es que participam do programa afirmam que nos \u00faltimos cinco anos foram cometidos na Am\u00e9rica Central pelo menos 300 assassinatos contra pessoas LGBTI, sobretudo mulheres trans. Esses crimes de \u00f3dio ocorrem em contexto de viol\u00eancia generalizada na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O chamado Tri\u00e2ngulo do Norte, formado por Guatemala, Honduras e El Salvador, est\u00e1 entre as regi\u00f5es mais violentas do mundo.<\/p>\n<p>Honduras mant\u00e9m nos \u00faltimos anos \u00edndices de homic\u00eddios em torno de 70 para cada cem mil habitantes, segundo o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas Contra a Droga e o Crime, bem acima do j\u00e1 alto n\u00edvel m\u00e9dio latino-americano de 29\/100 mil. Nesse pa\u00eds, os ativistas LGBTI denunciam ao menos 190 assassinatos por \u00f3dio nos \u00faltimos cinco anos e alguns deles s\u00e3o inclu\u00eddos em um informe divulgado no dia 17 de dezembro pela Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).<\/p>\n<p>Desse documento constam viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos da comunidade LGBTI em 25 pa\u00edses membros da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, entre janeiro de 2013 e mar\u00e7o de 2014. Nesse per\u00edodo foram assassinadas pelo menos 594 pessoas que eram LGBTI ou vistas como tal, enquanto outras 176 foram v\u00edtimas de grave viol\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n<p>A OEA \u201cexorta os Estados a tomarem medidas urgentes e efetivas de preven\u00e7\u00e3o e resposta diante dessas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e garantir que as pessoas LGBTI possam gozar efetivamente de seu direito a uma vida livre de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. Entre os casos recopilados pela CIDH est\u00e1 o assassinato a pedradas de uma mulher hondurenha trans, identificada como Jos\u00e9 Natanael Ramos, de 35 anos, ocorrido no dia 4 de mar\u00e7o de 2013 na cidade de San Pedro Sula, no norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros programas que operam sobretudo nas capitais nacionais, o programa Am\u00e9rica Central Diferente busca chegar aos povoados e \u00e0s pequenas cidades, onde as agress\u00f5es e a falta de defesa s\u00e3o mais graves. \u201cNas pequenas cidades h\u00e1 muito mais machismo, mais viol\u00eancia e mais homofobia. H\u00e1 assassinato sou crimes de \u00f3dio que nem chegam a ser denunciados\u201d, acrescentou Guti\u00e9rrez.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no \u00e2mbito trabalhista continua havendo forte discrimina\u00e7\u00e3o contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI centro-americana, disse o guatemalteco Vald\u00e9s. \u201cPor exemplo, os gays t\u00eam de esconder sua identidade ao optarem por um trabalho, e se sua orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 descoberta come\u00e7a o ass\u00e9dio at\u00e9 que se demita\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, Alfaro reafirmou diante da Faculdade de Medicina onde estuda que n\u00e3o cessar\u00e1 suas den\u00fancias das agress\u00f5es que recebe, at\u00e9 que em algum momento consiga justi\u00e7a. \u201cS\u00f3 espero que algum dia respeitem minha identidade como mulher\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; S&atilde;o Salvador, El Salvador, 11\/2\/2015 &ndash; Apesar das agress&otilde;es e dos abusos sofridos na universidade por ser mulher trans, a salvadorenha Daniela Alfaro n&atilde;o vacila em sua meta de se formar em educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de. &ldquo;Falta muita toler&acirc;ncia na universidade em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s. 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