{"id":18542,"date":"2015-02-19T12:15:13","date_gmt":"2015-02-19T12:15:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129493"},"modified":"2015-02-19T12:15:13","modified_gmt":"2015-02-19T12:15:13","slug":"migrantes-latino-americanos-sofrem-preconceito-em-sua-propria-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/migrantes-latino-americanos-sofrem-preconceito-em-sua-propria-regiao\/","title":{"rendered":"Migrantes latino-americanos sofrem preconceito em sua pr\u00f3pria regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129495\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Chica-Migrantes-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-129495\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Chica-Migrantes-629x472.jpg\" alt=\"Emiliana Mamani mostra uma revista de 2000 que alertava para \u201ca invas\u00e3o silenciosa\u201d de bolivianos na Argentina, na qual inclusive, assegurou, foi manipulada a foto para que o imigrante aparecesse sem um dente. A imigrante boliviana recorda aquele epis\u00f3dio como o mais duro em seus 30 anos no pa\u00eds de acolhida. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Emiliana Mamani mostra uma revista de 2000 que alertava para \u201ca invas\u00e3o silenciosa\u201d de bolivianos na Argentina, na qual inclusive, assegurou, foi manipulada a foto para que o imigrante aparecesse sem um dente. A imigrante boliviana recorda aquele epis\u00f3dio como o mais duro em seus 30 anos no pa\u00eds de acolhida. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 19\/2\/2015 \u2013 No filme <em>Um Dia Sem Mexicanos<\/em>, o misterioso desaparecimento dos trabalhadores dessa origem paralisa o Estado da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos. Aconteceria o mesmo em alguns pa\u00edses latino-americanos caso evaporassem os imigrantes de pa\u00edses vizinhos, igualmente discriminados?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel, mas um novo informe da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) mostra que o fluxo migrat\u00f3rio intrarregional sofreu acelera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo 2000-2010, quando cresceu ao ritmo anual de 3,5%, enquanto diminuiu o destinado ao resto do mundo. H\u00e1 28,5 milh\u00f5es de latino-americanos vivendo fora de seus pa\u00edses, dos quais 20,8 milh\u00f5es nos Estados Unidos, enquanto dentro da regi\u00e3o h\u00e1 7,6 milh\u00f5es de imigrantes, 63% deles procedentes de pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m seria insepar\u00e1vel a r\u00edgida pol\u00edtica migrat\u00f3ria dos Estados Unidos ou da Europa com a latino-americana, que mediante acordos de integra\u00e7\u00e3o regional favorece a resid\u00eancia dos cidad\u00e3os vizinhos e recha\u00e7a \u201cas medidas unilaterais e restritivas de alguns pa\u00edses desenvolvidos\u201d, de acordo com a Cepal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o especialista argentino em imigra\u00e7\u00e3o, Pablo Ceriani, considera que um hipot\u00e9tico roteiro de \u201cUm Dia Sem Latino-Americanos na Am\u00e9rica Latina\u201d poderia come\u00e7ar a ser constru\u00eddo a partir de algo que compartilham a regi\u00e3o e o norte t\u00e3o criticado: as manifesta\u00e7\u00f5es de xenofobia.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de avan\u00e7os legislativos, da igualdade no tratamento do migrante, de direitos plenos e da elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es migrat\u00f3rias, existem precedentes de xenofobia em todas as sociedades da regi\u00e3o, por parte de atores sociais, grupos pol\u00edticos e meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS Ceriani, tamb\u00e9m integrante do Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o de Todos os Trabalhadores Migrat\u00f3rios e de seus Familiares, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>\u201cA nossa n\u00e3o se diferencia muito de outras regi\u00f5es na reprodu\u00e7\u00e3o de mitos e falsas ideias sobre as migra\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se apoiam em estat\u00edsticas e que geram atitudes de rejei\u00e7\u00e3o que justificam que algumas leis n\u00e3o avancem\u201d, acrescentou Ceriani. Para ele, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 not\u00f3ria em pol\u00edticas migrat\u00f3rias como a mexicana, que \u201cno ano passado deteve 21.500 crian\u00e7as e as deportou para seus pa\u00edses de origem: Honduras, Nicar\u00e1gua, El Salvador e Guatemala\u201d, sua principal migra\u00e7\u00e3o intrarregional.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 exemplos mais sutis em pa\u00edses que contam com acordos migrat\u00f3rios, como o que vigora no Mercosul (formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela), que em 2002 estabeleceu o direito \u00e0 resid\u00eancia, bastando apresentar o documento de nacionalidade e o de falta de antecedentes criminais. \u201cTrazem problemas de seguran\u00e7a, trazem seus costumes, tiram nossos empregos\u201d, ilustrou Ceriani ao enumerar alguns mitos xen\u00f3fobos.<\/p>\n<p>Emiliana Mamani, uma boliviana que reside h\u00e1 30 anos na Argentina, sabe bem disso. \u201cSempre se sofre a discrimina\u00e7\u00e3o pelo aspecto f\u00edsico. Essa cren\u00e7a de que o boliviano tira o trabalho do outro\u201d, recordou \u00e0 IPS a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Centro de M\u00e3es 27 de Maio e da cooperativa de mesmo nome, a primeira dirigida por mulheres migrantes bolivianas.<\/p>\n<p>Os bolivianos ocupam o segundo lugar entre os imigrantes intrarregionais na Argentina, depois dos paraguaios e \u00e0 frente de chilenos e peruanos. No pa\u00eds h\u00e1 1,8 milh\u00e3o de estrangeiros, 4,5% da popula\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<div id=\"attachment_129496\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/porcentajeinmigrante9.jpg\"><img class=\"wp-image-129496\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/porcentajeinmigrante9.jpg\" alt=\"http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/porcentajeinmigrante9.jpg\" width=\"540\" height=\"322\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/porcentajeinmigrante9.jpg<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Cepal indica que os pa\u00edses latino-americanos com maiores volumes de imigra\u00e7\u00e3o regional s\u00e3o Argentina, Venezuela, Costa Rica e Rep\u00fablica Dominicana, enquanto Brasil e M\u00e9xico s\u00e3o os \u00fanicos onde predomina a recep\u00e7\u00e3o de outras origens, o primeiro da Europa e o segundo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes ou\u00e7o: por que n\u00e3o volta para o seu pa\u00eds? N\u00e3o venha dar uma de macho ou de esperto aqui. Porque n\u00e3o passa de um boliviano sujo, b\u00eabado\u201d, contou Mamani, cuja cooperativa conseguiu um cr\u00e9dito social do Instituto da Habita\u00e7\u00e3o com o qual constru\u00edram um edif\u00edcio onde agora vivem 12 fam\u00edlias de compatriotas.<\/p>\n<p>Mamani tem tr\u00eas filhos, uma nascida na Bol\u00edvia e dois argentinos e estudantes universit\u00e1rios, que sofreram discrimina\u00e7\u00f5es na escola, como terem questionada sua participa\u00e7\u00e3o em atos patri\u00f3ticos. O mesmo sofreram em hospitais, embora na Argentina todo estrangeiro tenha direito de ser atendido, independente de sua situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. \u201cNos hospitais \u00e0s vezes dizem que n\u00e3o h\u00e1 vaga ou nos pedem documentos quando n\u00e3o deveriam pedi-los, mas se vai um gringo loiro tipo norte-americano ou europeu procuram entend\u00ea-lo, falando inclusive por sinais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Isso apesar de h\u00e1 dez anos existir na Argentina a Lei de Migra\u00e7\u00e3o 25.871, muito avan\u00e7ada na prote\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Al\u00e9m disso, desde 2006 foi regularizada a situa\u00e7\u00e3o de 736 mil imigrantes brasileiros, paraguaios, uruguaios, bolivianos, colombianos, chilenos, equatorianos, peruanos e venezuelanos.<\/p>\n<p>Mamani considera que para combater culturalmente a discrimina\u00e7\u00e3o se deve come\u00e7ar pelas escolas e pelos hospitais, entre outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que \u201cparecem desconhecer as leis migrat\u00f3rias\u201d. Outro foco devem ser os meios de comunica\u00e7\u00e3o, grandes porta-vozes de estere\u00f3tipos. \u201cPor exemplo, em um roubo, se por acaso entre argentinos h\u00e1 um boliviano ou peruano a imprensa destaca que um boliviano roubou\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Preconceitos enquistados por temores at\u00e1vicos \u201cpelo diferente\u201d s\u00e3o, portanto, \u201cmuito lentos e dif\u00edceis de combater\u201d, segundo um funcion\u00e1rio da Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Migra\u00e7\u00e3o que pediu para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>Para Ceriani, na Argentina, como ocorre em outros pa\u00edses latino-americanos, existe uma vis\u00e3o idealizada sobre a migra\u00e7\u00e3o europeia do s\u00e9culo 19 e primeira parte do s\u00e9culo 20, comparando-a com a latino-americana. Mas, ao se remeter \u00e0 literatura ou \u00e0 imprensa da \u00e9poca, se percebe que essa discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m existia nos pa\u00edses receptores em rela\u00e7\u00e3o a espanh\u00f3is, italianos e portugueses. Estere\u00f3tipos como eram \u201cpobres\u201d, \u201cladr\u00f5es\u201d ou \u201cignorantes\u201d, que foram \u201cse desfazendo com o tempo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s da decis\u00e3o de migrar, naquela \u00e9poca e agora, prevalece a busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. \u201cS\u00f3 o que sempre fazemos \u00e9 trabalhar e trabalhar. Quando decidimos fazer as malas em nosso pa\u00eds, a finalidade \u00e9 trabalhar, ressaltou Mamani, que se animou a emigrar porque uma amiga lhe contou que \u201cem apenas um ano teria bastante dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Ceriani, os bolivianos trabalham na Argentina e enriquecem o pa\u00eds, por exemplo, aportando t\u00e9cnicas originais de cultivo de frutas e verduras. Tamb\u00e9m trabalham nas oficinas t\u00eaxteis que, apesar das condi\u00e7\u00f5es de trabalho muito prec\u00e1rias, abastecem as melhores marcas de roupa.<\/p>\n<p>Os paraguaios s\u00e3o procurados pela constru\u00e7\u00e3o e pelos servi\u00e7os dom\u00e9sticos. Os peruanos para cuidar de crian\u00e7as, idosos, enfermagem, embora muitos emigrantes latino-americanos tamb\u00e9m trabalhem como m\u00e3o de obra qualificada, t\u00e9cnica ou profissional. Na regi\u00e3o os exemplos s\u00e3o in\u00fameros. No norte do Brasil, os haitianos contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de grandes infraestruturas ou na minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Costa Rica os nicaraguenses t\u00eam um papel preponderante na constru\u00e7\u00e3o, agricultura e no servi\u00e7o dom\u00e9stico, muito semelhante ao que acontece com os colombianos na Venezuela.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da integra\u00e7\u00e3o trar\u00e1 muitos mais exemplos de livre circula\u00e7\u00e3o intrarregional. Mas o avan\u00e7o econ\u00f4mico de alguns pa\u00edses e a paralisa\u00e7\u00e3o de outros continuar\u00e1 criando estere\u00f3tipos discriminat\u00f3rios. Por isso, Ceriani destacou que \u00e9 preciso abordar a migra\u00e7\u00e3o a partir de suas causas estruturais. E isso se consegue reduzindo as brechas sociais e econ\u00f4micas entre os pa\u00edses latino-americanos, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 19\/2\/2015 &ndash; No filme Um Dia Sem Mexicanos, o misterioso desaparecimento dos trabalhadores dessa origem paralisa o Estado da Calif&oacute;rnia, nos Estados Unidos. Aconteceria o mesmo em alguns pa&iacute;ses latino-americanos caso evaporassem os imigrantes de pa&iacute;ses vizinhos, igualmente discriminados? 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