{"id":18550,"date":"2015-02-23T12:43:15","date_gmt":"2015-02-23T12:43:15","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129652"},"modified":"2015-02-23T12:43:15","modified_gmt":"2015-02-23T12:43:15","slug":"argentina-avanca-em-seu-casamento-de-conveniencia-com-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/argentina-avanca-em-seu-casamento-de-conveniencia-com-a-china\/","title":{"rendered":"Argentina avan\u00e7a em seu casamento de conveni\u00eancia com a China"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129654\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Chica-argentina-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-129654\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Chica-argentina-629x472.jpg\" alt=\"Portal que leva ao Bairro Chin\u00eas de Buenos Aires, onde se destaca um cartaz promovendo a renova\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio da Argentina, em parte financiada por Pequim. Foto: Fabiana Frayssinet\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Portal que leva ao Bairro Chin\u00eas de Buenos Aires, onde se destaca um cartaz promovendo a renova\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio da Argentina, em parte financiada por Pequim. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 23\/2\/2015 \u2013 O governo da Argentina afian\u00e7a um casamento de conveni\u00eancia com a China, para alguns um disparate, para outros uma alian\u00e7a indispens\u00e1vel para uma nova inser\u00e7\u00e3o global, no que sup\u00f5e uma mudan\u00e7a radical em rela\u00e7\u00e3o a uma diplomacia que h\u00e1 alguns anos definia como \u201crela\u00e7\u00f5es carnais\u201d os v\u00ednculos com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A presidente Cristina Fern\u00e1ndez qualificou de \u201calian\u00e7a estrat\u00e9gica integral\u201d a nova rela\u00e7\u00e3o com Pequim, depois de assinar nessa capital, no dia 4 deste m\u00eas, um pacote de 22 acordos com seu colega Xi Jinping. Os conv\u00eanios incluem os setores espacial, de minera\u00e7\u00e3o, de energia, financeiro, pecu\u00e1ria e cultural, e entre eles se destaca a constru\u00e7\u00e3o de duas centrais nucleares e duas hidrel\u00e9tricas consideradas estrat\u00e9gicas para o autoabastecimento energ\u00e9tico da Argentina.<\/p>\n<p>Apesar de muito importantes, os novos acordos, e os que j\u00e1 haviam sido subscritos previamente, s\u00e3o insuficientes para definir a dimens\u00e3o do compromisso bilateral, segundo Jorge Castro, especialista em China e diretor do Instituto de Planejamento Estrat\u00e9gico. \u201cA rela\u00e7\u00e3o com a China tem para a Argentina elementos fundamentais de inser\u00e7\u00e3o no sistema internacional do s\u00e9culo 21, junto a outros pa\u00edses do Sul, encabe\u00e7ados pelo Brasil\u201d, afirmou Castro \u00e0 IPS. \u00c9 um v\u00ednculo \u201centre o novo eixo da economia mundial, China-\u00c1sia, e a Argentina como na\u00e7\u00e3o e como unidade regional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Castro recordou que Pequim \u00e9 atualmente o principal s\u00f3cio econ\u00f4mico da Am\u00e9rica do Sul, devido \u00e0 compra de mat\u00e9rias-primas, o que implicaria uma interdepend\u00eancia, j\u00e1 que \u201ca China coloca a seguran\u00e7a alimentar de sua popula\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de pa\u00edses sul-americanos\u201d. No caso argentino, a China \u00e9 o segundo s\u00f3cio comercial, depois do Brasil, ocupando o lugar de outros s\u00f3cios hist\u00f3ricos como Estados Unidos e pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>Em 2014, as exporta\u00e7\u00f5es para a China atingiram US$ 5,006 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es somaram US$ 10,795 bilh\u00f5es, o que representou um recorde bilateral e significou 11,5% da balan\u00e7a comercial do pa\u00eds, segundo a C\u00e2mara Argentina de Com\u00e9rcio. Antes da visita de Fern\u00e1ndez \u00e0 China, j\u00e1 existiam acordos de investimento em setores estrat\u00e9gicos, como o da chinesa Sinpec e da argentina YPF, duas companhias petroleiras estatais, para a explora\u00e7\u00e3o de um dos campos da megajazida de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais de Vaca Muerta, no sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 havia se concretizado o financiamento chin\u00eas, por cerca de US$ 2,5 bilh\u00f5es, da reconstru\u00e7\u00e3o da rede ferrovi\u00e1ria da empresa Belgrano Cargas e Log\u00edstica, que posteriormente transportar\u00e1 produtos agroalimentares argentinos e brasileiros at\u00e9 portos chilenos do Oceano Pac\u00edfico. \u201cOs acordos de investimento com Pequim s\u00e3o importantes na medida em que facilitam as condi\u00e7\u00f5es para continuar gerando, por exemplo, a infraestrutura para o desenvolvimento que a Argentina necessita, em um cen\u00e1rio de restri\u00e7\u00e3o externa\u201d (escassez de divisas), resumiu \u00e0 IPS a economista Fernanda Vallejos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_129655\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/China-gerenciamiento-Foto-Rio-Negro_CLAIMA20150209_0185_27.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-129655\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/China-gerenciamiento-Foto-Rio-Negro_CLAIMA20150209_0185_27.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o da base espacial da China na prov\u00edncia argentina de Neuqu\u00e9n, que recha\u00e7a a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de todas as tend\u00eancias e de todos os grupos sociais. foto: Cortesia de DesarroloyDefensa\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Constru\u00e7\u00e3o da base espacial da China na prov\u00edncia argentina de Neuqu\u00e9n, que recha\u00e7a a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de todas as tend\u00eancias e de todos os grupos sociais. foto: Cortesia de DesarroloyDefensa<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em julho do ano passado, a Argentina alcan\u00e7ou um acordo com a China para troca de moedas (swap) equivalente a US$ 11 bilh\u00f5es, destinado a apoiar as debilitadas reservas monet\u00e1rias do pa\u00eds, e das quais em dezembro recebeu US$ 1 bilh\u00e3o. A troca \u201cfoi um instrumento muito poderoso\u201d, que se soma a medidas do governo e do Banco Central para promover a estabilidade cambi\u00e1ria e ajudar na desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, explicou Vallejos, integrante de um grupo que assessora o Minist\u00e9rio de Economia e Finan\u00e7as P\u00fablicas.<\/p>\n<p>As vozes contr\u00e1rias \u00e0 alian\u00e7a com Pequim prov\u00eam de setores empresariais, como a Uni\u00e3o Industrial Argentina (UIA) ou a C\u00e2mara de Exporta\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica Argentina, que alertam para as assimetrias da rela\u00e7\u00e3o. As exporta\u00e7\u00f5es para a China s\u00e3o metade das importa\u00e7\u00f5es e se concentram em produtos prim\u00e1rios ou agroindustriais, 75% do total s\u00e3o soja e derivados. J\u00e1 na importa\u00e7\u00e3o predominam insumos para m\u00e1quinas e eletr\u00f4nicos, computadores, telefones, produtos qu\u00edmicos, motocicletas ou pe\u00e7as para eletrodom\u00e9sticos, entre outros.<\/p>\n<p>Segundo a UIA, o Conv\u00eanio Marco de Coopera\u00e7\u00e3o em Mat\u00e9ria Econ\u00f4mica e de Investimentos, assinado em julho do ano passado e esperando aprova\u00e7\u00e3o definitiva no parlamento, \u201ccont\u00e9m cl\u00e1usulas de enorme risco para o desenvolvimento argentino\u201d. Em um comunicado a UIA afirma que, \u201cdurante a \u00faltima d\u00e9cada, a estrat\u00e9gia da China perseguiu dois objetivos centrais: consolidar suas empresas transnacionais em cadeias globais de valor, e obter mat\u00e9rias-primas e insumos de baixa elabora\u00e7\u00e3o para suas crescentes necessidades produtivas e de emprego\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNos acordos de livre com\u00e9rcio nessa \u00e9poca do processo de globaliza\u00e7\u00e3o, o fundamental n\u00e3o \u00e9 o com\u00e9rcio mas os investimentos\u201d, rebateu Jorge Castro ao questionar o conceito de \u201cassimetria\u201d e apoiar o conv\u00eanio com a China. Para o especialista \u00e9 preciso analisar a rela\u00e7\u00e3o em um contexto maior. Por exemplo, recordando que nos pr\u00f3ximos dez anos calcula-se que o investimento direto chin\u00eas no exterior chegar\u00e1 a US$ 1,1 trilh\u00e3o. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 como conseguir ser parte da corrente de investimentos chineses em mat\u00e9ria industrial nos pr\u00f3ximos dez a 20 anos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A UIA concorda em ser parte dessa corrente, mas com autoriza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o prejudiquem os setores de bens e servi\u00e7os locais, que n\u00e3o t\u00eam possibilidade de financiamento chin\u00eas. A uni\u00e3o industrial e alguns sindicatos temem tamb\u00e9m que a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra chinesa, inclu\u00edda em v\u00e1rios projetos, tome lugar de trabalhadores locais. \u201cFiquem tranquilos, continuamos defendendo o trabalho argentino e a participa\u00e7\u00e3o do empresariado\u201d, rebateu Fern\u00e1ndez, que convocou esses setores para discutir tecnicamente os acordos.<\/p>\n<p>Alguns na Argentina veem a China do s\u00e9culo 21 como a Inglaterra do s\u00e9culo 19 ou os Estados Unidos do s\u00e9culo 20, em termos de dom\u00ednio hegem\u00f4nico econ\u00f4mico e territorial. Com essa percep\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m questionam a constru\u00e7\u00e3o em andamento de uma base espacial chinesa na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, para realizar, segundo o governo, \u201ctarefas de monitoramento, controle e baixa de dados no contexto do programa chin\u00eas de miss\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o da Lua e do espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>O deputado opositor dessa prov\u00edncia, Ra\u00fal Dobrusin, explicou \u00e0 IPS que o acordo, que cede \u00e0 China 200 hectares por 50 anos e ao qual se op\u00f5em grupos de esquerda e organiza\u00e7\u00f5es sociais, n\u00e3o passou pelo parlamento provincial, que desconhece seu alcance. No momento n\u00e3o h\u00e1 presen\u00e7a militar chinesa nas obras, disse Dobrusin, mas, a seu ver, a base representa \u201criscos geopol\u00edticos maiores\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe houver confronta\u00e7\u00e3o entre pot\u00eancias, passaremos a ser um lugar considerado pelos inimigos da China. Em poucas palavras, nos metemos em um campo no qual a possibilidade de decidir participar dos conflitos j\u00e1 n\u00e3o passa por decis\u00f5es soberanas, n\u00e3o nos perguntar\u00e3o\u201d, alertou o deputado.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a \u201ctranscende o econ\u00f4mico para se inscrever na busca por um destino de independ\u00eancia, tanto no campo econ\u00f4mico quanto no pol\u00edtico, que nos permita alcan\u00e7ar as metas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, rompendo o jugo do neoliberalismo e a l\u00f3gica imp\u00e9rio-independ\u00eancia\u201d, rebateu Vallejos.<\/p>\n<p>A seu ver, a China \u201cest\u00e1 muito distante da voracidade das pot\u00eancias do Ocidente. \u00c9 parte de um novo ordenamento mundial que luta para nascer, no qual o papel dos pa\u00edses emergentes deixa de ser o de colonialismo para assumir o de art\u00edfices de seu pr\u00f3prio destino\u201d, assegurou a economista. \u201cIsso n\u00e3o significa que a China n\u00e3o obtenha benef\u00edcios da rela\u00e7\u00e3o com nossas na\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel construir uma rela\u00e7\u00e3o onde todas as partes ganhem\u201d, ressaltou Vallejos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 23\/2\/2015 &ndash; O governo da Argentina afian&ccedil;a um casamento de conveni&ecirc;ncia com a China, para alguns um disparate, para outros uma alian&ccedil;a indispens&aacute;vel para uma nova inser&ccedil;&atilde;o global, no que sup&otilde;e uma mudan&ccedil;a radical em rela&ccedil;&atilde;o a uma diplomacia que h&aacute; alguns anos definia como &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es carnais&rdquo; os v&iacute;nculos com os [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/argentina-avanca-em-seu-casamento-de-conveniencia-com-a-china\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,10,1],"tags":[979,1160,989,1232,3178,1312],"class_list":["post-18550","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-energia","category-ultimas-noticias","tag-argentina","tag-china","tag-inter-press-service-reportagens","tag-internacional","tag-ips","tag-mineracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18550"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18550\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18551,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18550\/revisions\/18551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}