{"id":18560,"date":"2015-02-24T12:45:48","date_gmt":"2015-02-24T12:45:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129715"},"modified":"2015-02-24T12:45:48","modified_gmt":"2015-02-24T12:45:48","slug":"cuba-precisa-atualizar-a-luta-contra-novas-formas-de-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/cuba-precisa-atualizar-a-luta-contra-novas-formas-de-racismo\/","title":{"rendered":"Cuba precisa atualizar a luta contra novas formas de racismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129717\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Cubaracismo.jpg\"><img class=\"wp-image-129717\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Cubaracismo.jpg\" alt=\"A escritora e ativista Daysi Rubiera, fundadora e l\u00edder do grupo Afrocubanas, durante a reuni\u00e3o liter\u00e1ria Reyita, no dia 20 deste m\u00eas, que acontece trimestralmente em Havana e que nesta ocasi\u00e3o foi dedicada aos estere\u00f3tipos racistas da fam\u00edlia. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS\" width=\"540\" height=\"361\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A escritora e ativista Daysi Rubiera, fundadora e l\u00edder do grupo Afrocubanas, durante a reuni\u00e3o liter\u00e1ria Reyita, no dia 20 deste m\u00eas, que acontece trimestralmente em Havana e que nesta ocasi\u00e3o foi dedicada aos estere\u00f3tipos racistas da fam\u00edlia. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 24\/2\/2015 \u2013 O ativismo contra o racismo em Cuba se consolida e tra\u00e7a estrat\u00e9gias de trabalho diante do florescimento de desigualdades por g\u00eanero e cor da pele ap\u00f3s as transforma\u00e7\u00f5es sociais em raz\u00e3o da reforma econ\u00f4mica lan\u00e7ada em 2008 pelo presidente Ra\u00fal Castro.<\/p>\n<p>Segundo a acad\u00eamica Daysi Rubiera, l\u00edder dessa luta no pa\u00eds, a mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a obten\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para reduzir desvantagens de popula\u00e7\u00f5es negras e mesti\u00e7as deveriam representar o foco dos grupos da sociedade civil que lutam contra o racismo, durante a D\u00e9cada Internacional dos Afrodescendentes, que come\u00e7ou este ano.<\/p>\n<p>\u201cAs discrimina\u00e7\u00f5es por g\u00eanero e ra\u00e7a est\u00e3o se manifestando em todos os espa\u00e7os da sociedade cubana, n\u00e3o apenas no acesso ao emprego e aos recursos ou no interior do lar, mas no comportamento social de homens e mulheres\u201d, afirmou em entrevista \u00e0 IPS a historiadora de 76 anos, fundadora do grupo feminista Afrocubanas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos assuntos n\u00e3o resolvidos pela Revolu\u00e7\u00e3o de 1959, que, apesar de decretar constitucionalmente a n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e oferecer oportunidades iguais de estudo e trabalho \u00e0s pessoas negras e mesti\u00e7as, n\u00e3o conseguiu frear o racismo hist\u00f3rico de um pa\u00eds onde a escravid\u00e3o foi abolida em 1886.<\/p>\n<p>Ocultado durante d\u00e9cadas, o problema racial foi sendo tratado pelo discurso estatal nos \u00faltimos anos, enquanto cresciam os grupos antirracistas n\u00e3o governamentais, que t\u00eam entre os mais ativos a Confraria da Negritude, a Comiss\u00e3o Jos\u00e9 Antonio Aponte, da Uni\u00e3o de Escritores e Artistas de Cuba, o cap\u00edtulo cubano da Articula\u00e7\u00e3o Regional Afrodescendente (Arac) e a Rede Bairrista Afrodescendente (RBA).<\/p>\n<p>Para Rubiera, a D\u00e9cada promovida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) d\u00e1 visibilidade a um conflito de s\u00e9culos e fortalece a coopera\u00e7\u00e3o regional e internacional para garantir os direitos humanos das pessoas afrodescendentes. Ela acredita que em Cuba j\u00e1 se progrediu muito em mat\u00e9ria de reconhecimento cidad\u00e3o e acesso igualit\u00e1rio a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e emprego. \u201cSabemos quais s\u00e3o nossos problemas, o que precisamos \u00e9 come\u00e7ar a resolv\u00ea-los\u201d, ressaltou.<\/p>\n<div id=\"attachment_129718\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-cuba-1-640.jpg\"><img class=\"wp-image-129718 size-full\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-cuba-1-640.jpg\" alt=\"Tr\u00eas afrocubanas, av\u00f3, m\u00e3e e neta, na sacada de sua moradia em Havana. As mulheres negras sofrem dupla discrimina\u00e7\u00e3o em Cuba. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS\" width=\"438\" height=\"640\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tr\u00eas afrocubanas, av\u00f3, m\u00e3e e neta, na sacada de sua moradia em Havana. As mulheres negras sofrem dupla discrimina\u00e7\u00e3o em Cuba. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste pa\u00eds de 11,2 milh\u00f5es de habitantes, 9,3% da popula\u00e7\u00e3o tem pele negra e 26,6% \u00e9 mesti\u00e7a, e os dois grupos concentram precariedades causadas pelas desigualdades hist\u00f3ricas. N\u00e3o s\u00e3o muitas as estat\u00edsticas para detalhar a situa\u00e7\u00e3o de cada grupo racial, mas v\u00e1rios estudos sociol\u00f3gicos indicam que a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente tem menor renda, vive em piores moradias e tem menor presen\u00e7a na educa\u00e7\u00e3o superior, em cargos de dire\u00e7\u00e3o e setores emergentes da economia, como turismo e empresas com capital estrangeiro.<\/p>\n<p>O auge do trabalho por conta pr\u00f3pria nesse pa\u00eds de governo socialista e economia centralizada, por meio da amplia\u00e7\u00e3o das atividades liberadas \u00e0 lei da oferta e da procura, dentro das reformas econ\u00f4micas, tornou mais vis\u00edvel a segrega\u00e7\u00e3o trabalhista em raz\u00e3o da cor da pele, sem medidas espec\u00edficas para controlar esse tend\u00eancia, afirmou Rubiera.<\/p>\n<p>Para enfrentar a prolongada crise econ\u00f4mica, iniciada nos anos 1990, e atualizar o modelo econ\u00f4mico, desde 2008 s\u00e3o implantadas medidas que flexibilizam a atividade independente, h\u00e1 abertura ao investimento estrangeiro e se reduziu as subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, entre outros pontos.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o dos quadros do Estado levou o setor aut\u00f4nomo a ocupar 473 mil pessoas em 188 atividades ao final de 2014. \u201cPor serem neg\u00f3cios privados, se reservam o direito de contrata\u00e7\u00e3o e, quanto maior n\u00edvel alcan\u00e7am, mais seus empregados s\u00e3o pessoas brancas. As de pele escura ficam para aqueles espa\u00e7os onde n\u00e3o se atende o p\u00fablico e nos quais se paga menos\u201d, descreveu Rubiera.<\/p>\n<p>Dados de uma recente pesquisa, conhecida nos encontros liter\u00e1rios trimestrais da Afrocubanas, revelam que apenas 9% da popula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Havana \u00e9 negra ou mesti\u00e7a. Tamb\u00e9m preocupa o crescimento das fam\u00edlias a cargo de mulheres afrodescendentes sozinhas, com menos recursos para a subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cSeus filhos devem buscar um of\u00edcio para ganhar dinheiro r\u00e1pido e ajudar nos gastos familiares, o que as coloca em uma posi\u00e7\u00e3o de desvantagem para estudar em n\u00edvel superior\u201d, explicou a ativista, autora do testemunho <em>Reyita, Simplesmente<\/em>, que narra a hist\u00f3ria de uma mulher escrava, contada por sua filha.<\/p>\n<div id=\"attachment_129719\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-cuba-3.jpg\"><img class=\"wp-image-129719\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/chica-cuba-3.jpg\" alt=\"chica-cuba-3\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O grupo Afrocubanas realiza trimestralmente o encontro liter\u00e1rio Reyita. Na do dia 20 deste m\u00eas as integrantes da organiza\u00e7\u00e3o feminista debateram com representantes da Rede de Mulheres Crist\u00e3s sobre a reprodu\u00e7\u00e3o dos estere\u00f3tipos racistas na fam\u00edlia. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os meios audiovisuais cubanos contribuem para os estere\u00f3tipos racistas ao apresentarem os afrodescendentes em condi\u00e7\u00e3o subalterna e em pap\u00e9is negativos, tend\u00eancia que repetem a m\u00fasica popular e o humor c\u00eanico. Quanto \u00e0s mulheres negras e mesti\u00e7as, continuam menos presentes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e expostas ao modelo dominante de beleza ocidental entronizado pelas ind\u00fastrias culturais.<\/p>\n<p>\u201cExistem apresentadoras negras apenas para programas de televis\u00e3o. Se o padr\u00e3o branco se converte em uma necessidade para a ascens\u00e3o profissional e social, existe uma viol\u00eancia simb\u00f3lica muito forte em rela\u00e7\u00e3o a elas\u201d, apontou a l\u00edder dos direitos das pessoas afrodescendentes.<\/p>\n<p>Documentos program\u00e1ticos do governo cubano come\u00e7am a colocar o tema racial como um conflito social urgente, entre eles o informe da Confer\u00eancia Nacional do Partido Comunista de Cuba, que em janeiro de 2012 prop\u00f4s \u201cenfrentar os preconceitos e as condutas administrativas pela cor da pele, pois s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0s leis\u201d.<\/p>\n<p>O presidente Castro tamb\u00e9m o mencionou em seus discursos e se prop\u00f4s a promover pessoas afrodescendentes nos cargos p\u00fablicos, e em seguida a Assembleia Nacional eleita em 2013 passou a contar com 37% de integrantes n\u00e3o brancos, em equil\u00edbrio com as porcentagens demogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Na sociedade civil tamb\u00e9m se v\u00ea um movimento para levar o tema ao discurso p\u00fablico, como a realiza\u00e7\u00e3o em dezembro da Primeira Jornada Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, na qual a Arac organizou encontros, pain\u00e9is e apresenta\u00e7\u00f5es culturais sobre tema.<\/p>\n<p>Mas, segundo Rubiera, \u00e9 necess\u00e1ria uma atua\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica. \u201cIndependente das tentativas de erradicar o racismo na Revolu\u00e7\u00e3o, a mentalidade da maior parte dos dirigentes n\u00e3o mudou\u201d, destacou a ativista e feminista. Falar sem hipocrisia sobre as desigualdades seria, a seu ver, o ponto de partida para uma transforma\u00e7\u00e3o real. \u201cEnquanto n\u00e3o entrarmos nas escolas prim\u00e1rias e educarmos de outra maneira, n\u00e3o resolveremos o problema\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Como outros ativistas, Rubiera prop\u00f5e criar um corpo legal espec\u00edfico para sancionar as manifesta\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias que sofrem pessoas n\u00e3o brancas, especialmente por parte de organiza\u00e7\u00f5es institucionais como a pol\u00edcia. Tamb\u00e9m pede maior unidade entre os que defendem a causa racial devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o e \u00e0s diferen\u00e7as desses grupos. \u201cSe n\u00e3o nos colocarmos em acordo e trabalharmos juntos para propor solu\u00e7\u00f5es, sem protagonismos, tampouco ajudaremos\u201d, ressaltou a promotora da RBA.<\/p>\n<p>As aspira\u00e7\u00f5es futuras da l\u00edder incluem uma associa\u00e7\u00e3o de afrodescendentes que permita compartilhar as fortalezas de sua identidade racial e concretizar um programa de demandas comuns entre v\u00e1rios coletivos. \u201cO pa\u00eds deve tra\u00e7ar suas pol\u00edticas sociais incluindo essas problem\u00e1ticas e socializar estat\u00edsticas pela cor da pele e por g\u00eanero, para visualizar avan\u00e7os e desafios\u201d, concluiu Rubiera. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 24\/2\/2015 &ndash; O ativismo contra o racismo em Cuba se consolida e tra&ccedil;a estrat&eacute;gias de trabalho diante do florescimento de desigualdades por g&ecirc;nero e cor da pele ap&oacute;s as transforma&ccedil;&otilde;es sociais em raz&atilde;o da reforma econ&ocirc;mica lan&ccedil;ada em 2008 pelo presidente Ra&uacute;l Castro. 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