{"id":18574,"date":"2015-02-26T12:25:11","date_gmt":"2015-02-26T12:25:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=129887"},"modified":"2015-02-26T12:25:11","modified_gmt":"2015-02-26T12:25:11","slug":"um-banco-suico-a-corrupcao-e-a-desigualdade-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/02\/ultimas-noticias\/um-banco-suico-a-corrupcao-e-a-desigualdade-na-africa\/","title":{"rendered":"Um banco su\u00ed\u00e7o, a corrup\u00e7\u00e3o e a desigualdade na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_129889\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Income-inequality-photo-C-629x419-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-129889\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Income-inequality-photo-C-629x419-629x419.jpg\" alt=\"Os vendedores ambulantes da \u00c1frica refletem a desigualdade de renda que impera no continente, em grande parte devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os vendedores ambulantes da \u00c1frica refletem a desigualdade de renda que impera no continente, em grande parte devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 26\/2\/2015 \u2013 A revela\u00e7\u00e3o do dinheiro il\u00edcito de origem africana escondido em um banco su\u00ed\u00e7o confirmou que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a raiz de grande parte da desigualdade na renda que afeta o continente. Afirma-se que as contas secretas no banco privado HSBC, reveladas pelo Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas de Investiga\u00e7\u00e3o, cont\u00eam mais de US$ 100 bilh\u00f5es, parte deles procedentes da \u00c1frica, onde se encontram alguns dos pa\u00edses mais pobres do mundo.<\/p>\n<p>Por exemplo, 57 clientes ugandenses do HSBC tinham pelo menos US$ 159 milh\u00f5es. O Banco Mundial calcula que Uganda perde anualmente mais de US$ 174,5 milh\u00f5es com a corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 crime os africanos terem contas banc\u00e1rias na Su\u00ed\u00e7a. Mas os \u00f3rg\u00e3os fiscais come\u00e7am a perguntar se foram pagos os impostos correspondentes \u00e0s quantias depositadas.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, o diretor do Servi\u00e7o de Impostos, Vlok Symington, informou que seu escrit\u00f3rio est\u00e1 canalizando a informa\u00e7\u00e3o. \u201cOs primeiros ind\u00edcios s\u00e3o de que alguns desses titulares de contas podem ter usado suas contas do HSBC para evitar obriga\u00e7\u00f5es fiscais locais ou internacionais\u201d, afirmou o funcion\u00e1rio ao jornal <em>South Africa Sunday Times<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cA desigualdade de renda come\u00e7a com nossos l\u00edderes pol\u00edticos e empres\u00e1rios ricos corruptos que, com grande frequ\u00eancia, s\u00e3o os propriet\u00e1rios ilegais dos recursos do continente\u201d, afirmou Claris Mdhuku, diretor da Plataforma para o Desenvolvimento da Juventude, uma organiza\u00e7\u00e3o independente do Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Os diamantes, por exemplo, que s\u00e3o a fonte de riqueza de muitos comerciantes, costumam ser extra\u00eddos pelos mais pobres dos pobres, tratados como escravos em pa\u00edses africanos assolados pela guerra, apesar do Sistema de Certifica\u00e7\u00e3o do Processo de Kimberley, que foi adotado em 2003 para impedir o com\u00e9rcio dessas pedras preciosas procedentes de pa\u00edses em guerra.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um caso de cobi\u00e7a e corrup\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ernst Mudzengi, analista pol\u00edtico do Zimb\u00e1bue. \u201cA \u00c1frica tem pol\u00edticos parasitas que se preocupam principalmente com o poder pol\u00edtico e o beneficio econ\u00f4mico para si mesmos, enquanto os africanos a p\u00e9 permanecem na periferia da pobreza\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os especialistas em desenvolvimento atribuem as desigualdades da renda \u00e0 flexibilidade das leis contra a corrup\u00e7\u00e3o no continente. \u201cOs pa\u00edses africanos n\u00e3o t\u00eam leis anticorrup\u00e7\u00e3o s\u00f3lidas, e os pol\u00edticos e os ricos acumulam demasiado poder, que excede inclusive os poderes da pol\u00edcia, dando-lhes a liberdade de acumular riqueza de um dia para outro, por qualquer meio, sem serem interrogados\u201d, explicou Nadege Kabuga, especialista em desenvolvimento de Ruanda, de sua capital, Kigali.<\/p>\n<p>\u201cEscandaliza a forma como grandes bancos como o HSBC criaram um sistema de lucro \u00e0 custa das pessoas comuns empobrecidas, que fica ainda pior pela assist\u00eancia dada a numerosos milion\u00e1rios da \u00c1frica, em particular, para evitar o pagamento de impostos\u201d, afirmou Zenzele Manzini, economista independente de Mbabane, capital da Suazil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u201cMuito frequentemente, os diretores p\u00fablicos, os ministros e seus secret\u00e1rios s\u00e3o os portadores do governo, concedendo a si mesmos enormes benef\u00edcios, enquanto os empregados de menor escal\u00e3o permanecem presos na periferia, sem benef\u00edcios adicionais al\u00e9m dos magros sal\u00e1rios que recebem mensalmente\u201d, declarou \u00e0 IPS um alto funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio do Trabalho do Zimb\u00e1bue, que pediu para ficar no anonimato.<\/p>\n<p>\u201cComo podemos evitar isso, em primeiro lugar?\u201d, questionou Koen Roovers, da Coaliz\u00e3o pela Transpar\u00eancia Financeira, uma alian\u00e7a mundial entre organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e governos. Para deter a fraude \u00e9 preciso melhorar a capacidade do Sul em desenvolvimento, ressaltou. \u201cA magnitude do problema \u00e9 importante. A organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria brit\u00e2nica Christian Aid calcula que a \u00c1frica subsaariana necessitaria cerca de 650 mil funcion\u00e1rios fiscais para alcan\u00e7ar a m\u00e9dia mundial\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os Estados ricos prometeram ajuda aos pa\u00edses pobres para gerar a capacidade que necessitam, mas ainda n\u00e3o cumpriram seus compromissos. Investigadores da Integridade Financeira Mundial, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos, disseram que os pa\u00edses em desenvolvimento perderam quase US$ 1 trilh\u00e3o pelos canais il\u00edcitos. Sem medidas claramente definidas para frear as desigualdades na renda, os economistas dizem que a \u00c1frica poderia caminhar para um grau de pobreza ainda maior de suas popula\u00e7\u00f5es pobres.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica enfrentaria a pobreza perp\u00e9tua em meio \u00e0 crescente desigualdade na renda porque os governos aqui n\u00e3o t\u00eam as institui\u00e7\u00f5es nem o conhecimento para identificar e deter a lavagem de dinheiro por parte das pessoas e dos pol\u00edticos corruptos que evadem impostos\u201d, afirmou Kingston Nyakurukwa, economista independente do Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Os \u201cdelinquentes e os que os habilitam s\u00e3o criativos, por isso a \u00fanica forma de evitar esc\u00e2ndalos no futuro \u00e9 lan\u00e7ando uma luz sobre aquilo que os delinquentes e os que fogem do fisco tentam ocultar. Por isso s\u00e3o necess\u00e1rios os registros online, e os bens de todas as pessoas e entidades jur\u00eddicas deveriam ser p\u00fablicos\u201d, afirmou Nyakurukwa. \u201cSe fizermos vista grossa a essas lacunas legais, o desenvolvimento econ\u00f4mico para todos continuar\u00e1 sendo minado pelos atores ilegais que buscam tirar proveito delas\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 26\/2\/2015 &ndash; A revela&ccedil;&atilde;o do dinheiro il&iacute;cito de origem africana escondido em um banco su&iacute;&ccedil;o confirmou que a corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; a raiz de grande parte da desigualdade na renda que afeta o continente. 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