{"id":18590,"date":"2015-03-02T12:36:21","date_gmt":"2015-03-02T12:36:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130079"},"modified":"2015-03-02T12:36:21","modified_gmt":"2015-03-02T12:36:21","slug":"terramerica-brasil-passa-das-secas-no-nordeste-a-sede-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/terramerica-brasil-passa-das-secas-no-nordeste-a-sede-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Brasil passa das secas no Nordeste \u00e0 sede em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130080\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Ter713Brasil1.jpg\"><img class=\"wp-image-130080\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Ter713Brasil1-1024x683.jpg\" alt=\"Um pequeno charco \u00e9 o que restou de uma das represas do Sistema Cantareira, que abastece quase metade da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. Foto: Cortesia da Ninja\/ContaDagua.org\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um pequeno charco \u00e9 o que restou de uma das represas do Sistema Cantareira, que abastece quase metade da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. Foto: Cortesia da Ninja\/ContaDagua.org<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, Brasil, 2 de mar\u00e7o de 2015 (Terram\u00e9rica).- Em algum momento, seis milh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o ficar sem \u00e1gua na metr\u00f3pole paulista. As chuvas de fevereiro n\u00e3o afastaram o risco e podem agrav\u00e1-lo ao adiar um racionamento pedido por especialistas em hidrologia h\u00e1 seis meses. A amea\u00e7a atormenta especialmente os milh\u00f5es de imigrantes procedentes da pobre regi\u00e3o nordestina do pa\u00eds, que em muitos casos fugiram das secas que ali se repetem a cada d\u00e9cada ou pouco mais.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m podia imaginar que voltariam a enfrentar escassez de \u00e1gua nesta terra de abund\u00e2ncia onde chegaram e a maioria prosperou. Um deles, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, conseguiu firmar-se como l\u00edder sindical e pol\u00edtico e ser Presidente do pa\u00eds entre 2003 e 2011.<\/p>\n<p>\u201cNosso tanque armazena 4.500 litros, que bastam para dois dias. Busco onde instalar outro para dispor de dez mil litros, negociando com vizinhos, j\u00e1 que meu teto pode n\u00e3o suportar o peso\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o dono do restaurante Na\u00e7\u00e3o Nordestina, Luciano de Almeida, cujo estabelecimento atende oito mil clientes por m\u00eas.<\/p>\n<p>Sua preocupa\u00e7\u00e3o por armazenar mais \u00e1gua \u00e9 comum aos 22 milh\u00f5es de habitantes da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, especialmente sua zona norte, que ser\u00e1 a primeira afetada pelo racionamento, se finalmente o governo do Estado decidir adot\u00e1-lo, para garantir algum fornecimento h\u00eddrico durante todo o ano.<\/p>\n<p>A zona norte \u00e9 abastecida pelo Sistema Cantareira, um conjunto de seis represas que, \u00e0 beira do colapso, ainda abastece seis milh\u00f5es de pessoas. Eram cerca de nove milh\u00f5es at\u00e9 meados do ano passado, mas um ter\u00e7o foi transferido a algum dos outros oito sistemas que fornecem \u00e1gua \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente na zona norte que se concentram muitos dos imigrantes nordestinos e seus descendentes, como reflete a grande quantidade de restaurantes que oferecem comidas t\u00edpicas do nordeste, com sua carne seca, farinha de mandioca e seus feij\u00f5es especiais.<\/p>\n<p>Almeida, de 40 anos, nasceu em S\u00e3o Paulo. O imigrante foi seu pai, o primeiro de 14 irm\u00e3os a deixar o Estado de Pernambuco para buscar \u201cuma vida melhor\u201d na metr\u00f3pole, em 1960, dois anos depois de uma das piores secas na regi\u00e3o. Foi trabalhar em uma metal\u00fargica, onde \u201cganhou tanto dinheiro que um ano depois voltou \u00e0 sua terra de f\u00e9rias\u201d, e os irm\u00e3os come\u00e7aram a seguir seu exemplo, contou Almeida, que descobriu sua voca\u00e7\u00e3o trabalhando oito anos no restaurante de um dos tios, antes de abrir o seu.<\/p>\n<p>\u201cA vida no Nordeste ficou mais tranquila. Com os benef\u00edcios sociais do governo, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sofre as car\u00eancias de antes, mesmo durante a seca atual, uma das piores da hist\u00f3ria\u201d, comprovou Almeida em suas frequentes viagens \u00e0 terra de seus antepassados, de onde tamb\u00e9m \u00e9 sua esposa, com quem tem uma filha de sete anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o rural, a mais afetada pelas secas, aprendeu a conviver com o clima semi-\u00e1rido nordestino, recolhendo \u00e1gua de chuva em cisternas e outros dep\u00f3sitos, tanto para beber como para irrigar seus pequenos cultivos. \u00c9 uma tecnologia social que o paulista Movimento Cisterna J\u00e1 adaptou agora para enfrentar a crise h\u00eddrica em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>\u201cUm dos meus 20 empregados decidiu voltar para o Nordeste, com suas economias pretende comprar um caminh\u00e3o e vender \u00e1gua por l\u00e1\u201d, contouAlmeida. \u00c9 uma revers\u00e3o migrat\u00f3ria incentivada pelas melhores condi\u00e7\u00f5es de vida na regi\u00e3o, conhecida como a mais seca e pobre do Brasil.<\/p>\n<p>Paulo Santos, de 38 anos e gerente do restaurante Feij\u00e3o de Corda, tamb\u00e9m na zona norte, \u00e9 outro que pretende voltar para sua cidade natal, Vit\u00f3ria da Conquista, na Bahia, que deixou h\u00e1 20 anos para \u201ctestar um trabalho melhor do que a lavoura\u201d. Contou que se cansou: \u201c\u00e9 muito estresse viver em S\u00e3o Paulo. A seca agrava a situa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o de um jeito ou de outro. Vit\u00f3ria da Conquista cresceu muito, agora tem de tudo, com melhor qualidade de vida\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, a Alian\u00e7a pela \u00c1gua, que engloba 46 organiza\u00e7\u00f5es sociais e ambientais do Estado, busca promover \u201ca constru\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a h\u00eddrica\u201d na regi\u00e3o metropolitana, pressionando o governo estadual e mobilizando a sociedade. As chuvas de fevereiro, superiores \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica do m\u00eas, recuperaram um pouco da capacidade do Cantareira, mas a situa\u00e7\u00e3o continua \u201cgrav\u00edssima\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a coordenadora dessa entidade, Marussia Whately.<\/p>\n<p>\u201cExige um esfor\u00e7o de guerra, especialmente para mitigar o sofrimento das periferias pobres, que n\u00e3o t\u00eam caixa d\u2019\u00e1gua e n\u00e3o podem armazen\u00e1-la para os dias ou horas sem abastecimento\u201d, afirmou Delcio Rodrigues, ativista da Alian\u00e7a e vice-presidente do Instituto Vitae Civilis, dedicado \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Rodrigues criticou o governo estadual e a Sabesp (Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo), que preferem \u201cgerar confus\u00e3o\u201d ao informar que no dia 23 de fevereiro o Cantareira atingiu n\u00edvel de 10,6%, o dobro do registrado no final de janeiro, mas omitindo que se trata do volume morto, de \u00e1guas abaixo do ponto de capta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o \u00e1guas que est\u00e3o sendo usadas desde julho do ano passado, embora devessem funcionar como reserva.<\/p>\n<p>Com o ponto de capta\u00e7\u00e3o como refer\u00eancia, o indicador \u00e9 negativo em 18,5%, bem longe do \u00edndice positivo de 12,3% de abril de 2014.<\/p>\n<div id=\"attachment_130081\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Ter713Brasil2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-130081\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Ter713Brasil2.jpg\" alt=\"Um assentamento rural do Estado de Pernambuco, com cisternas para coletar, armazenar e potabilizar \u00e1gua de chuva. Iniciativas com esta modificaram a rela\u00e7\u00e3o dos habitantes da regi\u00e3o com suas c\u00edclicas secas. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um assentamento rural do Estado de Pernambuco, com cisternas para coletar, armazenar e potabilizar \u00e1gua de chuva. Iniciativas com esta modificaram a rela\u00e7\u00e3o dos habitantes da regi\u00e3o com suas c\u00edclicas secas. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A crise h\u00eddrica se deve a dois anos de seca na regi\u00e3o sudeste do pa\u00eds. Sem seguran\u00e7a de chuvas regulares este ano, \u00e9 preciso uma recupera\u00e7\u00e3o excepcional das represas at\u00e9 mar\u00e7o, para atravessar os seis meses seguintes de estiagem. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que isso ocorra, e por esta raz\u00e3o especialistas em hidrologia prop\u00f5em um racionamento imediato para evitar o colapso.<\/p>\n<p>A Sabesp imp\u00f5e um racionamento n\u00e3o declarado, reduzindo a press\u00e3o da \u00e1gua nas tubula\u00e7\u00f5es, o que interrompe o fornecimento em muitas regi\u00f5es durante algumas horas. Al\u00e9m disso, adotou multas para quem aumentar o consumo e descontos para quem reduzir.<\/p>\n<p>Mas a Alian\u00e7a pede outras medidas de emerg\u00eancia, como campanhas p\u00fablicas, gest\u00e3o de crise com transpar\u00eancia e pesadas multas contra o desperd\u00edcio. E acrescenta dez a\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio prazo, como uma gest\u00e3o mais participativa, redu\u00e7\u00e3o de perdas, reflorestamento dos mananciais e tratamento do esgoto.<\/p>\n<p>Em sua tentativa de evitar um racionamento, considerado daninho politicamente, o governo estadual decidiu usar \u00e1guas da represa Billings para complementar outros sistemas. \u201c\u00c9 aterrorizante\u201d, segundo Rodrigues, porque s\u00e3o \u00e1guas muito contaminadas, inclusive por merc\u00fario, com um grave risco sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por outro lado, o reflorestamento ao redor dos mananciais ganhou for\u00e7a com essa crise. \u00c9 necess\u00e1rio para o Sistema Cantareira, onde sobrevive apenas 20% da vegeta\u00e7\u00e3o original, destacou Whately. As florestas melhoram a produ\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e evitam eros\u00e3o, mas \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo, n\u00e3o resolve a emerg\u00eancia atual, ressaltou. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* Os autores s\u00e3o correspondentes da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/secas-atormentam-metropole-mais-rica-brasil\/\" >Secas atormentam a metr\u00f3pole mais rica do Brasil<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/economia\/mais-igualdade-traz-mais-polarizacao-politica-no-brasil\/\" >Mais igualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/sociedade\/combate-a-seca-e-causa-de-divorcio-politico-no-brasil\/\" >Combate \u00e0 seca \u00e9 causa de div\u00f3rcio pol\u00edtico no Brasil<\/a><\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; S&atilde;o Paulo, Brasil, 2 de mar&ccedil;o de 2015 (Terram&eacute;rica).- Em algum momento, seis milh&otilde;es de pessoas poder&atilde;o ficar sem &aacute;gua na metr&oacute;pole paulista. 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