{"id":186,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=186"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"desafios-20042005-adeus-mundo-unipolar-primeira-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desafios-20042005-adeus-mundo-unipolar-primeira-parte\/","title":{"rendered":"Desafios 2004\/2005: Adeus mundo unipolar &#8211; Primeira parte"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; H&aacute; um ano, os Estados Unidos tiravam de seu &quot;ninho&quot; o derrocado presidente iraquiano Saddam Hussein e seus comandantes anunciavam a queda da imprevista resist&ecirc;ncia que havia assolado por dois meses as for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o no Iraque. O governo de George W. Bush se mostrava jubiloso, destacando a luz no final do t&uacute;nel de uma guerra iniciada em mar&ccedil;o de 2003. E com isto resolvido, os demais integrantes do &quot;eixo do mal&quot;, Ir&atilde;, Cor&eacute;ia do Norte e algum outro estado renegado como S&iacute;ria, entenderiam bem a mensagem. Depois de tudo, o pr&oacute;prio l&iacute;der da L&iacute;bia, Muammar Gadafi (renegado cr&ocirc;nico por excel&ecirc;ncia), aparentemente muito impressionado pela sorte de Saddam, anunciava o desmantelamento volunt&aacute;rio de todas suas armas n&atilde;o convencionais. &quot;Deixamos claro as op&ccedil;&otilde;es que restam aos potenciais advers&aacute;rios. Espero que outros l&iacute;deres sigam o exemplo&quot; da L&iacute;bia, dizia o confiante Bush.<br \/> <!--more--> <br \/> Depois da aparente vit&oacute;ria da tomada de Bagd&aacute; e da presen&ccedil;a de Bush no porta-avi&otilde;es Abraham Lincoln, no dia 1&ordm; de maio de 2003, o momento da incontida supremacia norte-americana (a chegada do &quot;novo s&eacute;culo americano&quot;) parecia ao alcance da m&atilde;o para os que a sonhavam, com o in&iacute;cio do novo ano. Mas, ao terminar 2004, o &quot;mundo unipolar&quot; t&atilde;o devotadamente perseguido pelos neoconservadores e ultranacionalistas que comandam a pol&iacute;tica externa de Washington desde 2001, parece mais em d&uacute;vida do que nunca. Um ano mais tarde, as tropas norte-americanas ainda lutam contra rebeldes iraquianos, de maneira mais letal e sofisticada. E com a cont&iacute;nua preocupa&ccedil;&atilde;o de Washington com a guerra que n&atilde;o consegue ganhar no Iraque, o colosso norte-americano mostra que n&atilde;o est&aacute; pronto para a domina&ccedil;&atilde;o global, apesar das regulares advert&ecirc;ncias que dirige a Teer&atilde; e Pyongyang.<\/p>\n<p> E n&atilde;o &eacute; apenas porque o Departamento de Estado admitiu implicitamente que n&atilde;o havia tropas suficientes no Iraque, enviando mais 12 mil soldados para integrar uma for&ccedil;a de 138 mil efetivos. &Eacute; que a debilidade de Washington se manifesta no decrescente n&uacute;mero de pa&iacute;ses que integram a &quot;coaliz&atilde;o dos dispostos&quot; que tomou parte (nominalmente) da invas&atilde;o do Iraque em mar&ccedil;o de 2003. Dos 44 pa&iacute;ses (inclu&iacute;dos Palau e as ilhas Salom&atilde;o) que Bush mencionava com prova de seu multilateralismo quando iniciou a guerra, restam somente 28 (inclu&iacute;dos Palau e as ilhas Salom&atilde;o). Os neoconservadores ou &quot;falc&otilde;es&quot; proclamavam que os Estados Unidos eram t&atilde;o dominantes (como se podia ver no Iraque) que aliados renitentes, como Fran&ccedil;a e Alemanha, e inclusive rivais estrat&eacute;gicos, com R&uacute;ssia e China, n&atilde;o teriam outro caminho a n&atilde;o ser alinharem-se, nem que fosse para ficar com parte do que fosse pilhado.<\/p>\n<p> &quot;A Fran&ccedil;a se referir&aacute; de uma maneira muito diferente aos Estados Unidos quando um governo decente, democr&aacute;tico e pr&oacute;-norte-americano come&ccedil;ar a funcionar na liberada Bagd&aacute;, e forem abertas as licita&ccedil;&otilde;es para contratos petrol&iacute;feros&quot;, previa em janeiro de 2003 o colunista neoconseervador Charles Krauthammer, no jornal The Washington Post. Particularmente daninha foi a defec&ccedil;&atilde;o do que o secret&aacute;rio de Defesa, Donald Rumsfeld, chamou de a &quot;Nova Europa&quot; (composta em sua maioria por rep&uacute;blicas do Leste europeu) um cavalo de Tr&oacute;ia que Washington calculou que impedira a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia de se emergir como contrapeso geopol&iacute;tico dos Estados Unidos. Em uma evidente ironia, o candidato favorito de Washington, V&iacute;ktor Yushchenko (vencedor das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais na Ucr&acirc;nia) prometeu retirar do Iraque centenas de efetivos de seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p> O pr&oacute;prio Krauthammer diminuiu sua vis&atilde;o neoconservadora do in&iacute;cio do ano em um discurso que intitulo &quot;Realismo democr&aacute;tico: uma pol&iacute;tica externa norte-americana para um mundo unipolar&quot; na comemora&ccedil;&atilde;o anual do centro de estudos American Enterprise Institute. Os Estados Unidos &quot;foram designados guardi&atilde;o do sistema internacional&quot; em virtude de sua superioridade militar, disse na &eacute;poca. Mas, o que est&aacute; cada vez mais sendo questionado &eacute; a id&eacute;ia do governo de que sua preponder&acirc;ncia militar (desafiada de diversas maneiras pela resist&ecirc;ncia iraquiana) lhe d&aacute; o poder e a capacidade de impor sua vontade ao resto do mundo sem o apoio de outras na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> Como escreveu h&aacute; alguns meses Francis Fukuyama, um neoconservador pragm&aacute;tico, a vis&atilde;o de Krauthammer est&aacute; &quot;incrivelmente desconectada da realidade&quot;, pois acredita que a guerra contra o Iraque (&quot;aplica&ccedil;&atilde;o arquet&iacute;pica da unipolaridade norte-americana) foi um sucesso sem precedentes. &quot;N&atilde;o h&aacute; a menor aten&ccedil;&atilde;o aos novos dados surgidos h&aacute; um ano: o fracasso em encontrar armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa no Iraque, o virulento e s&oacute;lido sentimento antinorte-americano no Oriente M&eacute;dio, a crescente insurg&ecirc;ncia no Iraque, o fato de nesse pa&iacute;s n&atilde;o ter surgido nenhuma lideran&ccedil;a democr&aacute;tica&quot;, enumerava Fukuyama na revista The National Interest.<\/p>\n<p> E continuava: &quot;O enorme custo humano e financeiro da guerra, o fracasso em deter o conflito e avan&ccedil;ar na crise palestino-israelense e o fato de que os aliados democr&aacute;ticos dos Estados Unidos n&atilde;o se alinharem nem legitimarem suas a&ccedil;&otilde;es a posteriori. A pobre estrat&eacute;gia para construir uma na&ccedil;&atilde;o no Iraque envenenar&aacute; o futuro de tais exerc&iacute;cios, reduzindo o apoio pol&iacute;tico interno para um internacionalismo vision&aacute;rio e generoso, do mesmo modo como fez a guerra do Vietn&atilde;&quot;, conclu&iacute;a Fukuyama.<\/p>\n<p> O panorama se tornou mais evidente desde que esse artigo foi escrito, devido a v&aacute;rios fatos, como as torturas contra prisioneiros iraquianos, a crescente quantidade de baixas militares e civis e a queda do d&oacute;lar, para mencionar alguns. O diagn&oacute;stico agora &eacute; amplamente aceito tanto entre os aliados dos Estados Unidos quahnto por sua pr&oacute;pria diplomacia externa, com exce&ccedil;&atilde;o dos falc&otilde;es que continuam cercando Bush. At&eacute; que ponto Bush compreendeu esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a maior pergunta que o presidente enfrenta ao chegar 2005 e seu segundo mandato. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; H&aacute; um ano, os Estados Unidos tiravam de seu &quot;ninho&quot; o derrocado presidente iraquiano Saddam Hussein e seus comandantes anunciavam a queda da imprevista resist&ecirc;ncia que havia assolado por dois meses as for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o no Iraque. O governo de George W. Bush se mostrava jubiloso, destacando a luz no final do t&uacute;nel de uma guerra iniciada em mar&ccedil;o de 2003. E com isto resolvido, os demais integrantes do &quot;eixo do mal&quot;, Ir&atilde;, Cor&eacute;ia do Norte e algum outro estado renegado como S&iacute;ria, entenderiam bem a mensagem. Depois de tudo, o pr&oacute;prio l&iacute;der da L&iacute;bia, Muammar Gadafi (renegado cr&ocirc;nico por excel&ecirc;ncia), aparentemente muito impressionado pela sorte de Saddam, anunciava o desmantelamento volunt&aacute;rio de todas suas armas n&atilde;o convencionais. &quot;Deixamos claro as op&ccedil;&otilde;es que restam aos potenciais advers&aacute;rios. Espero que outros l&iacute;deres sigam o exemplo&quot; da L&iacute;bia, dizia o confiante Bush.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desafios-20042005-adeus-mundo-unipolar-primeira-parte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}