{"id":18603,"date":"2015-03-04T13:00:50","date_gmt":"2015-03-04T13:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130198"},"modified":"2015-03-04T13:00:50","modified_gmt":"2015-03-04T13:00:50","slug":"onu-denuncia-politica-caprichosa-de-direitos-humanos-de-alguns-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/onu-denuncia-politica-caprichosa-de-direitos-humanos-de-alguns-paises\/","title":{"rendered":"ONU denuncia pol\u00edtica caprichosa de direitos humanos de alguns pa\u00edses"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130200\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/manifestantes.jpg\"><img class=\"wp-image-130200\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/manifestantes.jpg\" alt=\"Manifestantes diante da Casa Branca, em Washington, protestam contra a tortura, no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da abertura da pris\u00e3o dos Estados Unidos em Guant\u00e2namo, em Cuba. Foto: Charles Davis\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Manifestantes diante da Casa Branca, em Washington, protestam contra a tortura, no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da abertura da pris\u00e3o dos Estados Unidos em Guant\u00e2namo, em Cuba. Foto: Charles Davis\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 4\/3\/2015 \u2013 O Alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra\u2019ad Al Hussein, criticou as pr\u00e1ticas seletivas dos Estados membros em mat\u00e9ria de direitos humanos, ao defenderem uns e violar outros abertamente, talvez para atender seus pr\u00f3prios interesses nacionais ou pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Apesar de terem ratificado a Carta da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como forma de reafirmar seu compromisso com os direitos humanos fundamentais, h\u00e1 alguns Estados membros que, \u201ccom uma regularidade alarmante\u201d, ignoram e violam os direitos humanos, \u201c\u00e0s vezes em um grau assombroso\u201d, afirmou Zeid, diplomata e pr\u00edncipe jordaniano.<\/p>\n<p>No dia 2, na sess\u00e3o inaugural do Conselho de Direitos Humanos, que funcionar\u00e1 at\u00e9 o dia 27 em sua sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, Zeid criticou os Estados membros que baseiam suas decis\u00f5es em \u201ccircunst\u00e2ncias excepcionais\u201d, segundo argumentam. \u201cEscolhem entre os direitos\u201d, ressaltou, sem identificar nenhum Estado pelo nome.<\/p>\n<p>\u201cUm governo apoiar\u00e1 plenamente os direitos humanos das mulheres e os da comunidade de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transg\u00eanico, mas sufocar\u00e1 brutalmente as opini\u00f5es pol\u00edticas opositoras. Um terceiro Estado violar\u00e1 de maneira integral os direitos pol\u00edticos, civis, econ\u00f4micos, sociais e culturais de seu povo, mas defender\u00e1 energicamente os ideais dos direitos humanos perante seus pares\u201d, acrescentou Zeid.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00edncipe Zeid acertou no ponto\u201d, afirmou \u00e0 IPS Peggy Hicks, diretora mundial de promo\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch. Se cada governo que professa seu compromisso com os direitos humanos cumprisse sua palavra de maneira sistem\u00e1tica, \u201cter\u00edamos um mundo muito diferente, e melhor\u201d, destacou a ativista.<\/p>\n<p>Em uma virada paradoxal que confirmaria o argumento de Zeid, o secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, criticou \u201co terr\u00edvel hist\u00f3rico de direitos humanos\u201d de v\u00e1rios pa\u00edses e territ\u00f3rios, incluindo S\u00edria, Coreia do Norte, Crimeia e as for\u00e7as separatistas da Ucr\u00e2nia. Mas o chefe da diplomacia de Washington n\u00e3o condenou a devasta\u00e7\u00e3o causada pelos 50 dias de bombardeios de Israel contra os palestinos em Gaza em 2014, e nem os ataques com foguetes que o Hamas lan\u00e7ou contra Israel nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Esses bombardeios mataram 1.976 palestinos em Gaza, entre eles 1.417 civis e 459 crian\u00e7as, segundo dados da ONU. Do lado israelense morreram 66 pessoas, inclu\u00eddos dois soldados. Os palestinos acusaram Israel de crimes de guerra e pressionam para que o Tribunal Penal Internacional de Haia tome medidas nesse caso, algo que tem a firme oposi\u00e7\u00e3o de Washington.<\/p>\n<p>Kerry disse ao Conselho de Direitos Humanos que seu pa\u00eds acredita que pode continuar avan\u00e7ando e ajudar a ONU a cumprir seu mandato, e fazer do mundo um lugar melhor e mais seguro. \u201cMas, para que isso aconte\u00e7a, temos que nos pormos s\u00e9rios e enfrentar os obst\u00e1culos ao nosso progresso. E o obst\u00e1culo mais \u00f3bvio, devo dizer-lhes, \u00e9 o que algu\u00e9m inflige a si mesmo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cRefiro-me, naturalmente, ao hist\u00f3rico profundamente preocupante do Conselho de Direitos Humanos com rela\u00e7\u00e3o a Israel\u201d, afirmou Kerry. \u201cNingu\u00e9m nesta sala pode negar que existe uma aten\u00e7\u00e3o fora do comum posta sobre um pa\u00eds democr\u00e1tico\u201d, acrescentou, enquanto defendia abertamente a causa israelense, um dos aliados pol\u00edticos e militares mais pr\u00f3ximos dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, h\u00e1 cinco ou seis resolu\u00e7\u00f5es diferentes sobre Israel, pontuou Kerry aos delegados. Recordou que neste ano houve uma resolu\u00e7\u00e3o patrocinada pelo presidente s\u00edrio, Bashar al Assad, relativa \u00e0s colinas de Golan, o territ\u00f3rio ocupado por Israel desde a guerra de 1967. \u201cComo, pergunto, pode ser essa uma prioridade sensata se no mesmo momento os refugiados da S\u00edria est\u00e3o inundando Golan para fugir do governo assassino de Assad e receber tratamento de m\u00e9dicos israelenses em hospitais israelenses?\u201d, questionou o secret\u00e1rio de Estado.<\/p>\n<p>Kerry se referia \u00e0 \u201cobsess\u00e3o\u201d do Conselho de Direitos Humanos com Israel, que \u201cna realidade corre o risco de prejudicar a credibilidade de toda a organiza\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou em refer\u00eancia \u00e0 ONU. No entanto, Zeid disse, no dia 2, que a \u00fanica medida real do valor de um governo n\u00e3o \u00e9 seu lugar no \u201cbaile solene da grande diplomacia\u201d, mas a \u201cmedida em que \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s necessidades e que protege os direitos, de seus nacionais e das demais pessoas que caiam sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o, ou sobre as quais tem controle f\u00edsico\u201d.<\/p>\n<p>Algumas autoridades pol\u00edticas se convencem de que suas circunst\u00e2ncias s\u00e3o excepcionais e geram uma nova realidade, totalmente imprevista pela lei, pontuou Zeid, acrescentando que essa l\u00f3gica prolifera no mundo atual.<\/p>\n<p>\u201cPrendo arbitrariamente e torturo porque um novo tipo de guerra justifica essa atitude. Espiono meus cidad\u00e3os porque a luta contra o terrorismo exige. N\u00e3o quero novos imigrantes, ou discrimino as minorias, porque nossa identidade comum est\u00e1 sendo amea\u00e7ada como nunca antes. Mato sem nenhuma forma do devido processo porque se n\u00e3o o fa\u00e7o outros me matar\u00e3o. E assim, sucessivamente, enquanto ca\u00edmos em um ac\u00famulo de crise em espiral\u201d, ressaltou Zeid. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 4\/3\/2015 &ndash; O Alto Comiss&aacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra&rsquo;ad Al Hussein, criticou as pr&aacute;ticas seletivas dos Estados membros em mat&eacute;ria de direitos humanos, ao defenderem uns e violar outros abertamente, talvez para atender seus pr&oacute;prios interesses nacionais ou pol&iacute;ticos. 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