{"id":18615,"date":"2015-03-06T12:28:20","date_gmt":"2015-03-06T12:28:20","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130415"},"modified":"2015-03-06T12:28:20","modified_gmt":"2015-03-06T12:28:20","slug":"o-lar-e-um-campo-de-batalha-para-as-mulheres-da-asia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/o-lar-e-um-campo-de-batalha-para-as-mulheres-da-asia\/","title":{"rendered":"O lar \u00e9 um campo de batalha para as mulheres da \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130417\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mujeres_asia-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-130417\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mujeres_asia-629x419.jpg\" alt=\"Em quase toda \u00c1sia, os homens ficam praticamente impunes diante da viol\u00eancia que exercem contra as mulheres, as quais t\u00eam poucos \u00e2mbitos aos quais recorrer em busca de ajuda, o que permite que continue o c\u00edrculo vicioso. Foto: Mallika Aryal\/IPS\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em quase toda \u00c1sia, os homens ficam praticamente impunes diante da viol\u00eancia que exercem contra as mulheres, as quais t\u00eam poucos \u00e2mbitos aos quais recorrer em busca de ajuda, o que permite que continue o c\u00edrculo vicioso. Foto: Mallika Aryal\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 6\/3\/2015 \u2013 As mulheres s\u00e3o cerca de metade dos quatro bilh\u00f5es de pessoas que vivem na \u00c1sia Pac\u00edfico, mas constituem dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Milh\u00f5es delas vivem reclusas em suas casas ou trabalham em empregos prec\u00e1rios, sem seguran\u00e7a social nem benef\u00edcios, por magros sal\u00e1rios. Milh\u00f5es s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico e obrigadas a se prostitu\u00edrem ou serem escravas sexuais.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 muitas outras que devem enfrentar um inimigo interno. De fato, para muitas mulheres, a maior amea\u00e7a est\u00e1 dentro de suas casas, onde a viol\u00eancia que sofrem diariamente \u00e9 exercida por seus companheiros ou familiares homens. A ONU Mulheres destaca que na \u00c1sia Pac\u00edfico a popula\u00e7\u00e3o feminina est\u00e1 sujeita aos maiores graus de viol\u00eancia de g\u00eanero, a maioria nas m\u00e3os de seus c\u00f4njuges ou companheiros.<\/p>\n<p>Em Papua Nova Guin\u00e9, por exemplo, 58% das mulheres consultadas disseram ter sofrido viol\u00eancia f\u00edsica, sexual ou emocional em suas rela\u00e7\u00f5es de casal, enquanto 55% reconheceram que foram obrigadas a manter rela\u00e7\u00f5es sexuais contra sua vontade. No pequeno pa\u00eds insular de Fiji, 66% das mulheres entrevistadas disseram ter sofrido viol\u00eancia por parte de seus parceiros e 44% inclusive quando estavam gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as causas dessa desanimadora realidade. Segundo o F\u00f3rum \u00c1sia Pac\u00edfico, \u201cas mulheres da regi\u00e3o t\u00eam uma das mais baixas taxas de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de emprego e de propriedade do mundo\u201d. Mesmo as que trabalham ganham menos do que os homens. A desigualdade salarial na regi\u00e3o oscila entre 54% e 90% para uma mesma tarefa, apesar de existirem leis garantindo \u201cigual remunera\u00e7\u00e3o para igual trabalho\u201d.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia total de normas sobre o ass\u00e9dio sexual no local de trabalho faz com que entre 30% e 40% das trabalhadoras na \u00c1sia Pac\u00edfico sofram abusos verbal, f\u00edsico e sexual, segundo o F\u00f3rum \u00c1sia Pac\u00edfico. Esta organiza\u00e7\u00e3o afirma que metade dos pa\u00edses da \u00c1sia meridional e 60% da \u00c1sia Pac\u00edfico n\u00e3o t\u00eam leis sobre viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Diante deste vazio legal, os homens n\u00e3o sofrem quase nenhuma consequ\u00eancia por suas a\u00e7\u00f5es, e as mulheres n\u00e3o t\u00eam muitos lugares aos quais recorrer, o que alimenta o c\u00edrculo vicioso. Tamb\u00e9m significa que os dados oficiais s\u00e3o, no melhor dos casos, extremamente conservadores, pois a maioria das mulheres n\u00e3o denuncia os casos de viol\u00eancia, seja por medo de repres\u00e1lias ou por n\u00e3o acreditarem que o sistema legal lhes dar\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, por exemplo, a \u00faltima pesquisa de fam\u00edlias mostra que 40% das mulheres sofreram abusos no lar. Mas um estudo independente, realizado com apoio da Comiss\u00e3o de Planejamento, eleva essa propor\u00e7\u00e3o para 84%. Na Indon\u00e9sia, onde a pol\u00edcia registrou 150 mil casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica em 2009, dos quais 96% entre parceiros casados, os ativistas estimam que s\u00f3 \u00e9 denunciado um em cada dez epis\u00f3dios. Ou seja, o n\u00famero de sobreviventes \u00e9, pelo menos, nove vezes maior do que os dados oficiais.<\/p>\n<p>Referindo-se a estat\u00edsticas da Pesquisa Nacional de Demografia e Sa\u00fade de 2008, a Comiss\u00e3o afirma que 14,4% das mulheres casadas e 37% das separadas ou vi\u00favas sofreram abusos por parte de seus c\u00f4njuges. Das mulheres que estiveram gr\u00e1vidas, 4% sofreram epis\u00f3dios violentos em m\u00e3os de seus companheiros, enquanto tr\u00eas em cada cinco das v\u00edtimas disseram sofrer consequ\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas devido \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s agress\u00f5es. As autoridades afirmam que uma melhor implanta\u00e7\u00e3o das leis \u00e9 em parte respons\u00e1vel pelo aumento das den\u00fancias, pois houve aumento de 49,5% desde 2012.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o mesmo ocorra em breve na China, onde a divulga\u00e7\u00e3o do rascunho do primeiro projeto de lei contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica foi elogiado pela sociedade civil como uma medida para frear o abuso generalizado, f\u00edsico, sexual e psicol\u00f3gico, vivido em milh\u00f5es de lares. Dados da estatal Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Toda China mostram que 40% da popula\u00e7\u00e3o feminina sofre viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual em suas rela\u00e7\u00f5es, enquanto apenas 7% denunciam os maus tratos \u00e0s autoridades.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) concordam que a falta de leis punindo a viola\u00e7\u00e3o marital na regi\u00e3o avivou a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade dos homens. Em 2012, a ONU Mulheres revelou que apenas oito pa\u00edses da \u00c1sia Pac\u00edfico tinham leis penalizando a viola\u00e7\u00e3o marital, o que fez muitas pessoas pensarem, inclusive as mulheres, que os abusos dos maridos contra suas mulheres eram justificados.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a \u00e9 quase inacess\u00edvel para as mulheres rurais. Al\u00e9m disso, as despesas legais e o custo dos exames forenses s\u00e3o proibitivos para elas, que n\u00e3o t\u00eam controle do dinheiro. E a tend\u00eancia machista da pol\u00edcia faz com que a maioria dos policiais sejam indiferentes diante das poucas que se atrevem a denunciar o abuso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 lament\u00e1vel a representa\u00e7\u00e3o feminina no sistema legal. A ONU Mulheres diz que \u201cum em cada quatro ju\u00edzes e um em cada cinco funcion\u00e1rios da promotoria no sudeste da \u00c1sia e na \u00c1sia Pac\u00edfico s\u00e3o mulheres\u201d, mas a \u00c1sia meridional est\u00e1 ainda longe dessa propor\u00e7\u00e3o. As ju\u00edzas constituem apenas 9% dos magistrados e 4% do pessoal da promotoria.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros s\u00e3o ainda piores na pol\u00edcia, que tem apenas 3% de mulheres na \u00c1sia meridional, n\u00famero que sobe para 9% no sudeste da \u00c1sia e \u00c1sia Pac\u00edfico. A \u00c1sia re\u00fane quatro das cinco economias de maior crescimento no mundo, mas sua luz de desvanece com o sofrimento das mulheres em suas casas.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 falta de implanta\u00e7\u00e3o de leis e sem um esfor\u00e7o sustentado para melhorar a representa\u00e7\u00e3o feminina em todos os \u00e2mbitos de governos, nem medidas reais que lhes deem possibilidade de alcan\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1vel em todos os pa\u00edses da regi\u00e3o, os especialistas dizem que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que diminua a viol\u00eancia contra a mulher. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Esta reportagem faz parte de uma s\u00e9rie de artigos elaborados pela IPS por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 6\/3\/2015 &ndash; As mulheres s&atilde;o cerca de metade dos quatro bilh&otilde;es de pessoas que vivem na &Aacute;sia Pac&iacute;fico, mas constituem dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mais pobre. Milh&otilde;es delas vivem reclusas em suas casas ou trabalham em empregos prec&aacute;rios, sem seguran&ccedil;a social nem benef&iacute;cios, por magros sal&aacute;rios. 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