{"id":18622,"date":"2015-03-09T16:00:04","date_gmt":"2015-03-09T16:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130539"},"modified":"2015-03-09T16:00:04","modified_gmt":"2015-03-09T16:00:04","slug":"o-mundo-perde-muito-ao-excluir-metade-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/o-mundo-perde-muito-ao-excluir-metade-da-populacao\/","title":{"rendered":"O mundo perde muito ao excluir metade da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130541\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mulherescapa.jpg\"><img class=\"wp-image-130541\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mulherescapa.jpg\" alt=\"A 57\u00aa sess\u00e3o da Comiss\u00e3o da Condi\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica e Social da Mulher. Foto: Rick Bajornas\/ONU\" width=\"540\" height=\"361\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A 57\u00aa sess\u00e3o da Comiss\u00e3o da Condi\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica e Social da Mulher. Foto: Rick Bajornas\/ONU<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 9\/3\/2015 \u2013 A ocasi\u00e3o \u00e9 considerada uma das maiores reuni\u00f5es de mulheres ativistas em um mesmo espa\u00e7o. Mais de 1.100 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e mais de 8.600 representantes se inscreveram para participar da sess\u00e3o da Comiss\u00e3o da Condi\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica e Social da Mulher, que come\u00e7a hoje na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Nova York.<\/p>\n<p>O principal \u00f3rg\u00e3o internacional intergovernamental dedicado exclusivamente \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e ao empoderamento da mulher, tamb\u00e9m conhecido como CSW, por sua sigla em ingl\u00eas, realizar\u00e1 sua 59\u00aa sess\u00e3o at\u00e9 o dia 20. Cerca de 200 atividades paralelas, organizadas pelos governos e pelas ag\u00eancias da ONU, est\u00e3o planejadas junto \u00e0s reuni\u00f5es oficiais da CSW, al\u00e9m de 450 eventos das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, tanto dentro quanto fora da sede das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o principal \u00e9 fazer um balan\u00e7o dos \u00eaxitos e fracassos da Plataforma de A\u00e7\u00e3o aprovada em setembro de 1995 na hist\u00f3rica Quarta Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher, em Pequim. Os \u00eaxitos s\u00e3o limitados, segundo representantes da sociedade civil e funcion\u00e1rios da ONU, mas as promessas n\u00e3o cumpridas s\u00e3o incont\u00e1veis.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 simples, segundo o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon. \u201cN\u00e3o podemos cumprir com 100% do potencial do mundo quando exclu\u00edmos 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d, afirmou referindo-se \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>O alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, o jordaniano Zeid Ra\u2019ad Al Hussein, afirma que os 193 Estados membros do f\u00f3rum mundial devem fazer mais do que \u201cdefender apenas de boca\u201d a igualdade de g\u00eanero. \u201cDevem desafiar e desmantelar seriamente as estruturas e as din\u00e2micas de poder que perpetuam a discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas v\u00e3o fazer?<\/p>\n<p>Na Plataforma de A\u00e7\u00e3o de Pequim, 189 governos se comprometeram a \u201crevogar quaisquer leis restantes que discriminem por motivos de g\u00eanero\u201d, recordou \u00e0 IPS Yasmeen Hassan, diretora da organiza\u00e7\u00e3o Igualdade J\u00e1. \u201cVinte anos depois, pouco mais da metade desse tipo de leis, apontadas em tr\u00eas sucessivos informes da Igualdade J\u00e1, foi revisada, apelada ou modificada\u201d, ressaltou. \u201cEmbora aplaudamos os governos que tomaram medidas positivas, nos preocupa que restem tantas leis discriminat\u00f3rias em todo o mundo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mavic Cabrera-Balleza, coordenadora internacional da Rede Mundial de Mulheres Construtoras da Paz, alegra-se pelo fato de o \u00faltimo rascunho da Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Pequim +20, apresentado pela secretaria da CSW, expressar \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o pelo fato de o progresso ser lento e desigual e restarem brechas e obst\u00e1culos importantes na aplica\u00e7\u00e3o das 12 esferas de especial preocupa\u00e7\u00e3o da Plataforma de A\u00e7\u00e3o de Pequim\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO rascunho reconhece que, vinte anos depois da confer\u00eancia de Pequim, nenhum pa\u00eds conseguiu a igualdade para mulheres e meninas, persistem n\u00edveis importantes de desigualdade entre as mulheres e os homens, e algumas mulheres e meninas experimentam maior vulnerabilidade e marginaliza\u00e7\u00e3o devido a formas m\u00faltiplas e inter-relacionadas de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, detalhou Cabrera-Balleza.<\/p>\n<p>Segundo a ativista, \u201ctrata-se de um banho de realidade por parte dos Estados membros, que \u00e9 bem recebido pela Rede Mundial de Mulheres Construtoras da Paz e pelo restante da sociedade civil\u201d.<\/p>\n<p>Sobre sa\u00fade reprodutiva, Joseph Chamie, ex-diretora da Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o da ONU, disse \u00e0 IPS que o trabalho da CSW \u00e9 importante e que contribuiu para melhorar a vida das mulheres. Quando a CSW foi criada, em 1946, a esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida ao nascer de uma menina era de aproximadamente 45 anos, enquanto hoje \u00e9 de 72, o que representa um \u00eaxito not\u00e1vel, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Chamie, em mat\u00e9ria de sa\u00fade reprodutiva, foram obtidos grandes progressos. Al\u00e9m de melhor sa\u00fade em geral e da redu\u00e7\u00e3o das taxas de mortalidade materna, a maioria das mulheres pode decidir quantos filhos ter\u00e1 e quando.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u201cconcentrar a aten\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas e os programas nas desigualdades e nos preconceitos que enfrentam mulheres e meninas, e ignorar em grande parte aquelas que enfrentam os homens e os meninos, obstruir\u00e1 e retardar\u00e1 os esfor\u00e7os para conseguir uma verdadeira igualdade de g\u00eanero e o desenvolvimento socioecon\u00f4mico necess\u00e1rio para todos\u201d, pontuou Chamie.<\/p>\n<p>Segundo a ONU Mulheres, apenas 20% dos cargos legislativos no mundo s\u00e3o ocupados por mulheres. Aproximadamente 50% das mulheres t\u00eam emprego remunerado, 40% mais do que em 1995, embora persista a desigualdade salarial. No ritmo atual, as mulheres demorar\u00e3o 81 anos para alcan\u00e7ar a paridade no emprego, calcula a ONU Mulheres.<\/p>\n<p>Em 2000, a inovadora resolu\u00e7\u00e3o 1325 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, referente a mulher, paz e seguran\u00e7a, reconheceu a necessidade de refor\u00e7ar o papel das mulheres na constru\u00e7\u00e3o da paz nos pa\u00edses que sa\u00edram de conflitos armados. Por\u00e9m, entre 1992 e 2011, apenas 4% dos signat\u00e1rios dos tratados de paz e 9% dos negociadores nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o de paz eram mulheres.<\/p>\n<p>Persistem as leis matrimoniais que limitam os direitos das mulheres, afirmou Hassan, como aquelas que n\u00e3o lhes permitem contrair ou terminar o matrim\u00f4nio nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que o homem, nomeiam o homem como chefe de fam\u00edlia, exigem a obedi\u00eancia da esposa, permitem a poligamia ou fixam diferentes idades para o casamento, de acordo com o g\u00eanero.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 leis que d\u00e3o \u00e0s mulheres <i>status<\/i> pessoal inferior e menos direitos como cidad\u00e3s. Por exemplo, aquelas que n\u00e3o permitem que elas transmitam sua nacionalidade ao seu marido e filhos, as que consideram que a evid\u00eancia apresentada pelas mulheres n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 do homem, e as que limitam sua possibilidade de viajar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, persistem as leis que tratam as mulheres de maneira economicamente desigual em rela\u00e7\u00e3o aos homens, com menos direitos \u00e0 heran\u00e7a ou \u00e0 propriedade de bens e restri\u00e7\u00f5es ao emprego, outras que promovem a viol\u00eancia, dando ao homem o direito de violar sua esposa, eximindo os violadores de castigo por estarem casados com suas v\u00edtimas, e permitindo aos homens castigar suas esposas.<\/p>\n<p>\u201cQue essas leis continuem existindo demonstra que muitos governos n\u00e3o consideram as mulheres cidad\u00e3s de pleno direito e, como tal, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar nos objetivos estabelecidos h\u00e1 20 anos\u201d, enfatizou Hassan.<\/p>\n<p>Cabrera-Balleza acrescentou que a declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da CSW tamb\u00e9m estabelece que os Estados membros reafirmam sua \u201cvontade pol\u00edtica e se comprometem firmemente a abordar as brechas fundamentais que restam e a realizar a\u00e7\u00f5es concretas para transformar as normas sociais discriminat\u00f3rias e os estere\u00f3tipos de g\u00eanero\u201d entre outras muito boas promessas. \u00c9 a\u00ed que radica o xis da quest\u00e3o, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Esta reportagem faz parte de uma s\u00e9rie de artigos elaborados pela IPS por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 9\/3\/2015 &ndash; A ocasi&atilde;o &eacute; considerada uma das maiores reuni&otilde;es de mulheres ativistas em um mesmo espa&ccedil;o. 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