{"id":18642,"date":"2015-03-11T13:00:01","date_gmt":"2015-03-11T13:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130671"},"modified":"2015-03-11T13:00:01","modified_gmt":"2015-03-11T13:00:01","slug":"soja-coloca-a-agricultura-argentina-diante-de-varios-dilemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/soja-coloca-a-agricultura-argentina-diante-de-varios-dilemas\/","title":{"rendered":"Soja coloca a agricultura argentina diante de v\u00e1rios dilemas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130673\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/produtoresruais.jpg\"><img class=\"wp-image-130673\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/produtoresruais.jpg\" alt=\"Pequenas produtoras rurais elaboram farinha de algarroba, gra\u00e7as ao apoio de um projeto do governo da Argentina para incentivar a agricultura familiar, na localidade de Guanaco Sombriana, na prov\u00edncia de Santiago del Estero, ao norte. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pequenas produtoras rurais elaboram farinha de algarroba, gra\u00e7as ao apoio de um projeto do governo da Argentina para incentivar a agricultura familiar, na localidade de Guanaco Sombriana, na prov\u00edncia de Santiago del Estero, ao norte. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 11\/3\/2015 \u2013 A soja avan\u00e7a sobre o campo argentino, desalojando pequenos produtores e substituindo gado e outros cultivos. Uma encruzilhada para um pa\u00eds cuja alimenta\u00e7\u00e3o depende em 70% da agricultura familiar, mas que igualmente requer as divisas procedentes do chamado \u201couro verde\u201d.<\/p>\n<p>Em 2013, as exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os, \u00f3leo e farinha de soja geraram US$ 23,208 bilh\u00f5es, equivalentes a 26% das vendas ao exterior, segundo a C\u00e2mara da Ind\u00fastria de \u00d3leos &#8211; Centro de Exportadores de Cereais. Isso converte a soja de variedade transg\u00eanica na principal fonte de divisas, ao mesmo tempo em que a cadeia produtiva da oleaginosa representa 5,5% do produto interno bruto e 10% da arrecada\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos termos fiscais ou do valor agregado, sem d\u00favida a soja \u00e9 o maior aporte na cadeia de oleaginosas, nas exporta\u00e7\u00f5es e no super\u00e1vit de d\u00f3lares que d\u00e1 \u00e0 economia\u201d, disse \u00e0 IPS o economista Luciano Cohan. Atualmente, \u201csem os d\u00f3lares da soja, a economia do pa\u00eds teria que fazer tremendo ajuste, acrescentou o autor do livro <em>A Contribui\u00e7\u00e3o da Cadeia da Soja \u00e0 Economia Argentina<\/em>.<\/p>\n<p>Com 20,2 milh\u00f5es, de um total de 31 milh\u00f5es de hectares plantados, a soja \u00e9 o principal cultivo argentino, frente aos 4,8 milh\u00f5es que representava em 1990, segundo a Associa\u00e7\u00e3o da Cadeia da Soja.<\/p>\n<p>Cohan explicou que sua expans\u00e3o come\u00e7ou em 1996, quando foi implantada a semente geneticamente modificada, tendo se acelerado a partir de 2008, quando os produtores se voltaram a esse cultivo em detrimento de outros, como o trigo, depois de uma crise na \u00e1rea rural devido a um conflito entre empres\u00e1rios do setor e o governo.<\/p>\n<p>\u201cPor v\u00e1rias raz\u00f5es a soja (geneticamente modificada) pode ser vista como um cultivo de menos riscos do que outras atividades. Por exemplo, \u00e9 muito mais barato produzir soja do que milho, carne ou leite, que tem menores riscos regulat\u00f3rios\u201d, acrescentou Cohan.<\/p>\n<p>\u201cA expans\u00e3o da soja entendida como monocultura n\u00e3o \u00e9 positiva. Mas se o produtor n\u00e3o v\u00ea melhores condi\u00e7\u00f5es para semear outros cultivos, e por parte do Estado a soja \u00e9 a que lhe permite melhor arrecada\u00e7\u00e3o, nos encontramos em um c\u00edrculo vicioso altamente perigoso para a sustentabilidade de nossos sistemas produtivos\u201d, alertou \u00e0 IPS o acad\u00eamico e engenheiro agr\u00f4nomo Carlos Toledo.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento da superf\u00edcie de soja e, em geral, de <em>commodities<\/em> (mercadorias comercializ\u00e1veis) transg\u00eanicas significa o deslocamento de produ\u00e7\u00f5es locais e aumento da cria\u00e7\u00e3o de gado em <em>feedlots<\/em> (currais de engorda)\u201d, afirmou \u00e0 IPS um integrante da organiza\u00e7\u00e3o camponesa internacional Grain, Carlos Vicente. Como exemplo, ele citou o fechamento de milhares de tambos, como s\u00e3o chamados na Am\u00e9rica do Sul os pequenos estabelecimentos de pecu\u00e1ria leiteira. \u201cSomente na prov\u00edncia de Buenos Aires fecharam 300\u201d, destacou, lembrando que \u201cisso implica a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e a concentra\u00e7\u00e3o em grandes produtores\u201d, que passam a atuar como um oligop\u00f3lio.<\/p>\n<div id=\"attachment_130674\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/chica-argentina-2.jpg\"><img class=\"wp-image-130674\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/chica-argentina-2.jpg\" alt=\"Terra desmatada para o cultivo da soja transg\u00eanica em uma \u00e1rea rural na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba, centro da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Terra desmatada para o cultivo da soja transg\u00eanica em uma \u00e1rea rural na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba, centro da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um estudo de Miguel Teubal, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas Cientificas e T\u00e9cnicas, exp\u00f5e outros dados. Enquanto entre 1997 e 2005 a produ\u00e7\u00e3o de soja aumentou quase 20 milh\u00f5es de toneladas, a de girassol caiu dois milh\u00f5es e a de arroz 500 mil.<\/p>\n<p>S\u00f3 na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba, o auge da soja significou a perda de 17% em cabe\u00e7as de gado. E tamb\u00e9m reduziu a produ\u00e7\u00e3o de frutas e hortali\u00e7as ao redor das grandes cidades, \u201cincidindo na alta dos pre\u00e7os de produtos b\u00e1sicos de consumo popular, como tomate e batata\u201d, apontou Teubal.<\/p>\n<p>Por outro lado, concentrou e encareceu a terra, segundo a Grain. Em 2010, mais de 50% do cultivo de soja era controlado por 3% dos produtores, com mais de cinco mil hectares. Isso gerou \u201cum \u00eaxodo rural sem precedentes, que em 2007 j\u00e1 representava a expuls\u00e3o de mais de 200 mil agricultores e trabalhadores rurais com suas fam\u00edlias\u201d, afirmou Vicente.<\/p>\n<p>\u201cA soja \u00e9 importante em termos de renda para planos sociais. Mas o grande paradoxo \u00e9 que esses planos dever\u00e3o cobrir necessidades b\u00e1sicas dos expulsos do campo por esse modelo\u201d, ressaltou Vicente. \u201cVi o \u00eaxodo de muitos produtores da bacia leiteira e de corte que n\u00e3o necessariamente passaram pelo \u2018modelo de soja\u2019. Foram para a cidade porque suas atividades produtivas eram fortemente deficit\u00e1rias e n\u00e3o viam futuro para suas fam\u00edlias\u201d, rebateu Toledo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), a Argentina ainda tem dispon\u00edveis para cultivo 14,4% de seu territ\u00f3rio, quase um hectare por habitante. Por isso, Toledo afirmou que a seguran\u00e7a alimentar e a soja \u201cseguem caminhos opostos\u201d. Destacou que a quest\u00e3o \u00e9 se \u201cest\u00e3o dando aos produtores, basicamente pequenos e m\u00e9dios, melhores condi\u00e7\u00f5es para que diversifiquem sua produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para fortalecer o setor, o governo da presidente Cristina Fern\u00e1ndez criou em 2008 a agora chamada Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural. No dia 20 de janeiro, promulgou uma lei cujo t\u00edtulo \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es: \u201cRepara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da agricultura familiar para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova ruralidade na Argentina\u201d, e que qualifica de \u201cinteresse p\u00fablico\u201d por sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 soberania alimentar.<\/p>\n<p>Dados do Registro Nacional de Agricultura Familiar indicam que o setor representa 20% do PIB agropecu\u00e1rio e das terras cultivadas, 65% dos produtores e 53% do emprego rural. Al\u00e9m disso, fornece 70% dos alimentos consumidos no pa\u00eds. Por\u00e9m, 66% desses produtores vivem na pobreza, destaca a FAO.<\/p>\n<p>Entre os objetivos da Secretaria est\u00e1 reverter a migra\u00e7\u00e3o para as cidades, criando um milh\u00e3o de unidades agropecu\u00e1rias, que englobariam cinco milh\u00f5es de pessoas. \u201cPrecisamos de 50 anos de um processo de investimento no setor agropecu\u00e1rio para recuperar tudo o que foi destru\u00eddo\u201d, afirmou seu titular, Emilio P\u00e9rsico, para quem \u201co tema n\u00e3o \u00e9 a soja, mas o agroneg\u00f3cio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs conflitos mais importantes que temos n\u00e3o s\u00e3o com a soja. Em Santiago del Estero temos problemas com pecuaristas, em Rio Negro com os produtores de alfafa, em Misiones com os exportadores de abacaxi, em Mendoza com os produtores de vinho\u201d, explicou o funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Miguel Fern\u00e1ndez, presidente do F\u00f3rum Nacional de Agricultura Familiar, mencionou outras causas do \u00eaxodo, como o desmatamento (parcialmente impulsionado pela soja), a mudan\u00e7a clim\u00e1tica (que com inunda\u00e7\u00f5es e secas extremas castiga os camponeses pobres), e os meganeg\u00f3cios imobili\u00e1rios, tur\u00edsticos e agropecu\u00e1rios. \u201cEst\u00e3o reduzindo nossas possibilidades de produzir mais ou de sermos donos da terra. Os que t\u00eam dinheiro correram com os pequenos, como se f\u00f4ssemos c\u00e3es, nos encurralando\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para reverter o processo, assegurou Vicente, \u00e9 preciso combater outras quest\u00f5es essenciais, como o monop\u00f3lio das empresas transnacionais das sementes dos cultivos transg\u00eanicos ou como estes \u201cdeslocam e contaminam outros cultivos\u201d. \u201cEsses agroqu\u00edmicos e essas sementes v\u00e3o deixando os solos devastados. Nos preocupa termos o solo e depois n\u00e3o podermos produzir\u201d, concluiu Fern\u00e1ndez. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros da soja<\/strong><\/p>\n<p>A Argentina \u00e9 o primeiro exportador mundial de \u00f3leo e farinha de soja e o terceiro exportador do gr\u00e3o. Com 31 milh\u00f5es de hectares cultivados, o pa\u00eds ocupa o d\u00e9cimo lugar, depois de Estados Unidos (162,7 milh\u00f5es de hectares), \u00cdndia (157,9 milh\u00f5es), R\u00fassia (121,7 milh\u00f5es), China (109,9 milh\u00f5es), Brasil (61 milh\u00f5es), Austr\u00e1lia (47,1 milh\u00f5es), Canad\u00e1 (45,1 milh\u00f5es), Nig\u00e9ria (34 milh\u00f5es), Ucr\u00e2nia (32,4 milh\u00f5es).<\/p>\n<p><em>Fontes: Acsoja e FAO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 11\/3\/2015 &ndash; A soja avan&ccedil;a sobre o campo argentino, desalojando pequenos produtores e substituindo gado e outros cultivos. Uma encruzilhada para um pa&iacute;s cuja alimenta&ccedil;&atilde;o depende em 70% da agricultura familiar, mas que igualmente requer as divisas procedentes do chamado &ldquo;ouro verde&rdquo;. 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