{"id":1866,"date":"2006-06-12T00:00:00","date_gmt":"2006-06-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1866"},"modified":"2006-06-12T00:00:00","modified_gmt":"2006-06-12T00:00:00","slug":"energia-existe-uranio-para-mais-de-um-seculo-afirma-aiea-e-ocde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/06\/mundo\/energia-existe-uranio-para-mais-de-um-seculo-afirma-aiea-e-ocde\/","title":{"rendered":"Energia: Existe ur\u00e2nio para mais de um s\u00e9culo, afirma AIEA e OCDE"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 12\/06\/2006 &ndash; As reservas de ur\u00e2nio existentes no planeta s\u00e3o suficientes para garantir o fornecimento de energia nuclear durante 150 anos, assegura um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica e da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico. <!--more--> Ativistas contra a produ\u00e7\u00e3o nuclear de eletricidade desacreditam a certeza do estudo da AIEA e da OCDE, que tem entre seus 30 membros todos os do Norte industrial. Os autores do relat\u00f3rio calcularam que nos pr\u00f3ximos 85 anos ser\u00e1 poss\u00edvel extrair 4,7 milh\u00f5es de toneladas de ur\u00e2nio a pouco mais que seu pre\u00e7o atual, de US$ 130 por quilo. Mas sugerem que no planeta h\u00e1 mais ur\u00e2nio, cuja extra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais cara. &quot;Com base na evid\u00eancia geol\u00f3gica e no conhecimento sobre ur\u00e2nio em fosfatos, mais de 35 milh\u00f5es de toneladas est\u00e3o dispon\u00edveis para a explora\u00e7\u00e3o&quot;, diz o documento.            <\/p>\n<p>O informe, intituloado &quot;Ur\u00e2nio 2005: Recursos, produ\u00e7\u00e3o e demanda&quot;, foi apresentado no \u00faltimo dia 1&ordm; em Paris por Luis E. Ech\u00e1varri, diretor da Ag\u00eancia de Energia Nuclear da OCDE, e Yuri Solokov, subdiretor-geral da AIEA. Ech\u00e1varri disse que os pa\u00edses produtores de ur\u00e2nio (entre eles Brasil, N\u00edver, Austr\u00e1lia e Nam\u00edbia) informaram sobre novos dep\u00f3sitos desse material. &quot;Provavelmente, h\u00e1 ur\u00e2nio suficiente para alimentar centrais nucleares durante os pr\u00f3ximos 150 anos&quot;, disse Ech\u00e1varri. &quot;Em outras palavras, se qualquer pa\u00eds queiser iniciar um novo programa de energia nuclear para contar com outra fonte segura de energia ou por preocupa\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, os recursos de ur\u00e2nio n\u00e3o ser\u00e3o um fator limitante&quot;, acrescentou o especialista.<\/p>\n<p>A energia nuclear \u00e9 motivo de intensa controv\u00e9rsia. Alemanha e Su\u00e9cia decidiram eliminar paulatinamente suas centrais at\u00f4mica, mas China, Estados Unidos, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e \u00cdndia, entre outros pa\u00edses, constroem, ou planejam construir, novos reatores. O relat\u00f3rio da AIEA\/OCDE, tamb\u00e9m conhecido como &quot;Livro vermelho&quot; da evolu\u00e7\u00e3o do mercado de ur\u00e2nio, afirma que &quot;os cont\u00ednuos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos permitir\u00e3o melhorar substancialmente os recursos de ur\u00e2nio. Est\u00e3o sendo desenvolvidos e testados projetos de reatores capazes de extrair do ur\u00e2nio mais de 30 vezes a energia que os reatores atuais conseguem extrair&quot;, garante o informe.<\/p>\n<p>Para que essas expectativas sejam atendidas, \u00e9 necess\u00e1rio &quot;um mercado de ur\u00e2nio cont\u00ednuo e forte e pre\u00e7os elevados e sustentados&quot;. Isso significa que a constru\u00e7\u00e3o de novos reatores \u00e9 essencial para que se cumpra o progn\u00f3stico das ag\u00eancias. Os que se op\u00f5em \u00e0 energia nuclear desprezam estes argumentos, os quais consideram mera propaganda para incentivar a constru\u00e7\u00e3o de novos reatores. St\u00e9phane Lhomme, da rede francesa n\u00e3o-governamental Sortir du Nucl\u00e9aire (Sair do Nuclear), disse \u00e0 IPS que &quot;afirma\u00e7\u00f5es semelhantes foram feitas durante d\u00e9cadas&quot;.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos que as difundiram tinham &quot;a esperan\u00e7a de que os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos em energia nuclear, como os denominados &#039;reatores r\u00e1pidos realimentados?, proporcionariam ur\u00e2nio eternamente&quot;, disse Lhomme. Sup\u00f5e-se que tais reatores produzem mais ur\u00e2nio do que consomem. Por isso, al\u00e9m de produzirem eletricidade, fornecem, proporcionam, teoricamente, um fornecimento prolongado de combust\u00edvel nuclear. Mas tamb\u00e9m necessitam de um meio de refrigera\u00e7\u00e3o especial, que no momento ainda n\u00e3o foi desenvolvido. At\u00e9 agora, segundo Lhomme, estes avan\u00e7os t\u00e9cnicos foram um fiasco. &quot;Embora a tecnologia de reatores r\u00e1pidos realimentados tenha estado em uso durante d\u00e9cadas, nenhum reator deste tipo funciona regularmente hoje em dia&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Reatores desta classe operam na R\u00fassia, mas os custos de funcionamento os impedem de serem mais rent\u00e1veis. O reator r\u00e1pido realimentado franc\u00eas Sperph\u00e9nix foi desligado em 1996 depois de mais de 10 anos de testes, v\u00e1rios acidentes importantes e sem ter produzido jamais um watt utiliz\u00e1vel, assegurou Lhomme. Foi oficialmente fechado em 1998. Segundo dados oficiais, o reator custou mais de US$ 11 bilh\u00f5es. Tamb\u00e9m deixou uma forte heran\u00e7a radioativa que ainda n\u00e3o foi eliminada, afirmam ativistas. Lhomme disse que estimativas independentes sobre as reservas de ur\u00e2nio variam de 50 anos a 150 anos. &quot;Mas, se a produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear aumentar, digamos, 20%, os recursos de ur\u00e2nio durariam apenas duas d\u00e9cadas&quot;. Silva Herrmann, pesquisadora da organiza\u00e7\u00e3o ambiental austr\u00edaca Global 2000, disse que tais estimativas se baseiam em muitas proje\u00e7\u00f5es para serem precisas. &quot;Se assumimos que a energia nuclear crescer\u00e1 de modo linear a partir de 2010, os reatores nucleares do mundo que estiverem operando at\u00e9 2030 ter\u00e3o consumido cerca de 4,5 milh\u00f5es de toneladas de ur\u00e2nio. Isso representaria as reservas totais, hoje estimadas no Livro vermelho da AIEA\/OCDE&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em semelhantes cen\u00e1rios, os reatores nucleares constru\u00eddos depois de 2010 n\u00e3o seriam rent\u00e1veis. &#039;Ficar\u00e3o sem combust\u00edvel aproximadamente uma d\u00e9cada antes da amortiza\u00e7\u00e3o do investimento necess\u00e1rio para sua constru\u00e7\u00e3o&quot;, disse Herrmann. Al\u00e9m disso, acrescentou,a extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio est\u00e1 associada a enormes riscos ambientais e sanit\u00e1rios. &quot;Para obter 33 toneladas de ur\u00e2nio explor\u00e1vel como combust\u00edvel nuclear devem ser extra\u00eddas 440 mil toneladas de mineral de ur\u00e2nio. No final do processo de minera\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o, pode-se usar menos de um por cento da quantidade total extra\u00edda originalmente. Mais de 99% do material extra\u00eddo primeiro \u00e9 lixo t\u00f3xico&quot;.<\/p>\n<p>As conseq\u00fc\u00eancias sanit\u00e1rias deste exerc\u00edcio podem ser s\u00e9rias, assegurou. &quot;Como efeito colateral, a extra\u00e7\u00e3o e o processamento de ur\u00e2nio produzem rad\u00f4nio, um g\u00e1s cancer\u00edgeno&quot;. A presen\u00e7a m\u00e9dia de rad\u00f4nio em pa\u00edses da Europa ocidental, como Alemanha, \u00e9 de, aproximadamente 50 becquerels (unidade de atividade radioativa) por metro c\u00fabico de ar, explicou Herrmann. &quot;Em lugares onde h\u00e1 minas de ur\u00e2nio, a concentra\u00e7\u00e3o de rad\u00f4nio chega a cerca de tr\u00eas mil becquerels por metro c\u00fabico, indo, \u00e0s vezes, at\u00e9 a cem mil&quot;, acrescentou. Na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3, reunificada com a parte ocidental da Alemanha em 1991, onde as minas de ur\u00e2nio foram exploradas entre 1946 e 1990, mais de sete mil mineiros morreram de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o por contamina\u00e7\u00e3o com rad\u00f4nio, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 12\/06\/2006 &ndash; As reservas de ur\u00e2nio existentes no planeta s\u00e3o suficientes para garantir o fornecimento de energia nuclear durante 150 anos, assegura um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica e da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/06\/mundo\/energia-existe-uranio-para-mais-de-um-seculo-afirma-aiea-e-ocde\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4],"tags":[],"class_list":["post-1866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}