{"id":18668,"date":"2015-03-17T12:46:06","date_gmt":"2015-03-17T12:46:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130978"},"modified":"2015-03-17T12:46:06","modified_gmt":"2015-03-17T12:46:06","slug":"servicos-de-saude-em-cuba-nao-atendem-as-lesbicas-de-maneira-igual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/servicos-de-saude-em-cuba-nao-atendem-as-lesbicas-de-maneira-igual\/","title":{"rendered":"Servi\u00e7os de sa\u00fade em Cuba n\u00e3o atendem as l\u00e9sbicas de maneira igual"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130980\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/chicaCuba-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-130980\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/chicaCuba-629x420.jpg\" alt=\"Duas mulheres se abra\u00e7am durante uma jornada contra a homofobia, organizada na capital de Cuba pelo coletivo de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT). Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS\" width=\"540\" height=\"361\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Duas mulheres se abra\u00e7am durante uma jornada contra a homofobia, organizada na capital de Cuba pelo coletivo de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT). Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 17\/3\/2015 \u2013 Mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais de Cuba se somam a outras discrimina\u00e7\u00f5es que sofrem na \u00e1rea m\u00e9dica, que tornam \u00f3bvias as vulnerabilidades de sua sa\u00fade sexual e reprodutiva e as deixam invis\u00edveis nas campanhas de preven\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o nesses temas.<\/p>\n<p>Muitas costumam temer os instrumentos de diagn\u00f3stico ginecol\u00f3gico como uma agress\u00e3o especial \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o sexual, desconhecem seus riscos diante das infec\u00e7\u00f5es por transmiss\u00e3o sexual e n\u00e3o v\u00e3o ao ginecologista para se esquivar das perguntas sobre sua conduta er\u00f3tica, disseram \u00e0 IPS ativistas e especialistas da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A pedagoga Dayanis Tamayo, de 36 anos e moradora em Santiago de Cuba, a 862 quil\u00f4metros de Havana, sente distanciamento por parte dos profissionais da sa\u00fade quando sabem que sua companheira \u00e9 mulher, pois fazem coment\u00e1rios homof\u00f3bicos e lan\u00e7am olhares de reprova\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes passo despercebida porque n\u00e3o sigo os estere\u00f3tipos da l\u00e9sbica masculina, mas quando n\u00e3o \u00e9 assim sinto que me julgam\u201d, contou a pesquisadora da Universidade do Oriente.<\/p>\n<p>Estudos recentes corroboram o testemunho de Tamayo, ao alertar para preconceitos e desconhecimento pelo pessoal m\u00e9dico do pa\u00eds das particularidades da sa\u00fade sexual em mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais. O texto <em>Sa\u00fade, Mal-Estar e Direitos Sexuais das L\u00e9sbicas<\/em>, apresentado pela psiquiatra cubana Ada Alfonso durante a Jornada Cubana Contra a Homofobia de 2014, assegura que, ao ir ao m\u00e9dico, essas mulheres s\u00e3o perguntadas mais sobre aspectos relacionados com suas experi\u00eancias sexuais do que pela doen\u00e7a espec\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cSe olharmos a sa\u00fade feminina com lentes de desigualdade, a brecha entre l\u00e9sbicas e heterossexuais no uso dos servi\u00e7os da sa\u00fade cont\u00e9m subtextos lesbof\u00f3bicos que se escondem por tr\u00e1s dos discursos das car\u00eancias sociais\u201d, afirmou a especialista do Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Sexual (Cenesex). A seu ver, a press\u00e3o social sobre as n\u00e3o heterossexuais lhes causa mal-estar psicol\u00f3gico e sexual distintos, baseados na homofobia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s entrevistar mulheres de v\u00e1rias prov\u00edncias do pa\u00eds, a pesquisadora descobriu que a falta de \u00e9tica faz com que adiem exames cl\u00ednicos at\u00e9 encontrarem m\u00e9dicos recomendados ou que compartilhem da mesma orienta\u00e7\u00e3o sexual. Os exames mais rejeitados por elas s\u00e3o os ginecol\u00f3gicos devido aos instrumentos utilizados e \u00e0 agressividade de procedimentos como o toque vaginal.<\/p>\n<p>Cuba registra 925.549 consultas externas de ginecologia para uma popula\u00e7\u00e3o de 4,7 milh\u00f5es de mulheres com mais de 15 anos, segundo dados do Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas e Informa\u00e7\u00e3o. Pessoas encarregadas de servi\u00e7os para detectar o c\u00e2ncer de colo uterino disseram \u00e0 pesquisadora que as pacientes l\u00e9sbicas procuram o servi\u00e7o tardiamente, quando pouco se pode fazer.<\/p>\n<p>\u201cNo geral, pensamos que n\u00e3o fazer sexo com homens nos exime de sofrer esses transtornos, porque quando se informa sobre eles na imprensa s\u00f3 aparecem casais heterossexuais\u201d, disse \u00e0 IPS uma contadora residente no munic\u00edpio 10 de Outubro, em Havana, que preferiu n\u00e3o se identificar. Com 39 anos, esta trabalhadora estatal nunca fez exame de citologia, recomendado a mulheres maiores de 25 anos para prevenir o c\u00e2ncer de colo uterino, que em Cuba \u00e9 realizado de forma maci\u00e7a e gratuitamente a cada tr\u00eas anos. \u201cEmbora saiba de sua import\u00e2ncia, este exame \u00e9 dif\u00edcil psicologicamente para eu fazer porque me sinto muito exposta, agredida e no meu caso n\u00e3o me agrada a penetra\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Cada habitante de Cuba \u00e9 atendido em um consult\u00f3rio m\u00e9dico de fam\u00edlia que se encarrega de avisar as mulheres no per\u00edodo em que devem fazer esse exame. No entanto, muitas o adiam. Em 2013, foram 765.822 cubanas de 25 anos ou mais que fizeram o exame de citologia, o que representa 195,8 mulheres para cada mil, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Anu\u00e1rio Estat\u00edstico de Sa\u00fade de Cuba.<\/p>\n<p>O sistema de sa\u00fade cubano \u00e9 completamente gratuito e cobre todo tipo de aten\u00e7\u00e3o sem discrimina\u00e7\u00f5es institucionais, mas os preconceitos em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o heterossexuais continuam acontecendo. \u201cO pessoal da sa\u00fade \u00e9 parte da sociedade e a sociedade rejeita as l\u00e9sbicas\u201d, afirmou \u00e0 IPS o m\u00e9dico Jos\u00e9 E. Mart\u00ednez Gonz\u00e1lez. Para este m\u00e9dico da prov\u00edncia de Granma, a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 muito biologicista e pouco inclui determinantes psicossociais da sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cSe uma l\u00e9sbica vai ao ginecologista, \u00e9 prov\u00e1vel que o especialista entenda que seus riscos s\u00e3o menores por n\u00e3o ter penetra\u00e7\u00e3o, porque lhe ensinaram isso\u201d, acrescentou Gonz\u00e1lez. A epidemiologista e higienista Yenis Milan\u00e9s reclamou que \u201ca sexualidade nem mesmo conta com uma cadeira obrigat\u00f3ria no curso de medicina\u201d.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de riscos tende a ser escassa entre as mulheres que amam outras e existem poucos h\u00e1bitos de prote\u00e7\u00e3o durante o coito l\u00e9sbico, afirmaram os dois especialistas. Eles participaram de um estudo com 30 mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais de Granma, em 2013, e descobriram que elas negavam ser propensas a adquirir uma DST (doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel).<\/p>\n<p>Outra pesquisa, de 2014, realizada por Mart\u00ednez e Milan\u00e9s, confirma que os programas de sa\u00fade de Cuba geralmente excluem os riscos espec\u00edficos das l\u00e9sbicas perante as DST e o v\u00edrus HIV, causador da aids. Elas recebem menos informa\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es transmitidas sexualmente do que outros grupos de popula\u00e7\u00e3o e contam com menos espa\u00e7os institucionais amig\u00e1veis para a socializa\u00e7\u00e3o e o debate de seus problemas, afirmam os autores do informe ao qual a IPS teve acesso.<\/p>\n<p>A pesquisa desmente o mito de que sexo l\u00e9sbico n\u00e3o tem perigos de cont\u00e1gio, embora sejam muito menores do que em outras condutas er\u00f3ticas. Dependendo das pr\u00e1ticas sexuais mantidas por duas mulheres, o contato desprotegido com as secre\u00e7\u00f5es vaginais e o sangue menstrual da outra pode contagiar com HIV, v\u00edrus da herpes simples, vaginose bacteriana, gonorr\u00e9ia, s\u00edfilis, parasitas vaginais, entre outros problemas.<\/p>\n<p>As mulheres foram 18,5% dos 2.156 novos casos de HIV detectados em Cuba em 2013, que elevaram para mais de 16.400 o n\u00famero de pessoas com o v\u00edrus, segundo o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>Formar profissionais da sa\u00fade sens\u00edveis \u00e0 sexualidades diversas \u00e9 uma cobran\u00e7a de grupos de mulheres l\u00e9sbicas apoiados pelo Cenesex nas prov\u00edncias de Camag\u00fcey, Ciego de \u00c1vila, Cienfuegos, Granma, Havana, Santiago de Cuba, Trinidad e Villa Clara. A partir do ativismo comunit\u00e1rio, esses coletivos promovem seu direito a uma sa\u00fade sexual prazerosa e respons\u00e1vel que inclua tratamento igualit\u00e1rio nos servi\u00e7os m\u00e9dicos e acesso \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o assistida. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 17\/3\/2015 &ndash; Mulheres l&eacute;sbicas e bissexuais de Cuba se somam a outras discrimina&ccedil;&otilde;es que sofrem na &aacute;rea m&eacute;dica, que tornam &oacute;bvias as vulnerabilidades de sua sa&uacute;de sexual e reprodutiva e as deixam invis&iacute;veis nas campanhas de preven&ccedil;&atilde;o e aten&ccedil;&atilde;o nesses temas. 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