{"id":18670,"date":"2015-03-17T12:42:06","date_gmt":"2015-03-17T12:42:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=130973"},"modified":"2015-03-17T12:42:06","modified_gmt":"2015-03-17T12:42:06","slug":"tres-males-que-afetam-milhoes-de-refugiados-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/tres-males-que-afetam-milhoes-de-refugiados-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas males que afetam milh\u00f5es de refugiados no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_130975\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/ashfaq_hunger-629x429.jpg\"><img class=\"wp-image-130975\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/ashfaq_hunger-629x429.jpg\" alt=\"Refugiados retiram sua parte mensal de ajuda alimentar no norte do Paquist\u00e3o. Foto Ashfaq Yusufzai\/IPS\" width=\"540\" height=\"368\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados retiram sua parte mensal de ajuda alimentar no norte do Paquist\u00e3o. Foto Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 17\/3\/2015 \u2013 Um m\u00e9dico move a cabe\u00e7a em sinal de frustra\u00e7\u00e3o enquanto examina um menino de dez anos no campo de refugiados de Jalozai, a 35 quil\u00f4metros de Peshawar, capital da prov\u00edncia paquistanesa de Jyber Pajtunjwa (JP). O m\u00e9dico n\u00e3o pode fazer muito mais do que diagnosticar.<\/p>\n<p>Neste campo de JP sobram os refugiados e escasseia a comida. At\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o mude, crian\u00e7as como o pequeno Ahmed Ali continuar\u00e3o sentindo as dores da fome e o medo diante de doen\u00e7as que a debilidade de seu corpo n\u00e3o pode combater.<\/p>\n<p>Ali chegou a Jalozai com sua fam\u00edlia em 2014, quando houve a opera\u00e7\u00e3o Jiber-1, uma ofensiva militar dirigida pelo governo em sua natal JP, parte das \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata). A viol\u00eancia obrigou milhares de pessoas a fugirem para salvar suas vidas neste pa\u00eds de aproximadamente 196 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Junto com seus pais e irm\u00e3os, Ali pertence aos tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados internos no norte do Paquist\u00e3o, for\u00e7ados a abandonar suas cidades e povoados ao longo de uma d\u00e9cada, primeiro por causa dos grupos armados extremistas que operam neste remoto cintur\u00e3o tribal que limita a fronteira com o Afeganist\u00e3o e, mais recentemente, pelas for\u00e7as armadas paquistanesas, que realizam uma forte campanha contra os grupos radicais da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Uma das ofensivas, a Opera\u00e7\u00e3o Zarb-e-Azab, come\u00e7ou em junho. Os militares concentraram seus ataques nos 11.585 quil\u00f4metros quadrados da ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Norte, onde os extremistas operavam com impunidade desde que ingressaram procedentes do Afeganist\u00e3o em 2001. Lan\u00e7ada em resposta a um letal atentado terrorista, em junho de 2014, contra o aeroporto internacional de Karachi, que matou 36 pessoas, a opera\u00e7\u00e3o afetou em grande parte a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Calcula-se que 900 mil pessoas foram deslocadas em 2014 e que quase todas se refugiaram em Bannu, uma cidade da prov\u00edncia de JP onde foram erguidas \u201ccidades de barracas de campanha\u201d para abrigar cerca de 90 mil fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Cada nova onda de refugiados p\u00f5e mais press\u00e3o no governo de JP para alimentar, cuidar da sa\u00fade e alojar milhares de cidad\u00e3os, enquanto simultaneamente deve atender cerca de 2,1 milh\u00f5es de refugiados \u201cpermanentes\u201d que fugiram das Fata desde que o movimento isl\u00e2mico Talib\u00e3 e outros grupos extremistas instalaram sua base de opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o em 2001.<\/p>\n<p>O porta-voz da Autoridade Provincial de Gest\u00e3o de Desastres, Adil Khan, garante que cada fam\u00edlia recebe uma cota mensal de 90 quilos de trigo, um quilo de folhas de ch\u00e1, cinco de a\u00e7\u00facar, dois de arroz e dois litros de \u00f3leo para aliviar a fome extrema. Mas a maioria das pessoas ouvidas pela IPS, em diferentes acampamentos da prov\u00edncia, assegurou que isso n\u00e3o basta para as fam\u00edlias formadas, em m\u00e9dia, por um m\u00ednimo de dez pessoas.<\/p>\n<p>Em Bannu, por exemplo, ainda h\u00e1 454 mil refugiados, apesar dos esfor\u00e7os para reassentar as fam\u00edlias ou reuni-las com parentes na regi\u00e3o. Segundo o diretor-geral de sa\u00fade p\u00fablica de JP, Pervez Kamal, mais de 15% dos refugiados estavam desnutridos em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>\u201cOs alimentos que recebemos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para alimentar minha fam\u00edlia de dez pessoas\u201d, afirmou Darwaish Gul, natural da ag\u00eancia de Bajuar e atual residente em um acampamento em Bannu. \u201cEm casa \u00e9ramos agricultores, cultiv\u00e1vamos nossos pr\u00f3prios alimentos. Sempre tivemos gr\u00e3os, verduras e frutas suficientes. Agora temos pouca comida durante o dia e sempre vamos dormir com fome\u201d, contou este refugiado de 60 anos.<\/p>\n<p>O governo desmente essas afirma\u00e7\u00f5es e insiste que sua ajuda de emerg\u00eancia e as ra\u00e7\u00f5es de alimentos s\u00e3o suficientes para alimentar todos nos campos. Mas um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, divulgado em julho de 2014, afirma que 31% dos refugiados n\u00e3o receberam provis\u00f5es de emerg\u00eancia nem produtos aliment\u00edcios, j\u00e1 que n\u00e3o t\u00eam de cart\u00f5es nacionais de identidade eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<div id=\"attachment_130976\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/ANJ0348.jpg\"><img class=\"wp-image-130976\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/ANJ0348.jpg\" alt=\"Refugiados fazem fila para receber suas ra\u00e7\u00f5es em um campo que os abriga na prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa. Foto Ashfaq Yusufzai\/IPS\" width=\"540\" height=\"399\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados fazem fila para receber suas ra\u00e7\u00f5es em um campo que os abriga na prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa. Foto Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente entre os refugiados oriundos do Wazirist\u00e3o do Norte, mais de 15% n\u00e3o estavam habilitados a receber a ajuda. Essa porcentagem inclui fam\u00edlias sem homens (7%), outras encabe\u00e7adas por meninos ou meninas (4%) e as lideradas por pessoas com defici\u00eancia ou idade avan\u00e7ada (5%).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agrava porque muitos dos refugiados caminharam v\u00e1rios quil\u00f4metros em um calor de 45 graus Celsius para chegar a Bannu. Dezenas de pessoas ficaram pelo caminho, e os que puderam chegar a salvo estavam gravemente desnutridos ou debilitados pela viagem. Milhares ainda n\u00e3o se recuperaram totalmente da terr\u00edvel experi\u00eancia. T\u00eam necessidade de aten\u00e7\u00e3o especializada, mas s\u00f3 existem os servi\u00e7os mais b\u00e1sicos para atender suas m\u00faltiplas necessidades.<\/p>\n<p>Iqbal Afridi, representante nas Fata do Pakistan Tehreek-e-Insaf, um partido pol\u00edtico de oposi\u00e7\u00e3o, adverte que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cextremamente prec\u00e1ria\u201d, com dezenas de fam\u00edlias passando fome ou a ponto de passar por essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Afridi dirige uma associa\u00e7\u00e3o de pessoas afetadas e em novembro liderou o protesto de um grupo de refugiados que se mobilizou de Bara, munic\u00edpio da ag\u00eancia de Jiber, at\u00e9 o Clube da Imprensa de Peshawar, para reclamar da falta de suprimentos m\u00e9dicos, insufici\u00eancia das ra\u00e7\u00f5es de alimentos e p\u00e9ssimas instala\u00e7\u00f5es de \u00e1gua e saneamento, que facilitaram a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Muitos s\u00f3 querem que o governo acelere sua sa\u00edda dos acampamentos para poderem voltar para suas casas. Quase todas as semanas, grupos de refugiados protestam em Peshawar, em marchas ou plant\u00f5es, denunciando a escassez dos recursos destinados para sua sobreviv\u00eancia b\u00e1sica.<\/p>\n<p>\u201cExigimos a pronta repatria\u00e7\u00e3o aos nossos lares ancestrais j\u00e1 que nossas vidas ficaram perdidas\u201d, ressaltou Shah Faisal, um refugiado da ag\u00eancia Jiber que vive em um acampamento em JP. \u201cSa\u00edmos de nossa casa pelo bem da paz, mas a paz continua nos evitando\u201d, acrescentou. \u201cEm casa t\u00ednhamos terra para plantar que produzia comida suficiente para n\u00f3s. Vend\u00edamos o gr\u00e3o e as verduras excedentes para ter uma renda, mas agora estamos nos convertendo em mendigos\u201d, queixou-se. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 17\/3\/2015 &ndash; Um m&eacute;dico move a cabe&ccedil;a em sinal de frustra&ccedil;&atilde;o enquanto examina um menino de dez anos no campo de refugiados de Jalozai, a 35 quil&ocirc;metros de Peshawar, capital da prov&iacute;ncia paquistanesa de Jyber Pajtunjwa (JP). O m&eacute;dico n&atilde;o pode fazer muito mais do que diagnosticar. 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