{"id":18672,"date":"2015-03-18T12:25:37","date_gmt":"2015-03-18T12:25:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131046"},"modified":"2015-03-18T12:25:37","modified_gmt":"2015-03-18T12:25:37","slug":"o-carvao-queima-o-futuro-da-australia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/o-carvao-queima-o-futuro-da-australia\/","title":{"rendered":"O carv\u00e3o queima o futuro da Austr\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131048\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/carvao.jpg\"><img class=\"wp-image-131048\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/carvao.jpg\" alt=\"A produ\u00e7\u00e3o mundial de carv\u00e3o e a energia extra\u00edda do mesmo representam 44% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono por ano. Foto: Bigstock\" width=\"540\" height=\"361\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A produ\u00e7\u00e3o mundial de carv\u00e3o e a energia extra\u00edda do mesmo representam 44% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono por ano. Foto: Bigstock<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sidney, Austr\u00e1lia, 18\/3\/2015 \u2013 Enquanto se aproxima a decisiva confer\u00eancia clim\u00e1tica agendada para dezembro em Paris, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil pressionam os governos para que cumpram os compromissos assumidos por seus pa\u00edses e reduzam as emiss\u00f5es de carbono a fim de frear o aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas comerciais, ambientais e de investimento dos pa\u00edses industrializados est\u00e3o sob lupa, j\u00e1 que as emiss\u00f5es de gases-estufa por habitante de Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e Estados Unidos superam, em cada um, as 20 toneladas anuais de di\u00f3xido de carbono (CO2), o dobro das emitidas pela China por habitante.<\/p>\n<p>Mas, apesar dos temores de que um aumento da temperatura mundial superior a dois graus Celsius possa levar a uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica catastr\u00f3fica, os governos continuam aplicando uma estrat\u00e9gia de \u201caqui nada acontece\u201d e investem milh\u00f5es de d\u00f3lares em ind\u00fastrias \u201csujas\u201d e empresas insustent\u00e1veis que esquentam o planeta.<\/p>\n<p>Entre 30 de novembro e 11 dezembro deste ano acontecer\u00e1 na capital da Fran\u00e7a a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, na qual dever\u00e1 ser acordado um novo tratado universal e vinculante sobre o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Na Austr\u00e1lia, a minera\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o e a sua combust\u00e3o para gerar eletricidade, por exemplo, se transformaram em temas extremamente decisivos. Os pol\u00edticos defendem a ind\u00fastria como resposta \u00e0 pobreza e ao desemprego, enquanto os cientistas e os cidad\u00e3os preocupados lutam por alternativas energ\u00e9ticas menos prejudiciais ao ambiente.<\/p>\n<p>Outros denunciam as consequ\u00eancias negativas dessas ind\u00fastrias para a sa\u00fade, bem como o custo gerado pela energia suja para as economias locais e estatais. Em n\u00edvel mundial, a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e a energia extra\u00edda do mesmo representam 44% das emiss\u00f5es de CO2 ao ano, segundo o independente Centro por Solu\u00e7\u00f5es do Clima e da Energia, com sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia que a Austr\u00e1lia tem do carv\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de eletricidade explica seu p\u00e9ssimo hist\u00f3rico na redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases-estufa. A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) informou, em 2014, que este pa\u00eds emitiu em 2010 o equivalente a 25 toneladas de carbono por pessoa, mais do que os outros membros da organiza\u00e7\u00e3o, integrada por 34 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Estudos realizados este ano indicam que os custos sanit\u00e1rios associados \u00e0s cinco centrais el\u00e9tricas a carv\u00e3o localizadas em Hunter Valley, no Estado de Nova Gales do Sul, 120 quil\u00f4metros ao norte de Sidney, chegam a US$ 456 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Um informe publicado em fevereiro pela Alian\u00e7a pelo Clima e a Sa\u00fade (Caha), integrada por 28 organiza\u00e7\u00f5es australianas, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que os \u201ccustos estimados dos danos \u00e0 sa\u00fade associados \u00e0 combust\u00e3o de carv\u00e3o para eletricidade no conjunto da Austr\u00e1lia chegam a US$ 1,97 bilh\u00e3o ao ano\u201d.<\/p>\n<p>A coordenadora da Caha, Fiona Armstrong, disse \u00e0 IPS que a alian\u00e7a busca chamar a aten\u00e7\u00e3o para a forte depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis da pol\u00edtica sanit\u00e1ria e energ\u00e9tica da Austr\u00e1lia. \u201cSem mudar nossas op\u00e7\u00f5es de energia, n\u00e3o poderemos atuar de maneira eficaz sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Armstrong afirmou que a regi\u00e3o de Hunter Valley, um dos maiores vales fluviais da costa de Nova Gales do Sul, \u00e9 uma das regi\u00f5es com maior atividade mineira do pa\u00eds. \u201cResponde por dois ter\u00e7os das emiss\u00f5es\u201d de carbono, acrescentou. \u201cAssim \u00e9 um bom exemplo para ver quais s\u00e3o os impactos sobre as pessoas e qual \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o dessa comunidade em n\u00edvel mundial\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Hunter Valley produziu 145 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o em 2013. Como cada tonelada desse mineral emite 2,4 toneladas de di\u00f3xido de carbono, os especialistas dizem que a produ\u00e7\u00e3o mineral de Hunter Valley esse ano gerou o equivalente a 348 milh\u00f5es de toneladas de CO2.<\/p>\n<p>O Conselho de Minerais de Nova Gales do Sul informou que a minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Hunter Valley emprega 11 mil oper\u00e1rios, proporciona US$ 1,135 bilh\u00e3o em sal\u00e1rios e US$ 3,33 bilh\u00f5es \u00e0 comunidade mediante gastos diretos em bens e servi\u00e7os. Mas essas riquezas t\u00eam um pre\u00e7o alto. Hunter Valley \u00e9 conhecido por seus vinhedos, cria\u00e7\u00f5es de cavalos e suas fazendas, para os quais a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>John Lamb, ativista contra a minera\u00e7\u00e3o e presidente da Associa\u00e7\u00e3o do Progresso de Bulga Milbrodale, se referiu ao problema em uma reuni\u00e3o da comunidade do sub\u00farbio de Glebe, pr\u00f3ximo a Sidney, em fevereiro. O p\u00f3 das minas de carv\u00e3o cobre os telhados das casas e se infiltra nos tanques de \u00e1gua de chuva, contaminando o fornecimento h\u00eddrico da comunidade, pontuou, acrescentando que o barulho constante das minas tamb\u00e9m \u00e9 um problema.<\/p>\n<p>Lamb destacou o impacto que a minera\u00e7\u00e3o tem sobre o valor da terra. Por exemplo, o povoado de Camberwell, em Hunter Valley, est\u00e1 rodeado por minas e s\u00f3 possui quatro casas de propriedade privada. O restante est\u00e1 ocupado por mineradores ou abandonado. A Yancoal, empresa propriet\u00e1ria da mina de Ashton, 14 quil\u00f4metros a noroeste da cidade de Singleton, em Hunter Valley, \u00e9 dona de 87% das moradias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Wendy Bowman, uma das \u00faltimas habitantes de Camberwell, que pratica a agricultura na regi\u00e3o desde 1957, a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. Ela vive em uma fazenda em Rosedale, entre as localidades de Muswellbrook e Singleton, e se nega a partir. Deixou seu estabelecimento anterior quando o p\u00f3 e a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua causada pela mina a c\u00e9u aberto de Ravensworth South se tornaram insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p>A agricultora afirma em um v\u00eddeo que perdeu 20% de sua capacidade pulmonar devido ao p\u00f3 das minas. Mas o que mais a preocupa \u00e9 a sa\u00fade das meninas e dos meninos da regi\u00e3o e as consequ\u00eancias para o Departamento de Sa\u00fade dentro de 20 ou 30 anos.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a minera\u00e7\u00e3o e a queima de carv\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o de eletricidade se associam com altas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de enxofre e \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, os quais reagem para formar part\u00edculas secund\u00e1rias na atmosfera. Contaminantes complexos como este s\u00e3o conhecidos por aumentarem o risco de transtornos respirat\u00f3rios cr\u00f4nicos e de doen\u00e7as como c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, e gerarem riscos adicionais \u00e0s crian\u00e7as e mulheres gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Segundo a Caha, a maior parte das pesquisas m\u00e9dicas sobre a contamina\u00e7\u00e3o relacionada com o carv\u00e3o se concentra nas part\u00edculas finas que medem entre 2,5 e dez micr\u00f4metros de di\u00e2metro, que s\u00e3o particularmente prejudiciais \u00e0 sa\u00fade. A organiza\u00e7\u00e3o adverte que as emiss\u00f5es de part\u00edculas de dez micr\u00f4metros aumentaram 20% entre 1992 e 2008 na \u00e1rea metropolitana de Sidney, o que \u00e9 atribu\u00eddo ao aumento da minera\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o em Hunter Valley. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sidney, Austr&aacute;lia, 18\/3\/2015 &ndash; Enquanto se aproxima a decisiva confer&ecirc;ncia clim&aacute;tica agendada para dezembro em Paris, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil pressionam os governos para que cumpram os compromissos assumidos por seus pa&iacute;ses e reduzam as emiss&otilde;es de carbono a fim de frear o aquecimento do planeta. 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