{"id":18674,"date":"2015-03-18T12:24:01","date_gmt":"2015-03-18T12:24:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131055"},"modified":"2015-03-18T12:24:01","modified_gmt":"2015-03-18T12:24:01","slug":"protestos-agravam-incertezas-no-brasil-das-crises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/protestos-agravam-incertezas-no-brasil-das-crises\/","title":{"rendered":"Protestos agravam incertezas no Brasil das crises"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131057\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/PP_-Protestos_0044-850x566-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-131057\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/PP_-Protestos_0044-850x566-629x419.jpg\" alt=\"Uma multid\u00e3o, calculada em 210 mil pessoas pelo Instituto Datafolha e em um milh\u00e3o pela pol\u00edcia, participou em S\u00e3o Paulo dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff e a corrup\u00e7\u00e3o, no dia 15, quando foram realizadas manifesta\u00e7\u00f5es semelhantes em todos os Estados do Brasil. Foto: Fotos P\u00fablicas\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma multid\u00e3o, calculada em 210 mil pessoas pelo Instituto Datafolha e em um milh\u00e3o pela pol\u00edcia, participou em S\u00e3o Paulo dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff e a corrup\u00e7\u00e3o, no dia 15, quando foram realizadas manifesta\u00e7\u00f5es semelhantes em todos os Estados do Brasil. Foto: Fotos P\u00fablicas<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 18\/3\/2015 \u2013 O Brasil incorporou as manifesta\u00e7\u00f5es de rua como um dado novo em suas variadas crises, cuja sinergia dificulta uma resposta do governo manietado pela necessidade de um ajuste fiscal, que por sua vez avivaria os protestos. Centenas de milhares de pessoas, segundo estimativas comedidas, ou dois milh\u00f5es, segundo a pol\u00edcia, protestaram, no dia 15, em Bras\u00edlia e nas 26 capitais do pa\u00eds, contra a presidente Dilma Rousseff, o PT e a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois dias antes, centrais sindicais e movimentos sociais reuniram 170 mil manifestantes, segundo os organizadores, e apenas 26 mil, segundo a pol\u00edcia, em defesa do governo, mas contra suas medidas de austeridade fiscal que afetam direitos trabalhistas. Isto \u00e9, um apoio com restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cMuito preocupado\u201d, se mostrou \u00e0 IPS o cientista pol\u00edtico Fernando Lattman-Weltman, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, diante das incertas evolu\u00e7\u00f5es que a crise poder\u00e1 ter, apesar do car\u00e1ter pac\u00edfico, sem atos de viol\u00eancia, das manifesta\u00e7\u00f5es. \u201cO clima tenso e perigoso vai se prolongar\u201d, previu. \u00c9 dif\u00edcil que o movimento tenha incentivo para repetir mobiliza\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas indefinidamente, sem risco de degenerar em viol\u00eancia, e depois \u201cse dissipar como ocorreu com as marchas de junho de 2013\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia seria de radicaliza\u00e7\u00e3o, diante da dificuldade de resultados imediatos para grupos que gritam \u201cfora Dilma e PT\u201d e que \u201co governo Dilma acabou\u201d, indicando que para eles \u00e9 intoler\u00e1vel esperar at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de outubro de 2018. O perigo tem ra\u00edzes tamb\u00e9m do outro lado, com \u201cum governo sem voca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, apenas gerencial, em dificuldades para reconstruir um sistema de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com o Congresso e um PT fragmentado pelas disputas internas\u201d, destacou Lattman-Weltman.<\/p>\n<p>Segundo esse especialista, \u201co governo tamb\u00e9m carece de iniciativa para propor e controlar a agenda pol\u00edtica nacional, que poderia destacar a reforma pol\u00edtica e temas interessantes como a reforma tribut\u00e1ria, para mudar o rumo da situa\u00e7\u00e3o\u201d. Tudo ocorre tendo como cen\u00e1rio \u201cuma m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, de infla\u00e7\u00e3o e desemprego em alta e uma conjuntura internacional desfavor\u00e1vel, que corr\u00f3i o apoio popular e reduz o poder de resposta do governo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A isso se soma a crise h\u00eddrica na regi\u00e3o Sudeste, a mais rica do pa\u00eds, e a do pobre Nordeste, fato que reduz a capacidade hidrel\u00e9trica pela diminui\u00e7\u00e3o de suas represas, com risco de racionamento energ\u00e9tico nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Os protestos opositores foram organizados pelo Movimento Brasil Livre, que pede o impeachment de Dilma, pelo Vem Pra Rua, que n\u00e3o pede a sa\u00edda da presidente, e outro pequeno grupo favor\u00e1vel a uma interven\u00e7\u00e3o militar e uma ditadura para frear a corrup\u00e7\u00e3o. Experi\u00eancias semelhantes do passado recente em pouco ajudam a an\u00e1lise do quadro pol\u00edtico atual, in\u00e9dito, em que Dilma enfrenta um protesto em massa quando se completam 74 dias do seu segundo mandato, ap\u00f3s ser reeleita em outubro.<\/p>\n<p>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) tamb\u00e9m come\u00e7ou seu segundo mandato debilitado pelo chamado \u201cestelionato\u201d, ao promover uma \u201cmaxidesvaloriza\u00e7\u00e3o\u201d cambi\u00e1ria em janeiro de 1999, depois de garantir durante a campanha eleitoral que manteria est\u00e1vel o valor do real. \u201cPor\u00e9m, ningu\u00e9m prop\u00f4s seu impeachment, apenas uns poucos gritavam \u2018fora FHC\u2019 e n\u00e3o houve investiga\u00e7\u00e3o sobre os rumores de corrup\u00e7\u00e3o na aprova\u00e7\u00e3o parlamentar da reelei\u00e7\u00e3o imediata\u201d, recordou Lattman-Weltman.<\/p>\n<p>Durante o primeiro mandato de FHC foi aprovada uma emenda constitucional que facultou a ent\u00e3o proibida reelei\u00e7\u00e3o imediata de chefes de poderes executivos. Ele e seus dois sucessores at\u00e9 agora foram reeleitos.<\/p>\n<p>O Fora Dilma e PT pedido agora nas ruas acontece no come\u00e7o de um mandato de quatro anos conquistado nas urnas. O ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) tamb\u00e9m enfrentou um esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que envolveu importantes ministros de seu governo e dirigentes do PT, partido que fundou em 1980 e que levou ao poder, acusados de comprar votos parlamentares, subornados com pagamentos mensais.<\/p>\n<p>Mas o \u201cmensal\u00e3o\u201d estourou em agosto de 2005 e a proximidade das elei\u00e7\u00f5es estimulou a oposi\u00e7\u00e3o a mant\u00ea-lo \u201csangrando\u201d para destruir sua for\u00e7a eleitoral. N\u00e3o deu resultado. Lula, popular por suas pol\u00edticas sociais, superou o esc\u00e2ndalo, ganhou um segundo mandato e fez Dilma sua sucessora.<\/p>\n<p>Restam ao movimento anti-Dilma possibilidades limitadas a \u201cduas hip\u00f3teses improv\u00e1veis, que s\u00e3o a ren\u00fancia da presidente e um golpe de for\u00e7a\u201d, e uma \u201cmobiliza\u00e7\u00e3o tamanha que pressione o parlamento a iniciar um processo de impeachment\u201d, afirmou Lattman-Weltman.<\/p>\n<p>No regime presidencialista como o brasileiro, a destitui\u00e7\u00e3o legal do chefe de Estado \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, no Brasil a cargo do Senado, que exige condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas \u2013 isto \u00e9, um delito concreto \u2013, pol\u00edticas e sociais, com a mobiliza\u00e7\u00e3o de partidos e da popula\u00e7\u00e3o, explicou \u00e0 IPS o consultor pol\u00edtico Andr\u00e9 Pereira.<\/p>\n<p>O \u00fanico caso conhecido e de sucesso de destitui\u00e7\u00e3o no Brasil foi do presidente Fernando Collor, inabilitado por corrup\u00e7\u00e3o em 1992, dois anos depois de iniciar seu mandato, ap\u00f3s praticar o mais estrepitoso \u201cestelionato eleitoral\u201d. Confiscou todas as contas de poupan\u00e7a em seu primeiro dia de governo, uma medida que durante a campanha eleitoral de 1989 insistia que n\u00e3o seria adotada e que, ao contr\u00e1rio, isso seria feito por seu advers\u00e1rio, Lula, caso ganhasse.<\/p>\n<p>Para o Movimento de Combate \u00e0 Corrup\u00e7\u00e3o Eleitoral (MCCE), as manifesta\u00e7\u00f5es contra e a favor do governo t\u00eam algo em comum e \u201cpositivo\u201d. \u201c\u00c9 a sociedade que se mobiliza, j\u00e1 cansada da corrup\u00e7\u00e3o, principalmente no campo pol\u00edtico\u201d, segundo Osiris Barboza de Almeida, coordenador do Comit\u00ea Rio da Ficha Limpa.<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo da Petrobras, que tem 53 pol\u00edticos sob investiga\u00e7\u00e3o policial por ind\u00edcios de subornos de construtoras e outras empresas que prestam servi\u00e7os \u00e0 estatal, impulsionou os protestos contra Dilma, junto com \u201cas mentiras\u201d de sua campanha eleitoral, quando negou o ajuste fiscal que acabou por adotar agora.<\/p>\n<p>\u201cO centro da corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o governo, mas a pol\u00edtica em geral e o pilar de tudo \u00e9 o financiamento privado das campanhas eleitorais\u201d, afirmou Almeida, membro do MCCE, \u00e0 IPS. Por isso, o movimento leva adiante um projeto de lei para modificar as regras eleitorais do pa\u00eds, que s\u00e3o \u201ccausas da corrup\u00e7\u00e3o\u201d e encarecem muito as campanhas, tirando a representa\u00e7\u00e3o parlamentar das minorias pobres. A proposta de iniciativa popular exige a assinatura de 1,42 milh\u00f5es de eleitores, o equivalente a 1% do total.<\/p>\n<p>\u201cA conjuntura, com a sociedade indignada pela corrup\u00e7\u00e3o, favorece a reforma pol\u00edtica. Em situa\u00e7\u00f5es menos favor\u00e1veis, anos atr\u00e1s, conseguimos a aprova\u00e7\u00e3o parlamentar de duas iniciativas populares, uma lei que penaliza a compra de votos e a \u2018ficha limpa\u2019 dos candidatos\u201d, que inabilita os condenados pela justi\u00e7a, destacou Almeida.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal praticamente j\u00e1 aprovou a proibi\u00e7\u00e3o financiamento de candidatos por empresas. Seis dos 11 magistrados apoiaram, em abril de 2014, a a\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nesse sentido, mas um juiz pediu tempo para decidir e, embora o prazo para isso seja de 30 dias, isso paralisou a decis\u00e3o desde ent\u00e3o. Pessoas jur\u00eddicas n\u00e3o t\u00eam direitos pol\u00edticos, por isso n\u00e3o podem fazer doa\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m desequilibram a disputa eleitoral, argumenta a OAB. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 18\/3\/2015 &ndash; O Brasil incorporou as manifesta&ccedil;&otilde;es de rua como um dado novo em suas variadas crises, cuja sinergia dificulta uma resposta do governo manietado pela necessidade de um ajuste fiscal, que por sua vez avivaria os protestos. 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