{"id":18676,"date":"2015-03-18T12:22:40","date_gmt":"2015-03-18T12:22:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131050"},"modified":"2015-03-18T12:22:40","modified_gmt":"2015-03-18T12:22:40","slug":"a-guerra-extinguiu-83-das-luzes-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/a-guerra-extinguiu-83-das-luzes-na-siria\/","title":{"rendered":"A guerra extinguiu 83% das luzes na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131052\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Syria_small-629x472-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-131052\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Syria_small-629x472-629x472.jpg\" alt=\"Uma imagem via sat\u00e9lite da S\u00edria em fevereiro e mar\u00e7o de 2015. Foto: Xi Li\/Universidade de Wuhan\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma imagem via sat\u00e9lite da S\u00edria em fevereiro e mar\u00e7o de 2015. Foto: Xi Li\/Universidade de Wuhan<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas. 18\/3\/2015 \u2013 Uma s\u00e9rie de imagens da S\u00edria, obtidas via sat\u00e9lite, e divulgadas no dia 12, mostra que quase 83% das luzes desse pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio se apagaram desde que come\u00e7ou a guerra civil h\u00e1 quatro anos. O prov\u00e9rbio \u201cuma imagem vale mais do que mil palavras\u201d parece se confirmar na s\u00e9rie apresentada pela Com a S\u00edria, uma alian\u00e7a de 130 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n<p>A pesquisa feita pelo acad\u00eamico Xi Li, da Universidade de Wuhan, na China, capta como a devasta\u00e7\u00e3o da guerra extinguiu a ilumina\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio s\u00edrio entre mar\u00e7o de 2011 e fevereiro de 2015. \u201cAnalisei outros pa\u00edses, mas a S\u00edria \u00e9 o pior dos casos que vi de luzes noturnas apagadas dessa maneira. \u00c9 muito semelhante \u00e0s figuras do genoc\u00eddio de Ruanda, s\u00e3o os dois pa\u00edses mais impactados e com maior sofrimento que j\u00e1 vi\u201d, afirmou Li \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros variam em todo o pa\u00eds. Em Damasco, apenas 33% das luzes se extinguiram, enquanto nas cidades arrasadas pela guerra, como Alepo, Idlib e Al-Raqqa, a porcentagem chega a 97%. No dia 15, se completaram quatro anos do in\u00edcio do conflito armado, sem que se veja uma sa\u00edda para a sua martirizada popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A assombrosa falta de luz se deve ao deslocamento da popula\u00e7\u00e3o dos povoados para a cidade, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios e suas luzes, e \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento de energia, explicou Li. \u201cA eletricidade \u00e9 uma das necessidades b\u00e1sicas das pessoas, mas os fornecimentos b\u00e1sicos est\u00e3o interrompidos\u201d. A maioria das pessoas vive ali na escurid\u00e3o, destacou.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o e a falta de eletricidade n\u00e3o \u00e9 algo novo para o doutor Zaher Sahloul, presidente da Sociedade M\u00e9dica S\u00edrio-Norte-Americana (Sams). Ele mesmo, s\u00edrio e com fam\u00edlia em seu pa\u00eds, atende na S\u00edria por meio de sua organiza\u00e7\u00e3o. A Sams tamb\u00e9m oferece diesel para os geradores de energia em lugares sem fornecimento est\u00e1vel. Sahloul disse que a falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e9 um dos maiores problemas da popula\u00e7\u00e3o e dos grupos de ajuda. Zonas como Ghouta, perto de Damasco, est\u00e3o sem luz h\u00e1 mais de 860 dias.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas das car\u00eancias s\u00e3o intencionais, provocadas pelos grupos combatentes. Quando cercam uma \u00e1rea ou come\u00e7am um ass\u00e9dio, cortam a energia. Algumas das zonas controladas pelo governo t\u00eam eletricidade algumas horas do dia, geralmente depois da meia-noite, devido ao racionamento\u201d, contou o m\u00e9dico \u00e0 IPS. \u201cMas Alepo e Ghouta dependem totalmente dos geradores e do diesel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div id=\"attachment_131053\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Syria_201103.jpg\"><img class=\"wp-image-131053\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Syria_201103.jpg\" alt=\"Uma imagem via sat\u00e9lite da S\u00edria em mar\u00e7o de 2011. Foto: Xi Li\/Universidade de Wuhan\" width=\"540\" height=\"404\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma imagem via sat\u00e9lite da S\u00edria em mar\u00e7o de 2011. Foto: Xi Li\/Universidade de Wuhan<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Sams proporciona fundos para compra de diesel, mas este \u00e9 escasso e custa at\u00e9 US$ 2,60 o litro, \u201co mais caro do mundo\u201d, destacou Sahloul. \u201cAs pessoas funcionam como na Idade M\u00e9dia. A tecnologia moderna, que damos como certa, n\u00e3o pode ser usada. Mesmo os afortunados com geradores t\u00eam que us\u00e1-los de forma racionada. Muitas fun\u00e7\u00f5es est\u00e3o paralisadas nas cidades sob ass\u00e9dio. A gest\u00e3o do lixo, da \u00e1gua, as padarias e escolas, como podem ser manejadas sem energia? \u00c9 uma f\u00f3rmula para o desastre\u201d, ressaltou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A S\u00edria acaba de passar um duro inverno boreal. As temperaturas ca\u00edram para sete graus Celsius negativos. Muitos combateram o frio em barracas de campanha em campos de refugiados ou nas ru\u00ednas de casas destru\u00eddas, sem meios de calefa\u00e7\u00e3o. A fam\u00edlia de Sahloul n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 meses que buscam combust\u00edvel, mas n\u00e3o conseguem, por isso n\u00e3o podem usar a calefa\u00e7\u00e3o em casa\u201d, explicou. \u201cDezenas de milhares de refugiados n\u00e3o t\u00eam calefa\u00e7\u00e3o. Crian\u00e7as morreram de frio. Hoje em dia ningu\u00e9m pode viver sem eletricidade\u201d, destacou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Sharif Aly, da organiza\u00e7\u00e3o Ajuda Isl\u00e2mica, com sede nos Estados Unidos, apontou que, em algumas partes do pa\u00eds, seu grupo s\u00f3 p\u00f4de distribuir cobertas e abrigos, devido a quest\u00f5es de seguran\u00e7a. \u201cNosso trabalho no inverno consistiu em tentar proporcionar g\u00e1s ou combust\u00edvel para as fam\u00edlias, esperamos que os problemas comecem a diminuir com a primavera, mas tem sido um grande desafio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A falta de eletricidade, bem como o risco dos disparos, bombardeios e de outras atividades militares complicaram enormemente a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia m\u00e9dica, assegurou Aly. A ajuda de emerg\u00eancia aos feridos \u00e9 a resposta mais evidente, mas o dano psicol\u00f3gico e emocional permanece praticamente ignorado, disse.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 enormes problemas de sa\u00fade mental, um grande impacto psicol\u00f3gico nessas pessoas inocentes presas no conflito\u201d, completou Aly. \u201cConseguir ajuda sanit\u00e1ria \u00e9 um problema. Recentemente iniciamos um servi\u00e7o de di\u00e1lise no L\u00edbano, porque a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria e a falta de servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d n\u00e3o o permitem, afirmou.<\/p>\n<p>A ex-secret\u00e1ria de Estado norte-americano, Madeleine Albright, afirmou, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o das imagens das luzes apagadas na S\u00edria, que 2014 foi \u201co ano mais sangrento\u201d do conflito e que o n\u00famero de mortos desde 2011 passa de 200 mil.<\/p>\n<p>Sahloul disse que o pessoal m\u00e9dico abandona o pa\u00eds na medida em que o conflito se agrava. \u201cTodo m\u00e9dico que conhe\u00e7o na S\u00edria est\u00e1 pensando em partir, inclusive nas chamadas zonas est\u00e1veis\u201d, afirmou. E apontou que o \u00eaxodo de pessoal m\u00e9dico habilitou a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como febre tifoide e tuberculose, parasitas, como piolhos e sarna, desnutri\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as cr\u00f4nicas que n\u00e3o recebem tratamento devido \u00e0 falta de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade e aos medicamentos.<\/p>\n<p>Um informe divulgado no dia 11, pela organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, diz que 610 pessoas dedicadas a tarefas m\u00e9dicas morreram na S\u00edria desde 2011, devido a 233 ataques contra 183 instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Segundo esse grupo, o governo s\u00edrio realizou \u201ca grande maioria desses ataques\u201d, respons\u00e1veis por 97% das mortes, inclu\u00eddas 139 por tortura ou execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A guerra completa quatro anos. E, embora centenas de milhares tenham morrido em uma popula\u00e7\u00e3o estimada de 18 milh\u00f5es, existem 11 milh\u00f5es de refugiados e um n\u00famero indeterminado de feridos, o fim da viol\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista. \u201cAs pessoas ali n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7as. H\u00e1 boatos na comunidade de ONGs que este poderia ser um conflito com dura\u00e7\u00e3o de oito a dez anos. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma expectativa de ser resolvido no curto prazo\u201d, ressaltou Sahloul.<\/p>\n<p>Xi Li ressaltou que espera que a comunidade internacional atue antes que o conflito s\u00edrio alcance a gravidade do genoc\u00eddio de Ruanda, que causou entre meio milh\u00e3o e um milh\u00e3o de mortes em 1994. \u201cA comunidade internacional ignorou Ruanda, e depois lamentou. N\u00e3o quero que as pessoas se lamentem depois de terminar este conflito na S\u00edria\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 18\/3\/2015 &ndash; Uma s&eacute;rie de imagens da S&iacute;ria, obtidas via sat&eacute;lite, e divulgadas no dia 12, mostra que quase 83% das luzes desse pa&iacute;s do Oriente M&eacute;dio se apagaram desde que come&ccedil;ou a guerra civil h&aacute; quatro anos. 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