{"id":18682,"date":"2015-03-19T16:24:46","date_gmt":"2015-03-19T16:24:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131141"},"modified":"2015-03-19T16:24:46","modified_gmt":"2015-03-19T16:24:46","slug":"dez-mulheres-que-nao-se-detem-diante-de-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/dez-mulheres-que-nao-se-detem-diante-de-nada\/","title":{"rendered":"Dez mulheres que n\u00e3o se det\u00eam diante de nada"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131143\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mujeres101-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-131143\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mujeres101-629x472.jpg\" alt=\"Sete das dez ganhadoras do Pr\u00eamio Internacional ao Valor das Mulheres (Iwoc) 2015, do Departamento de Estado norte-americano, posam com Richard Stengel, subsecret\u00e1rio para assuntos e diplomacia p\u00fablicos. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sete das dez ganhadoras do Pr\u00eamio Internacional ao Valor das Mulheres (Iwoc) 2015, do Departamento de Estado norte-americano, posam com Richard Stengel, subsecret\u00e1rio para assuntos e diplomacia p\u00fablicos. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 19\/3\/2015 \u2013 \u00c0 jornalista Nadia Sharmeen foi pedido, no dia 6 de abril de 2013, que cobrisse uma marcha organizada pela Hefazat-e-Isla, uma associa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas de Bangladesh, que tem entre suas demandas a revoga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional para o Desenvolvimento das Mulheres, mas as coisas n\u00e3o lhe sa\u00edram bem.<\/p>\n<p>Quando Sharmeen chegou ao lugar, pediu ao rep\u00f3rter cinematogr\u00e1fico que filmasse a multid\u00e3o e come\u00e7ou a realizar entrevistas. Mas, \u201cde repente, um homem me perguntou por que estava ali como mulher\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cRespondi que n\u00e3o estava como mulher, mas como jornalista. Ele n\u00e3o aceitou e come\u00e7ou a gritar comigo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As agress\u00f5es verbais do homem rapidamente chamaram a aten\u00e7\u00e3o das pessoas e antes que pudesse entender o que acontecia foi atacada por 50 a 60 homens. \u201cMe bateram, me jogaram no ch\u00e3o quatro ou cinco vezes. Tentaram rasgar meu vestido. Queriam me matar, esse era o objetivo\u201d, afirmou<\/p>\n<p>Seus colegas conseguiram enfrentar a multid\u00e3o furiosa e lev\u00e1-la a um hospital. Mas o dano n\u00e3o terminara. Precisou ficar cinco meses de cama e sofrer v\u00e1rias cirurgias. Apesar de abandonada por seu empregador, que se negou a cobrir o custo do tratamento e acabou for\u00e7ando-a a se demitir, Sharmeen conseguiu superar o calv\u00e1rio gra\u00e7as \u00e0s suas for\u00e7as e ao infatig\u00e1vel apoio de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 entre as dez mulheres reconhecidas pelo Departamento de Estado norte-americano por seu valor excepcional na busca da paz e da igualdade. Atualmente faz uma viagem por este pa\u00eds como ganhadora do Pr\u00eamio Internacional \u00e0s Mulheres com Coragem 2015 (Iwog).<\/p>\n<p>Segundo Sharmeen, ela teve sorte, e seguramente tem raz\u00e3o. Em Bangladesh, milhares de mulheres sofrem a viol\u00eancia que se manifesta de diversas formas. Em 2011, 330 delas foram assassinadas por incidentes relacionados com o dote. Al\u00e9m disso, 66% das mulheres desse pa\u00eds se casam antes de completarem 18 anos. A taxa de emprego \u00e9 de 57% para as mulheres, contra 88% para os homens.<\/p>\n<div id=\"attachment_131144\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Nadia.jpg\"><img class=\"wp-image-131144\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Nadia.jpg\" alt=\"Nadia Sharmeen, jornalista da Bangladesh. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nadia Sharmeen, jornalista da Bangladesh. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o come\u00e7a, segundo alguns dados, com o nascimento. A mortalidade infantil feminina \u00e9 de 20 mortes para cada mil nascidos vivos, bem acima dos 16 homens que t\u00eam a mesma sorte.<\/p>\n<p>Este ano, cinco das dez premiadas pelo Iwoc s\u00e3o da \u00c1sia, onde as mulheres representam metade dos quatro milh\u00f5es de habitantes e est\u00e3o sujeitas a fortes leis e a arraigados comportamentos patriarcais.<\/p>\n<p>Sayaka Osakabe, por exemplo, h\u00e1 alguns anos se dedica \u00e0 luta contra uma forma de discrimina\u00e7\u00e3o muito propagada no Jap\u00e3o, a \u201cmatahara\u201d, ou ass\u00e9dio maternal, a pr\u00e1tica de submeter as mulheres a uma forte press\u00e3o para que \u201cescolham\u201d entre ter filhos ou uma carreira profissional. Uma em cada quatro mulheres sofre ass\u00e9dio maternal, afirmou, citando dados da Confedera\u00e7\u00e3o de Sindicatos, enquanto 60% das trabalhadoras geralmente se demitem depois de terem seu primeiro filho.<\/p>\n<p>Ela mesma foi v\u00edtima de matahara nas duas vezes em que ficou gr\u00e1vida, porque se negaram a lhe conceder licen\u00e7a maternidade. Decidida a lutar contra essa forma de discrimina\u00e7\u00e3o, Osakabe fundou a organiza\u00e7\u00e3o Matahara Net, que em menos de um ano chegou a mais de cem mulheres v\u00edtimas de ass\u00e9dio maternal. Sua luta tamb\u00e9m levou o governo a tomar medidas, e inclusive a justi\u00e7a determinou que as degrada\u00e7\u00f5es ou demiss\u00f5es por gravidez s\u00e3o, em princ\u00edpio, ilegais.<\/p>\n<div id=\"attachment_131145\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/sayaka.jpg\"><img class=\"wp-image-131145\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/sayaka.jpg\" alt=\"Sayaka Osakabe, fundadora da Rede Matahara, uma organiza\u00e7\u00e3o que luta contra a pr\u00e1tica de ass\u00e9dio maternal no Jap\u00e3o, que obriga as mulheres a escolherem entre ser m\u00e3e ou trabalhar. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sayaka Osakabe, fundadora da Rede Matahara, uma organiza\u00e7\u00e3o que luta contra a pr\u00e1tica de ass\u00e9dio maternal no Jap\u00e3o, que obriga as mulheres a escolherem entre ser m\u00e3e ou trabalhar. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi uma dura vit\u00f3ria porque enfrentou \u201ctremendas rea\u00e7\u00f5es\u201d em muito setores, inclusive femininos. \u201cAs donas de casa e as mulheres dedicadas \u00e0s suas carreiras, dois grupos obrigados a escolher entre o trabalho e os filhos, s\u00e3o os que mais fizeram frente\u201d, contou.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde as mulheres representam uma em cada tr\u00eas pessoas pobres e s\u00e3o 63% dos que t\u00eam empregos, que pagam menos de 38% do sal\u00e1rio de um trabalhador de tempo integral, a matahara amea\u00e7a aumentar a brecha de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Em 2060, estima-se que a popula\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o diminuir\u00e1 dois ter\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o aos seus atuais 127 milh\u00f5es de habitantes. As autoridades se preocupam com o futuro da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e, no entanto, a sociedade continua demonizando as mulheres que querem formar uma fam\u00edlia e ter um sal\u00e1rio, lamentou Osakabe.<\/p>\n<p>A ativista birmanesa May Sabe Phyu trabalha muito para conseguir justi\u00e7a e dignidade para as minorias \u00e9tnicas e religiosas de seu pa\u00eds, especialmente para as pessoas deslocadas em seu Estado natal de Kachin, onde o conflito civil obrigou cerca de 120 mil a abandonarem seus lares desde 2011.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds cada vez mais intolerante com as minorias, Phyu trabalha em um contexto cruel. H\u00e1 dois meses, soldados birmaneses violaram e mataram duas mulheres kachin que trabalhavam com professoras volunt\u00e1rias em uma aldeia do vizinho Estado de Shan. Ela pr\u00f3pria recebe amea\u00e7as e sofre constante ass\u00e9dio e acusa\u00e7\u00f5es legais, mas segue em frente.<\/p>\n<p>Como fundadora da Rede para a Paz em Kachin e da Rede de Mulheres Kachin para a Paz, Phyu defende incansavelmente os direitos de mulheres, meninas e meninos deslocados, os que mais sofrem a viol\u00eancia nos acampamentos provis\u00f3rios. Al\u00e9m disso, est\u00e1 \u00e0 frente da Igualdade de G\u00eanero J\u00e1, uma coaliz\u00e3o de 90 organiza\u00e7\u00f5es que defendem os direitos das mulheres.<\/p>\n<p>\u201cQuando soube que tinha sido escolhida para o pr\u00eamio, disse a mim mesma: realmente mere\u00e7o?\u201d, contou Phyu \u00e0 IPS, porque h\u00e1 tantas mulheres que demonstram um grande valor em momentos dif\u00edceis. Ela se referia \u00e0 sua amiga kachin, a primeira que lhe abriu os olhos para a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o das pessoas deslocadas e para a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. \u201c\u00c9 meu s\u00edmbolo de valor e, quando me sinto prostrada, olho para ela, escuto sua voz e seu fundamento renovam minhas for\u00e7as\u201d, contou.<\/p>\n<div id=\"attachment_131146\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/may.jpg\"><img class=\"wp-image-131146\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/may.jpg\" alt=\"May Sabe Phyu, diretora da Rede de Igualdade de G\u00eanero na Birm\u00e2nia, defende os direitos das pessoas deslocadas no Estado de Kachin desde 2011. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">May Sabe Phyu, diretora da Rede de Igualdade de G\u00eanero na Birm\u00e2nia, defende os direitos das pessoas deslocadas no Estado de Kachin desde 2011. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as outras premiadas est\u00e1 Niloofar Rahmani, a primeira mulher a se converter em piloto da For\u00e7a A\u00e9rea na hist\u00f3ria do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Na lista tamb\u00e9m est\u00e1 a paquistanesa Tabassum Adnan, moradora do vale de Swat, outrora sob controle do grupo extremista Talib\u00e3. Ela sobreviveu a 20 anos de abusos f\u00edsicos e mentais antes de encabe\u00e7ar a primeira jirga (conselho) de mulheres dedicado a assuntos como ataques com \u00e1cido, assassinatos por honra e a \u201cswara\u201d, a pr\u00e1tica de trocar mulheres para resolver disputas ou compensar um crime.<\/p>\n<p>Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o s\u00e3o lugares extremamente perigosos para as mulheres. A Comiss\u00e3o Independente de Direitos Humanos afeg\u00e3 registrou mais de tr\u00eas mil casos de viol\u00eancia contra a mulher em seis meses no ano de 2012, e a pol\u00edcia paquistanesa contabilizou 160 ataques com \u00e1cido em 2014, embora organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil afirmem que o n\u00famero real \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p>Nesses pa\u00edses, lutar contra a discrimina\u00e7\u00e3o costuma ser um assunto de vida ou morte, mas isso n\u00e3o desanimou essas mulheres de optarem pelo caminho da liberdade. As demais ganhadoras s\u00e3o ativistas e jornalistas de Bol\u00edvia, Guin\u00e9, Kosovo, Rep\u00fablica Centro-Africana e S\u00edria. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 19\/3\/2015 &ndash; &Agrave; jornalista Nadia Sharmeen foi pedido, no dia 6 de abril de 2013, que cobrisse uma marcha organizada pela Hefazat-e-Isla, uma associa&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas de Bangladesh, que tem entre suas demandas a revoga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Nacional para o Desenvolvimento das Mulheres, mas as coisas n&atilde;o lhe sa&iacute;ram bem. 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