{"id":18695,"date":"2015-03-23T13:49:03","date_gmt":"2015-03-23T13:49:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131317"},"modified":"2015-03-23T13:49:03","modified_gmt":"2015-03-23T13:49:03","slug":"disputa-pela-agua-adquire-multiplas-formas-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/disputa-pela-agua-adquire-multiplas-formas-no-mexico\/","title":{"rendered":"Disputa pela \u00e1gua adquire m\u00faltiplas formas no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131319\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/M%C3%A9xico-agua-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-131319\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/M%C3%A9xico-agua-629x419.jpg\" alt=\"Ativistas do Greenpeace protestam em 2014 no rio Santiago, no Estado mexicano de Jalisco, contra a contamina\u00e7\u00e3o industrial dos afluentes. Foto: Cortesia do Greenpeace\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas do Greenpeace protestam em 2014 no rio Santiago, no Estado mexicano de Jalisco, contra a contamina\u00e7\u00e3o industrial dos afluentes. Foto: Cortesia do Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 23\/3\/2015 \u2013 Laura Romero s\u00f3 recebe \u00e1gua durante algumas horas por dia e pelo menos uma vez por semana fica sem, por isso \u00e9 obrigada a armazen\u00e1-la em baldes, como seus vizinhos de um bairro do norte da capital mexicana. \u201cQuando n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua enviam caminh\u00e3o para abastecer. Insistimos que reparem a infraestrutura, porque h\u00e1 vazamentos, mas dizem que antes devem fazer um anteprojeto\u201d para calcular custos, explicou \u00e0 IPS a ativista da Frente de Organiza\u00e7\u00f5es Sociais em Defesa de Azcapotzalco, seu bairro.<\/p>\n<p>A Frente administra dinheiro p\u00fablico para construir moradias populares a baixo custo e condi\u00e7\u00f5es preferenciais nesse bairro de classe m\u00e9dia. Em dezembro concluiu um lote delas, \u00e0s quais o Sistema de \u00c1guas da Cidade do M\u00e9xico se nega a fornecer servi\u00e7o e temem que ocorra o mesmo com outro projeto que come\u00e7aram a construir .\u201cO governo nos diz que cada pessoa deve pagar oito mil pesos (US$ 350) pela liga\u00e7\u00e3o\u201d, contou Romero.<\/p>\n<p>Por outro lado, na regi\u00e3o operam pelo menos seis centros comerciais e um centro de espet\u00e1culos que contam permanentemente com \u00e1gua. Problemas de abastecimento e de qualidade, contamina\u00e7\u00e3o, posse e superexplora\u00e7\u00e3o cercam o recurso neste pa\u00eds de 118 milh\u00f5es de habitantes, quando foi celebrado, no dia 22, o Dia Mundial da \u00c1gua, este ano dedicado ao v\u00ednculo essencial entre o l\u00edquido e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico a \u00e1gua \u00e9 considerada um bem p\u00fablico e nacional, pelo qual \u00e9 respons\u00e1vel a Comiss\u00e3o Nacional de \u00c1gua (Conagua). \u00c9 administrado pelo governo central, e pelos Estados e munic\u00edpios, que podem entregar concess\u00f5es para sua distribui\u00e7\u00e3o e manejo, incluindo entregas aos setores industrial e agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os problemas no pa\u00eds com a \u00e1gua n\u00e3o melhoraram depois que em 2012 uma reforma da Constitui\u00e7\u00e3o qualificou o recurso com um direito humano. \u201cH\u00e1 corpos de \u00e1gua contaminados, h\u00e1 comunidades com problemas de abastecimento\u201d, disse Omar Arellano, coordenador do grupo de Ecotoxicologia do Programa Observat\u00f3rio Socioambiental da Uni\u00e3o de Cientistas Comprometidos com a Sociedade.<\/p>\n<p>Entre as causas, este acad\u00eamico do Instituto de Pesquisas Biom\u00e9dicas, da estatal Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, afirmou \u00e0 IPS que est\u00e1 o fato de \u201cnos \u00faltimos anos ter havido uma gest\u00e3o de transposi\u00e7\u00f5es que coloca em risco popula\u00e7\u00f5es e altera os ciclos h\u00eddricos\u201d. Arellano \u00e9 um dos autores do informe de 2012 <em>A Contamina\u00e7\u00e3o na Bacia do Rio Santiago e a Sa\u00fade P\u00fablica na Regi\u00e3o<\/em>, que encontrou 280 empresas que lan\u00e7am subst\u00e2ncias t\u00f3xicas em suas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esse caudal, situado no Estado de Jalisco, abriga 1.090 contaminantes perigosos, um risco para o ambiente e para a sa\u00fade de aproximadamente 700 mil pessoas, que moram em sua ribeira. A situa\u00e7\u00e3o com essa bacia \u00e9 um exemplo do que ocorre em outras partes da geografia mexicana.<\/p>\n<div id=\"attachment_131320\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/M%C3%A9xico-agua-2.jpg\"><img class=\"wp-image-131320\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/M%C3%A9xico-agua-2.jpg\" alt=\"Empregados da estatal do Departamento de \u00c1gua e Saneamento da cidade de Toluca, no Estado do M\u00e9xico, vizinho \u00e0 capital, realizam tarefas de manuten\u00e7\u00e3o em uma esta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Foto: Cortesia do Departamento de \u00c1gua e Saneamento de Toluca\" width=\"540\" height=\"477\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Empregados da estatal do Departamento de \u00c1gua e Saneamento da cidade de Toluca, no Estado do M\u00e9xico, vizinho \u00e0 capital, realizam tarefas de manuten\u00e7\u00e3o em uma esta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Foto: Cortesia do Departamento de \u00c1gua e Saneamento de Toluca<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Programa Nacional H\u00eddrico (PNH) 2014-2018 indica que a disponibilidade natural m\u00e9dia de \u00e1gua no M\u00e9xico caiu de 18.035 metros c\u00fabicos anuais por habitante, em 1950, para 3.982, em 2013. Apesar da queda, a disponibilidade n\u00e3o \u00e9 um problema, segundo os par\u00e2metros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), segundo os quais um pa\u00eds com menos de mil metros c\u00fabicos anuais por habitante tem escassez de \u00e1gua e aqueles com n\u00edvel entre mil e 1.700 metros c\u00fabicos por pessoa sofre dificuldades h\u00eddricas.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, o M\u00e9xico tem disponibilidade anual m\u00e9dia de 471 mil metros c\u00fabicos, segundo o Atlas 2013 da Conagua, somando as \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas e a importa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do vizinho Estados Unidos por tratados bilaterais. Mas quase 14 milh\u00f5es de pessoas carecem do recurso em suas casas. Os Estados onde o problema \u00e9 maior s\u00e3o Veracruz, Guerrero e M\u00e9xico, este vizinho \u00e0 capital.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no pa\u00eds h\u00e1 34 milh\u00f5es de pessoas que dependem de aqu\u00edferos em processo de esgotamento para obter \u00e1gua. O PNH reconhece que os grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios e as mulheres, principalmente no meio rural e na periferia urbana, s\u00e3o os que mais sofrem a car\u00eancia de \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento.<\/p>\n<p>Claudia Campero, representante para a Am\u00e9rica Latina do n\u00e3o governamental e canadense Projeto Planeta Azul, disse \u00e0 IPS que a reforma constitucional \u201c\u00e9 a oportunidade de mudar de modelo, queremos uma vis\u00e3o sustent\u00e1vel da \u00e1gua\u201d. O M\u00e9xico deveria modificar a Lei Geral de \u00c1guas de 1992 antes de fevereiro de 2013, para adapt\u00e1-la \u00e0 reforma constitucional de 2012, mas isso ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a disputa pelo recurso entre usu\u00e1rios, comunidades e organiza\u00e7\u00f5es e o governo mais os interesses privados se agravaram por duas iniciativas de lei que se contrap\u00f5em. No dia 9 de fevereiro, uma coaliz\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es e acad\u00eamicos apresentou sua proposta de Lei Geral de \u00c1guas, que garante o l\u00edquido para o consumo humano, as atividades econ\u00f4micas, a retroalimenta\u00e7\u00e3o dos sistemas, o manejo local em n\u00edvel de bacia e a cria\u00e7\u00e3o de um fundo especial.<\/p>\n<p>Antes, em mar\u00e7o de 2014, a Conagua enviou ao Congresso um projeto de lei, mas seu texto recebeu rejei\u00e7\u00e3o em massa, o que levou os parlamentares a retirarem o texto de sua agenda no dia 9 deste m\u00eas. Organiza\u00e7\u00f5es e acad\u00eamicos vetaram a iniciativa por considerarem que privatiza o servi\u00e7o, concede um <em>status<\/em> mercantil ao recurso, pro\u00edbe a pesquisa sobre sua qualidade e contamina\u00e7\u00e3o, favorece a transposi\u00e7\u00e3o de rios e a constru\u00e7\u00e3o de obras com represas. \u201cCorre-se o risco de aumentar a desigualdade. Precisamos de uma gest\u00e3o integral da \u00e1gua\u201d, pontuou Arellano.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o de fato do servi\u00e7o avan\u00e7a lentamente no M\u00e9xico por diferentes caminhos. Nas cidades de Saltillo, ao norte da Cidade do M\u00e9xico, e Aguascalientes, no centro do pa\u00eds, a administra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua est\u00e1 nas m\u00e3os de particulares. Na capital do pa\u00eds, operam quatro concess\u00f5es privadas para medi\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a do servi\u00e7o. Al\u00e9m disso, f\u00e1bricas de cerveja, l\u00e1cteos, engarrafadoras de \u00e1gua, fabricantes de \u00e1gua com g\u00e1s, mineradoras e at\u00e9 fundos de investimento est\u00e3o obtendo concess\u00f5es de fontes h\u00eddricas, como atestam investiga\u00e7\u00f5es feitas por v\u00e1rios acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>A rede \u00c1gua para Todos, composta por mais de 400 pesquisadores e 30 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, criou um mapa de conflitos h\u00eddricos por desmatamento, superexplora\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e outras causas.<\/p>\n<p>Em 2013, o volume entregue em concess\u00e3o para extra\u00e7\u00e3o com fins agr\u00edcolas e industriais ultrapassou os 82 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, dos quais quase 51 bilh\u00f5es s\u00e3o fontes superficiais e 31 bilh\u00f5es s\u00e3o aqu\u00edferos. Falta transpar\u00eancia de empresas que se beneficiam da privatiza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esperar 20 anos para ver seus efeitos\u201d, ressaltou Campero.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico \u00e9 um pa\u00eds altamente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica com varia\u00e7\u00f5es de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o fluvial, por isso se prev\u00ea que at\u00e9 2030 poder\u00e1 sofrer efeitos sobre disponibilidade de \u00e1gua superficial e subterr\u00e2nea. Em mais 15 anos estima-se que a demanda vai superar os 91 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos e que a oferta ser\u00e1 de 68 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, brecha para a qual ainda n\u00e3o se visualiza solu\u00e7\u00f5es inovadoras.<\/p>\n<p>\u201cQueremos \u00e1gua, n\u00e3o \u00e9 justo o Estado nos negar o acesso\u201d, ressaltou Romero do bairro de Azcapotzalco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 23\/3\/2015 &ndash; Laura Romero s&oacute; recebe &aacute;gua durante algumas horas por dia e pelo menos uma vez por semana fica sem, por isso &eacute; obrigada a armazen&aacute;-la em baldes, como seus vizinhos de um bairro do norte da capital mexicana. &ldquo;Quando n&atilde;o h&aacute; &aacute;gua enviam caminh&atilde;o para abastecer. 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