{"id":18707,"date":"2015-03-25T13:35:09","date_gmt":"2015-03-25T13:35:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131489"},"modified":"2015-03-25T13:35:09","modified_gmt":"2015-03-25T13:35:09","slug":"tuberculose-resistente-aumenta-em-papua-nova-guine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/tuberculose-resistente-aumenta-em-papua-nova-guine\/","title":{"rendered":"Tuberculose resistente aumenta em Papua-Nova Guin\u00e9"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131491\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tuberculosis-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-131491\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tuberculosis-629x472.jpg\" alt=\"Em Papua-Nova Guin\u00e9 a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive em zonas rurais com pouco acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, o que aumenta os desafios de lutar contra doen\u00e7as infecciosas como a tuberculose. Foto: Catherine Wilson\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em Papua-Nova Guin\u00e9 a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive em zonas rurais com pouco acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, o que aumenta os desafios de lutar contra doen\u00e7as infecciosas como a tuberculose. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Canberra, Austr\u00e1lia, 25\/3\/2015 \u2013 A crescente resist\u00eancia a m\u00faltiplos medicamentos em pacientes com tuberculose, uma infec\u00e7\u00e3o pulmonar registrada principalmente nos pa\u00edses em desenvolvimento, gerou uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica em Papua-Nova Guin\u00e9, segundo fontes oficiais.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os para combater a doen\u00e7a tiveram resultado em todo o mundo e a mortalidade diminuiu 45% desde 1990. Mas, nesse pa\u00eds insular, a cifra anual de novas infec\u00e7\u00f5es aumentou de 16 mil para 30 mil casos nos \u00faltimos cinco anos. Por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Tuberculose, celebrado no dia 24, especialistas comentaram os desafios que enfrentam para frear a enfermidade que se espalha nas comunidades j\u00e1 afetadas por diversas dificuldades, com escassa informa\u00e7\u00e3o e pouco acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>\u201cO maior obst\u00e1culo, atualmente, reside nas cren\u00e7as culturais relacionadas \u00e0s causas da doen\u00e7a\u201d, disse \u00e0 IPS o especialista Louis Samiak, presidente de sa\u00fade p\u00fablica da Faculdade de Medicina e Servi\u00e7os de Sa\u00fade, da Universidade de Papua-Nova Guin\u00e9. \u201cA tuberculose \u00e9 uma enfermidade de longa incuba\u00e7\u00e3o e a primeira ajuda procurada pelos pacientes s\u00e3o os bruxos e os rem\u00e9dios locais. Os pacientes chegam tarde aos centros de sa\u00fade, com a doen\u00e7a em estado avan\u00e7ado, e \u00e9 muito dif\u00edcil atend\u00ea-los\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os sintomas da tuberculose s\u00e3o febre, dor no peito, perda de peso e tosse, em geral com escarro e sangue, o que favorece a transmiss\u00e3o da bact\u00e9ria. A doen\u00e7a se propaga rapidamente em assentamentos pobres e superlotados. Em Papua-Nova Guin\u00e9, onde o saneamento cobre apenas 19% da popula\u00e7\u00e3o e menos da metade tem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, a enfermidade \u00e9 a principal causa das mortes hospitalares.<\/p>\n<p>Nos povoados rurais do distrito de Kikori, na prov\u00edncia do Golfo, a incid\u00eancia da tuberculose alcan\u00e7ou a alarmante taxa de 1.290 casos para cada cem mil pessoas, segundo o Instituto de Pesquisa M\u00e9dica. A preval\u00eancia nacional \u00e9 de 541 para cem mil habitantes, ainda assim muito acima da m\u00e9dia mundial, de 126.<\/p>\n<p>A campanha para conter a epidemia nessa prov\u00edncia conta com apoio da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF), que no povoado de Kerema diagnostica, desde o ano passado, cerca de 50 novos casos por m\u00eas, entre os quais houve pacientes at\u00e9 de dez meses. Pessoas de 15 a 24 anos constituem o principal grupo afetado pela doen\u00e7a, mas os jovens representam 28% dos casos nesse pa\u00eds, e a tuberculose pulmonar e a meningite tuberculosa contribuem para a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e a mortalidade infantil.<\/p>\n<p>Uma m\u00e3e levou seu filho de seis anos ao Hospital Geral de Kerema, uma viagem dif\u00edcil desde sua ladeia na montanha, que incluiu tr\u00eas horas em um barco e duas em um caminh\u00e3o. \u201cNo come\u00e7o n\u00e3o entendia o que era a tuberculose, por que o menino precisava de tratamento di\u00e1rio por um longo per\u00edodo e por que tinha que permanecer longe de sua aldeia. Demorou dois meses para aceitar o tratamento e se preparar para viver longe\u201d, disse \u00e0 IPS um porta-voz da MSF. \u201cAgora a crian\u00e7a recebe tratamento di\u00e1rio e apresenta sinais de melhora\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A crescente resist\u00eancia aos rem\u00e9dios de primeira linha \u2013 isoniazida e rifampicina \u2013 coloca em risco os esfor\u00e7os para controlar a doen\u00e7a. \u00c9 comum os pacientes interromperem o tratamento quando se sentem melhor, se convertendo na principal causa de resist\u00eancia a m\u00faltiplos medicamentos nesse pa\u00eds, disse \u00e0 IPS a especialista Suparat Phuanukoonnon, do Instituto de Pesquisa M\u00e9dica.<\/p>\n<p>Quando o tratamento \u00e9 interrompido, a baixa concentra\u00e7\u00e3o de medicamentos n\u00e3o consegue erradicar a bact\u00e9ria no corpo do paciente, e ela se torna resistente.<\/p>\n<p>Em 2013, 4,5% dos casos de tuberculose diagnosticados no pa\u00eds eram resistentes, um aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o ao 1,9% registrado em 2010. A tuberculose multirresistente aumenta nas prov\u00edncias Ocidental e Golfo e na capital Port Moresby, onde mais da metade da popula\u00e7\u00e3o vive em assentamentos prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>O impacto da doen\u00e7a no desenvolvimento \u00e9 grave, pois afeta 75% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. \u201cA tuberculose pode afetar uma ou todas as partes do corpo humano. Portanto, prejudica a pessoa reduzindo sua capacidade de ser produtiva para a sociedade e sua comunidade\u201d, pontuou Samiak, da Universidade de Papua-Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Os pacientes devem enfrentar o gasto com sa\u00fade, mas sua incapacidade para trabalhar reduz sua renda. A pobreza se perpetua quando a doen\u00e7a afeta o pai e a m\u00e3e, o que obriga os filhos a abandonarem a escola para cuidar deles e manter a fam\u00edlia. Papua-Nova Guin\u00e9 \u00e9 o pa\u00eds mais povoado dos Estados insulares do Oceano Pac\u00edfico, com sete milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, conter a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 um enorme desafio log\u00edstico, com mais de 85% da popula\u00e7\u00e3o localizada em zonas rurais com escasso, quando existe, acesso a caminhos ou a algum meio de transporte para as cidades e os centros de sa\u00fade. Outro obst\u00e1culo \u00e9 a falta de profissionais, com menos de um m\u00e9dico e pouco mais de cinco enfermeiras para cada dez mil pessoas, bem como uma redu\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de sa\u00fade desde 2002, segundo um informe do Instituto Nacional de Pesquisa de 2014.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m concluiu que a distribui\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios nas cl\u00ednicas caiu 10% e as visitas aos m\u00e9dicos 42% na d\u00e9cada passada. Apesar do r\u00e1pido crescimento populacional, o n\u00famero di\u00e1rio de pacientes que consulta um profissional caiu 19%. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio destinar recursos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, pois um estudo do Instituto de Pesquisas M\u00e9dicas realizado nas prov\u00edncias Central, Madang e Terras Altas Orientais, mostrou que a maioria das 1.034 pessoas consultadas n\u00e3o sabia o que era tuberculose, suas causas e tratamento.<\/p>\n<p>\u201cAntes da ajuda do Fundo Mundial de Luta Contra Aids, Tuberculose e Mal\u00e1ria em Papua-Nova Guin\u00e9, em 2007, a tuberculose era uma doen\u00e7a desatendida em termos de compromisso pol\u00edtico e destina\u00e7\u00e3o de fundos para programas de controle\u201d, recordou Phuanukoonnon.<\/p>\n<p>Os limitados servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o exigidos ao m\u00e1ximo e, apesar de a informa\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a estar dispon\u00edvel nos centros de sa\u00fade, o pessoal sobrecarregado de trabalho n\u00e3o tem muito tempo para conscientizar sobre a tuberculose. Todo enfoque educativo deve se concentrar em \u201ccomo a popula\u00e7\u00e3o recebe e processa a informa\u00e7\u00e3o e em que acredita para tomar medidas\u201d, o que exige que \u201ca comunica\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade seja relevante para os contextos locais\u201d, acrescentou Phuanukoonnon.<\/p>\n<p>Os recursos para enfrentar a doen\u00e7a aumentaram. O Fundo Mundial anunciou em fevereiro mais US$ 18 milh\u00f5es para lutar contra a tuberculose em Papua-Nova Guin\u00e9 nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. Samiak ressaltou que os recursos econ\u00f4micos poderiam ser destinados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios e capacita\u00e7\u00e3o de pessoal, assim os exames seriam feitos com mais efici\u00eancia, e o acompanhamento e tratamento dos pacientes seria mais r\u00e1pido. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Canberra, Austr&aacute;lia, 25\/3\/2015 &ndash; A crescente resist&ecirc;ncia a m&uacute;ltiplos medicamentos em pacientes com tuberculose, uma infec&ccedil;&atilde;o pulmonar registrada principalmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, gerou uma emerg&ecirc;ncia de sa&uacute;de p&uacute;blica em Papua-Nova Guin&eacute;, segundo fontes oficiais. Os esfor&ccedil;os para combater a doen&ccedil;a tiveram resultado em todo o mundo e a mortalidade diminuiu 45% desde 1990. 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