{"id":18713,"date":"2015-03-26T12:37:00","date_gmt":"2015-03-26T12:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=131591"},"modified":"2015-03-26T12:37:00","modified_gmt":"2015-03-26T12:37:00","slug":"as-mulheres-palestinas-sao-vitimas-em-muitas-frentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/03\/ultimas-noticias\/as-mulheres-palestinas-sao-vitimas-em-muitas-frentes\/","title":{"rendered":"As mulheres palestinas s\u00e3o v\u00edtimas em muitas frentes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_131593\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/muje-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-131593\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/muje-629x472.jpg\" alt=\"Islam Iliwa perdeu sua casa e sua empresa de produtos de limpeza em Gaza por causa de um bombardeio israelense. Foto: Mel Frykberg\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Islam Iliwa perdeu sua casa e sua empresa de produtos de limpeza em Gaza por causa de um bombardeio israelense. Foto: Mel Frykberg\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gaza, Palestina, 26\/3\/2015 \u2013 O ass\u00e9dio que Israel imp\u00f5e sobre Gaza, com a ajuda do Egito, agravou a situa\u00e7\u00e3o das mulheres desse territ\u00f3rio palestino, e o ataque militar israelense contra a faixa costeira em julho e agosto de 2014 s\u00f3 fez exarcebar a situa\u00e7\u00e3o. Uma resolu\u00e7\u00e3o aprovada pela Comiss\u00e3o sobre a Condi\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica e Social da Mulher (CSW), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), do dia 20 deste m\u00eas, atribui a culpa da \u201cgrave situa\u00e7\u00e3o das mulheres palestinas\u201d \u00e0 atual ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestino por parte de Israel.<\/p>\n<p>A CSW, de 45 membros, adotou a resolu\u00e7\u00e3o, que foi patrocinada por Palestina e \u00c1frica do Sul, por 27 votos a favor, dois contra e 13 absten\u00e7\u00f5es. Os Estados Unidos e Israel votaram contra, enquanto os membros da Uni\u00e3o Europeia se abstiveram. \u201cO sofrimento das mulheres duplicou na Faixa de Gaza, em particular devido \u00e0s consequ\u00eancias da \u00faltima ofensiva de Israel, j\u00e1 que est\u00e3o suportando condi\u00e7\u00f5es de vida dif\u00edceis e complicadas\u201d, denunciou o Centro Palestino de Direitos Humanos (CPDH) em um comunicado do dia 8 deste m\u00eas, Dia Internacional da Mulher.<\/p>\n<p>\u201cDurante os 50 dias da ofensiva israelense, as mulheres foram expostas a riscos de morte ou les\u00f5es devido ao uso excessivo de for\u00e7a letal por parte de Israel, bem como pela viola\u00e7\u00e3o flagrante dos princ\u00edpios da distin\u00e7\u00e3o e proporcionalidade em virtude do direito internacional humanit\u00e1rio consuetudin\u00e1rio\u201d, apontou o CPDH. Em raz\u00e3o do conflito armado, morreram 293 mulheres, 18% das v\u00edtimas civis, e 2.114 foram feridas e muitas ficaram incapacitadas permanentemente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, fatores culturais, religiosos e jur\u00eddicos pr\u00f3prios tamb\u00e9m t\u00eam a ver com a que a vida seja insustent\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o feminina de Gaza. O mundo de Islam Iliwa, uma mulher de 40 anos oriunda de Zeitoun, na Cidade de Gaza, veio abaixo ap\u00f3s uma noite de bombardeios em 2014. Essa m\u00e3e divorciada, com tr\u00eas filhos de dez a 16 anos, perdeu quase tudo quando um ataque a\u00e9reo destruiu sua casa e com ela seu neg\u00f3cio que levou anos para instalar.<\/p>\n<p>Iliwa vivia em Dubai quando se divorciou, um passo que complica muito a reintegra\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e0 conservadora sociedade \u00e1rabe. Apesar do div\u00f3rcio traum\u00e1tico, ela estava decidida a seguir em frente e regressou a Gaza em 2011, com o dinheiro economizado de seu trabalho em Dubai. A lei isl\u00e2mica estipula que, segundo as respectivas idades dos filhos, o pai obteria sua cust\u00f3dia autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas Iliwa pagou ao seu ex-marido para que lhe desse a guarda e, por sua vez, ele renunciou ao direito de manuten\u00e7\u00e3o dos filhos. \u201cDisse a ele que sobreviveria sem ele e que daria uma boa vida para mim e meus filhos\u201d, contou Iliwa \u00e0 IPS. \u201cAo voltar a Gaza investi minhas economias de toda a vida, de US$ 20 mil, em uma pequena empresa de venda de produtos de limpeza\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cEm um bom m\u00eas antes da guerra, consegui ganhar cerca de US$ 2,4 mil e o neg\u00f3cio estava progredindo. Mas minha casa e a pequena f\u00e1brica que constru\u00ed foram destru\u00eddas durante o bombardeio israelense. Meu filho Muhammad tamb\u00e9m ficou ferido\u201d, recordou Iliwa, chorando. Ela e seus tr\u00eas filhos foram obrigados a fugir para um abrigo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), junto com centenas de milhares de desesperados habitantes de Gaza.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o cessar-fogo, essa valente mulher conseguiu alugar uma casa e lentamente reconstruir seu neg\u00f3cio com ajuda da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam, embora agora ganhe uma fra\u00e7\u00e3o do que conseguia antes. O sofrimento coletivo das mulheres palestinas transcende a morte e as les\u00f5es, com o deslocamento for\u00e7ado e a sobreviv\u00eancia em abrigos superlotados com instala\u00e7\u00f5es inadequadas, insufici\u00eancia de \u00e1gua pot\u00e1vel e de alimentos, e falta de privacidade e de higiene.<\/p>\n<p>O aumento da viol\u00eancia de g\u00eanero agravou a situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as mulheres t\u00eam poucas vias para recorrer ao apoio social ou jur\u00eddico, e muitos palestinos acreditam que esse tipo de coisa \u00e9 um assunto privado entre c\u00f4njuges. Sob o regime jur\u00eddico palestino, os poucos homens presos por \u201ccrimes de honra\u201d recebem condena\u00e7\u00f5es curtas e as mulheres que apanham dos maridos t\u00eam de ser hospitalizadas por pelo menos dez dias para que a pol\u00edcia considere intervir.<\/p>\n<p>Segundo a documenta\u00e7\u00e3o do CPDH, 16 mulheres foram assassinadas em 2014 em diferentes contextos relacionados com a viol\u00eancia de g\u00eanero. Um comunicado da ONU Mulheres na Palestina destaca \u201ca profunda preocupa\u00e7\u00e3o\u201d dessa ag\u00eancia diante dos assassinatos, e ressalta que \u201co preocupante aumento na taxa de feminic\u00eddios demonstra uma sensa\u00e7\u00e3o generalizada de impunidade dos crimes contra mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada em 2012 pelo Escrit\u00f3rio Central de Estat\u00edsticas da Palestina indica que 37% das mulheres foram objeto de alguma forma de viol\u00eancia nas m\u00e3os de seus maridos, sendo a taxa mais alta em Gaza, com 58,1%, e a menor em Ramal\u00e1, com 14,1%. O Centro Palestino pela Democracia e a Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos explicou que as dif\u00edceis circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas, a pobreza e o desemprego foram as raz\u00f5es por tr\u00e1s do aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>\u201cEsses fatores se refletem negativamente no estado psicol\u00f3gico dos homens. Eles se estressam e ficam mais irritados por n\u00e3o poderem manter suas fam\u00edlias economicamente, vivem em condi\u00e7\u00f5es de superlota\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam privacidade\u201d, detalhou o Centro \u00e0 IPS. \u201cTamb\u00e9m houve uma mudan\u00e7a nos pap\u00e9is de g\u00eanero. As mulheres aceitam os empregos de baixa remunera\u00e7\u00e3o que os homens consideram abaixo de sua situa\u00e7\u00e3o como chefes de fam\u00edlia, ou mulheres solteiras ou vi\u00favas s\u00e3o obrigadas a assumir o papel de arrimo da fam\u00edlia\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Gaza, Palestina, 26\/3\/2015 &ndash; O ass&eacute;dio que Israel imp&otilde;e sobre Gaza, com a ajuda do Egito, agravou a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres desse territ&oacute;rio palestino, e o ataque militar israelense contra a faixa costeira em julho e agosto de 2014 s&oacute; fez exarcebar a situa&ccedil;&atilde;o. 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