{"id":18747,"date":"2015-04-02T13:18:31","date_gmt":"2015-04-02T13:18:31","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132038"},"modified":"2015-04-02T13:18:31","modified_gmt":"2015-04-02T13:18:31","slug":"quenia-luta-contra-o-alcoolismo-em-alta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/quenia-luta-contra-o-alcoolismo-em-alta\/","title":{"rendered":"Qu\u00eania luta contra o alcoolismo em alta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132040\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/borr-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-132040\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/borr-629x419.jpg\" alt=\"Policial tenta levantar do ch\u00e3o um jovem alcoolizado na cidade de Nyeri, no Qu\u00eania. Foto: Miriam Gathigah\/IPS\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Policial tenta levantar do ch\u00e3o um jovem alcoolizado na cidade de Nyeri, no Qu\u00eania. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 2\/4\/2015 \u2013 Apesar das tentativas por meio de leis de frear o consumo de \u00e1lcool, o Qu\u00eania enfrenta um abuso crescente de cerveja, licores e outras bebidas alco\u00f3licas. O consumo n\u00e3o diminuiu nem mesmo depois que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, como a Autoridade Nacional para a Campanha Contra o Abuso de \u00c1lcool e Drogas (Nacada), confirmaram que os comerciantes clandestinos utilizam um l\u00edquido letal na elabora\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas.<\/p>\n<p>\u201cOs clientes querem gastar o menos poss\u00edvel e beber o mais que puderem, por isso optam por bebidas il\u00edcitas baratas\u201d, afirmou Nduta Kamau, que produz bebidas alco\u00f3licas caseiras em um bairro perif\u00e9rico de Mathare, em Nair\u00f3bi. Segundo ele, os que elaboram essas bebidas tamb\u00e9m gastam o menos poss\u00edvel \u201cem tempo e dinheiro, e produzem a maior quantidade de \u00e1lcool que podem\u201d.<\/p>\n<p>Os fabricantes clandestinos dos assentamentos pobres urbanos engarrafam, rotulam e vendem essas bebidas em bares de todo o pa\u00eds, explicou Kamau. V\u00e1rias a\u00e7\u00f5es policiais encontraram restos de roupa \u00edntima feminina e ratos mortos nas bebidas. A lei de Controle de Bebidas Alco\u00f3licas de 2010 limita a venda de \u00e1lcool entre 17 e 23 horas, mas os consumidores encontram formas de evitar esse toque de recolher.<\/p>\n<p>Os dados obtidos pelo Euromonitor International, uma firma de pesquisa de mercado, revela que o \u00e1lcool adquirido nas lojas durante o toque de recolher em dezembro de 2012 subiu 4,35%, chegando a 26,4 milh\u00f5es de litros. Os clientes \u201cse fecham nos bares e bebem durante o toque de recolher ou compram a bebida e a consomem em suas casas, expondo seus filhos ao \u00e1lcool desde uma idade muito precoce\u201d, contou Dave Kinyanjui, dono de um bar no centro de Nair\u00f3bi.<\/p>\n<p>A lei de Controle de Bebidas Alco\u00f3licas se debilitou substancialmente em 2013 com a incorpora\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica do governo descentralizado. Esse sistema de autonomia significa que cada condado deve ratificar a lei, o que \u00e9 uma batalha montanha acima j\u00e1 que v\u00e1rios dirigentes locais tamb\u00e9m s\u00e3o propriet\u00e1rios de bares. O aumento da bebida significa maiores ganhos para os fabricantes comerciais.<\/p>\n<p>Um informe da empresa cervejeira African Breweries Limited East (EABL), de mar\u00e7o, indica alta m\u00e9dia de 11% nos ganhos com a venda de cerveja. Segundo EABL, o maior crescimento, de 67%, ocorreu nas bebidas de alto teor alco\u00f3lico, dirigidas principalmente \u00e0s pessoas de baixa renda, e que tamb\u00e9m s\u00e3o alvo de muitas marcas do mercado negro.<\/p>\n<p>Outro informe divulgado pelo Euromonitor International confirmou o crescimento constante do consumo de \u00e1lcool, que poderia continuar com a melhora da economia \u201cdevido \u00e0s boas perspectivas do setor do petr\u00f3leo no Qu\u00eania e \u00e0 estabilidade pol\u00edtica\u201d. As garrafas descart\u00e1veis e as latas fazem com que seja mais f\u00e1cil levar bebida alco\u00f3lica para casa.<\/p>\n<p>Uma pesquisa nacional realizada pela Nacada em 2012 mostra que o \u00e1lcool \u00e9 a subst\u00e2ncia da qual mais se abusa no pa\u00eds. Dos diferentes tipos de bebidas alco\u00f3licas, o licor tradicional \u00e9 o mais acess\u00edvel, seguido de vinhos e bebidas de alto teor alco\u00f3lico, e em \u00faltimo lugar o \u201cchang\u2019aa, que significa \u201cmate-me r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool realizada em 2012 pelo escrit\u00f3rio regional do IOGT-ONT, um movimento internacional contra o alcoolismo, concluiu que \u201c63% das pessoas entrevistadas haviam consumido \u00e1lcool e 30% consumiram mais de cinco tragos de bebida alco\u00f3lica em cada ocasi\u00e3o\u201d. O estudo acrescenta que \u201cos adolescentes entre 14 e 17 anos consomem dois tragos de \u00e1lcool cada vez que bebem\u201d.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas oficiais revelam que o abuso de \u00e1lcool e drogas \u00e9 maior entre os adultos jovens de 15 a 29 anos e menor entre os maiores de 65 anos. E os menores de idade tampouco escapam do fen\u00f4meno. Segundo a Nacada, as meninas e os meninos do meio rural t\u00eam mais probabilidades de terem consumido licor tradicional e chang\u2019aa do que as crian\u00e7as de zonas urbanas.<\/p>\n<p>David Ogot, coordenador nacional da organiza\u00e7\u00e3o Sensibilidade sobre o \u00c1lcool no Qu\u00eania e ex-alco\u00f3lico, disse \u00e0 IPS que \u201co consumo excessivo costuma ser visto como um problema passageiro at\u00e9 que realmente foge ao controle, quando a maioria das fam\u00edlias escondem a pessoa por vergonha.<\/p>\n<p>As pessoas alco\u00f3licas que querem acabar com o v\u00edcio t\u00eam poucos lugares onde recorrer, segundo William Sinkele, diretor de Apoio \u00e0 Preven\u00e7\u00e3o e ao Tratamento dos V\u00edcios na \u00c1frica. Embora o Qu\u00eania tenha mais de 70 centros de tratamento, apenas tr\u00eas s\u00e3o de gest\u00e3o p\u00fablica, pontuou \u00e0 IPS. \u201c\u00c9 bom que tenhamos tantos centros de tratamento, mas a maioria se concentra na regi\u00e3o de Nair\u00f3bi, e o queniano m\u00e9dio com um problema de \u00e1lcool ou drogas n\u00e3o pode pagar o tratamento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, alguns culpam por essa situa\u00e7\u00e3o a ind\u00fastria internacional do \u00e1lcool, que tem uma forte presen\u00e7a no Qu\u00eania e minou a lei de Controle de Bebidas Alco\u00f3licas com uma forte publicidade e promo\u00e7\u00e3o de eventos musicais e art\u00edsticos. A empresa de assessoria financeira KPMG destacou em um comunicado \u201co incr\u00edvel crescimento do mercado de cerveja no Qu\u00eania\u201d.<\/p>\n<p>Segundo essa firma, a demanda aumentou, \u201cimpulsionada pelo forte crescimento demogr\u00e1fico, uma crescente classe m\u00e9dia e pelo dinamismo do setor privado, a ind\u00fastria cervejeira decolou de maneira impressionante, e promete um desenvolvimento ainda maior na pr\u00f3xima d\u00e9cada\u201d. S\u00f3 a infla\u00e7\u00e3o e a alta de impostos poderiam deter esse aumento, acrescentou a companhia, ressaltando que, \u201cpara ampliar sua base de clientes, o setor investiu em suas divis\u00f5es de marketing e vendas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 2\/4\/2015 &ndash; Apesar das tentativas por meio de leis de frear o consumo de &aacute;lcool, o Qu&ecirc;nia enfrenta um abuso crescente de cerveja, licores e outras bebidas alco&oacute;licas. 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