{"id":18755,"date":"2015-04-06T13:05:27","date_gmt":"2015-04-06T13:05:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132067"},"modified":"2015-04-06T13:05:27","modified_gmt":"2015-04-06T13:05:27","slug":"queda-no-preco-do-petroleo-nao-mata-vaca-muerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/queda-no-preco-do-petroleo-nao-mata-vaca-muerta\/","title":{"rendered":"Queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo n\u00e3o mata Vaca Muerta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132069\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-1-629x354.jpg\"><img class=\"wp-image-132069\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-1-629x354.jpg\" alt=\"O acampamento de Loma Campana, onde a YPF e a Chevron produzem petr\u00f3leo de xisto, em Vaca Muerta, no sudoeste da Argentina. A queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo n\u00e3o alterou, at\u00e9 agora, o caro desenvolvimento desse hidrocarbono n\u00e3o convencional. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"304\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O acampamento de Loma Campana, onde a YPF e a Chevron produzem petr\u00f3leo de xisto, em Vaca Muerta, no sudoeste da Argentina. A queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo n\u00e3o alterou, at\u00e9 agora, o caro desenvolvimento desse hidrocarbono n\u00e3o convencional. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 6\/4\/2015 \u2013 Apesar da queda mundial do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, a Argentina mant\u00e9m sua aposta estrat\u00e9gica na produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais, embora no curto prazo possa haver complica\u00e7\u00e3o na capta\u00e7\u00e3o dos investimentos externos necess\u00e1rios para explorar suas reservas em Vaca Muerta.<\/p>\n<p>A incerteza se seguiu \u00e0 euforia inicial pela explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto (rocha), do qual a Argentina tem uma das maiores reservas mundiais. Com um barril de petr\u00f3leo passando, em sete meses, de US$ 110 para menos de US$ 50, a jazida de Vaca Muerta est\u00e1 na UTI? Essa \u00e9 a pergunta repetida entre especialistas de finan\u00e7as e da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit da balan\u00e7a energ\u00e9tica argentina aproximou-se em 2014 dos US$ 7 bilh\u00f5es, em parte pela redu\u00e7\u00e3o de suas jazidas de petr\u00f3leo convencional. A elimina\u00e7\u00e3o desse d\u00e9ficit depende do desenvolvimento de Vaca Muerta, uma grande forma\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto na Bacia Neuquina, no sudoeste do pa\u00eds. Os investimentos necess\u00e1rios para isso s\u00e3o de pelo menos US$ 10 bilh\u00f5es anuais nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cNo curto prazo, conv\u00e9m importar e n\u00e3o explorar os recursos do xisto\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor do Centro de Estudos de Energia, Pol\u00edtica e Sociedade, V\u00edctor Bronstein. \u201cMas, com um olhar mais estrat\u00e9gico, \u00e9 preciso manter os investimentos e o desenvolvimento desses recursos, j\u00e1 que o pre\u00e7o do petr\u00f3leo voltar\u00e1 a subir em n\u00e3o muito tempo e temos que ter a capacidade para produzir nossos pr\u00f3prios recursos quando esse momento chegar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Bronstein, assim entendeu a presidente Cristina Fern\u00e1ndez, que, para apoiar Vaca Muerta, fixou internamente o valor de US$ 72 para o barril (de 159 litros), \u201c40% acima de seu valor internacional\u201d, entre outros est\u00edmulos produtivos.<\/p>\n<p>A empresa estatal Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales (YPF) informou que Vaca Muerta multiplicou por dez as reservas argentinas de petr\u00f3leo e por 40 as de g\u00e1s, o que permitiria o autoabastecimento energ\u00e9tico e tamb\u00e9m a exporta\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos. A YPF responde por 12 mil dos 30 mil quil\u00f4metros quadrados da jazida situada na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n.<\/p>\n<p>A empresa admite que para sua explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio associar-se a firmas transnacionais que possam aportar \u201ccapital intensivo\u201d. Assim j\u00e1 o fez com a norte-americana Chevron, na mina de Loma Campana, onde havia projetado um pre\u00e7o de US$ 80 o barril para este ano.<\/p>\n<p>\u201cQuem investir\u00e1 nos atuais valores no n\u00e3o convencional?\u201d, perguntou \u00e0 IPS o vice-presidente do Grupo Moreno, Gustavo Calleja. \u201cTemos que guardar Vaca Muerta e continuar estudando em poucos po\u00e7os-piloto suas jazidas, a que profundidade est\u00e3o, que tipo de perfura\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para baixar seus custos\u201d e seus impactos ambientais, afirmou o empres\u00e1rio, que foi subscret\u00e1rio de Combust\u00edveis na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<div id=\"attachment_132070\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-2.jpg\"><img class=\"wp-image-132070\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-2.jpg\" alt=\"T\u00e9cnicos da YPF trabalham na base de uma das torres de perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de xisto na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9m, sudoeste da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"304\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">T\u00e9cnicos da YPF trabalham na base de uma das torres de perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de xisto na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9m, sudoeste da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o do xisto, preso a mais de dois mil metros de profundidade em forma\u00e7\u00f5es sedimentares de baixa permeabilidade e porosidade, \u00e9 feita mediante a fratura hidr\u00e1ulica, tamb\u00e9m conhecida pelo termo ingl\u00eas <i>fracking<\/i>. A fratura hidr\u00e1ulica apresenta riscos ambientais \u2013 tremores, utiliza\u00e7\u00e3o de grandes volumes de \u00e1gua, contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos, entre outros \u2013 e tamb\u00e9m \u00e9 muito cara.<\/p>\n<p>A bonan\u00e7a do xisto surgida nos Estados Unidos em 2008 foi impulsionada, entre outros fatores, pelos altos pre\u00e7os dos hidrocarbonos, que o tornaram rent\u00e1vel. \u201cA pre\u00e7os atuais, os \u00fanicos que podem desenvolv\u00ea-lo s\u00e3o os que t\u00eam tecnologia de alto peso\u201d, afirmou Calleja. O custo de produ\u00e7\u00e3o do barril de xisto \u00e9 estabelecido mediante vari\u00e1veis como extra\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, amortiza\u00e7\u00e3o de investimentos e pagamento de impostos e taxas. Nos Estados Unidos, calcula-se que esse custo varia entre US$ 40 e US$ 70.<\/p>\n<p>Bronstein explicou que esse fato fez a atividade perfuradora diminuir mais de 30% desde a queda dos pre\u00e7os, \u201co que gerar\u00e1 uma baixa na produ\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses\u201d. Na Argentina, o desenvolvimento do xisto \u00e9 incipiente, o que aumenta os custos, por \u201cum tema de escala e problemas de log\u00edstica e infraestrutura\u201d, acrescentou o especialista.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, \u201cum po\u00e7o de xisto, incluindo o <i>fracking<\/i>, custa cerca de US$ 3 milh\u00f5es\u201d, enquanto na Argentina \u201ccusta mais do que o dobro\u201d, acrescentou Bronstein. \u201cO custo de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo convencional na Argentina fica entre US$ 20 e US$ 30, enquanto o de xisto est\u00e1 em torno de US$ 90, mas est\u00e1 baixando com o desenvolvimento de Vaca Muerta\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Canad\u00e1 e China tamb\u00e9m produzem comercialmente petr\u00f3leo n\u00e3o convencional, mas, por suas caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas e operacionais, considera-se que Estados Unidos e Argentina t\u00eam o maior potencial futuro de xisto. A YPF assegura que, com a progressiva redu\u00e7\u00e3o de custos de extra\u00e7\u00e3o, o aumento da produ\u00e7\u00e3o e um pre\u00e7o interno maior do que o de petr\u00f3leo, Vaca Muerta ainda \u00e9 rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O setor espera que a queda de pre\u00e7os baixe os valores dos insumos e servi\u00e7os internacionais, reduzindo os altos custos internos industriais. A companhia tamb\u00e9m assinou acordos para explora\u00e7\u00e3o conjunta de jazidas de xisto com as empresas Petronas (Mal\u00e1sia) e Dow Chemical (Estados Unidos), enquanto outras grandes transnacionais anunciaram que planejam investir em Vaca Muerta.<\/p>\n<p>Brostein acredita que os investimentos continuar\u00e3o porque foram planejados para uma produ\u00e7\u00e3o \u201csignificativa de cinco anos\u201d. E destacou que \u201cisso faz com que os investidores n\u00e3o considerem tanto o pre\u00e7o atual do petr\u00f3leo, mas o pre\u00e7o futuro. E quase todos os analistas coincidem em afirmar que dentro de alguns anos o pre\u00e7o do petr\u00f3leo se recuperar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Para o especialista, \u201co petr\u00f3leo convencional alcan\u00e7ou seu pico de produ\u00e7\u00e3o, por isso ser\u00e1 necess\u00e1rio o desenvolvimento dos recursos n\u00e3o convencionais para atender o aumento da demanda. Nesse sentido, a Argentina \u00e9 um dos pa\u00edses melhor posicionados\u201d.<\/p>\n<p>Cristian Folgar, que foi subsecret\u00e1rio de Combust\u00edveis na d\u00e9cada passada, pontuou que \u201cqualquer foto\u201d que for tirada hoje do mercado \u201cestar\u00e1 viciada\u201d, pois \u201cainda n\u00e3o terminaram de se acomodar os custos de diferentes servi\u00e7os petroleiros\u201d. E acrescentou que a \u201cYPF seguir\u00e1 adiante e n\u00e3o frear\u00e1 investimentos que dependem de sua decis\u00e3o\u201d, porque atualmente a empresa \u201cconcentra todo seu fluxo investidor na Argentina\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 as empresas internacionais, segundo Folgar, diminuiriam seus investimentos em n\u00edvel mundial, por isso \u201ca YPF seguramente n\u00e3o conseguir\u00e1 novos acordos com outras petroleiras para fazer <i>joint ventures<\/i> (associa\u00e7\u00f5es de risco) at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o se estabilize\u201d. Mas, ressaltou, \u201cos que j\u00e1 lan\u00e7aram investimentos n\u00e3o v\u00e3o parar\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Folgar, \u201ca Argentina continua pagando pelo petr\u00f3leo e pelo g\u00e1s os mesmos pre\u00e7os de antes do in\u00edcio desse ciclo de baixa. Como h\u00e1 uma mudan\u00e7a de governo batendo \u00e0 porta, \u00e9 prov\u00e1vel que novos desenvolvimentos esperem que a nova administra\u00e7\u00e3o envie sinais sobre o que far\u00e1 no setor energ\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>Calleja teme que a Ar\u00e1bia Saudita, maior exportador mundial de petr\u00f3leo e que, segundo especialistas, move os fios da queda dos pre\u00e7os para \u2013 entre outros objetivos \u2013 tirar do mercado o emergente xisto, ainda \u201cpode baixar mais\u201d as cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diante do que considera uma \u201cguerra\u201d mundial de interesses, o especialista avalia como oportuno pensar em fontes energ\u00e9ticas n\u00e3o f\u00f3sseis. Calleja aposta nas fontes hidrel\u00e9trica e nuclear, que, com \u201cmenores custos\u201d ambientais e econ\u00f4micos, representam apenas 14% da matriz energ\u00e9tica argentina. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 6\/4\/2015 &ndash; Apesar da queda mundial do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, a Argentina mant&eacute;m sua aposta estrat&eacute;gica na produ&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos n&atilde;o convencionais, embora no curto prazo possa haver complica&ccedil;&atilde;o na capta&ccedil;&atilde;o dos investimentos externos necess&aacute;rios para explorar suas reservas em Vaca Muerta. 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