{"id":18767,"date":"2015-04-08T12:55:12","date_gmt":"2015-04-08T12:55:12","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132212"},"modified":"2015-04-08T12:55:12","modified_gmt":"2015-04-08T12:55:12","slug":"fundos-para-frear-a-mudanca-climatica-nao-chegam-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/fundos-para-frear-a-mudanca-climatica-nao-chegam-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Fundos para frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o chegam \u00e0s mulheres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132214\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cclimatico_mujeres-629x418.jpg\"><img class=\"wp-image-132214\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cclimatico_mujeres-629x418.jpg\" alt=\"Uma investiga\u00e7\u00e3o da Oxfam no Sri Lanka concluiu que dois ter\u00e7os das 33 mil pessoas que morreram ou desapareceram devido ao tsunami de 2004 eram mulheres. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"540\" height=\"359\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma investiga\u00e7\u00e3o da Oxfam no Sri Lanka concluiu que dois ter\u00e7os das 33 mil pessoas que morreram ou desapareceram devido ao tsunami de 2004 eram mulheres. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bali, Indon\u00e9sia, 8\/4\/2015 \u2013 As estat\u00edsticas contam a hist\u00f3ria: em algumas partes do mundo, morrem quatro vezes mais mulheres do que homens quando h\u00e1 inunda\u00e7\u00f5es. E, algumas vezes, elas t\u00eam 14 vezes mais probabilidades de perderem a vida em desastres naturais. Um estudo realizado pela organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam, em 2006, concluiu que morreram quatro vezes mais mulheres em raz\u00e3o do tsunami que atingiu a \u00c1sia em 2004. No Sri Lanka, elas representaram dois ter\u00e7os das 33 mil pessoas que morreram ou desapareceram.<\/p>\n<p>Segundo uma avalia\u00e7\u00e3o do Banco Mundial, dois ter\u00e7os das quase 150 mil pessoas que morreram na Myanmar, ou Birm\u00e2nia, em 2008, durante o ciclone Nargis, eram mulheres. Al\u00e9m disso, para a popula\u00e7\u00e3o feminina, tamb\u00e9m \u00e9 particularmente duro o per\u00edodo posterior a um desastre ambiental, quando deve enfrentar as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, as v\u00e1rias priva\u00e7\u00f5es e se dedicar ao cuidado das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As mulheres deslocadas por causa de eventos clim\u00e1ticos tamb\u00e9m s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia e aos abusos, como ficou documentado no Plano Internacional para a seca que afligiu a Eti\u00f3pia em 2010, quando mulheres e meninas tinham que caminhar longas dist\u00e2ncias em busca de \u00e1gua e sofriam agress\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p>Nos contextos posteriores a um desastre, a responsabilidade pela alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia costuma recair sobre as mulheres, e muitas s\u00e3o obrigadas a cuidar do sustento da casa quando os homens emigram em busca de trabalho. O esquema se repete em cada crise ambiental que ocorre no mundo.<\/p>\n<p>Um informe \u2013 publicado em mar\u00e7o pelo Fundo Global Greengrants (GGF), pela Rede Internacional de Fundos de Mulheres e pela Alian\u00e7a de Fundos \u2013 concluiu que \u201cas mulheres em todo o mundo s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis \u00e0s amea\u00e7as da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, mas t\u00eam menos probabilidades de receberem recursos para se recuperar, se adaptar ou se proteger dos perigos de desastres ambientais.<\/p>\n<p>Elaborado ap\u00f3s a C\u00fapula sobre Mulheres e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, realizada em agosto de 2014 na ilha indon\u00e9sia de Bali, onde se reuniram cerca de cem ativistas e especialistas, o documento revela \u201cque apenas 0,01% dos fundos destinados a projetos de apoio chegam a iniciativas que cobrem os direitos das mulheres e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. Especialistas afirmam que h\u00e1 um grande d\u00e9ficit de fundos, justamente quando a comunidade internacional redobra seus esfor\u00e7os para lidar com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que a cada ano cobra maior urg\u00eancia.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Germanwatch concluiu que, entre 1994 e 2013, \u201cmais de 530 mil pessoas morreram como resultado direto de aproximadamente 15 mil eventos clim\u00e1ticos extremos, e as perdas chegaram a quase US$ 2,2 trilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos financiadores carece de programas ou sistemas adequados para ajudar as mulheres com solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Os homens recebem muito mais fundos para iniciativas clim\u00e1ticas porque os doadores tendem a apontar para esfor\u00e7os p\u00fablicos e de maior escala, enquanto os projetos para mulheres costumam ser mais locais e menos vis\u00edveis\u201d, conclui o informe do GGF.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 a falta de fundos, mas a ignor\u00e2ncia ou a falta de vontade por parte dos doadores ou organiza\u00e7\u00f5es contribuintes de canalizar recursos para iniciativas e projetos mais efetivos. \u201cO novo informe \u00e9 um guia para os contribuintes sobre como identificar projetos para que as mulheres possam sair de situa\u00e7\u00f5es perigosas\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor-executivo do GGF, Terry Odendahl.<\/p>\n<p>Em uma tentativa de conectar os doadores com as mulheres que trabalham em suas pr\u00f3prias comunidades, a reuni\u00e3o de c\u00fapula de Bali reuniu ativistas e organiza\u00e7\u00f5es que entregaram cerca de tr\u00eas mil subs\u00eddios ao ano em 125 pa\u00edses, no valor de US$ 45 milh\u00f5es. A ideia da c\u00fapula foi que as experi\u00eancias e as ideias das mulheres de base marcassem a agenda dos doadores.<\/p>\n<p>Entre as muitas prioridades destacam-se as necessidades de aumentar a participa\u00e7\u00e3o feminina na tomada de decis\u00f5es em escalas local, nacional e internacional, de atender as amea\u00e7as clim\u00e1ticas mais urgentes que afetam as mulheres rurais, e de reconhecer sua capacidade inerente, em especial das ind\u00edgenas e camponesas, para frear as emiss\u00f5es de gases-estufa e proteger ambientes sens\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres agora t\u00eam que praticamente gritar para serem ouvidas\u201d, afirmou \u00e0 IPS a ativista Aleta Baun, da ilha de Timor Ocidental, que recebeu em 2013 o Pr\u00eamio Ambiental Goldman por organizar o protesto de uma comunidade em uma \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o de m\u00e1rmore em florestas protegidas no monte Mutis. Seu incans\u00e1vel trabalho lhe valeu um grande reconhecimento, mas tamb\u00e9m a exp\u00f4s a v\u00e1rios perigos. Baun recorda que h\u00e1 dez anos, quando recebeu amea\u00e7as de morte, n\u00e3o tinha uma rede de apoio, nem local nem internacional, \u00e0 qual recorrer em busca de ajuda.<\/p>\n<p>Instrumentos como o informe do GGF podem servir para reduzir a brecha e conectar atores e organiza\u00e7\u00f5es que funcionem em separado. A diretora-executiva da Rede Internacional de Fundos de Mulheres, Emilienne de Leon Aulina, pontuou \u00e0 IPS que \u201c\u00e9 um processo lento. Come\u00e7amos a trabalhar. O que temos de fazer \u00e9 criar consci\u00eancia entre os tomadores de decis\u00f5es e os resultados vir\u00e3o sozinhos\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o poss\u00edvel projeto entre o Fundo de A\u00e7\u00e3o Urgente e o Instituto Samadhana, da Indon\u00e9sia, para mapear o impacto das amea\u00e7as contra defensoras do ambiente, que teve um perturbador aumento na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O estudo <em>Ambiente Mortal<\/em>, da organiza\u00e7\u00e3o Global Witness, que analisa os ataques contra defensores dos direitos \u00e0 terra e ativistas ambientais, concluiu que, entre 2002 e 2013, pelo menos 903 pessoas dedicadas a essas atividades foram assassinadas, um n\u00famero compar\u00e1vel ao de jornalistas falecidos no mesmo per\u00edodo. Como as defensoras do ambiente costumam se concentrar em assuntos locais e trabalhar em escala comunit\u00e1ria, os perigos aos quais est\u00e3o expostas n\u00e3o est\u00e3o bem documentados.<\/p>\n<p>Para algu\u00e9m como Baun, que sofreu m\u00faltiplas amea\u00e7as de morte e pelo menos uma de viola\u00e7\u00e3o em grupo, tanto a gera\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia quanto a distribui\u00e7\u00e3o de fundos chegam lentamente. \u201cSofro h\u00e1 15 anos e s\u00f3 agora as pessoas come\u00e7aram a se dar conta. Mas pelo menos se d\u00e3o conta. \u00c9 muito melhor do que o silencio\u201d, reconheceu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bali, Indon&eacute;sia, 8\/4\/2015 &ndash; As estat&iacute;sticas contam a hist&oacute;ria: em algumas partes do mundo, morrem quatro vezes mais mulheres do que homens quando h&aacute; inunda&ccedil;&otilde;es. 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