{"id":18771,"date":"2015-04-08T12:46:05","date_gmt":"2015-04-08T12:46:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132204"},"modified":"2015-04-08T12:46:05","modified_gmt":"2015-04-08T12:46:05","slug":"a-justica-continua-evitando-os-abusos-da-guerra-no-sri-lanka","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/a-justica-continua-evitando-os-abusos-da-guerra-no-sri-lanka\/","title":{"rendered":"A justi\u00e7a continua evitando os abusos da guerra no Sri Lanka"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132206\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/memorial-629x418.jpg\"><img class=\"wp-image-132206\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/memorial-629x418.jpg\" alt=\"Monumento \u00e0s for\u00e7as armadas ca\u00eddas na guerra civil do Sri Lanka na Passagem do Elefante, norte do pa\u00eds. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"540\" height=\"359\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Monumento \u00e0s for\u00e7as armadas ca\u00eddas na guerra civil do Sri Lanka na Passagem do Elefante, norte do pa\u00eds. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colombo, Sri Lanka, 8\/4\/2015 \u2013 Jessi Joygeswaran parece uma t\u00edpica mulher de 23 anos, com um sorriso contagiante, como o de milh\u00f5es de jovens de sua idade no mundo. \u201cQuero ir para a universidade, quero ter um bom emprego\u201d, disse \u00e0 IPS na capital do Sri Lanka, certa de poder realizar seus sonhos. Mas a vida dessa jovem tem sido qualquer coisa menos comum. Cresceu em uma zona de guerra no norte desse pa\u00eds e agora pensa tanto na investiga\u00e7\u00e3o dos crimes de guerra e na reconcilia\u00e7\u00e3o nacional como em seu pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n<p>Procedente da minoria tamil, a jovem nasceu e se criou em Vanni, uma regi\u00e3o da Prov\u00edncia do Norte que sofreu a pior parte da guerra civil que terminou em maio de 2009, ap\u00f3s 26 anos de enfrentamentos entre o governo e o movimento separatista Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Tamil Eelam (LTTE), que pretendia um Estado pr\u00f3prio nas prov\u00edncias de fala tamil no norte e leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia obrigou Joygeswaran a fugir em 2006, com apenas 14 anos, de seu lar ancestral no povoado de Andankulam, no distrito de Mannar. \u201cFugimos das balas e da artilharia durante tr\u00eas anos\u201d, recordou a jovem. Em 2009, ela e sua fam\u00edlia finalmente escaparam do horror. \u201cA morte era uma possibilidade a cada segundo\u201d, garantiu, sem sorriso no rosto.<\/p>\n<p>Mesmo depois do fim da guerra, os problemas continuaram na regi\u00e3o de Vanni. Cerca de 250 mil pessoas que escaparam da guerra foram confinadas em campos de refugiados que pareciam centros de deten\u00e7\u00e3o, onde permaneceram at\u00e9 o final de 2010. Ao retornarem para suas casas, as cenas de devasta\u00e7\u00e3o receberam mais de 400 mil pessoas que fugiram da regi\u00e3o durante a guerra, obrigando-as a reconstruir suas vidas a partir do zero e a assumir a morte ou o desaparecimento de milhares de seus entes queridos. A falta de moradia, o trauma e o medo eram coisas cotidianas.<\/p>\n<p>Tudo isso mudou no dia 8 de janeiro, quando Maithripala Sirisena venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e no dia seguinte sucedeu Mahinda Rajapaksa, que controlou o pa\u00eds com m\u00e3o de ferro depois da derrota do LTTE. Nesse 8 de janeiro, pela primeira vez em sua vida, Joygeswaran votou junto com seus compatriotas. Apesar da discrimina\u00e7\u00e3o que sua comunidade minorit\u00e1ria sofreu no passado, a jovem confia no novo governo nacional. \u201cVotamos pela justi\u00e7a e pela paz para todos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u00c9 uma aspira\u00e7\u00e3o humilde, mas compartilhada pela maioria dos habitantes desse pa\u00eds insular de 20 milh\u00f5es de habitantes, onde o derramamento de sangue, que causou entre 80 mil e cem mil v\u00edtimas, fez com que muitos duvidassem de que alguma vez pudessem voltar \u00e0 normalidade.<\/p>\n<p>As primeiras semanas do governo de Sirisena foram d\u00edspares, especialmente para os tamis do norte. As restri\u00e7\u00f5es aos seus deslocamentos e a presen\u00e7a militar sufocante, j\u00e1 que as for\u00e7as armadas controlam praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, se flexibilizaram, mas o avan\u00e7o em assuntos mais delicados, como uma investiga\u00e7\u00e3o real sobre os abusos cometidos em tempos de guerra, continua sendo limitado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias da guerra pode ter ocorrido a morte de aproximadamente 40 mil civis, segundo uma comiss\u00e3o assessora criada pelo secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon. O governo anterior questiona esse n\u00famero. Mas um livro da respeitada organiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o Professores Universit\u00e1rios pelos Direitos Humanos, intitulado <em>Palmyra Fraturada<\/em>, alerta que o n\u00famero poderia chegar aos cem mil mortos.<\/p>\n<p>Tanto as for\u00e7as governamentais com as do LTTE s\u00e3o acusadas de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos durante os \u00faltimos combates da guerra civil. As for\u00e7as armadas s\u00e3o acusadas de realizarem execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias de dirigentes do LTTD que haviam se rendido, bem como poss\u00edveis casos de abuso sexual contra pessoas em cativeiro. As for\u00e7as separatistas s\u00e3o acusadas de utilizar civis como escudos humanos e de recrutar meninos e meninas para suas fileiras, entre outras coisas.<\/p>\n<p>Tr\u00eas resolu\u00e7\u00f5es apresentadas no Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, solicitaram uma investiga\u00e7\u00e3o internacional sobre o final da guerra. O governo de Rajapaksa, decidido a n\u00e3o permitir a \u201cinger\u00eancia estrangeira\u201d no que qualificou de uma quest\u00e3o puramente interna, criou sua pr\u00f3pria Comiss\u00e3o sobre Li\u00e7\u00f5es Aprendidas e Reconcilia\u00e7\u00e3o, no entanto suas recomenda\u00e7\u00f5es foram ignoradas em grande parte.<\/p>\n<p>Existe uma comiss\u00e3o permanente sobre os desaparecimentos, e o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha come\u00e7ou um estudo nacional sobre as fam\u00edlias dos desaparecidos. Por\u00e9m, nenhuma das medidas deu lugar a um \u00fanico processo ou queixa judicial contra os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>O governo de Sirisena prometeu uma investiga\u00e7\u00e3o nova, com contribui\u00e7\u00f5es internacionais. O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Mangala Samaraweera, percorreu o mundo desde que assumiu o cargo, procurando convencer a comunidade internacional a dar um respiro ao Sri Lanka que lhe permita aplicar um processo de reconcilia\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio e veross\u00edmil.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora seus encantos parecem estar funcionando. Estados Unidos, Gr\u00e3-Bretanha e outros pa\u00edses ricos concordaram em adiar a publica\u00e7\u00e3o de um informe de investiga\u00e7\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos durante a guerra, previsto inicialmente para mar\u00e7o e que agora ser\u00e1 divulgado em setembro.<\/p>\n<p>Em 18 de mar\u00e7o, o governo anunciou que estava considerando levantar as proibi\u00e7\u00f5es contra a di\u00e1spora tamil, em um movimento que muitos pensam que busca o apoio de tamis moderados em todo o mundo. Embora n\u00e3o existam dados oficiais, acredita-se que a popula\u00e7\u00e3o tamil fora do Sri Lanka seja de aproximadamente 700 mil pessoas.<\/p>\n<p>\u201cO governo do presidente Sirisena est\u00e1 seriamente comprometido em agilizar o processo de reconcilia\u00e7\u00e3o. Ao faz\u00ea-lo, a di\u00e1spora do Sri Lanka, seja de cingaleses, tamis ou mu\u00e7ulmanos, tem um papel extremamente importante a desempenhar\u201d, declarou o chanceler Samaraweera no parlamento, no dia 18 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Apesar dessa guinada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 di\u00e1spora, o governo deixou claro que o mecanismo para investigar poss\u00edveis crimes de guerra cometidos pelos dois lados deve ser uma iniciativa nacional sem inger\u00eancia estrangeira. \u201cQualquer acusa\u00e7\u00e3o contra nossas for\u00e7as de seguran\u00e7a deve ser investigada, mas tem de ser manejada pelo mecanismo local, isso \u00e9 o que sempre declaramos\u201d, disse em fevereiro o ministro de Energia, Patali Champika Ranawaka, na Associa\u00e7\u00e3o de Correspondentes Estrangeiros. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Colombo, Sri Lanka, 8\/4\/2015 &ndash; Jessi Joygeswaran parece uma t&iacute;pica mulher de 23 anos, com um sorriso contagiante, como o de milh&otilde;es de jovens de sua idade no mundo. &ldquo;Quero ir para a universidade, quero ter um bom emprego&rdquo;, disse &agrave; IPS na capital do Sri Lanka, certa de poder realizar seus sonhos. 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