{"id":18773,"date":"2015-04-09T13:54:10","date_gmt":"2015-04-09T13:54:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132301"},"modified":"2015-04-09T13:54:10","modified_gmt":"2015-04-09T13:54:10","slug":"empresas-estrangeiras-tiram-terras-dos-pobres-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/empresas-estrangeiras-tiram-terras-dos-pobres-na-africa\/","title":{"rendered":"Empresas estrangeiras tiram terras dos pobres na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132303\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/arreb-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-132303\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/arreb-629x353.jpg\" alt=\"Uma mulher e seus filhos recolhem folhas de tabaco enquanto se preparam para abandonar sua terra no norte do Zimb\u00e1bue, ap\u00f3s receberem ordem de despejo. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS\" width=\"540\" height=\"303\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher e seus filhos recolhem folhas de tabaco enquanto se preparam para abandonar sua terra no norte do Zimb\u00e1bue, ap\u00f3s receberem ordem de despejo. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 9\/4\/2015 \u2013 Uma nova luta \u00e9 travada na \u00c1frica. As elites pol\u00edticas e as empresas estrangeiras expulsam os habitantes pobres de suas casas na medida em que se apoderam de grandes extens\u00f5es de terra em todo o continente, conforme den\u00fancias de ativistas.<\/p>\n<p>\u201cNossos antepassados protestaram quando os colonizadores se apoderaram de suas terras h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, mas hoje a hist\u00f3ria se repete, j\u00e1 que nossos pr\u00f3prios l\u00edderes pol\u00edticos e compatriotas ricos est\u00e3o saqueando a terra\u201d, afirmou Claris Madhuku, diretor da Plataforma pelo Desenvolvimento da Juventude (PYD), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental do Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>O ativista Owen Dliwayo, da Rede de A\u00e7\u00e3o Di\u00e1logo Juvenil, outra ONG do Zimb\u00e1bue, adverte que as empresas transnacionais t\u00eam a culpa da apropria\u00e7\u00e3o das terras que afeta a maioria dos pa\u00edses africanos. \u201cPosso dar o exemplo do projeto de combust\u00edvel de etanol, em Chisumbanje, aqui em Chipinge\u201d, sudeste do pa\u00eds, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO projeto resultou no deslocamento de milhares de alde\u00f5es para preparar o caminho para uma planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, mediante a libera\u00e7\u00e3o de milhares de hectares de terra para produ\u00e7\u00e3o de etanol\u201d, acrescentou Dliwayo. A planta\u00e7\u00e3o de 40 mil hectares, que come\u00e7ou em 2008, deslocou mais de l.754 fam\u00edlias, segundo PYD.<\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos, o Zimb\u00e1bue aplicou um controvertido plano de reforma agr\u00e1ria para resolver os desequil\u00edbrios na posse da terra herdados da \u00e9poca colonial.<\/p>\n<p>\u201cDizer que na\u00e7\u00f5es africanas como o Zimb\u00e1bue resolveram o problema da terra \u00e9 faltar com a verdade, porque a terra confiscada dos agricultores brancos foi dividida entre as elites pol\u00edticas \u00e0 custa dos camponeses\u201d, denunciou \u00e0 IPS Terry Mutsvanga, reconhecido ativista pelos direitos humanos. \u201cO confisco de terras na \u00c1frica ajudou a perpetuar desigualdades econ\u00f4micas semelhantes aos desequil\u00edbrios econ\u00f4micos da \u00e9poca colonial\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Em 2010, o servi\u00e7o de not\u00edcias ZimOnline informou que cerca de 2.200 zimbabuenses negros pertencentes \u00e0 elite do pa\u00eds controlam quase 40% dos 14 milh\u00f5es de hectares de terras confiscadas de fazendeiros brancos, e que o presidente Robert Mugabe e sua fam\u00edlia possuem 14 propriedades com extens\u00e3o de 16 mil hectares, pelo menos.<\/p>\n<p>Em Uganda, ocorre um padr\u00e3o de desigualdade semelhante, segundo documento de 2011 preparado por Joshua Zake, coordenador do Grupo de Trabalho Florestal da organiza\u00e7\u00e3o Alerta Ambiental. A suspeita da exist\u00eancia de petr\u00f3leo e outros recursos minerais fomenta a monopoliza\u00e7\u00e3o das terras na \u00c1frica, especialmente em Uganda, como aconteceu nos distritos ugandenses de Amuru e Bulisa, explicou. O mesmo se aplica ao Zimb\u00e1bue, onde o governo deslocou mais de 800 fam\u00edlias da localidade de Chiadzwa, na prov\u00edncia de Manicaland, ap\u00f3s a descoberta de diamantes na \u00e1rea, em 2005.<\/p>\n<p>A apropria\u00e7\u00e3o de terras tamb\u00e9m acontece no \u00e2mbito urbano, segundo urbanizadores privados africanos. \u201cH\u00e1 uma grande demanda por terras para a constru\u00e7\u00e3o de moradias nos povoados e nas cidades da \u00c1frica, devido \u00e0 forte migra\u00e7\u00e3o rural\u201d, explicou Etuna Nujoma, um empres\u00e1rio imobili\u00e1rio de Windhoek, capital da Nam\u00edbia. \u201cOs ricos e poderosos, bem como os pol\u00edticos corruptos, se aproveitam da demanda por terras e costumam dividir entre si os terrenos urbanos para sua revenda a pre\u00e7os exorbitantes \u00e0 custa dos pobres\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, em 2014 um grupo de habitantes de assentamentos informais nos arredores do balne\u00e1rio costeiro de Swakopmund, na Nam\u00edbia, ocupou terrenos municipais. J\u00e1 em Mo\u00e7ambique os pobres est\u00e3o perdendo a partida diante dos investidores estrangeiros, apesar de nesse pa\u00eds existir a propriedade privada da terra. A Constitui\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana estabelece que o Estado \u00e9 o \u00fanico propriet\u00e1rio da terra e de seus recursos derivados, mas as leis outorgam aos particulares o direito ao usufruto e benef\u00edcio das terras, embora n\u00e3o tenham um t\u00edtulo formal de posse.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada em 2014 pela Uni\u00e3o Nacional de Agricultores Mo\u00e7ambicanos revelou que no pa\u00eds se produzia uma apropria\u00e7\u00e3o de terras ao estilo colonial, j\u00e1 que empresas com v\u00ednculos pol\u00edticos confiscavam dos agricultores centenas de milhares de hectares de terras de cultivo.<\/p>\n<p>Segundo a Grain, organiza\u00e7\u00e3o internacional que apoia os pequenos agricultores, os camponeses do norte de Mo\u00e7ambique t\u00eam dificuldades para manter suas terras, na medida em que companhias estrangeiras se instalam com seus agroneg\u00f3cios em grande escala. Aos mo\u00e7ambicanos se diz que esses projetos lhes trar\u00e3o benef\u00edcios, mas essa n\u00e3o \u00e9 a opini\u00e3o de C\u00e9sar Guebuza e outros camponeses.<\/p>\n<p>\u201cOs investimentos agr\u00edcolas das empresas estrangeiras n\u00e3o nos beneficia. Pelo contr\u00e1rio, perdemos as terras para essas companhias que investem aqui e nos tratam como estrangeiros em nossa pr\u00f3pria terra\u201d, destacou Guebuza \u00e0 IPS. \u201cO governo de Mo\u00e7ambique \u00e9 conhecido por ficar do lado dos investidores estrangeiros, que agora ocupam grandes extens\u00f5es de terra para pr\u00f3prio uso, enquanto os camponeses locais perdem as suas, que s\u00e3o seu direito de nascimento\u201d, enfatizou Kingston Nyakurukwa, um economista independente do Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Este ano, a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ActionAid Tanz\u00e2nia, informou que, com apoio da Uni\u00e3o Europeia e dos Estados Unidos, a Nova Alian\u00e7a para a Seguran\u00e7a Alimentar e a Nutri\u00e7\u00e3o pretende investir cerca de US$ 8,2 bilh\u00f5es no desenvolvimento agr\u00edcola da \u00c1frica. Por\u00e9m, essas iniciativas empresariais tirar\u00e3o dos africanos seu dinheiro bem ganho, quando comprarem os produtos agr\u00edcolas, afirmou Nyakurukwa.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, em Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria e Tanz\u00e2nia, os pequenos agricultores s\u00e3o deslocados de suas terras para liber\u00e1-las para as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar, arroz e outros cultivos destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, com apoio do dinheiro da Nova Alian\u00e7a, segundo a ActionAid Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Na Tanz\u00e2nia, os grandes investimentos poderiam gradualmente deixar os camponeses sem terra. \u201cO dinheiro dos investidores parece estar empurrando-os de nossas terras aqui na Tanz\u00e2nia, j\u00e1 que a ningu\u00e9m foi oferecida a possibilidade de escolher ser reassentado ou n\u00e3o, porque, \u00e0 for\u00e7a, nos oferecem dinheiro ou terras de reassentamento\u201d, ressaltou o campon\u00eas Moses Malunguja. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 9\/4\/2015 &ndash; Uma nova luta &eacute; travada na &Aacute;frica. 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