{"id":18787,"date":"2015-04-10T13:07:08","date_gmt":"2015-04-10T13:07:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132388"},"modified":"2015-04-10T13:07:08","modified_gmt":"2015-04-10T13:07:08","slug":"a-igualdade-continua-sendo-um-sonho-para-as-mulheres-do-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/a-igualdade-continua-sendo-um-sonho-para-as-mulheres-do-nepal\/","title":{"rendered":"A igualdade continua sendo um sonho para as mulheres do Nepal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132390\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/pensativa-550x472.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-132390\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/pensativa-550x472.jpg\" alt=\"Uma mulher assiste a uma reuni\u00e3o de um grupo de apoio a familiares de desaparecidos na cidade nepalesa de Biratnagar. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"550\" height=\"472\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher assiste a uma reuni\u00e3o de um grupo de apoio a familiares de desaparecidos na cidade nepalesa de Biratnagar. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Katmandu, Nepal, 10\/4\/2015 \u2013 Desde que acorda at\u00e9 ir dormir, a principal preocupa\u00e7\u00e3o de Kali Sunar, uma mulher de 25 anos de Dumpada, uma aldeia no oeste do Nepal, \u00e9 como poder\u00e1 atender as necessidades b\u00e1sicas de sua fam\u00edlia. Sua pequena propriedade produz alimentos suficientes apenas para sua fam\u00edlia de seis pessoas para tr\u00eas meses ao ano.<\/p>\n<p>Seu marido e seu irm\u00e3o viajam \u00e0 vizinha \u00cdndia para trabalhar como oper\u00e1rios, como fazem milhares nesse pa\u00eds de 27,5 milh\u00f5es de habitantes. \u201cO dinheiro que enviam n\u00e3o \u00e9 suficiente porque mais da metade \u00e9 gasta em viagens de ida e volta. Se pudesse conseguir algum tipo de trabalho, seria um grande al\u00edvio\u201d, contou Sunar \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Cerca de 23 milh\u00f5es de nepaleses, ou 85% da popula\u00e7\u00e3o, vivem em zonas rurais, dos quais 7,4 milh\u00f5es s\u00e3o mulheres em idade reprodutiva. Muitas n\u00e3o receberam educa\u00e7\u00e3o formal, o que explica a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o feminina de 57,4%, em compara\u00e7\u00e3o com a masculina, de 75%.<\/p>\n<p>Especialistas garantem que, enquanto n\u00e3o alcan\u00e7arem a igualdade com os homens, as mulheres, como Sunar, permanecer\u00e3o presas em suas vidas de pobreza. O Nepal assinou v\u00e1rios tratados internacionais que prometem a paridade de g\u00eanero, mas muitas dessas promessas se limitam ao papel em que est\u00e3o escritas.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher, que o Nepal ratificou em 1991, estabelece que os Estados partes devem adotar todas as medidas necess\u00e1rias para evitar a exclus\u00e3o das mulheres ou a viola\u00e7\u00e3o contra elas. Lamentavelmente, essa n\u00e3o \u00e9 a realidade nesse pa\u00eds sem sa\u00edda para o mar.<\/p>\n<p>Para a iniciativa Hackaton pela Viol\u00eancia Contra a Mulher, que nasceu em um encontro de programadores de inform\u00e1tica realizado em Katmandu em 2013, a viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 a principal causa de morte entre as mulheres nepalesas de 19 a 44 anos, mais do que a guerra, o c\u00e2ncer ou os acidentes automobil\u00edsticos.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o afirma que \u201c22% das mulheres entre 15 e 49 anos sofreram viol\u00eancia f\u00edsica ao menos uma vez a partir dos 15 anos, 43% das mulheres sofreram ass\u00e9dio sexual no local de trabalho e entre cinco mil e 12 mil meninas e mulheres s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas a cada ano. Aproximadamente 75% destas \u00faltimas s\u00e3o menores de 18 anos e a maioria \u00e9 vendida para prostitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.<\/p>\n<div id=\"attachment_132391\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Kali.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-132391\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Kali.jpg\" alt=\"Kali Sunar, de 25 anos, colhe em sua pequena propriedade apenas o suficiente para alimentar sua fam\u00edlia de seis pessoas durante tr\u00eas meses ao ano. Foto: Renu Kshetry\/IPS\" width=\"300\" height=\"452\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Kali Sunar, de 25 anos, colhe em sua pequena propriedade apenas o suficiente para alimentar sua fam\u00edlia de seis pessoas durante tr\u00eas meses ao ano. Foto: Renu Kshetry\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os ativistas pelos direitos humanos afirmam que o pa\u00eds tamb\u00e9m burla sistematicamente seu compromisso com a erradica\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no local de trabalho, em mat\u00e9ria jur\u00eddica e em numerosos \u00e2mbitos c\u00edvicos, econ\u00f4micos e sociais.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de 2007, redigida para facilitar a transi\u00e7\u00e3o da monarquia para rep\u00fablica federal, tomou medidas para que as mulheres, e outros grupos da popula\u00e7\u00e3o marginalizados, participassem ativamente da pol\u00edtica segundo o princ\u00edpio de representa\u00e7\u00e3o proporcional. Na elei\u00e7\u00e3o de 2008 para a Assembleia Constituinte, as mulheres conquistaram 33% das cadeiras no parlamento de 601 membros. Mas esse n\u00famero caiu para 30% nas elei\u00e7\u00f5es de 2013, e as mulheres s\u00f3 ocuparam 11,53% dos cargos no gabinete ministerial.<\/p>\n<p>Um informe da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Saathi, que fez um acompanhamento da Resolu\u00e7\u00e3o 1325 do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que exige das partes em conflito que respeitem os direitos das mulheres, concluiu que a participa\u00e7\u00e3o feminina no poder judicial nepal\u00eas \u00e9 apenas de 2,3%. O mesmo informe indica que h\u00e1 5,6% de mulheres na Suprema Corte, 3,7% nos tribunais de apela\u00e7\u00e3o, nenhuma nos tribunais especiais e 0,89% nos tribunais distritais.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o feminina nos organismos de seguran\u00e7a \u00e9 ainda mais preocupante, segundo um estudo de 2012. O ex\u00e9rcito tem apenas 1,6% de mulheres, a for\u00e7a policial armada 3,7% e a policia comum 5,7%. S\u00f3 no setor da sa\u00fade as mulheres chegam a se aproximar de seus colegas masculinos, onde ocupam 4.887 dos 13.936 postos, ou cerca de 36% do total. Mas mesmo esse n\u00famero \u00e9 baixo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a taxa de mortalidade materna do Nepal chega a 190 mulheres para cada cem mil nascidos vivos. Apenas 15% das mulheres t\u00eam acesso a centros de sa\u00fade. E dados do Escrit\u00f3rio Central de Estat\u00edsticas mostram que as mulheres s\u00e3o propriet\u00e1rias da terra ou da moradia em apenas 19,71% dos lares.<\/p>\n<p>Apesar de a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho indicar que a taxa de participa\u00e7\u00e3o feminina do Nepal \u00e9 superior \u00e0 de seus vizinhos do sul da \u00c1sia, com 80%, em compara\u00e7\u00e3o a 36% de Bangladesh, 27% da \u00cdndia, 32% do Sri Lanka e 24% do Paquist\u00e3o, as mulheres que trabalham est\u00e3o agoniadas pelas atitudes sociais imperantes, que lhes imp\u00f5em o trabalho dom\u00e9stico, al\u00e9m de seu emprego formal. \u201cIsto dificulta \u00e0s mulheres desempenharem em seu \u00e2mbito escolhido e ter um impacto\u201d, destacou Mahalaxmi Aryal.<\/p>\n<p>Usha Kala Rai, destacada ativista feminista e pol\u00edtica, reconhece que o pa\u00eds tem muitos fundamentos jur\u00eddicos para remediar os problemas das mulheres, mas afirmou que raramente s\u00e3o utilizados. \u201cNos falta por completo a vontade pol\u00edtica e o compromisso de aplicar essas disposi\u00e7\u00f5es legais\u201d, afirmou essa ativista que no passado integrou a Assembleia Constituinte e \u00e9 dirigente do governante Partido Comunista do Nepal (Unificado Marxista Leninista).<\/p>\n<p>Rai cobra um n\u00famero maior de mulheres em postos de tomada de decis\u00f5es, mas reconhece que as que chegam a ocup\u00e1-los costumam proceder da classe superior, com o privil\u00e9gio de ter recebido uma boa educa\u00e7\u00e3o, e por isso n\u00e3o representam necessariamente as nepalesas do restante do espectro socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>Rai \u00e9 favor\u00e1vel a um sistema de representa\u00e7\u00e3o proporcional em todos os \u00f3rg\u00e3os do Estado, com uma participa\u00e7\u00e3o feminina baseada nos 52% de mulheres na popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u201cAs mulheres dirigentes t\u00eam de se elevar acima das linhas do partido se realmente querem incidir\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Katmandu, Nepal, 10\/4\/2015 &ndash; Desde que acorda at&eacute; ir dormir, a principal preocupa&ccedil;&atilde;o de Kali Sunar, uma mulher de 25 anos de Dumpada, uma aldeia no oeste do Nepal, &eacute; como poder&aacute; atender as necessidades b&aacute;sicas de sua fam&iacute;lia. 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