{"id":18792,"date":"2015-04-13T13:30:52","date_gmt":"2015-04-13T13:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132458"},"modified":"2015-04-13T13:30:52","modified_gmt":"2015-04-13T13:30:52","slug":"ondas-de-igualdade-de-genero-se-propagam-por-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/ondas-de-igualdade-de-genero-se-propagam-por-bangladesh\/","title":{"rendered":"Ondas de igualdade de g\u00eanero se propagam por Bangladesh"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132460\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/mujeres_bangladesh-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-132460\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/mujeres_bangladesh-629x419.jpg\" alt=\"Cada vez mais mulheres em Bangladesh se voltam para as r\u00e1dios comunit\u00e1rias como forma de conscientizar sobre assuntos de interesse da popula\u00e7\u00e3o feminina. Foto: Naimul Haq\/IPS\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cada vez mais mulheres em Bangladesh se voltam para as r\u00e1dios comunit\u00e1rias como forma de conscientizar sobre assuntos de interesse da popula\u00e7\u00e3o feminina. Foto: Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Daca, Bangladesh, 13\/4\/2015 \u2013 Se as manchetes dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de Bangladesh refletem algo, \u00e9 que as mulheres n\u00e3o t\u00eam um papel significativo nos assuntos que afetam o pa\u00eds, nem nos que lhes dizem respeito particularmente. Uma pesquisa da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Bangladesh Nari Progati Sangha (BNPS) estudou a presen\u00e7a feminina em 3.361 not\u00edcias no per\u00edodo de dois meses, e constatou que \u201capenas 16% das mat\u00e9rias di\u00e1rias, 14% do notici\u00e1rio da televis\u00e3o e 20% dos informativos de r\u00e1dio consideraram as mulheres com sujeitos ou as entrevistaram\u201d.<\/p>\n<p>Menos de 8% das not\u00edcias tiveram as mulheres como protagonistas. Das poucas profissionais que apareceram na televis\u00e3o, 97% liam as not\u00edcias, enquanto os restantes 3% entraram na categoria de \u201cjornalistas\u201d. Apenas 0,03% dos artigos de opini\u00e3o tiveram uma assinatura feminina, segundo a pesquisa. O estudo revelou que, embora as fotografias mostrassem mais mulheres do que homens, elas eram citadas menos vezes, demonstrando a veracidade do velho prov\u00e9rbio bengal\u00eas de que as mulheres \u201cs\u00e3o vistas, nas n\u00e3o s\u00e3o ouvidas\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, as mulheres que n\u00e3o est\u00e3o dispostas a ficar de bra\u00e7os cruzados diante desta situa\u00e7\u00e3o refletida nas estat\u00edsticas decidiram utilizar o r\u00e1dio como ferramenta para dar voz \u00e0s suas cong\u00eaneres e destacar assuntos relativos ao meio rural. As mulheres representam 49% dos 157 milh\u00f5es de habitantes de Bangladesh. A maioria se concentra em \u00e1reas rurais, onde vivem 111,2 milh\u00f5es de pessoas, 72% da popula\u00e7\u00e3o. A dist\u00e2ncia entre as mulheres e os centros urbanos, onde s\u00e3o tomadas as decis\u00f5es, \u00e9 coberta por um duplo manto de invisibilidade.<\/p>\n<p>Segundo o estudo do BNPS, apenas 12% dos artigos di\u00e1rios, 7% dos notici\u00e1rios de televis\u00e3o e 5% dos informativos de r\u00e1dio s\u00e3o dedicados \u00e0s zonas rurais, apesar de as cidades ocuparem apenas 8% do territ\u00f3rio nacional e s\u00f3 concentrarem 28% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de mulheres e de temas vinculados a elas na m\u00eddia \u00e9 uma tend\u00eancia perigosa em um pa\u00eds que est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o 142 entre 187 Estados no \u00faltimo \u00cdndice de Desigualdade de G\u00eanero, do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o que deixa Bangladesh entre as piores coloca\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O estudo da BNPS tamb\u00e9m revela que menos de 1% das not\u00edcias estudadas menciona a desigualdade de g\u00eanero e apenas 11 artigos questionaram os estere\u00f3tipos de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Devido ao alto analfabetismo no pa\u00eds \u2013 somente 59% da popula\u00e7\u00e3o sabe ler e escrever, bem abaixo da m\u00e9dia mundial de 84,3%, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) \u2013, n\u00e3o se pode subestimar a import\u00e2ncia do r\u00e1dio. Mesmo em um pa\u00eds onde 24% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre, o r\u00e1dio est\u00e1 generalizado, pois \u00e9 um meio relativamente barato de se conectar com o mundo e \u00e9 extremamente popular entre milh\u00f5es de fam\u00edlias rurais.<\/p>\n<p>Momena Ferdousi, estudante de 24 anos, \u00e9 a produtora da R\u00e1dio Mahananda, emissora comunit\u00e1ria criada em 2011 que chega a milhares de fam\u00edlias camponesas no distrito de Chapai Nawabganj. A jovem promessa profissional do r\u00e1dio contou \u00e0 IPS que n\u00e3o estaria onde est\u00e1 se n\u00e3o fosse pala organiza\u00e7\u00e3o Bangladesh NGOs Network for Radio and Communication (BNNRC). O trabalho dessa organiza\u00e7\u00e3o permitiu a forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de mulheres para diversos pap\u00e9is como produtoras, apresentadoras, jornalistas e diretoras de r\u00e1dios em 14 emissoras comunit\u00e1rias regionais em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A v\u00e1rios quil\u00f4metros dali, a voz de Sharmin Sultana, na R\u00e1dio Pollikontho, que transmite no distrito de Moulvibazar, chega a cerca de 400 mil pessoas espalhadas em um raio de 17 quil\u00f4metros. Com cinco horas di\u00e1rias de programas, concentrados em temas referentes \u00e0s mulheres rurais, a emissora preencheu um grande vazio na comunidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o incr\u00edvel conduzir um programa ao vivo com convidadas e responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de nossa audi\u00eancia para tratar de temas como sa\u00fade, direitos das mulheres, injusti\u00e7a social, educa\u00e7\u00e3o e agricultura\u201d, contou Sultana. Ela explicou que \u201ca maioria de nossa audi\u00eancia \u00e9 pobre. N\u00e3o tem televis\u00e3o nem pode ler jornais, ent\u00e3o a r\u00e1dio FM, que est\u00e1 dispon\u00edvel at\u00e9 no celular mais barato, \u00e9 muito popular e a demanda por programas interativos aumenta dia a dia\u201d.<\/p>\n<p>Em Bangladesh, apenas 16,8 milh\u00f5es de mulheres t\u00eam um emprego no setor formal, das quais a vasta maioria realiza trabalhos dom\u00e9sticas n\u00e3o remunerados, al\u00e9m de suas obriga\u00e7\u00f5es na propriedade familiar ou em outros trabalhos no campo. A depend\u00eancia econ\u00f4mica as deixa vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Um estudo do Escrit\u00f3rio de Estat\u00edsticas de Bangladesh concluiu que 87% das mulheres casadas consultadas haviam sofrido agress\u00f5es f\u00edsicas por parte de seus maridos, enquanto 98% foram violadas em algum momento por seus maridos. O estudo tamb\u00e9m revela que uma em cada tr\u00eas mulheres casadas consultadas havia sofrido \u201cabuso econ\u00f4mico\u201d, a reten\u00e7\u00e3o dos bens econ\u00f4micos do casal a fim de perpetrar a depend\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Outros problemas, como o casamento infantil, tamb\u00e9m fazem parte dos informativos nas r\u00e1dios comunit\u00e1rias destinadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o feminina. Segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, cerca de 66% das meninas de Bangladesh se casa antes dos 18 anos.<\/p>\n<p>A diretora-executiva de BNNRC, Bazlur Rahm, pioneira na radiodifus\u00e3o rural em Bangladesh, disse \u00e0 IPS que \u201ctemas como atribui\u00e7\u00e3o de fundos, falta de saneamento, viol\u00eancia contra as mulheres, luta contra a corrup\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o de meninas costumam ficar fora da aten\u00e7\u00e3o das autoridades. Mas, se podemos lhes dar voz, os problemas desaparecem gradualmente\u201d.<\/p>\n<p>Cada vez que a voz de uma mulher \u00e9 transmitida pela r\u00e1dio, significa que outra est\u00e1 ouvindo sua hist\u00f3ria, aprendendo seus direitos e aproximando-se da igualdade. Resta saber quais \u00eaxitos concretos s\u00e3o conquistados para a popula\u00e7\u00e3o feminina de Bangladesh. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Daca, Bangladesh, 13\/4\/2015 &ndash; Se as manchetes dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de Bangladesh refletem algo, &eacute; que as mulheres n&atilde;o t&ecirc;m um papel significativo nos assuntos que afetam o pa&iacute;s, nem nos que lhes dizem respeito particularmente. 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