{"id":18814,"date":"2015-04-15T19:51:59","date_gmt":"2015-04-15T19:51:59","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132646"},"modified":"2015-04-15T19:51:59","modified_gmt":"2015-04-15T19:51:59","slug":"onu-teme-retrocessos-no-desarmamento-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/onu-teme-retrocessos-no-desarmamento-nuclear\/","title":{"rendered":"ONU teme retrocessos no desarmamento nuclear"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132648\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/kane-629x419-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-132648\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/kane-629x419-629x419.jpg\" alt=\"Angela Kane, Alta Representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, na 13\u00aa sess\u00e3o da Confer\u00eancia de Desarmamento. Foto: Jean-Marc Ferr\u00e9\/ONU\" width=\"540\" height=\"360\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Angela Kane, Alta Representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, na 13\u00aa sess\u00e3o da Confer\u00eancia de Desarmamento. Foto: Jean-Marc Ferr\u00e9\/ONU<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 15\/4\/2015 \u2013 \u201cN\u00e3o \u00e9 o melhor dos tempos para o desarmamento\u201d, afirmou a Alta Representante das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos de Desarmamento, Angela Kane, que em breve deixar\u00e1 o cargo que ocupa h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. A advert\u00eancia \u00e9 feita no contexto de uma nova Guerra Fria no horizonte nuclear, e de conflitos militares em expans\u00e3o no politicamente vol\u00e1til Oriente M\u00e9dio, com ocorre na S\u00edria, Iraque, L\u00edbia e I\u00eamen.<\/p>\n<p>\u201cA perspectiva de haver novas redu\u00e7\u00f5es de armas nucleares \u00e9 t\u00eanue e inclusive poder\u00edamos ser testemunhas de um retrocesso dos avan\u00e7os em mat\u00e9ria de desarmamento alcan\u00e7ados com dificuldade nos \u00faltimos 25 anos\u201d, pontuou Kane \u00e0 Comiss\u00e3o de Desarmamento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), no dia 6 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cNunca vi uma brecha maior entre os que t\u00eam armas nucleares e os que n\u00e3o as t\u00eam, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escala e ao ritmo do desarmamento nuclear\u201d, assegurou Kane em um de seus discursos finais perante o organismo mundial. A advert\u00eancia \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o realista da atual situa\u00e7\u00e3o de paralisia, j\u00e1 que as redu\u00e7\u00f5es bilaterais de armas nucleares entre Estados Unidos e R\u00fassia est\u00e3o praticamente em ponto morto, segundo os ativistas antinucleares.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 ind\u00edcios de retrocesso, por exemplo, com rela\u00e7\u00e3o ao tratado entre Estados Unidos e R\u00fassia sobre as For\u00e7as Nucleares de Alcance Intermedi\u00e1rio, assinado em 1987. Tampouco est\u00e3o previstas negocia\u00e7\u00f5es multilaterais para a redu\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o dos arsenais nucleares, e todos os arsenais est\u00e3o sendo modernizados. E, ao contr\u00e1rio da promessa assumida em 2010, na confer\u00eancia de exame do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP), nunca houve uma confer\u00eancia internacional sobre uma zona livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Faltando pouco para a pr\u00f3xima confer\u00eancia de exame do TNP, que ter\u00e1 lugar entre os dias 27 deste m\u00eas e 22 de maio, \u201co desarmamento nuclear est\u00e1 condenado ou pelo menos suspenso indefinidamente?\u201d, perguntou John Burroughs, diretor do Comit\u00ea de Advogados sobre Pol\u00edtica Nuclear, uma organiza\u00e7\u00e3o independente dos Estados Unidos. N\u00e3o, necessariamente, respondeu.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es, com dimens\u00f5es nucleares, que derivam da crise na Ucr\u00e2nia poderiam provocar uma s\u00e9ria reformula\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias atuais, apontou Burroughs, tamb\u00e9m diretor do escrit\u00f3rio junto \u00e0 ONU da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Advogados Contra as Armas Nucleares.<\/p>\n<p>Depois de tudo, afirmou que a crise dos m\u00edsseis em Cuba, em 1962, serviu para estimular acordos posteriores, inclu\u00eddos o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Parcial de Testes Nucleares Parciais (1963), o Tratado do Espa\u00e7o Exterior (1967), o Tratado de Tlatelolco (1967), que cria a zona livre de armas nucleares da Am\u00e9rica Latina, o TNP (1968) e o acordo de limita\u00e7\u00e3o de armas estrat\u00e9gicas e tratado sobre m\u00edsseis antibal\u00edsticos entre Estados Unidos e R\u00fassia (1972).<\/p>\n<p>Jayantha Dhanapala, que foi subsecret\u00e1rio-geral da ONU para assuntos de desarmamento, disse que os \u201c13 passos\u201d acordados na confer\u00eancia de exame do TNP de 2000, e o Programa de A\u00e7\u00e3o de 64 pontos, junto com o acordo sobre a proposta de um Oriente M\u00e9dio livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa e o avan\u00e7o conceitual no reconhecimento das consequ\u00eancias humanit\u00e1rias do uso das armas nucleares, s\u00e3o um bom aug\u00fario para refor\u00e7ar o processo de exame do TNP.<\/p>\n<p>\u201cMas os boletos de qualifica\u00e7\u00f5es meticulosamente mantidos pela sociedade civil com rela\u00e7\u00e3o aos \u00eaxitos reais, o retorno \u00e0 mentalidade da Guerra Fria entre Estados Unidos e R\u00fassia, e os antecedentes negativos de todos os Estados possuidores de armas nucleares converteram a meta de um mundo sem armas nucleares em uma miragem. Salvo se a pr\u00f3xima confer\u00eancia de exame do TNP desmentir essas tend\u00eancias execr\u00e1veis, a mesma estar\u00e1 condenada ao fracasso, o que colocar\u00e1 em perigo o futuro do tratado, disse Dhanapala.<\/p>\n<p>\u201cEm 1995, t\u00ednhamos cinco Estados possuidores de armas nucleares e um fora do TNP. Hoje temos nove Estados com armas nucleares e quatro deles fora do TNP\u201d, afirmou Dhanapala. \u201cEm 1970, quando o TNP entrou em vigor, t\u00ednhamos um total de 38.153 armas nucleares. Hoje temos 16.300, apenas 21.853 a menos, e mais de quatro mil em estado de dispers\u00e3o e a promessa dos dois principais Estados possuidores de reduzirem seus arsenais em 30%, sendo 1.550 cada um no prazo de sete anos at\u00e9 que o novo Start (Tratado de Redu\u00e7\u00e3o de Armas Estrat\u00e9gicas) entre em vigor\u201d, acrescentou. Outro Estado com armas nucleares, a Gr\u00e3-Bretanha, est\u00e1 prestes a renovar seu programa de armas nucleares Trident, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cDiariamente nos inundam com imagens dos brutais conflitos regionais que afetam o mundo, alimentados por transfer\u00eancias de armas n\u00e3o reguladas e ilegais\u201d, recordou Kane, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s armas convencionais. Calcula-se que mais de 740 mil pessoas morrem por ano em consequ\u00eancia da viol\u00eancia armada. \u201cEntretanto, entre essas nuvens negras, vi alguns aut\u00eanticos pontos luminosos durante meu mandato como Alta Representante\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O conflito na S\u00edria n\u00e3o cessar\u00e1 sem um processo pol\u00edtico inclusivo dirigido por Damasco, mas a ades\u00e3o desse pa\u00eds \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o sobre Armas Qu\u00edmicas, de 1992, facilitada pelo Marco para a Elimina\u00e7\u00e3o de Armas Qu\u00edmicas S\u00edrias acordado por R\u00fassia e Estados Unidos, \u00e9 um dos resultados positivos desse sangrento conflito, afirmou Kane. \u201cVimos a elimina\u00e7\u00e3o absoluta de todas as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas declaradas da S\u00edria e o in\u00edcio de um processo para destruir todas as instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d desse tipo de armas nesse pa\u00eds, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Kane, o enfoque humanit\u00e1rio para o desarmamento nuclear, com apoio de uma clara maioria de pa\u00edses, continua ganhando impulso. \u201cEssa n\u00e3o \u00e9 uma distra\u00e7\u00e3o da chamada \u2018pol\u00edtica realista\u2019 de desarmamento nuclear. Trata-se de um enfoque que busca destacar o impacto humano devastador das armas nucleares e base\u00e1-lo no direito internacional humanit\u00e1rio\u201d, afirmou. \u201cEsse movimento tem o apoio de quase 80% dos Estados membros da ONU. N\u00e3o se pode ignorar os n\u00fameros\u201d, ressaltou Kane.<\/p>\n<p>Um dos maiores \u00eaxitos da comunidade internacional no \u00faltimo ano foi a entrada em vigor do Tratado sobre Com\u00e9rcio de Armas, apenas um ano e meio depois de ter sido negociado. Esse tratado hist\u00f3rico ter\u00e1 um papel fundamental para garantir que os atores envolvidos no com\u00e9rcio de armas sejam responsabilizados e cumpram as normas acordadas no plano internacional, ressaltou Kane.<\/p>\n<p>Isso ser\u00e1 poss\u00edvel com a seguran\u00e7a de que as exporta\u00e7\u00f5es de armas n\u00e3o sejam usadas para violar os embargos de armamento ou para alimentar conflitos e mediante melhor controle das importa\u00e7\u00f5es de armas e muni\u00e7\u00f5es, com a finalidade de prevenir o desvio ou as transfer\u00eancias para usu\u00e1rios n\u00e3o autorizados, concluiu Kane. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 15\/4\/2015 &ndash; &ldquo;N&atilde;o &eacute; o melhor dos tempos para o desarmamento&rdquo;, afirmou a Alta Representante das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Assuntos de Desarmamento, Angela Kane, que em breve deixar&aacute; o cargo que ocupa h&aacute; mais de tr&ecirc;s anos. 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