{"id":18816,"date":"2015-04-15T19:37:33","date_gmt":"2015-04-15T19:37:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132636"},"modified":"2015-04-15T19:37:33","modified_gmt":"2015-04-15T19:37:33","slug":"dois-ganhadores-e-um-perdedor-na-cupula-das-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/dois-ganhadores-e-um-perdedor-na-cupula-das-americas\/","title":{"rendered":"Dois ganhadores e um perdedor na C\u00fapula das Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132638\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/sug_plenaria_amerc_pan55.jpg\"><img class=\"wp-image-132638\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/sug_plenaria_amerc_pan55-1024x572.jpg\" alt=\"11\/04\/2015 \u2013 Panam\u00e1 \u2013 Segunda sess\u00e3o plen\u00e1ria da S\u00e9tima C\u00fapula das Am\u00e9ricas. Foto: Cumbre Panam\u00e1\" width=\"540\" height=\"302\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">11\/04\/2015 \u2013 Panam\u00e1 \u2013 Segunda sess\u00e3o plen\u00e1ria da S\u00e9tima C\u00fapula das Am\u00e9ricas. Foto: Cumbre Panam\u00e1<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miami, Estados Unidos, abril\/2015 \u2013 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ganhou um lugar na hist\u00f3ria ao dar os primeiros passos para corrigir uma pol\u00edtica de mais de meio s\u00e9culo que falhou em seu objetivo fundamental: o fim do regime castrista.<\/p>\n<p>Na VII C\u00fapula das Am\u00e9ricas (Panam\u00e1, 10 e 11 de abril), deixando de lado uma sinuosa negocia\u00e7\u00e3o com seu antagonista cubano e um imposs\u00edvel consenso com seus opositores internos, Obama se lan\u00e7ou a uma oferta sem condicionamentos. Sabia, ou intu\u00eda, que sua contraparte cubana n\u00e3o teria outra sa\u00edda a n\u00e3o ser concordar.<\/p>\n<p>O regime cubano est\u00e1 chegando \u00e0 beira de ficar economicamente exausto e sob a press\u00e3o sutil de uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o aguenta tudo. Os sinais de debilidade de seu protetor venezuelano, com o qual trocava favores sociais (educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade) por petr\u00f3leo subsidiado, ca\u00edam como um furac\u00e3o caribenho sobre o regime de Ra\u00fal Castro. Em lugar de ter favorecido a queda da fruta madura, Obama optou pelo ins\u00f3lito: favorecer sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Obama est\u00e1 apostando na estabilidade do regime cubano, como mal menor do que a produ\u00e7\u00e3o de uma explos\u00e3o interna, os enfrentamentos entre setores irreconcili\u00e1veis e a imposi\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o militar mais r\u00edgida do que o controle atual. Washington sabe que somente as for\u00e7as armadas cubanas poderiam garantir a ordem. A \u00faltima coisa que o Pent\u00e1gono sonha \u00e9 exercer esse duvidoso papel.<\/p>\n<p>Da\u00ed que, entre escorar o regime com Ra\u00fal Castro e sua duvidosa transforma\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, optou por um pragmatismo que desemboque nas plenas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e no futuro levantamento do embargo.<\/p>\n<p>Ra\u00fal Castro, corrigindo a repetida exig\u00eancia do final do embargo como condi\u00e7\u00e3o de qualquer negocia\u00e7\u00e3o, sabiamente aceitou o desafio. Contentou-se com o pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o de recordar a hist\u00f3ria (por outro lado, lament\u00e1vel) da pol\u00edtica dos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o a Cuba, em seu discurso de quase uma hora na C\u00fapula.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, suavizando, presenteou Obama com o reconhecimento da aus\u00eancia de culpa de algu\u00e9m que n\u00e3o havia nascido quando ocorreu o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Castro contribuiu de forma decisiva para o triunfo de Obama.<\/p>\n<p>Maduro surgiu deste epis\u00f3dio das rela\u00e7\u00f5es interamericanas como claro perdedor. A chave de seu fracasso se baseia em n\u00e3o ter calculado suas limita\u00e7\u00f5es e ter subvalorizado os recursos de seus colegas. Inicialmente, explorou, logicamente, o erro de Obama ao produzir o decreto declarando a Venezuela como uma \u201camea\u00e7a\u201d e, consequentemente, impondo san\u00e7\u00f5es contra sete funcion\u00e1rios de Caracas.<\/p>\n<p>Numerosos governos e analistas criticaram o uso dessa linguagem. J\u00e1 no contexto da C\u00fapula, o presidente norte-americano retificou e reconheceu que a Venezuela n\u00e3o representava tal amea\u00e7a para seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>A debilidade da atua\u00e7\u00e3o de Maduro na C\u00fapula se deve a uma combina\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias de seu pr\u00f3prio interior, \u00e0 rea\u00e7\u00e3o de importantes atores externos (significativamente alheios aos Estados Unidos), \u00e0 d\u00e9bil colabora\u00e7\u00e3o de muitos de seus tradicionais aliados ou simpatizantes na Am\u00e9rica Latina, e \u00e0 aus\u00eancia de um apoio incondicional de Cuba.<\/p>\n<p>Note-se que, nesse cen\u00e1rio, os Estados Unidos apenas fizeram presen\u00e7a, embora se deva destacar a tentativa de suavizar a conduta alterada de Maduro por parte do assessor especial de Obama, Thomas Shannon, que conversou com o presidente venezuelano em Caracas antes de viajar para a C\u00fapula.<\/p>\n<p>Maduro j\u00e1 teve que atuar sob o peso do encarceramento de uma s\u00e9rie de opositores, sob duvidosas acusa\u00e7\u00f5es. O resultado foi a gera\u00e7\u00e3o de um protesto de alcance mundial, sobretudo latino-americano, mas tamb\u00e9m da Europa.<\/p>\n<p>Durante a C\u00fapula, foi apresentado um documento de protesto redigido por 20 ex-presidentes latino-americanos. Embora esses ex-mandat\u00e1rios possam ser considerados conservadores e liberais, a eles uniu-se o ex-primeiro-ministro conservador espanhol Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar (objeto not\u00f3rio dos ataques de Hugo Ch\u00e1vez e depois do pr\u00f3prio Maduro), o ex-primeiro-ministro socialista espanhol Felipe Gonz\u00e1lez, que se ofereceu para atuar com defensor de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, um dos presos pelo regime venezuelano.<\/p>\n<p>A tentativa de Maduro de conseguir a inser\u00e7\u00e3o no comunicado final da C\u00fapula de uma condena\u00e7\u00e3o ao decreto dos Estados Unidos foi outra de suas derrotas. O resultado foi que a C\u00fapula n\u00e3o teve tal comunicado oficial, por falta de consenso, apesar de tamb\u00e9m se ter tentado a elimina\u00e7\u00e3o da men\u00e7\u00e3o direta contra os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Seus partid\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina, apesar da loquacidade de seus s\u00f3cios e protegidos na Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos de Nossa Am\u00e9rica (Alba), se revelaram prudentes em enfrentar Washington de forma not\u00f3ria. O mesmo se pode dizer dos pa\u00edses caribenhos, temerosos pela redu\u00e7\u00e3o no fornecimento de petr\u00f3leo venezuelano com o bendito subs\u00eddio. Da\u00ed o acordo favor\u00e1vel a Obama durante a reuni\u00e3o da Comunidade do Caribe (Caricom), na Jamaica.<\/p>\n<p>Entretanto, sua maior derrota foi n\u00e3o ter intu\u00eddo que Ra\u00fal Castro teria que escolher entre a temida diminui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo venezuelano barato e a reacomoda\u00e7\u00e3o com Washington. Ignora-se como Cuba poder\u00e1 continuar o fornecimento da contrapartida de professores e pessoal sanit\u00e1rio cubano para a Venezuela, que at\u00e9 agora tem sido a joia da coroa da alian\u00e7a de Havana com Caracas na estrutura da Alba. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* <b><i>Joaqu\u00edn Roy <\/i><\/b><i>\u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami. jroy@miami.edu<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Miami, Estados Unidos, abril\/2015 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ganhou um lugar na hist&oacute;ria ao dar os primeiros passos para corrigir uma pol&iacute;tica de mais de meio s&eacute;culo que falhou em seu objetivo fundamental: o fim do regime castrista. 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