{"id":18838,"date":"2015-04-23T12:48:21","date_gmt":"2015-04-23T12:48:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132905"},"modified":"2015-04-23T12:48:21","modified_gmt":"2015-04-23T12:48:21","slug":"china-penetra-na-america-latina-com-creditos-a-paises-em-penuria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/china-penetra-na-america-latina-com-creditos-a-paises-em-penuria\/","title":{"rendered":"China penetra na Am\u00e9rica Latina com cr\u00e9ditos a pa\u00edses em pen\u00faria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132907\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Chica-Luanda-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-132907\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Chica-Luanda-629x472.jpg\" alt=\"Cidade Kilamba, um bairro constru\u00eddo inteiramente por empresas chinesas no sul de Luanda, capital de Angola, para acolher meio milh\u00e3o de pessoas, com pr\u00e9dios de cinco a 13 andares, elevadores inteligentes, escolas, com\u00e9rcios e locais de lazer. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cidade Kilamba, um bairro constru\u00eddo inteiramente por empresas chinesas no sul de Luanda, capital de Angola, para acolher meio milh\u00e3o de pessoas, com pr\u00e9dios de cinco a 13 andares, elevadores inteligentes, escolas, com\u00e9rcios e locais de lazer. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 23\/4\/2015 \u2013 Os angolanos em geral agradecem a participa\u00e7\u00e3o da China na reconstru\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds, apesar da m\u00e1 qualidade de algumas estradas e pr\u00e9dios constru\u00eddos por empresas chinesas sem empregar m\u00e3o de obra local.<\/p>\n<p>Para recuperar sua infraestrutura destru\u00edda pela guerra civil, Angola precisava de financiamentos que foram negados pelo Ocidente, enquanto a China aportou seus cr\u00e9ditos e sua engenharia sem impor condi\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis para um pa\u00eds que s\u00f3 conheceu a paz 27 anos depois de sua independ\u00eancia em 1975, afirmam dirigentes angolanos.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es distintas, do outro lado do Atl\u00e2ntico, v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos em dificuldades financeiras recorreram ultimamente a essa esp\u00e9cie de janela credit\u00edcia de \u00faltima inst\u00e2ncia. Argentina e Venezuela, por exemplo, sem acesso a cr\u00e9ditos internacionais, obtiveram empr\u00e9stimos elevados de bancos chineses.<\/p>\n<p>Na l\u00f3gica chinesa, n\u00e3o tem sentido tirar capacidade de endividamento de pa\u00edses com grande produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ou que possuam muita mat\u00e9ria-prima, especialmente hidrocarbonos. N\u00e3o h\u00e1 motivo para duvidar de sua solv\u00eancia se disp\u00f5em de produtos como garantia, pouco importando a raz\u00e3o de seu infort\u00fanio.<\/p>\n<p>No Brasil, a Petrobras p\u00f4de anunciar, no dia 1\u00ba de abril, um al\u00edvio chin\u00eas de US$ 3,5 bilh\u00f5es em suas finan\u00e7as, debilitadas por causa do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que desde o ano passado faz tremer a economia, o governo, gigantes empresariais e v\u00e1rios partidos pol\u00edticos do pa\u00eds. O empr\u00e9stimo do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) ajuda a Petrobras a mitigar uma tempestade que tamb\u00e9m compreende erros grotescos de gest\u00e3o, que elevaram em dezenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares os custos de constru\u00e7\u00e3o de duas refinarias, da compra de outra usina na cidade norte-americana de Pasadena, e em outros projetos.<\/p>\n<p>As crises de poss\u00edveis provedores s\u00e3o oportunidades para a China, mas n\u00e3o s\u00e3o indispens\u00e1veis. O mesmo BDC j\u00e1 havia emprestado US$ 10 bilh\u00f5es \u00e0 Petrobras em 2009, quando a estatal parecia pr\u00f3spera com as gigantescas reservas rec\u00e9m-descobertas do pr\u00e9-sal no fundo Atl\u00e2ntico brasileiro. O acordo de empr\u00e9stimo assegura, como pagamento, dez anos de fornecimento de petr\u00f3leo \u00e0 China.<\/p>\n<p>Assim, \u201ca pot\u00eancia financeira da China tende a acentuar o desequil\u00edbrio comercial\u201d, no qual pa\u00edses ou regi\u00f5es inteiras lhe vendem quase que somente bens prim\u00e1rios e importam manufaturas chinesas, reconheceu Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globaliza\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica (Sobeet).<\/p>\n<p>Min\u00e9rio de ferro e soja concentram 75% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras \u00e0 China, destacou Lima. Nas importa\u00e7\u00f5es a quase totalidade \u00e9 de manufaturados. Mas \u201ctrata-se de um s\u00f3cio novo, com o qual h\u00e1 grande complementaridade e se pode construir uma situa\u00e7\u00e3o de ganha-ganha, se soubermos conduzir bem a oportunidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem que fazer sua pr\u00f3pria tarefa, que \u00e9 definir o que quer da China, em uma estrat\u00e9gia de longo prazo, e negoci\u00e1-lo, em lugar de ficar na posi\u00e7\u00e3o passiva de apenas reagir \u00e0s demandas chinesas\u201d, pontuou Lima. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, o momento atual seria oportuno para mudan\u00e7as nesse interc\u00e2mbio desigual, porque a China vive \u201ca perspectiva de reduzir suas exporta\u00e7\u00f5es e estimular o dinamismo da demanda interna, enquanto no Brasil o mercado interno tende a enfraquecer, exigindo mais exporta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, Lima reconhece que as dificuldades econ\u00f4micas e pol\u00edticas que o Brasil enfrenta n\u00e3o favorecem a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e objetivos de longo prazo para uma negocia\u00e7\u00e3o com uma pot\u00eancia em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o chin\u00eas na Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m \u00e9 exercido por meio de crescentes investimentos. A Sobeet identificou 69 projetos anunciados para o Brasil desde 2010, a grande maioria de ind\u00fastrias de transforma\u00e7\u00e3o e quantias m\u00e9dias, inferiores a US$ 100 milh\u00f5es. Apenas tr\u00eas est\u00e3o no p\u00f3dio de financiamento de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, lideradas pela State Grid, a estatal de energia, com US$ 5 bilh\u00f5es para a compra principalmente de linhas de transmiss\u00e3o el\u00e9trica. O segundo extrair\u00e1 e exportar\u00e1 min\u00e9rio de ferro e a terceira processar\u00e1 soja.<\/p>\n<p>A lista n\u00e3o \u00e9 completa devido \u00e0 dificuldade de monitorar os investimentos chineses que passam por outros pa\u00edses, como os europeus, antes de chegarem ao seu destino produtivo sem declarar sua nacionalidade original, explicou Lima.<\/p>\n<p>A China vem aumentando seus investimentos diretos no exterior desde o come\u00e7o deste s\u00e9culo, chegando a US$ 206,874 bilh\u00f5es em 2013, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) divulgados pela Sobeet. A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o foi um destino priorit\u00e1rio, j\u00e1 que apenas 4,1% desses investimentos se destinaram a regi\u00e3o, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, (Cepal).<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 nos pr\u00f3ximos dez anos, nos quais a China investir\u00e1 US$ 250 bilh\u00f5es na regi\u00e3o, anunciou o presidente Xi Jinping, em janeiro, em Pequim, durante o primeiro F\u00f3rum Ministerial entre China e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Alguns projetos ser\u00e3o excepcionais, como o canal interoce\u00e2nico da Nicar\u00e1gua, que competir\u00e1 com o canal do Panam\u00e1 e que, se estima, custar\u00e1 US$ 40 bilh\u00f5es, quatro vezes o produto interno bruto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Boa parte do capital j\u00e1 aplicado \u00e9 petroleira. Companhias estatais chinesas do setor j\u00e1 est\u00e3o presentes na extra\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos no Brasil, Equador, Peru, Argentina e Venezuela. Mas o aumento mais espetacular nas rela\u00e7\u00f5es sino-latino-americanas ocorreu no com\u00e9rcio, que cresceu 22 vezes nos 13 primeiros anos do s\u00e9culo. O interc\u00e2mbio somou US$ 275 bilh\u00f5es em 2013. E praticamente duplicar\u00e1 ao final desta d\u00e9cada, segundo progn\u00f3stico de Jinping.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o extremou o desequil\u00edbrio e melhorou os termos de interc\u00e2mbio com a alta dos pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos latino-americanos, que durou pelo menos at\u00e9 2012. Os dados dos empr\u00e9stimos chineses \u00e0 regi\u00e3o s\u00e3o menos destacados, mas tamb\u00e9m refletem a expans\u00e3o da pot\u00eancia asi\u00e1tica em seus interesses priorit\u00e1rios em petr\u00f3leo, minerais e produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Entre 2005 e 2014, esses cr\u00e9ditos somaram US$ 119 bilh\u00f5es, segundo o banco de dados do Di\u00e1logo Interamericano, um f\u00f3rum que re\u00fane dirigentes pol\u00edticos e empresariais das Am\u00e9ricas, incluindo ex-presidentes de v\u00e1rios pa\u00edses. Desse total, quase metade, US$ 56,3 bilh\u00f5es, foi concedida \u00e0 Venezuela, dona das maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo. Em seguida aparecem Brasil e Argentina, grandes exportadores de soja, com US$ 22 bilh\u00f5es e US$ 19 bilh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico, segunda maior economia latino-americana, ficou em sexto lugar na prefer\u00eancia dos bancos estatais chineses, com US$ 2,4 bilh\u00f5es, menos de um quarto do que recebeu o Equador (US$ 10,8 bilh\u00f5es) e superado inclusive pelas Bahamas (US$ 2,9 bilh\u00f5es). Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 23\/4\/2015 &ndash; Os angolanos em geral agradecem a participa&ccedil;&atilde;o da China na reconstru&ccedil;&atilde;o de seu pa&iacute;s, apesar da m&aacute; qualidade de algumas estradas e pr&eacute;dios constru&iacute;dos por empresas chinesas sem empregar m&atilde;o de obra local. 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