{"id":18844,"date":"2015-04-24T12:33:02","date_gmt":"2015-04-24T12:33:02","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=132985"},"modified":"2015-04-24T12:33:02","modified_gmt":"2015-04-24T12:33:02","slug":"projetos-do-banco-mundial-desalojaram-34-milhoes-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/projetos-do-banco-mundial-desalojaram-34-milhoes-de-pessoas\/","title":{"rendered":"Projetos do Banco Mundial desalojaram 3,4 milh\u00f5es de pessoas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_132987\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/bancom-629x354.jpg\"><img class=\"wp-image-132987\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/bancom-629x354.jpg\" alt=\"Quase metade dos 3,4 milh\u00f5es de pessoas afetadas f\u00edsica ou economicamente por projetos financiados pelo Banco Mundial na \u00faltima d\u00e9cada eram da \u00c1frica e da \u00c1sia. Foto: Abdurrahman Warsameh\/IPS\" width=\"540\" height=\"304\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Quase metade dos 3,4 milh\u00f5es de pessoas afetadas f\u00edsica ou economicamente por projetos financiados pelo Banco Mundial na \u00faltima d\u00e9cada eram da \u00c1frica e da \u00c1sia. Foto: Abdurrahman Warsameh\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 24\/4\/2015 \u2013 Entre 2003 e 2013, projetos financiados pelo Banco Mundial desalojaram de suas casas, afastaram de suas terras ou deslocaram de outras formas, 3,4 milh\u00f5es de pessoas, revelou o Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas de Investiga\u00e7\u00e3o (Icij), no dia 16. Mais de 50 jornalistas de 21 pa\u00edses trabalharam por quase 12 meses para analisar sistematicamente o cumprimento pelo Banco de sua promessa de proteger as popula\u00e7\u00f5es locais das consequ\u00eancias negativas de seus pr\u00f3prios projetos.<\/p>\n<p>Jornalistas de Gana, Guatemala, Qu\u00eania, S\u00e9rvia e Sud\u00e3o do Sul, entre outros, analisaram milhares de p\u00e1ginas de registros do Banco Mundial, entrevistaram dezenas de pessoas, entre elas ex-funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o, e documentaram meticulosamente mais de dez anos de falhas em suas pr\u00e1ticas, que deixaram agricultores pobres, residentes de favelas, comunidades ind\u00edgenas e pescadores indigentes sem emprego, sem teto e sem terra.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios casos, os jornalistas do Icij encontraram popula\u00e7\u00f5es inteiras que viviam onde seria instalado um projeto financiado pelo Banco Mundial, que foram tiradas \u00e0 for\u00e7a de suas casas, com uso da viol\u00eancia ou intimida\u00e7\u00e3o. Esses fatos violam os Objetivos G\u00eameos do Banco Mundial, com sede em Washington, adotados h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Essas metas estavam destinadas a acabar com a \u201cpobreza extrema mediante a redu\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o de pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia a menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial at\u00e9 2030\u201d, e ao mesmo tempo \u201cpromover a prosperidade compartilhada mediante a melhoria dos n\u00edveis de vida dos 40% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>O Banco Mundial se comprometeu a cumprir esses objetivos por vias \u201cque de forma sustent\u00e1vel assegurem o futuro do planeta e de seus recursos, promovam a inclus\u00e3o social e limitem as cargas econ\u00f4micas que as futuras gera\u00e7\u00f5es herdar\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Longe de encontrar formas sustent\u00e1veis de acabar com a enorme disparidade da riqueza existente no mundo, entre 2009 e 2013, os \u201cprestamistas do Grupo do Banco Mundial injetaram US$ 50 bilh\u00f5es em projetos qualificados com o maior risco de gerar impactos sociais ou ambientais \u2018irrevers\u00edveis ou sem precedentes\u2019, mais que o dobro do que no quinqu\u00eanio anterior\u201d, afirma a investiga\u00e7\u00e3o do Icij.<\/p>\n<p>\u201cO Banco Mundial e sua ag\u00eancia encarregada dos empr\u00e9stimos ao setor privado, a Corpora\u00e7\u00e3o Financeira Internacional (IFC), financiaram governos e empresas acusadas de violarem os direitos humanos, como viola\u00e7\u00f5es, assassinatos e torturas. Em alguns casos, os prestamistas continuaram esses financiamentos mesmo depois de vir \u00e0 luz a evid\u00eancia de seus abusos\u201d, acrescenta a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quase 50% dos 3,4 milh\u00f5es de pessoas deslocadas f\u00edsica ou economicamente por projetos de grande escala \u2013 supostamente dirigidos a melhorar o fornecimento de \u00e1gua e eletricidade ou a refor\u00e7ar as redes de transporte ou energia em seus pa\u00edses \u2013 vivem na \u00c1frica ou em tr\u00eas pa\u00edses asi\u00e1ticos, China, \u00cdndia e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Entre 2004 e 2013, o Banco Mundial e a IFC prometeram US$ 455 bilh\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de 7.200 projetos no Sul em desenvolvimento. Nesse per\u00edodo, numerosas popula\u00e7\u00f5es afetadas em todo o mundo denunciaram que tanto quem emprestou como quem recebeu os empr\u00e9stimos estavam violando suas pr\u00f3prias garantias.<\/p>\n<p>Na Eti\u00f3pia, por exemplo, a equipe do Icij concluiu que funcion\u00e1rios do governo desviaram milh\u00f5es de d\u00f3lares dos US$ 2 bilh\u00f5es que o Banco Mundial deu para uma iniciativa de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, e usaram o dinheiro para financiar uma campanha com a finalidade de desalojar pela for\u00e7a dois milh\u00f5es de pessoas pobres de suas terras. Os projetos financiados pelo Banco Mundial deslocaram mais de 95 mil pessoas nesse pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>Um informe divulgado no come\u00e7o deste m\u00eas pela organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam afirma que a IFC \u201cexerce escassa responsabilidade sobre os milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos realizados em bancos, fundos de cobertura e outros intermedi\u00e1rios financeiros, o que d\u00e1 lugar a projetos que provocam abusos contra os direitos humanos em todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2013, a Oxfam apurou que a IFC investiu US$ 36 bilh\u00f5es nos intermedi\u00e1rios financeiros, 50% mais do que a quantia que gastou em sa\u00fade e tr\u00eas vezes mais a que o Banco Mundial destinou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>O novo modelo, pelo qual se injeta dinheiro em uma carteira de investimentos de intermedi\u00e1rios financeiros, representa 62% dos investimentos da IFC, mas a \u201cdolorosa verdade \u00e9 que a IFC n\u00e3o sabe aonde vai parar grande parte de seu dinheiro, e nem mesmo se est\u00e1 ajudando ou prejudicando\u201d, denunciou Nicolas Mombrial, chefe do escrit\u00f3rio da Oxfam em Washington, em um comunicado.<\/p>\n<p>Os investimentos que o Banco classifica como intermedi\u00e1rios de \u201calto risco\u201d provocaram conflitos e dificuldades para milhares de pessoas afetadas por planta\u00e7\u00f5es de palma, cana-de-a\u00e7\u00facar e seringueira em Honduras, Laos e Camboja, uma represa na Guatemala, uma central de energia na \u00cdndia, e uma mina no Vietn\u00e3, segundo um estudo da Oxfam.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s cr\u00edticas generalizadas sobre essas falhas, o Banco Mundial est\u00e1 em processo de modifica\u00e7\u00e3o da sua pol\u00edtica de garantias, mas seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios asseguram que, em lugar de refor\u00e7ar a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a nova pol\u00edtica s\u00f3 aumentar\u00e1 o risco de seu deslocamento.<\/p>\n<p>O \u201c\u00faltimo rascunho da nova pol\u00edtica, divulgado em julho de 2014, daria aos governos mais espa\u00e7os para driblar as normas do Banco e tomar decis\u00f5es quanto a popula\u00e7\u00f5es locais necessitarem de prote\u00e7\u00e3o\u201d, diz a investiga\u00e7\u00e3o do Icij com base em declara\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios e ex-empregados do Banco Mundial.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados do Icij refletem o que disse a Oxfam durante muito tempo, que o Grupo do Banco Mundial e, em particular a IFC, em ocasi\u00f5es falham com as pessoas que pretendem beneficiar: os mais pobres e marginalizados\u201d, disse \u00e0 IPS a integrante dessa organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, Kate Geary. \u201cN\u00e3o apenas a Oxfam e o Icij que dizem isto. Essas conclus\u00f5es inquietantes t\u00eam o apoio das pr\u00f3prias auditorias internas do Banco, que constataram, assombrosamente, que o Banco Mundial simplesmente perdeu o rastro das pessoas que deveriam \u201creassentar devido aos seus projetos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00f3prio presidente\u201d do Banco Mundial, Jim Yonk \u201cKim reconheceu isso como um fracasso, e tem raz\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente insustent\u00e1vel e inadmiss\u00edvel. J\u00e1 basta\u201d, ressaltou Geary. O Banco deve oferecer repara\u00e7\u00e3o mediante subven\u00e7\u00f5es \u00e0s pessoas que deslocou, promulgar reformas urgentes e fundamentais para garantir que essas trag\u00e9dias n\u00e3o se repitam e revisar seu Plano de A\u00e7\u00e3o para o Reassentamento, publicado no m\u00eas passado por Kim em resposta \u00e0s auditorias cr\u00edticas\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 24\/4\/2015 &ndash; Entre 2003 e 2013, projetos financiados pelo Banco Mundial desalojaram de suas casas, afastaram de suas terras ou deslocaram de outras formas, 3,4 milh&otilde;es de pessoas, revelou o Cons&oacute;rcio Internacional de Jornalistas de Investiga&ccedil;&atilde;o (Icij), no dia 16. 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