{"id":18853,"date":"2015-04-27T12:50:11","date_gmt":"2015-04-27T12:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=133063"},"modified":"2015-04-27T12:50:11","modified_gmt":"2015-04-27T12:50:11","slug":"terramerica-costa-rica-explora-os-limites-das-energias-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/terramerica-costa-rica-explora-os-limites-das-energias-verdes\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Costa Rica explora os limites das energias verdes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_133065\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Ter717Costa-Rica.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-133065\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Ter717Costa-Rica.jpg\" alt=\"Na Costa Rica, 7% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica j\u00e1 prov\u00e9m de fonte e\u00f3lica, gra\u00e7as a campos como o das montanhas de La Paz e Casamata, a 50 quil\u00f4metros da capital S\u00e3o Jos\u00e9. Mas o setor automotor coloca pedras no sonho do pa\u00eds de uma matriz energ\u00e9tica limpa. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na Costa Rica, 7% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica j\u00e1 prov\u00e9m de fonte e\u00f3lica, gra\u00e7as a campos como o das montanhas de La Paz e Casamata, a 50 quil\u00f4metros da capital S\u00e3o Jos\u00e9. Mas o setor automotor coloca pedras no sonho do pa\u00eds de uma matriz energ\u00e9tica limpa. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 27 de maio de 2015 (Terram\u00e9rica)- Apoiada na pot\u00eancia do sol, do vento, dos rios e do calor interno da Terra, a Costa Rica entra no s\u00e9culo 21 com o desafio de se superar em mat\u00e9ria de energias limpas e chegar a uma matriz el\u00e9trica abastecida unicamente com fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, o estatal Instituto Costarriquenho de Eletricidade (ICE) anunciou que em 2015 o pa\u00eds produzir\u00e1 97% de sua energia a partir de fontes limpas. \u201cO pa\u00eds como tal, junto com suas pol\u00edticas energ\u00e9ticas e ambientais, decidiu que quer fazer um desenvolvimento energ\u00e9tico baseado em fontes renov\u00e1veis\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica o chefe do Processo de Expans\u00e3o do Sistema do ICE, Javier Orozco.<\/p>\n<p>Ainda assim, esse pa\u00eds centro-americano de 4,5 milh\u00f5es de habitantes ainda depende parcialmente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, e Orozco apontou que o pa\u00eds utiliza \u201ca gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica como complemento porque as renov\u00e1veis dependem do clima e n\u00e3o se pode garantir que sempre haver\u00e1 vento ou \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Com uma matriz que se alimenta quase totalmente com energias limpas, o ICE anunciou, em mar\u00e7o, que durante os primeiros 75 dias do ano n\u00e3o foi preciso queimar um s\u00f3 litro de petr\u00f3leo ou um quilo de carv\u00e3o na \u00e1rea el\u00e9trica. \u201cEm nosso pa\u00eds constru\u00edmos usinas t\u00e9rmicas para que fiquem desligadas a maior parte do tempo\u201d, explicou\u00a0 Orozco.<\/p>\n<p>Esse objetivo nem sempre \u00e9 cumprido, principalmente pela instabilidade na gera\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas, que varia segundo o clima. Em 2014, um ano seco, o pa\u00eds teve gasto recorde em combust\u00edveis f\u00f3sseis para gerar 10,3% de sua eletricidade. Desde meados do s\u00e9culo 20, a Costa Rica apostou em uma matriz energ\u00e9tica apoiada na hidroeletricidade, mas paulatinamente decidiu reduzir sua depend\u00eancia dessa fonte que, em 2014, forneceu apenas 63% da demanda, de 2.800 megawatts (MW), enquanto a fonte geot\u00e9rmica representou 15% e a e\u00f3lica 7%.<\/p>\n<p>A alta fatura petroleira do ano passado teve origem no fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico El Ni\u00f1o\/Oscila\u00e7\u00e3o do Sul (Enos), que atingiu a \u00e1rea centro-americana e provocou uma das piores secas em mais de meio s\u00e9culo. As proje\u00e7\u00f5es do impacto futuro da mudan\u00e7a clim\u00e1tica t\u00eam um duplo papel: enquanto o mundo deve buscar energias mais limpas para evitar o aquecimento do planeta, a Costa Rica deve ampliar sua matriz energ\u00e9tica por causa das mudan\u00e7as nos padr\u00f5es hidrol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Por isso o pa\u00eds explora os limites dessas energias renov\u00e1veis e se prop\u00f5e a possibilidade de gerar 100% de eletricidade limpa, em uma estrat\u00e9gia que aposta particularmente na geotermia. Esse recurso se esconde sob os vulc\u00f5es do noroeste do pa\u00eds e os cientistas e engenheiros locais aperfei\u00e7oam a t\u00e9cnica de utilizar o calor da terra para gerar eletricidade.<\/p>\n<p>\u201cTemos prevista a constru\u00e7\u00e3o da nova usina geot\u00e9rmica, a Pailas II, e estamos com os estudos de viabilidade de um novo campo. A geotermia \u00e9 importante porque n\u00e3o est\u00e1 sujeita \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, sendo constante\u201d, argumentou Orozco. Essa usina teria 50 megawatts de capacidade instalada e se somaria \u00e0s que j\u00e1 est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o: Pailas, com 35\u00a0 de capacidade, e Miralles, com 165 megawatts. Isso significa que atualmente se explora, segundo dados do ICE, apenas 23% do potencial geot\u00e9rmico, de 865 megawatts.<\/p>\n<p>No entanto, seu desenvolvimento apresenta o inconveniente de que o resto do recurso est\u00e1 localizado em parques nacionais, onde por lei n\u00e3o se pode fazer esse tipo de explora\u00e7\u00e3o. Isso traz a pergunta sobre qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de energia verde que o pa\u00eds aceitar\u00e1.<\/p>\n<p>Especialistas como o ex-ministro de Ambiente e Energia, Ren\u00e9 Castro (2011-2014), consideram vi\u00e1vel o desenvolvimento geot\u00e9rmico. \u201c\u00c9 poss\u00edvel. S\u00e3o necess\u00e1rias duas mudan\u00e7as: que o ICE amplie a geotermia e seja autorizada a extra\u00e7\u00e3o em parques nacionais, com pagamento de direitos a esses parques e reposi\u00e7\u00e3o em dobro da terra que for usada. Se fossem usados 50 hectares (de parques nacionais) deveriam ser repostos cem de valor ecol\u00f3gico equivalente\u201d, explicou Castro ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>A outra medida que Castro prop\u00f5e \u00e9 \u201cautorizar o setor privado a gerar eletricidade com biomassa de res\u00edduos de abacaxi, banana ou serragem\u201d e depois vend\u00ea-la ao ICE, que administra o setor e tamb\u00e9m \u00e9 o principal explorador el\u00e9trico. Os operadores privados representam 14,5% da gera\u00e7\u00e3o total e um quarto da capacidade instalada, mas legalmente t\u00eam limita\u00e7\u00f5es para expandir sua participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O investimento necess\u00e1rio seria semelhante ao projetado pelo ICE, pontuou o ex-ministro, que est\u00e1 pr\u00f3ximo de 1% do produto interno bruto. \u201cO que mudaria \u00e9 que em lugar de um \u00fanico investidor, o ICE, este seria o dominante, mas estaria acompanhado de, aproximadamente, 30 empresas e cooperativas\u201d, acrescentou Castro.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o \u00e9 urgente no pa\u00eds, que adentra lentamente nela por m\u00faltiplos canais. Em julho de 2014, a Assembleia Legislativa aprovou um empr\u00e9stimo do Banco Europeu de Investimentos e da Coopera\u00e7\u00e3o Japonesa para construir o projeto geot\u00e9rmico Pailas II. Por sua vez, o ICE tem em marcha projetos para aumentar em 800 megawatts sua capacidade instalada de 2.880 megawatts.<\/p>\n<p>Em paralelo, o governo abriu uma Mesa de Di\u00e1logo Nacional de Energia El\u00e9trica, que discutir\u00e1 esses temas, e um Di\u00e1logo Nacional de Transporte e Combust\u00edveis, que abordar\u00e1 o ponto mais fraco do sonho verde costarriquenho: o gasto energ\u00e9tico em transporte.<\/p>\n<p><strong>Transporte, o elo mais d\u00e9bil<\/strong><\/p>\n<p>Esse setor \u201c\u00e9 o maior consumidor energ\u00e9tico em n\u00edvel nacional e responde por 67% do total das emiss\u00f5es de gases-estufa do pa\u00eds\u201d, disse, ao inaugurar o di\u00e1logo, o ministro atual de Ambiente e Energia, \u00c9dgar Guti\u00e9rrez. Por isso, para o governo, \u201catender os desafios que esse setor apresenta \u00e9 uma prioridade\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Por mais limpa que a Costa Rica consiga fazer sua matriz energ\u00e9tica, o pa\u00eds manter\u00e1 suas emiss\u00f5es e seu modelo de desenvolvimento \u201csujo\u201d por causa do transporte terrestre. Uma solu\u00e7\u00e3o poderia vir das m\u00e3os do cientista e ex-astronauta de origem costarriquenha Franklin Chang, que trabalha em um sistema de transporte com hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>\u201cO problema n\u00e3o est\u00e1 na eletricidade, mas no transporte. \u00c9 a\u00ed que temos de ganhar e nos desligarmos do uso do petr\u00f3leo, introduzir nosso pr\u00f3prio combust\u00edvel em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds com tecnologias baseadas no hidrog\u00eanio\u201d, explicou Chang ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>De seu laborat\u00f3rio em Guancasta, na costa ocidental, no litoral do Oceano Pac\u00edfico, Chang aliou-se \u00e0 estatal Refinadora Costarriquenha de Petr\u00f3leo (Recope) para criar um plano-piloto com v\u00e1rios ve\u00edculos movidos a hidrog\u00eanio e conseguiu chegar \u00e0 fase de testes, mas um tecnicismo freou o projeto de US$ 2,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outubro, sua empresa, a Ad Astra, anunciou que \u201cestava pronta para iniciar a \u00faltima fase\u201d. \u201cSeria o fecho de ouro com o qual instalar\u00edamos e criar\u00edamos um pequeno ecossistema de ve\u00edculos a hidrog\u00eanio\u201d, mas a Recope n\u00e3o conseguiu eliminar seu impedimento legal para operar esse tipo de energia. \u201cEm mar\u00e7o anunciei que estava totalmente cansado disso\u201d, acrescentou Chang.<\/p>\n<p>O parlamento estuda atualmente uma solu\u00e7\u00e3o para permitir \u00e0 Recope investir em energias limpas, mas at\u00e9 agora o projeto est\u00e1 parado. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2015\/04\/no-hay-quien-pare-a-la-energia-renovable-pero-llegara-a-tiempo\/\" >N\u00e3o h\u00e1 quem freie a energia renov\u00e1vel, mas chegar\u00e1 a tempo?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/energia-renovavel-latino-americana-suporta-baixos-precos-petroleo\/\" >Energia renov\u00e1vel latino-americana suporta baixos pre\u00e7os do petr\u00f3leo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-gas-e-sol-iluminam-estrada-energetica-em-el-salvador\/\" >G\u00e1s e Sol iluminam a estrada energ\u00e9tica em El Salvador<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/caribenhos-dao-exemplo-em-energias-limpas\/\" >Caribenhos d\u00e3o exemplo em energias limpas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/costa-rica-neutra-em-carbono-apenas-um-slogan\/\" >Costa Rica neutra em carbono: apenas um slogan?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-boom-de-energias-renovaveis\/\" >Boom de energias renov\u00e1veis<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 27 de maio de 2015 (Terram&eacute;rica)- Apoiada na pot&ecirc;ncia do sol, do vento, dos rios e do calor interno da Terra, a Costa Rica entra no s&eacute;culo 21 com o desafio de se superar em mat&eacute;ria de energias limpas e chegar a uma matriz el&eacute;trica abastecida unicamente com fontes renov&aacute;veis. 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